Arquivos mensais: Outubro 2010

Fantástico

Michael Brecker

(Retirado daqui)

Hilariante

Quem se presta a negociar com este governo sabe que terá de contracenar no palco mediático. Está na sua génese, ou melhor, está na génese do grande líder esta apetência para a encenação política. Dir-me-ão que a acção política contém uma faceta mediática, que a mesma é inevitável, e sem a qual não é possível mediar a relação entre representantes e representados. É verdade. Só que o problema não está na competência mediática do político sendo consensual que José Sócrates é um bom actor. O problema começa quando o político promove os meios (da sua acção política) à categoria dos fins. Ao esquecer que o fim da sua acção política não é a manutenção do poder nem a eternização dos seus apaniguados no governo mas, realidade bem diferente, a criação das condições de desenvolvimento do país face aos constrangimentos circunstanciais e conjunturais.

Tem sido penoso assistir à degradação das condições de desenvolvimento do país enquanto os actores políticos mandatados pelo povo se entretêm em jogos florais. Temos assistido, estupefactos, a inúmeros episódios inverosímeis que, face aos testemunhos contraditórios, têm o mérito de comprovar que há pelo menos um mentiroso entre dois implicados. A confiança parece ser uma palavra vã nesta política rasteira onde as declarações de Eduardo Catroga depois de ter assinado o protocolo sobre o Orçamento do Estado para 2011 constituem apenas o mais recente e hilariante exemplo.

O chefe da equipa negocial do PSD fez questão de mostrar para as câmaras uma fotografia tirada com o seu telemóvel que regista o momento em que assinava, em sua casa, o Protocolo de Entendimento sobre o OE, ao lado de Teixeira dos Santos.

Acham isto normal?

Por onde andam os poetas? ;)

Para os interessados…

Requerimento para a Observação de Aulas.

Educação sexual: Amnésia ou incúria?

Artigo 8.º
Formação

A formação a que se referem os n.os 4 e 6 do artigo 8.º da Lei n.º 60/2009, de 6 de Agosto, é assegurada pela Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular do Ministério da Educação, que desenvolverá para o efeito as acções e os projectos necessários à sua concretização, estabelecendo parcerias com a Direcção-Geral da Saúde, as instituições do ensino superior e o Instituto Português da Juventude, I. P., bem como as organizações devidamente credenciadas.

A Portaria n.º 196-A/2010, de 9 de Abril, estabelece a educação sexual nos estabelecimentos do ensino básico e do ensino secundário e define as respectivas orientações curriculares adequadas para os diferentes níveis de ensino.

O nº 4 do artigo 8.º da Lei n.º 60/2009, de 6 de Agosto, diz o seguinte: Aos professores coordenadores de educação para a saúde e educação sexual, aos professores responsáveis em cada turma pela educação para a saúde e educação sexual e aos professores que integrem as equipas interdisciplinares de educação para a saúde e educação sexual, é garantida, pelo Ministério da Educação, a formação necessária ao exercício dessas funções.

As escolas andam às voltas com a inclusão da educação sexual nos seus projectos educativos procurando cumprir o que a lei determina.

Pergunto se a demissão do governo nesta matéria é motivada pela inércia dos serviços centrais do ME, por distração, ou será que a época de vacas magras justifica tudo?

Pergunto ainda se é lícito iniciar este processo sem garantir a formação dos professores?

Disputa pelo pedaço de tempo.

O fim da Área de Projecto e do Estudo Acompanhado, previsto na proposta OE, vai deixar em risco pelo menos 5 mil professores, estima a FENPROF. Não sendo uma boa notícia para os professores contratados por razões óbvias, a extinção das áreas curriculares não disciplinares pode ser uma boa notícia para a escola. Desde logo se for acompanhada por uma diminuição do tempo de permanência dos alunos na escola contrariando a ideia peregrina de que a escola deve ser a tempo inteiro, relegando a família para uma espécie de baldio ao dispor do empregador. Pode ser uma boa notícia se o emagrecimento do currículo formal decorrer de uma política escolar centrada na cultura, ao invés de estar subordinada ao económico. Pode ser uma boa notícia se não decorrer de uma lógica reformadora burocrática, secundarizando e instrumentalizando o acto educativo.

A notícia de que chegou o fim das áreas não disciplinares parece ter desencadeado uma corrida ao pedaço de tempo: A Matemática, o Português, a História, a EVT, enfim, não faltam candidatos em bicos de pés acenando com benefícios pretensamente intrínsecos a cada disciplina. É evidente que a Educação Física também concorre nesta competição porque não lhe faltam motivos e argumentos sólidos para reforçar a sua importância no espaço escolar.

A meu ver, não deve prevalecer a lógica do feudo de uma qualquer corporação relativamente às restantes. É uma discussão inócua porque há que reflectir sobre a lógica política mais adequada à natureza da educação. E essa lógica dever ser a de longo prazo que tenha em linha de conta as carências culturais e educativas da população. Carências essas que não se remedeiam com o tipo de formação acelerada que é promovida pelos CNO´s socratinos.

:)

Lembro-me, como se fosse hoje. 24 de Outubro de 1997 foi, muito provavelmente, o dia mais feliz da minha vida. Com menos euforia mas com a mesma paixão, quero vivê-lo com a mesma intensidade.