Arquivos mensais: Novembro 2011

A luta dos professores e a negação da individualidade

Para compreender este comentário, necessita de ler este texto muito certeiro do Luís.

O individualismo como cultura organizacional é, a meu ver, a negação da individualidade. Enquanto o individualismo significa atomização social, a individualidade implica independência e realização pessoal. Há muito tempo que os professores cultivam hábitos do individualismo o que revela ausência de uma ética do cuidado com os outros. Maria de Lurdes Rodrigues, pelas piores razões, acabou por fazer despertar essa ética e nunca estivemos profissionalmente tão perto de uma cultura de colaboração na escola situada. Agora regressamos ao passado, com a agravante de capitularmos perante a opinião pública e perante nós próprios, fazendo perigar a nossa individualidade. Adivinham-se tempos em que emergem sentimentos de culpa e agora, mais do que nunca, os professores mais lúcidos e mais assertivos precisam de ligar as pontas, criando culturas de colaboração, a bem da sanidade mental de todos.

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Do rigor…

Cada feriado custa 37 milhões de euros à economia

Estará o Governo em condições de estimar o custo para a economia de políticos incompetentes?

Agora que retalharam a Constituição, deve ser possível arranjar forma de despachar alguns ministros compulsivamente… Ou não?…

Na ressaca da greve geral…

Na ressaca da greve geral dou comigo a pensar na distância inexorável que separa o ator político profissional, que julga ser capaz de modificar a realidade por controlo remoto e pela ação legislativa, do simples operário (ou do simples professor cada vez mais proletário)*, que se limita a cumprir prescrições.

Não irei recuperar os motivos pelos quais fez todo o sentido uma adesão alargada dos professores à greve geral, que não veio a acontecer. A ideia que quero desenvolver remete-nos para a questão da regulação das práticas, da pilotagem das práticas, e para a ineficácia das políticas autoritárias que se propõem alterar essas práticas pedagógicas. Independentemente da dimensão da adesão dos professores à greve geral há imensos sinais na escola situada, sinais que se vão intensificando, de uma confrontação sem paralelo na nossa história democrática entre a administração escolar e os professores. Esse conflito decorre da degradação do estatuto sócio profissional, do empobrecimento das condições laborais, e do definhamento das representações de sucesso profissional dos professores. O défice das contas públicas não explica tudo, nem pode legitimar opções de políticas que remetem a profissão docente para um ofício de simples assalariados desqualificados.

Não se conhece uma medida que toque na acendalha da motivação dos professores, bem pelo contrário. Apenas se conhecem ameaças de piores dias. O político profissional deixa-se alienar pela sensação de controlo que o poder legislativo lhe oferece e, como é evidente, não se augura qualquer mudança significativa nas práticas pedagógicas.

Na ressaca da greve geral dou comigo a pensar na distância inexorável que separa o ator político profissional do simples professor proletário…

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*A função docente é cada vez menos autónoma e cada vez mais prescritiva, por vontade do administrador escolar que não confia no profissionalismo dos professores e, reconheçamos, por vontade de muitos professores que preferem menos responsabilidade, porque as prescrições são sempre insuficientes para regular o trabalho abrangente do professor.

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imagem daqui

Bá lá, bá lá,…

Na minha praia, a coisa rondou os 30%.

Direi que foram os mesmos de sempre, com honrosas exceções…

Alarme

Quem foi que anoiteceu a tarde em água e vento
e encheu de Inverno o Outono em que me escondo?
Quem foi que amarfanhou o meu sorriso antigo
e encheu de lama estrelas que sonhava?
Vontade de escarrar,
vontade louca
de dizer palavrões
a toda a gente!…
E tudo fica igual,
como se nada
tivesse acontecido
em qualquer parte;
e tudo fica mudo,
a mastigar
pra dentro
os palavrões
que era
preciso
dizer,
para que a tarde
fosse tarde
e o Outono
Outono
e o riso fosse riso
– um bimbalhar de sinos –
e as estrelas
brilhassem como sóis…
É preciso
acordar
a madrugada
-antes que a matem,
inda mal desperta!…

Alfredo Reguengo

(Deslocalizado do blogue da Maria Lisboa ;))

Em greve, obviamente!

nem o país induca, nem o vinho instrói…

‘País não está a conseguir educar os jovens’, Nuno Crato

O ministro da Educação disse hoje em Mafra que é preciso estimular os jovens para o gosto pela Matemática e pelas Ciências, admitindo que o país «não está a conseguir educá-los».

«Temos um problema. É que não estamos a conseguir educar os nossos jovens como gostaríamos. No que se refere à Matemática e à Física temos muitos jovens que gostariam de ser engenheiros, cientistas, gestores ou economistas e não conseguem, porque não têm sucesso. É importante despertar os jovens para a cultura científica», afirmou Nuno Crato.

Bem, difícil é educá-los senhor ministro!…