Teoria da conspiração

Tenho um grande amigo, que por acaso é enfermeiro e pai [que grande injustiça… está bem, nada disso foi por acaso], e com o qual tenho mantido as discussões mais prolongadas e duras sobre tudo e sobre nada. Como grandes amigos que somos, não temos por hábito poupar as críticas e os desabafos. Confesso que muitas das discussões que alimentamos não têm ponta que se lhe pegue para quem nos vê e ouve ao perto, porque é frequente começarmos pelo fim. Isto é, como é longo o histórico da controvérsia, o tema mal é lançado, partimos de imediato para as conclusões. Por vezes chega a ser surreal.
Isto para dizer que hoje fui procurá-lo para cuidar de algumas maleitas típicas de um desportista enferrujado. Ainda não tinha acabado o cumprimento, depois de lhe revelar que a minha escola fora fechada a cadeado pelos alunos, já o primeiro disparo provocador tinha sido lançado:
– Não me digas que os professores estiveram por detrás dessa rebelião?… Negas que reprovam a iniciativa?
Afinal, limitava-se a reproduzir a teoria da conspiração veiculada na comunicação social pelos nossos responsáveis políticos. De seguida, enuncia alguns exemplos mais ou menos caricatos em sectores de actividade onde o empregador cuida de substituir o empregado nas ausências de curta duração. Aproveitei para o conduzir ao seu mister para ver se a luz aclarava o seu temperamento neoliberal:
– Se um ortopedista faltar no dia da operação devidamente agendada, é ou não legítimo ser substituído por um otorrinolaringologista? Ou na melhor das hipóteses por outro ortopedista que se liberte de meia dúzia de consultas de rotina?
– … Um cirurgião?… Um enfermeiro está habilitado para substituir um colega em qualquer serviço.
– …
Pois… afinal fora mais um desabafo!

Adenda: O Vento Mudou e a Censura Voltou! Ou não?

Director da Pontos nos ii alega intervenção nos conteúdos.
O director da revista mensal sobre educação Pontos nos ii, desenvolvida pela Texto Editores, afirma que a editora decidiu interromper a publicação na sequência de divergências sobre os conteúdos editoriais.

Já li… e aconselho

  • Cinco armadilhas para a educação

Artigo publicado na edição portuguesa de «Le Monde Diplomatique» (Outubro/2000)

Instada a responder sozinha ao desafio da promoção social, a escola vê-se progressivamente desacreditada e sujeita aos desideratos de mercado de trabalho. Na “sociedade do conhecimento” – onde a promoção de novas tecnologias é pensamento único – a educação já não é mais do que o instrumento de legitimação de uma divisão social desigual. Esta visão redutora esquece que a escola é, antes de mais, o local onde se constrói o laço social, onde deve elaborar-se a “democracia da vida”. [Continuar a ler aqui…]
Riccardo Petrella
Professor na Universidade Católica de Louvain (Bélgica); conselheiro na Comissão Europeia

  • A educação foi evacuada do debate político

[…] Que consequências advirão, para a Escola e para os docentes, da conflitualidade latente que marca o momento actual do sistema educativo?
Eu não tenho uma visão patológica, disfuncional, do conflito. Penso que o conflito é esperável e legítimo numa sociedade democrática. O que espero é que haja capacidade das partes envolvidas, ministério e plataforma sindical, para dirimir os conflitos de forma democrática.
Porque não vale a pena impor unilateralmente um estatuto aos educadores e professores, que devem ser dotados de grande autonomia do ponto de vista científico, pedagógico e relacional. Não é pensável que profissionais altamente controlados, subordinados, alienados, possam contribuir para a autonomia dos educandos, para a autonomia das escolas e para a democratização da Escola.
Se houver bom senso, creio que se fará o que for necessário para chegar a uma postura negocial que exige cedências de ambas as partes. E aí, as organizações sindicais são absolutamente centrais, não só na defesa dos pontos de vista profissionais, mas também na descodificação e explicitação de determinadas mudanças aos próprios professores.
Portanto, eu diria que é preciso, efectivamente, construir um novo estatuto, mas construí-lo negociando e evitando rupturas definitivas, que não interessam a ninguém e que se arriscarão a desprofissionalizar os professores – se os professores tiverem um estatuto no qual não se revêem, que é um estatuto outro, relativamente ao qual se alienam, o que é que se vai fazer com ele?
Neste momento conturbado, já tenho ouvido dizer de professores que estão no 9º escalão que a sua carreira acabou aqui, que jamais se proporão a um concurso para professor titular, por exemplo. Eu compreendo as razões, mas se isto acontecer, se os mais experientes, se os que neste momento estão no topo da carreira se alienam de vir a ocupar posições, isso será um indicador de que o estatuto se insucedeu completamente.
Claro que há sempre excepções, gente muito nova com uma capacidade de intervenção notável e gente em final de carreira que continua a ter uma energia extraordinária.
Mas quem está nas escolas e quem estuda as escolas sabe que quem mexe, quem aguenta isto, quem investe, é uma geração que está entre os 35-45 anos. Se estes “motores das escolas” ficarem abaixo da categoria actual de professor titular, não sei quem é que vai levar isto para a frente… [Ler a entrevista…]
Licínio Lima (pp.14 a 23)

Liderança ou lideranças?

Não acredito em líderes heróicos nas organizações complexas, como é o caso das organizações escolares. Prefiro um líder que se empenhe em induzir a liderança nos outros e nunca me revejo num líder que concentra em si o poder e o protagonismo da mudança. Nenhum sistema de controlo pode ser mais eficaz do que o comprometimento pessoal de cada um dos actores. Um líder que cultive a liderança nos outros sabe que a organização crescerá para além da sua presença ou da sua saída. Ora, não é este líder que é reclamado pelo ECD imposto pelo ME. O ECD imposto pelo ME procura líderes heróicos: Na figura do presidente do conselho executivo e na figura do coordenador do departamento estão representados os líderes mais competentes e com melhor estatuto remuneratório. Ao limitar a liderança escolar a apenas dois níveis de aplicação não é crível que emirja um envolvimento genuíno de todos, tanto mais que se apela a um sistema de partilha concorrencial assente num sistema de incentivos pouco claro e ambíguo [e nem precisamos de ver (ainda está por regulamentar) o novo sistema de avaliação].

Aos motivos que me levam a discordar do ECD imposto pelo ME, junto este: o tipo de liderança que o ECD promove gera entropia e não cria as condições necessárias ao desenvolvimento individual e organizacional.

Outro olhar…

Esta semana desafiei um aluno a lançar o seu olhar sobre a disciplina de Educação Física. Ele aceitou e foi suficientemente mordaz, como se pode ler aqui. E acabei com vontade de o convidar a opinar sobre as mudanças em curso, nomeadamente, a proliferação dos cursos profissionais, as aulas de substituição, e as recentes alterações do “clima” de escola [o clima é um bom indicador de qualidade, ou não?].
Bom fim-de-semana.

Adenda: Ontem, logo pela manhãzinha, uma boa parte do professorado começou a sentir náuseas…
Hummm… ficaria muito mais tranquilo se o mal-estar estivesse relacionado com… dores de crescimento.

União!

Se há algo que este ME se pode orgulhar é o de ter conseguido juntar na mesma mesa e na mesma luta 14 sindicatos de professores conotados com forças políticas desiguais. Ao beliscar a dignidade dos professores, o ME acabou por conseguir algo impensável antes da discussão deste ECD. De todo o processo negocial este é o facto político mais importante, muitas vezes desvalorizado pelos arautos neoliberais que, percebendo o alcance deste acontecimento, pressentem na força associativa um obstáculo para o avanço das suas políticas.
A fragmentação sindical dos professores tem sido apontada, na escola situada, como uma das causas da degradação da imagem do professorado junto da opinião pública, acabando por servir de álibi para o alheamento de alguns professores pelas lutas da classe.
Chegamos a um ponto de viragem!
Imagino constrangimentos conceptuais, dificuldades organizacionais, feridas que a história abriu e que ainda não cicatrizaram completamente. Conjecturo imensas teses ortodoxas dentro de cada uma das estruturas sindicais. Antevejo, compreensivelmente, hesitações…
Chegamos a um ponto de viragem!
Há que aproveitar o balanço desta luta que já demorou o tempo suficiente para justificar uma reflexão profunda acerca da possibilidade de concretizar a união formal dos 14 sindicatos.
Chegamos a um ponto de viragem?!

Poderes políticos medíocres e míopes…

“[…] o estatuto social e profissional do professor degradou-se extraordinariamente nas últimas duas décadas, constituindo um verdadeiro processo de proletarização da função docente. Podem os poderes políticos medíocres e míopes pensar que assim fazem as sociedades poupanças com a educação, que é um investimento social caro. A verdade é outra: é que as sociedades nada ganham com educação sem qualidade, pois tal não significa senão população sem qualidade.
Urge, pois, revitalizar, ao mesmo tempo que a qualidade profissional dos docentes, o seu estatuto social, profissional e remuneratório.”
Manuel Ferreira Patrício (1997). Visão prospectiva para o professor para os anos 2000 In: Formar professores para a escola cultural no horizonte dos anos 2000. Porto Editora.

Actualidade…

Prestação de contas

A crónica de António Barreto (AB) no Público [19/11/06] vale-se do sistema educativo para fazer um elogio à prestação de contas.
Não considero que este texto do prestigiado cronista reedite [embora subliminarmente isso possa acontecer] a retórica da agenda económica dos discursos gerencialistas, discursos esses que partem do pressuposto de que o aluno é uma matéria-prima da escola e que é a partir dessa matéria-prima que todo o sistema deve ser avaliado. O que se depreende deste texto é que a prestação de contas deve ser feita a uma entidade exterior ao próprio sistema como garantia de independência. “Prestar contas não é apenas mostrar as despesas e as receitas, assim como a honestidade e a falta dela. É também mostrar o que se faz e o que não se faz. Se se fez bem ou mal. Se se fez tudo o que deveria ser feito ou não. Se os resultados são os previstos ou perversos.” A prestação contas que não se confunde com avaliação, procura discriminar avaliados e avaliadores, requer comprometimento.
Não fosse uma pequena incoerência no discurso de AB, subscreveria este texto. Diz AB que “nada muda só por motivos interiores. Não há melhoramentos sem intervenção exterior. […] Ora, enquanto as escolas não prestarem contas a entidades autárquicas, às comunidades e aos pais [..] podemos ter a certeza de que os orçamentos são mal gastos, que a irresponsabilidade reina e que a impunidade é a regra”.
Se a escola deve prestar contas a alguém exterior ao sistema, pergunto se as autarquias, a comunidade e os pais não fazem parte deste sistema? E a quem serve esta escola que exclui a comunidade local?

:(

Depois de um apagão repentino que me terá deixado com cara de parvo, recorri ao velhinho portátil para vos dar conta de uma pausa forçada. Na 2ª feira será feito o diagnóstico ao enfermo…
Um bom fim-de-semana.

[Imagem: Office – ClipArt]

[Des]Qualificação

O Guia de Orientações dos Cursos Tecnológicos propõe este conjunto de parâmetros de avaliação para os alunos estagiários:

  • INTEGRAÇÃO NA ENTIDADE DE ESTÁGIO
  • APREENSÃO DOS CONHECIMENTOS
  • APRENDIZAGEM DE NOVOS CONHECIMENTOS
  • INTERESSE PELO TRABALHO QUE REALIZA
  • RAPIDEZ NA EXECUÇÃO DO RABALHO
  • QUALIDADE DO TRABALHO REALIZADO
  • SENTIDO DE RESPONSABILIDADE
  • AUTONOMIA NO EXERCÍCIO DAS SUAS FUNÇÕES
  • FACILIDADE DE ADAPTAÇÃO A NOVAS TAREFAS
  • RELACIONAMENTO COM A CHEFIA
  • RELACIONAMENTO COM OS COLEGAS
  • RELACIONAMENTO COM OS CLIENTES
  • ASSIDUIDADE E PONTUALIDADE
  • CAPACIDADE DE INICIATIVA
  • ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO
  • APLICAÇÃO DE NORMAS DE SEGURANÇA E
  • HIGIENE NO TRABALHO

Dos parâmetros sugeridos pela tutela, noto que as questões da formação profissional não dispensam o sentido educativo. A autonomia, o relacionamento, a iniciativa, a assiduidade e pontualidade, a integração no contexto, enfim, aspectos de natureza sócio-afectiva que dão esse sentido educativo à formação. Só não percebo a razão dos discursos oficiais que insistem em diluir as questões da educação ao problema do desenvolvimento de competências. Não percebo como é que o discurso da qualificação dos alunos possa ser reduzido ao problema da formação profissional.

“Fast-food” lectivo

Os alunos da minha escola decidiram protestar contra as aulas de substituição. Não se trata de uma greve [não quero corroer o termo] precisamente porque o protesto é ilegal e não se limitou às aulas de substituição, já que se estendeu às restantes actividades escolares. A acção dos alunos pareceu determinada e foi pacífica o que contrastou com aquela notícia que dava conta de uma acção semelhante numa outra escola do país e que exigira a intervenção das forças de segurança. Por aqui as portas continuam abertas, alguns alunos vagueiam pela escola, outros recolhem alguns haveres nos cacifos individuais para regressar a casa. Alguém dizia acertadamente [não me lembro quem ;)] que todos temos o direito à indignação: Os alunos não estão satisfeitos e os professores também não…
Alunos e professores [presumo que os encarregados de educação estão devidamente informados] estão de acordo quanto à inexequibilidade desta medida. Por um lado, não é possível formar uma bolsa de professores em cada área disciplinar para suprir as ausências ocasionais. Por outro lado, as actividades educativas exigem, de igual modo, tempo para o planeamento e preparação. Já ouvi exemplos de escolas que se organizaram no sentido de preparar estas actividades de modo a reduzir este tempo, servindo-se das temáticas da educação para… a saúde, ciência, cidadania, ambiente, educação para isto e para aquilo. A ideia é deixar ao professor um conjunto de materiais do tipo “fast-food”, previamente elaborados por uma equipa de trabalho criada para o efeito, para serem consumidos pelos alunos durante esse tempo. Espera-se do professor versatilidade, domínio de técnicas de persuasão e… obesidade [intelectual].
Resta saber qual é o preço a pagar pelos abusos.

Adenda: Última alteração do ECD – 15 de Novembro 2006

Escola minimalista…

Alguém questionava a inexistência de uma visita de estudo para o corrente ano. Antes de se fazer ouvir um comentário do professor, choveram ideias de locais e entidades apelativas. Todas interessantes, todas susceptíveis de induzir os alunos a aplicarem conhecimentos, todas capazes de provocar a motivação para as temáticas da disciplina.
Presumira o aluno que houvera esquecimento e que o professor se teria descuidado. Afinal, o problema fora reduzido a uma simples conta de merceeiro: O tempo de escola do professor não chegaria para dar uma volta ao primeiro quarteirão da cidade. Não chegaria sequer para planear a visita e fazer o respectivo relatório.
Eles perceberam e conformaram-se! O que é uma pena!

Racionalização de meios, digo eu!

Medalhas de cortiça? Ou a cenoura? …

Prémio Pitágoras vai premiar bons professores da disciplina

[…] Porque não premiar aquele professor de Matemática que tem as melhores práticas pedagógicas? Ou o outro que a associação de pais sabe que dá aulas de uma qualidade excepcional? Ou o que os alunos adoram? Ou o que os outros professores reconhecem ser o que obtém os melhores resultados? […]” In: Público (12/11/06)

E se antes de ser anunciado o prémio se explicitasse o que é um bom professor?
Hummm… vou escolher a primeira hipótese: Será que aquele professor de Matemática que tem as melhores práticas pedagógicas e não satisfaz a associação de pais que considera que ele não dá aulas de qualidade, e os alunos detestam, e os outros professores não reconhecem ser o que obtém os melhores resultados [presumo que a notícia se refere aos resultados dos alunos], tem direito ao prémio?

A ponte…

A questão da violência em contexto educativo [familiar e escolar] é complexa porque cruza formas directas e indirectas [1]; é interessante sob o ponto de vista analítico, suscitando inúmeras incursões académicas – teses de mestrado e doutoramento -; é inquietante porque nos coloca nos papéis de agente e de vítima potencial da sua proliferação.

Um registo de conflituosidade caracteriza alguns discursos dirigidos às relações entre a escola e as famílias. São assinaladas barreiras, enfatizadas as desconfianças, o que traduz uma necessidade perversa de procurar “bodes expiatórios” para legitimar fragilidades de um e outro agente educativo. Com a violência sucede exactamente o mesmo o que exige da nossa parte algum bom senso para adoptarmos uma atitude afirmativa face ao problema. É isto que se pretende com a Educação para a nãoviolência.
Clarificando o conceito, podemos afirmar que a Educação para a nãoviolência tem como sinónimo a Educação para a paz. O objectivo é desenvolver uma cultura de nãoviolência que ajude as pessoas a olhar criticamente a realidade, a situar-se nela, a resolver os conflitos de forma não violenta, e que favoreça o desenvolvimento pessoal numa direcção positiva. A nãoviolência não é apenas a simples negação da violência, é muito mais: é uma maneira de pensar, uma forma de entender o homem e as suas relações, uma maneira de actuar, etc. É, definitivamente, uma filosofia de vida.
A nãoviolência não é um património da escola. É, atrevo-me a afirmá-lo, a principal ponte entre a escola e a família.

De que é que estamos à espera?

[1] A violência pode entender-se de duas formas: violência pessoal ou directa – situação em que uma pessoa comete um acto violento; violência estrutural ou indirecta – quando a violência precede a estrutura social e afecta a distribuição desigual de poder, recursos, oportunidades, relações, etc. e, definitivamente, cria uma situação de injustiça social. (Mosquera Conzález e col, 2000)

Cá, como lá…

“[…] Vários especialistas internacionais estão reunidos na cidade espanhola de Valência a analisar até amanhã o assunto “Família e Escola: um espaço de convivência”.
Os participantes no encontro, dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas, o que obriga a “um esforço conjunto da sociedade. […]”
In. Público 10/11/06

O debate que se está a produzir neste momento em Espanha – a crise de autoridade familiar na origem do aumento da violência escolar – transferido para o nosso pequeno rectângulo seria uma pedrada no charco na campanha de degradação da imagem do professor, campanha essa motivada pela criação de condições para a anuência pública da revisão [em baixa] do ECD . Deslocar para fora da escola a origem de alguns problemas educativos, num momento de discórdia marcada entre os professores e o ME, significaria debilitar uma clara estratégia de isolamento da classe profissional na opinião pública. Por este facto, é que não espero qualquer reacção do ME e da CONFAP acerca desta problemática, até porque seria necessário reconhecer-se, em primeiro lugar, que ela existe por estas bandas. Ora, como não aparece na imprensa um estudo científico que questione a crise de autoridade familiar no oásis em que vivemos, o problema continuará circunscrito à vizinhança…

Bem, não sei se hei-de rir ou chorar… 😉

Associação Portuguesa de Doentes com Fibromialgia

Respondo prontamente ao apelo da Teresa… há que divulgar este post!

“09 Novembro 2006

Atendendo a que está a ser cada vez maior o número de Doentes que são remetidos pelas Juntas Médicas a que são sujeitos para retomarem a sua actividade laboral em estado deplorável de incapacidade e atendendo também que quase nunca essa actividade coincide com as possibilidades físicas de um Doente Fibromiálgico, está a ser maior o número dos casos em que os mesmos não conseguem prosseguir essa actividade, vendo-se obrigados a desistir, sem qualquer subsistência económica ou qualquer tipo de apoio social.
São já inúmeros os casos de Doentes que sobrevivem à custa da caridade de familiares e amigos, sob um clima de elevada frustração e vergonha, para quem tanto trabalhou durante tantos anos para todos os outros, esquecendo-se de defender a sua própria saúde, (característica desta patologia) e vendo-se sujeito, depois de tantos anos de trabalho e descontos para o Estado, a pedir esmolas a quem não tem o dever de as sobrecarregar.
Até quando esta vergonha???
Acaba de acontecer um caso grave que a APDF não poderá calar nem deixar impune! Mobilizaremos todos os nossos esforços para que os responsáveis assumam a responsabilidade do que acaba de acontecer!
Um nosso Sócio, funcionário da construção civil e Doente Fibromiálgico há muitos anos, acaba de ser apresentado a uma junta médica, já como recurso. Foi OBRIGADO a apresentar-se ao serviço no dia seguinte!
1º dia de trabalho: Desmaiou ao fim de duas horas; 2º dia de trabalho: com muito custo, aguentou até duas horas antes do términus do dia, tendo já, com a autorização e compreensão da entidade patronal (o que nem sempre acontece); 3º Dia de trabalho: mal se mantendo em pé, teve uma vez mais a compreensão da entidade patronal, fazendo o seu máximo e o seu melhor; 4º dia de trabalho: logo na primeira hora da manhã de trabalho, ficou com o braço esquerdo preso numa máquina, tendo ficado sem a totalidade do seu dedo polegar, uma fractura do indicador e uma atrofia muscular em todo o braço. Para a melhoria desta atrofia, seria necessária uma fisioterapia adequada, para a qual está a ser extremamente difícil porque colide com as dificuldades da Fibromialgia, provocando dores insuportáveis no Doente.
…”

Quem quiser ler alguns testemunhos de doentes com fibromialgia, veja aqui. Será mais fácil entender o sofrimento que se pode ter.

  • Porque a fibromialgia é uma doença reconhecida há poucos anos;
  • Porque ainda há médicos que não dão importância à doença;
  • Porque é preciso lutar contra situações como as referidas no artigo da APDF;
  • Porque é preciso informar as pessoas e dar a conhecer a doença.

Flexibilizar…

Apesar de respirar [é mesmo esta a expressão adequada] alguns dos problemas que afligem os professores, ainda não me senti sufocado com o espartilho horário e funcional imposto pelas recentes orientações do ME. Duas razões justificam a aparente serenidade em que me encontro:

  • A “excentricidade” dos cursos tecnológicos que me permite leccionar 3 áreas [disciplinares e não disciplinares] em simultâneo e que, cumulativamente, absorvem 18 horas lectivas do meu horário semanal;
  • A proposta do departamento disciplinar, legitimada pelo conselho pedagógico e ratificada pelo conselho executivo, que reclama a autogestão das horas relativas ao trabalho de escola.

Este estado atípico é, paradoxalmente, instigador de maior responsabilidade. Não me limito a cumprir uma função ocasional [uma substituição por exemplo] num tempo predeterminado, prefiro prestar contas pelo cumprimento de um plano de actividades, previamente avaliado pelo órgão de gestão, mesmo que esse plano exceda, como normalmente acontece, o tempo que à priori lhe havia reservado. A flexibilização do espaço e do tempo de trabalho do professor está nos antípodas das orientações prescritivas que estupidificam a função docente.

É um facto inquestionável que a rigidez da organização escolar piramidal, CENTRALIZADA e subversiva, facilita o controlo e a inspecção. Só que o formato perverte o sistema. Ao invés de ser a inspecção a ter de encontrar instrumentos de avaliação adequados à singularidade da escola, é a escola que se molda aos instrumentos de avaliação. E esta improficiência do modelo – “pronto-a-vestir” – desresponsabiliza em vez de comprometer a iniciativa e a criatividade dos professores…

Bem, não sei se hei-de rir ou chorar…

O discurso repetitivo e incoerente da Ministra da Educação deixa-me entediado. É um discurso que não resiste às críticas que lhe são dirigidas, refiro-me concretamente às que apontam a iniquidade da proposta de revisão do ECD e falta de justeza dos motivos, e que por isso não merece ser levado a sério.

Enquanto persistir a toada, não estou disposto a dar guarita à propaganda!…

O todo!

O Henrique apela e bem à resistência. Aqui e ali à força… com a velocidade que o tempo impõe. O meu desejo é que a flexibilidade não abandone as outras três capacidades, para que o movimento seja coerente e cadenciado.
Nesta luta, o todo será maior que a soma das partes!

[Adenda: A coordenação… Sem ela, o todo seria sempre menor do que a soma das partes. Obrigado pela achega, Henrique.]

Que a diferenciação [cinestésica] das medidas tenha como referencial a singularidade e a orientação [espacial] dos sujeitos. Que o ritmo das mudanças e a imprescindibilidade de rupturas no equilíbrio do sistema não tenha como consequência o esmorecimento da reacção dos actores.
Nesta luta, o todo será maior que a soma das partes!

Alerta vermelho!

O primeiro terço do ano lectivo está prestes a esgotar-se. Falta pouco mais do que um mês para um balanço inicial da aplicação das medidas “inovadoras” que o ME introduziu no sistema, nomeadamente, o prolongamento das actividades educativas nas escolas do 1º ciclo, o plano de acção para a Matemática, o Desporto Escolar e as aulas de substituição. Cada escola deve pronunciar-se, no âmbito das suas estruturas pedagógicas mesmo que o ME não o requeira, sobre o modo como interpretou as determinações superiores, e a entropia expressa no clima escolar. Para além de uma referência objectiva aos ganhos e às perdas de qualidade das práticas, é essencial fazer um levantamento dos casos de burnout.

Perguntar-me-ão o que fazer com o relatório da situação. Não consigo abarcar as possibilidades desse trabalho. Mas estou certo de que os princípios inerentes à colaboração e ao fortalecimento dos professores sairão reforçados no final deste exercício.

"Gracias profesorado, sin vosotros no seria posible" (1)

À epígrafe subjaz uma das muitas diferenças que explicam como, tão perto, estamos tão longe. Foi escolhida pela Consejeria de Educación da Junta de Andalucia, da vizinha Espanha, para lema de uma campanha na imprensa, rádio e televisão, visando prestigiar, reconhecer e valorizar socialmente a profissão de professor.
A Consejeria está para o governo autonómico da Andaluzia como o nosso Ministério da Educação está para o governo do país. A sua titular, consejera (ministra) Cândida Martinez, considerou o conjunto dos 112.000 professores sob sua tutela “o elemento central do sistema educativo” e quis, com esta campanha, “agradecer em nome de toda a sociedade o trabalho que, em cada dia, realizam estes docentes” nas suas escolas.
É caso para dizer, ironicamente: lá, como cá! Lá, 20 anos de adesão à Europa transformaram a Espanha numa das 10 maiores economias mundiais e 45 milhões de habitantes em cidadãos. Apesar do atraso, da presença de nações distintas e dos antagonismos linguísticos. Aqui, primeiro-ministro, ministra da Educação e sequazes, tudo têm feito para dividir os 10 milhões de habitantes em bons e maus, produtivos e vilões. Porque a cidadania é escassa, o populismo destes pequenos políticos resulta e espelha-se nos fóruns da TSF e Antena 1, nos correios dos leitores da imprensa escrita e nos comentários dos blogues. Os professores são hoje, infelizmente, para muitos portugueses invejosos e pouco esclarecidos, os novos párias da sociedade.
O anunciado prolongamento das negociações entre a plataforma sindical e o Ministério da Educação sobre o estatuto dos professores está obviamente condenado ao insucesso. Os sindicatos reclamaram-no para não serem acusados, mais do que já são por alguns, de intransigência. O ministério aceitou-o porque a lei assim obriga. Ambos sabem que o resultado vai ser nulo. Mas o tema justifica algumas considerações, entre tantas possíveis, que ofereço à reflexão de quem pensa que os sindicatos não passam de forças de bloqueio e os professores de desavergonhados privilegiados.
Para reunir cerca de 30.000, vindos de todo o país em dia feriado, e conseguir uma adesão da ordem dos 80 por cento a dois dias de greve, tem de haver um número esmagador e bem superior de professores descontentes. Esta realidade está bem para além da influência do PCP ou dos sindicatos. Significa uma ruptura absolutamente única entre o corpo docente e o Ministério da Educação.
Pouco importa que o primeiro-ministro, alardeando insensibilidade política e sobranceria pessoal, fale de humor quando devia aproveitar, democraticamente, para reflectir sobre a natureza da mensagem. Pouco importa a boçalidade das gargalhadas da ministra quando interrogada sobre o facto. Os atentos sabem que não há concerto possível para esta política de reformas, que assenta no ataque a determinados grupos profissionais, instigando terceiros contra os “privilégios” por aqueles adquiridos.
Falemos de “privilégios”. Qual é o vencimento liquido dos professores, depois de 16 anos de estudo, pelo menos, a que acrescem formações periódicas obrigatórias, pós-graduações, mestrados e doutoramentos em número já significativo, pagos do próprio bolso? Em inicio de carreira são cerca de 760 euros, 1000 ao fim de 13 anos de serviço, 1400 ao fim de 23 anos de trabalho. Com 30 anos de serviço chegam aos 1700 euros. Será isto escandaloso?
O impacto da diminuição salarial proposta pelo Ministério da Educação, projectada ao longo da carreira, chega a atingir verbas da ordem dos 300.000 euros. Não deverão os professores lutar por estes “direitos adquiridos”? Para justificar esta rapina, os novos justiceiros falam de justiça social. Estranha maneira de fazer justiça, radicada no cortar, no diminuir e no vilipendiar os que já têm algo. Por que não escolhem aumentar os que têm menos, em vez de lhes alimentar ressentimentos? Que progresso é o deste país, que anda para trás em nome da justiça social?
Qualquer professor tem 35 horas de serviço semanal, como qualquer funcionário público. As 13 dessas horas que não são de aulas são insuficientes para realizar as tarefas que cabem a um professor. Por favor, peço aos portugueses mais distraídos que façam alguns exercícios fáceis. Estejam atentos ao próximo teste que os vossos filhos levem para casa. Leiam-no e reescrevam as anotações que os professores lá exararam. Pensem que ter 200 alunos é uma média corrente. Se o professor fizer dois testes por período e gastar 15 minutos a corrigir cada um, necessitará de 100 horas. Quer isto dizer que lhe sobram 50 horas, nesse período de três meses, para reuniões na escola, preparar lições, atender pais, etc., etc. Onde vai esse tempo?
Por favor, preencham duzentas daquelas fichas idiotas que os professores têm que preencher. Cronometrem o tempo.
Experimentem um só dia espreitar para o interior de uma escola, daquelas em cujas imediações a policia apreendeu, desde o inicio do ano lectivo, 1159 doses de heroína, 1406 de cocaína e 3358 de haxixe. Não falhem uma daquelas onde há rapazinhos com pulseiras electrónicas no tornozelo.
Se não mudarem as ideias sobre os privilégios dos professores, digam-me, que eu sugiro mais exercícios, de tantos que poderão clarificar o que é ser professor, hoje, em Portugal.

(1) Santana Castilho
Professor do ensino superior
[in: Público 6/11/06]

Conversas de domingo…

A Isabel [presumo que o seu anonimato na entrada anterior não foi mais do que uma pequena desatenção ;)] lança um desafio: pede-me que esclareça em que tipo de sublevação Brecht me fez pensar. Pois bem, evocar Brecht é apontar um caminho sério, sem fingimentos. Das suas palavras emerge um homem desiludido mas nunca irremediavelmente perdido. É um homem livre e com esperança.
Será que preciso de mais motivos para o recordar?

“Este homem sabia elaborar um plano, e caiu. Estroutro
Mostrou coragem, e caiu. Quanto a nós, congratulamo-nos
Com o plano e com a coragem, e choramos.

Alegrámo-nos porque eles se batiam
E choramos porque eles caíram e não
Porque eles se bateram.
Ah, nem todo o homem que regressa a sua casa é um vencedor
Mas não há vencedor que não regresse a sua casa.”

Bertolt Brecht

Ronda pela impensa

Fiquem atentos ao blogue do Rui Tavares – Vale a pena ler o texto que ele deixou hoje no Público

[Enquanto o texto não é importado para o seu blogue, aqui fica um excerto]

“A grelha queimada
Rui Tavares

“geração rasca” está mais velha e o mesmo jornal que celebrizou o termo – este mesmo onde escrevo – trazia há dias uma notícia curiosa. Segundo o PÚBLICO, o número de artigos assinados por portugueses nas revistas-padrão do mundo científico, a Nature e a Science, ultrapassou as quatro dezenas no último ano, ou seja, a Nature e a Science publicaram mais artigos de portugueses no último ano do que em toda a história de ambas as revistas. Os números não estão pormenorizados por idade dos cientistas, mas como a quase totalidade dos nomes de portugueses não aparece (ainda) como primeiro autor dos textos, a conclusão natural é a de que se trata de investigadores “júnior”, ou seja, em torno dos 30 anos. Aposto que, se fôssemos a olhar mais de perto, descobriríamos que grande parte destes cientistas fez os seus estudos durante os anos 80 e 90, precisamente aqueles que a opinião dominante considera terem sido de “terra queimada” na educação. Estão de parabéns os autores dos artigos e muito em particular um cientista que, tanto quanto me lembro, nunca acreditou na tese da “geração rasca”, José Mariano Gago.
Por que não foi esta notícia mais comentada pelos colunistas que costumam escrevem sobre educação básica, ensino superior e investigação? A resposta pode estar naquilo a que a ciência cognitiva chama de “enquadramento” (framing), mas que é já de há muito conhecido sob outras versões, como a de “grelha de leitura”. Ora acontece que, quando temos uma grelha de leitura muito vincada sobre um tema, ela tende a anular os factos que a contradizem, mesmo que eles estejam debaixo do nosso nariz. É isso que se passa com o debate sobre a educação em Portugal, de tal forma dominado ideologicamente que não há facto contraditório que sobreviva ao rolo compressor da “terra queimada”. Talvez por isso uma notícia destas não mereça comentário: se a geração rasca é assim tão rasca, como é que publicam nas revistas de referência internacionais como nenhuma geração de portugueses antes dela o fez? […]”

ECD… o Contra

No início da tarde, participei num programa de uma rádio local que versava o tema da revisão do ECD. Fui acompanhado por dois colegas, uma dirigente sindical e o presidente do conselho executivo da minha escola, que participou no debate na sua qualidade de professor e não como representante da tutela.
Se há tempos atrás criticava o facto de ter assistido a um debate televisivo que ficará conhecido como o programa do Prós, hoje terei de admitir, o programa em que tive a oportunidade de participar foi um programa do Contra. Se tivesse o auditório da RTP1, o tempo de antena que lhe foi destinado, e pudesse recuperar a oportunidade do momento em que o Prós foi para o ar, diria que uma mão lavou a outra. Mas não foi isto que aconteceu. E não imagino quantos programas teriam de ser realizados para reparar os efeitos perversos que o Prós gerou… mais vale tarde….

Nota: Têm sido inúmeras as ocasiões em que divirjo das opiniões do presidente do conselho executivo da minha escola: Pelos papéis que desempenhamos, pelas visões de escola porventura distintas, pelas crenças que nos influenciam, pelos lugares de onde nos situamos para lançar um olhar para o mundo. Será justo dizê-lo, hoje demonstrou uma grande coragem em assumir publicamente as suas opiniões pessoais, tanto mais que sabia à priori, que elas se afastariam das posições oficiais. Um bem-haja!

Mercado sem regras… (versão minimalista)

Como ocupo o meu Tempo de Escola [tempo de escola?… então, o tempo que dedico aos meus alunos durante as actividades lectivas é um tempo de quê?] com actividades de outro calibre, não tenho pensado muito nas aulas de substituição. Ouvi dizer de fonte fidedigna que não são bem aulas nem tempos de entretenimento, que são coisa séria, que são explicações do mesmo tipo das que se pagam no mercado paralelo. Bem, se a ideia é combater as explicações do mercado paralelo, então porque razão sujeitam os explicadores na escola pública a trabalho em condições desvantajosas? É que não conheço nenhum centro de explicações que imponha a um explicador mais de vinte alunos por hora. O mínimo que se pode exigir é que as regras do mercado sejam claras e justas. Ou não?

Bem, não sei se hei-de rir ou chorar…

Reverências ou tendências?…

Eduardo Cintra Torres tem aclarado com competência o funcionamento da máquina de propaganda deste governo e o modo como a comunicação social amplifica as notícias agradáveis. Percebe-se que o poder político se sinta atraído pelo poder da comunicação e que procure extrair proveitos dessa relação. Quase todos os governos o tentaram fazer, embora nem todos creditassem benefícios. Este namoro de conveniência exige da comunicação social uma atitude de constante vigilância para que o seu papel tenha relevância social, atendendo a que é muito ténue a fronteira entre a perversidade e a transparência na coabitação. Os constrangimentos de recursos e a escassez de meios para cobrir o fluxo informativo colocaram a fasquia dos objectivos da comunicação social no seu nível mínimo: a lealdade. E não é uma utopia, a meu ver, apelar à neutralidade no modo como se elegem as notícias, no destaque ou na indiferença pelos acontecimentos, na forma como se reconstrói a realidade, na mostra ou não do contraditório, na montra diversa de convicções nos artigos de opinião. E quando as diferenças de qualidade nos órgãos de comunicação passam a ser determinadas por critérios deontológicos, é um sinal inequívoco de que a comunicação social se encontra numa fase de purgação. E como eu gostaria de ver outros critérios de apreciação do trabalho dos jornalistas. Detesto duvidar da seriedade dos profissionais que me trazem uma parte da informação que consumo. Mas, por outro lado, este sinal de definhamento da democracia acaba por ser relativizado pela emergência da blogosfera que é um amplo espaço alternativo de informação, de liberdade e de cidadania. Valha-nos isso.

Nota 1: Vem a propósito este artigo de opinião de um jornalista do Jornal de Negócios [de uma pobreza argumentativa confrangedora] onde o seu autor apela aos leitores para que deixem a ministra da educação trabalhar e que lhe dêem uma nova oportunidade.
Nota 2: Vem a propósito este editorial do DN.

Bem, não sei se hei-de rir ou chorar…