Arquivos mensais: Setembro 2012

A Glorificação das Aparências

Não sei o que acontecerá quando formos todos funcionários aureolados pela organização de aparências que acentua a satisfação dos privilégios. A aparência vai tomando conta até da vida privada das pessoas. Não importa ter uma existência nula, desde que se tenha uma aparência de apropriação dos bens de consumo mais altamente valorizados. Há de facto um novo proletariado preparado para passar por emancipação e conquistas do século. As bestas de carga carregam agora com a verdade corrente que é o humanismo em foco — a caricatura do humano e do seu significado.

Agustina Bessa-Luís, in ‘Dicionário Imperfeito’

Claro que também fiquei intrigado!

E pode saber-se porquê?

Só não avanço com a hipótese de corporativismo bacoco porque Relvas ainda tem o seu peso no conselho de ministros…

O neoconservador Nuno Crato

Nuno Crato desejou fazer “implodir” o MEC. Houve quem conotasse esta pretensão com um impulso neoliberal de emagrecimento do Estado com a consequente transferência de mais autonomia para as escolas situadas.

Puro engano!

Nuno Crato é o arquétipo de um político neoconservador que deseja um Estado forte. E os seus impulsos neoconservadores revelam-se em coisas como:

O controlo sobre o saber legítimo, que a recente revisão curricular reduziu a duas ou três disciplinas putativamente nucleares;

A definição de metas de aprendizagem que não conseguem disfarçar o “policiamento” do trabalho dos professores cada vez mais padronizado e racionalizado, baseado numa profunda falta de confiança da tutela nas competências dos professores;

A proliferação de testes intermédios e de exames nacionais que visa, em última instância, providenciar não só o conteúdo legítimo a ser ensinado como os métodos legítimos (métodos de ensino centrados mais nos resultados e menos nos processos de aprendizagem);

A alteração das regras de organização do ano letivo que prossegue o objetivo de intensificar o trabalho dos professores (diminuindo em 110 minutos o tempo de trabalho individual semanal).

Quais as consequências desta deriva neoconservadora?

O empobrecimento da escola pública e a degradação do estatuto social do professor!

Governo de iniciativa presidencial

imageVou ao cerne da questão e passo ao largo da contextualização, que é redundante face ao atual momento político e social: O país necessita de um governo de iniciativa presidencial (eu sei, eu sei, a credibilidade deste presidente foi chão que deu uvas…) por políticos com estaleca, mas fora do ativo; Deve ser um governo de políticos não carreiristas, altruístas, movidos pelo sentimento de privilégio por servir a nação; Nenhum desses putativos governantes pode julgar a Constituição um obstáculo ou um entrave para decisões políticas justas e solidárias.

Não sei bem como se poderá lá chegar e que deambulações serão necessárias para atingir esse ponto. O que eu sei é que as sondagens não auguram nada de bom!…

Arrepia…

…caminho, Passos Coelho!

Foi intensamente sentida a manifestação no Porto!

2012-09-15 17.03.30

Mobilização!

G(Cr)ato escondido com rabo de fora

É cada vez mais difícil de encontrar a linha que separa um ministro da educação de um mero sectário de matéria académica.

A jornalista Bárbara Wong chegou tarde, mas ainda bem que chegou lá…

Porque é que este ano o ministro não foi inaugurar/abrir um ano escolar?

Com medo que atirem um ovo?
Com medo que algum professor desempregado se atire para cima do carro?
Com medo dos protestos agendados pela Fenprof?
Não. O ministro não foi a qualquer escola, nem mesmo àquela onde já estava marcada a abertura do ano lectivo, na Benedita, onde estaria com o senhor primeiro-ministro, numa escola com contrato de associação, porque está ocupado. Está em Lisboa, no seu palácio das Laranjeiras (muito mais digno do que a 5 de Outubro) a receber os brilhantes alunos portugueses que participaram nas Olimpíadas internacionais da Matemática. Podia fazer o mesmo enquanto presidente da Sociedade Portuguesa da Matemática.
BW