Arquivos mensais: Abril 2006

Divulgação versus propaganda…

Inexplicavelmente, a divulgação das “boas práticas educativas” tem sido uma medida preterida no rol das tentativas de obstar a má imagem publicada dos docentes e das escolas. Assistimos diariamente nos órgãos de comunicação social ao desbaratar do exíguo capital de confiança que a escola e o docente eram depositários, pela acção executiva que se deixa ordenar por políticas de “terra-queimada”, pela acção mórbida de uma comunicação social acomodada à notícia fácil do quanto pior melhor, pela acção dos próprios actores educativos que vivem virados para dentro dos muros das escolas insistindo numa atitude defensiva autofágica.
Parece-me claro que é pelo lado da divulgação das “boas práticas”, preferencialmente na comunidade local, que se requalifica a imagem do professor e da escola. É na escola situada que este desafio terá de se colocar. As “boas práticas” têm de saltar os muros das escolas para contagiar a comunidade local. E se há espaço em que os manga-de-alpaca e aos “fazedores de opinião” se sentem desconfortáveis é esse mesmo, bem longe dos seus gabinetes. É nesse terreno que se constrói o edifício da credibilidade.

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As nossas queridas professoras

“As nossas queridas professoras

Não posso deixar de vir aqui publicamente expressar a minha profunda indignação pelo ataque que está a ser infligido às nossas queridas professoras, no sentido de as obrigar a cumprir o horário de trabalho.
Trata-se de enorme violência para as próprias, para os alunos, suas famílias e população em geral.

Sim, porque não são só as professoras que sofrem com esta despudorada medida, que lhes coarcta o legítimo direito a dar umas voltinhas pelo shopping para espairecer de terem de aturar a cambada de energúmenos que se sentam nas carteiras das salas de aula e lhes limitam fortemente a possibilidade de desenvolver acções de formação permanente mediante o visionamento na televisão de vários programas instrutivos e outros que espelham bem o sentir da sociedade em que nos inserimos, como é o caso das telenovelas e dos concursos onde os docentes iam actualizando os seus conhecimentos.

Aos alunos a medida também não agrada, já que o grau de irritação dos professores tende a aumentar exponencialmente, diminuindo o nível de tolerância às graçolas e aumentando a repressão que sobre eles se abate.

A população em geral tem também vindo a sofrer as consequências, já que não há família em Portugal que não tenha no seu seio uma prima ou uma tia pertencente à prestimosa classe docente que lhes seringa constantemente os ouvidos com a injustiça que sobre eles recaiu. Toda a gente sabe que a grande motivação para passar uma vida a aturar miúdos malcriados era a possibilidade de ter umas férias decentes e de não gastar mais do que meio dia nas aulas ficando com o resto do tempo por conta. Se querem agora obrigar os desgraçados a picar o ponto de sol a sol lá se vai o interesse da função. Uma das grandes preocupações das professoras em relação a este novo regime que as obriga a ficarem na escola para além das aulas é não saberem muito bem como é que poderão ocupar aquelas horas, já que, como é óbvio, ninguém está interessado em usá-las a trabalhar, quanto mais não seja por pirraça e para chatear o ministério.

Para minorar a sua dor, posso dar aqui algumas sugestões para o melhor uso do tempo disponível. A actividade mais apropriada é a de curtirem com outros professores do sexo oposto, que também andam por ali sem saber o que fazer.
As escolas são em geral pródigas em recantos escuros e salas vazias que propiciam o desenvolvimento da prática. O único óbice resulta do reduzido número de homens, pelo que a coisa só pode ser feita em regime rotativo ou fica reservada só para as mais dotadas, com exclusão dos camafeus e das que esgotaram o prazo de validade. Uma outra actividade a que se podem dedicar é ao jogo da lerpa. Para além de ser de fácil aprendizagem, propícia um grau de excitação próximo da sugestão anterior com a vantagem de o sexo dos jogadores ser irrelevante. Para os que não são capazes de uma coisa nem de outra posso alvitrar umas sessões de espiritismo com uma roda de professoras efectivas à volta de uma mesa pé-de-galo, a estabelecerem comunicação com almas penadas vindas do além.”

Manuel Ribeiro
Economista
in notícias magazine

O direito de resposta…

“Caro Manuel Ribeiro,

Li, entre atónita e indignada, o seu artigozinho ? o diminutivo, acredite, não é um mimo. Li, reli e só não decorei porque esse tipo de escrita é indigesta e corrompe a credibilidade jornalística.
Assim, querido Manuel Ribeiro ? amor com amor se paga ? senti-me na urgente necessidade de responder à sua croniqueta com piropos semelhantes àqueles com que, jocosamente – senilmente ? – resolveu mimosear as docentes ? no seu vocabulário deve apenas existir a palavra (in)decentes – deste país.

Para ser absolutamente sincera, o meu primeiro impulso foi votá-lo ao desprezo. Os seus escritos, e não apenas este, revelam a sua principal característica ? o senhor é ? ou julga ser ? um marialva provocador, engraçadinho e digno de figurar, como herói topo de gama, nas revistas aos quadradinhos. Rara é a crónica em que não desabafa e deixa sair esse complexo de Édipo tão exacerbado que até mete dó. Raro é o texto onde não se constata que a suprema felicidade para si ? e a solução para os muitos problemas que a sua personalidade apresenta ? passa pela abolição dos direitos das mulheres ? todinhos ? e por uma carência doentia de acolher o maior número possível de ?escravas? ? moças desvalidas é como costuma apelidá-las, certo? ? no seu ?abrigo? ao qual, liricamente, chama de paraíso. Se eu não tivesse a certeza de que o meu amigo é um refinado idiota, seria tentada a crer que seria uma nova versão da madre Teresa ou, no mínimo, convertido ao poder de sedução das palavras do psicólogo Eduardo Sá, passara a ter como lema ? chega-te a mim e deixa-te estar.
Num ponto estamos de acordo, amigo Manel: na profunda indignação que, ao que parece, ambos evidenciamos. A sua, pelo que li, resultante de um qualquer recalcamento tido na infância ou na adolescência ? Freud explicar-lhe-ia melhor; a minha? provocada pelo seu impudor, má formação, falta de nível , falta de carácter e, sobretudo, por um ego balofo, repugnante e anémico.
Refiro-me ao seu, claro.
Sinto-o uma espécie de intelectual naftalinado a necessitar urgentemente de ser reconhecido pelo notário, acredita? Um beija aqui, beija acolá, pegajoso e incompreendido, predestinado à glória do? esquecimento. Ah? a só-literária vulgaridade!
Por outro lado, o desconforto que me causou o seu blak-out à minha profissão assenta num terrível receio que, em abono da verdade, me está a provocar náuseas e tonturas. Muito mal vai o país cujos jornais mais conceituados permitem que um qualquer aprendiz de aprendiz a jornalista se outorgue o direito de insultar, caluniar ? a título de provocação? Não me faça rir? –
com toques virulentos de sordidez e pouca vergonha, profissionais que, ao que tudo indica, não estiveram presentes no seu longo e penoso processo de aprendizagem? à distância. Tão à distância, amigo Manel, que nem uma gotícula de educação transparece no seu sebáceo discurso.
Dar-se-á o caso de esse complexo, essa raiva desmedida contra as professoras deste país ter a sua origem em algum caso mal resolvido com alguma delas? A minha curiosidade aguça-me o espírito e a maledicência. Teria sido com uma dessas a que, carinhosamente, cataloga de camafeu ? Seria com uma , segundo as suas vernáculas palavras, com prazo fora de validade? Ou, pelo contrário, com uma, seraficamente, apelidada de bem dotada? Assim a modos que mente sã em? corpo são, não? Creio que me faço entender? Não adianto mais este meu interessante périplo porque, pelo que li, cowboys que gerem de um modo diferenciado os seus afectos não fazem parte da sua lista? Honni soit qui mal y pense!

Ó Manuel Ribeiro, então o meu amigo pensa que os professores deste país andam por aí a jogar à lerpa? Está muito enganado. Logo o senhor que se diz um exímio conhecedor de almas e de… professoras e professores. Citando Saramago ? o do prémio Nobel? não sei se conhece? – ? O professor, hoje, é um herói. Precisa de ser corajoso, por vezes até a nível físico?. E como o grande escritor está coberto de razão! Ser professor, nos dias que correm, é uma verdadeira missão. Sem estímulos adequados, sem remunerações compatíveis e muitas vezes sem condições nenhumas, os bons professores são todos aqueles que não desistem de ensinar. E de aprender. Que é uma coisa que um aprendizeco a jornalista não pode compreender porque lhe falta inteligência. E muita sensibilidade. E carradas de polimento. E montanhas de originalidade e de talento.
Por outro lado, orgias e outros bacanais afins estão mais indicados a serem praticados em pasquins e, de preferência, tendo como jogadores economistas maníaco-depressivos e com um trauma compulsivo contra? mulheres.
Quer um conselho de amiga? Se fosse a si, não vá uma dessas queridas professoras dar-lhe um pontapé igual ao que escolheu como marca prestigiosa dos seus artigos ? o que demonstra que o meu amigo além de asno, é um asno violento – fazia como o Dâmaso Salcede. À cautela, ia-me raspando para o Iraque! Acredite, as queridas professoras, reconhecidas, agradeciam!

De uma fervorosa admiradora,
Ana Rodrigues

Nota: Concordo quando afirma que, no ensino, predomina o sexo feminino. Às mulheres sempre coube a graça de dar à luz e de ser fonte de luz. Espero que, de igual modo, concorde com o meu atento reparo ? economistas, em Portugal, é carreira onde predomina o chamado sexo forte. Será que com tanta crise ? basta ver-se a nossa economia ? os tais jogos de sedução que nos
aconselha não se aplicarão mais a quem – habituado a números que nada dizem – usa as palavras como o prelúdio de uma grande façanha amorosa que, invariavelmente, se resume a? nada vezes nada?!”

É uma professora do Norte, carago! Um cumprimento especial para ti, Ana.

?

Será uma heresia reconhecer que não tive pachorra para ouvir o primeiro discurso do novato Presidente da República?

Se entenderem que é, de facto, uma blasfémia, eu tenho uma atenuante:
É que este homem nunca nos deu cavaco!…

32 anos depois

… não faltará muito.

Há uma pulga atrás da orelha

Inesperadamente[?], tenho encontrado alguns colegas preocupados [refiro-me àqueles que acumulam o seu papel de encarregados de educação nas próprias escolas onde leccionam]. O alvoroço começa a alastrar pelos corredores para acabar num recanto da sala de professores. De facto, já ouvi este eco em fóruns de discussão:

“…e não é que a nota de Educação Física conta para a média de acesso ao Ensino Superior?! Valha-me Deus!”

É a “razão visceral” a mais falar alto.

A paranóia lectiva…

Colégio britânico vai dar aulas de felicidade aos alunos
Um dos mais conhecidos colégios privados do Reino Unido vai ensinar os seus alunos a serem felizes. Os estudantes (entre os 14 e os 16 anos) terão já no próximo ano lectivo, uma vez por semana, aulas de felicidade. Como gerir sentimentos como o medo, a frustração, a solidão ou a vergonha? – são apenas algumas das perguntas a que estas lições tentarão dar resposta.”As escolas têm uma profunda responsabilidade de ajudar os seus alunos a transformarem-se em seres humanos felizes e realizados”, justifica o Wellington College, em Berkshire, no seu site na Internet
.” (Público de hoje)

Hummm… uma vez por semana, aulas de felicidade?
Posso deduzir que no restante tempo escolar nada se faz para gerir esses sentimentos?

Será que esta gente não se enxerga?