Arquivos mensais: Março 2011

E esta, hein?…

Teixeira dos Santos entrevistado esta noite na TVI

O homem está a engolir sapos?

Balha-me Deus!

Há que reivindicar uma avaliação com significado e sentido

Reivindicar outra avaliação!

* José Matias Alves

Desde há 3 anos que a avaliação do desempenho dos docentes tem estado sempre no centro da agenda e da turbulência educativa. Porque era impossível (como tive oportunidade de dizer e demonstrar), porque era burocrática e monstruosa (também por responsabilidade das próprias escolas), porque era um instrumento de persecução de autoridades que o não sabiam ser, porque minava os modos de ser professor, porque requeria um excessivo tempo (que era roubado ao essencial da profissão – ensinar-fazer aprender-avaliar – porque não tinha condições de realização por falta de conhecimentos e de preparação, porque o campo profissional estava minado por uma vasta desconfiança mútua.

Por razões de oportunidade (leia-se de oportunismo político), o PSD e toda a oposição parlamentar deliberou suspender a avaliação em curso. Há razões objetivas (e demonstráveis) que tornam evidente que este sistema de avaliação estava longe de concorrer para elevar as qualidades de ensino e das aprendizagens. Há evidências que permitem sustentar (de um geral e sem se poder generalizar) que os prejuízos estavam a ser maiores que os benefícios. E por isso, o discurso da indignação soa a uma manifesta falsidade.

Mas deve também dizer-se que esta suspensão se pode virar contra os professores. Porque se cria a ideia de que os professores, definitivamente, não querem ser avaliados. E são uma espécie de classe profissional pária. E isto pode ter muito nefastas consequências na imagem pública e, posteriormente, na ação política (cerceando e limitando ainda mais os direitos profissionais).

Por isso, temos de reivindicar uma avaliação com significado e sentido. Uma avaliação que aposte claramente na dimensão interna, formativa, colaborativa. Na construção de uma cultura profissional que se resgate da clausura, da solidão e do sofrimento profissional. Uma avaliação que esteja nas mãos dos professores. E que se distinga dos mecanismos de progressão na carreira (embora esteja necessariamente conectada). Mais do que celebrar o fim, temos de ousar um início. Antes que seja tarde demais.

______________

O José Matias Alves disse com mais competência aquilo que eu defendo aqui. É verdade: “Temos de reivindicar uma avaliação com significado e sentido. Uma avaliação que aposte claramente na dimensão interna, formativa, colaborativa. […]Uma avaliação que esteja nas mãos dos professores.”

Marcha pela Educação

CartazMarchaEducacao

Não é que escasseiem motivos para marchar, caminhar, protestar, reivindicar, berrar, bufar, desatinar,…

Podia ir à manifestação? Podia!

Mas não me apetece fazer os 600 km de caminho!

É lamentável, foi irresponsável!

A ministra da Educação, Isabel Alçada, considerou «lamentável» e «irresponsável» a revogação da avaliação de desempenho dos professores, uma decisão que acusa de se basear apenas em circunstâncias políticas.

Há muito tempo que desejava concordar com a ministra. De facto, esta ADD terminou tal como começou! E só uma decisão baseada em circunstâncias políticas poderia terminar com a farsa. Foi de tal forma lamentável e irresponsável iniciar o processo que a decisão de o terminar peca por tardia. É lamentável e irresponsável ter permitido que esta avaliação de faz-de-conta tivesse desbaratado tanto potencial nas escolas situadas!

É lamentável, senhora ministra, porque foi irresponsável!

É uma boa notícia

Cavaco Silva não vai intervir na avaliação dos professores

Cavaco Silva prepara-se para promulgar a proposta da oposição que revoga o modelo de avaliação dos professores, sabe o i. O Presidente da República não irá atender ao pedido do governo e não irá enviar para o Tribunal Constitucional o diploma de revogação do modelo aprovado a semana passada pela Assembleia da República. Belém considera que o argumentário do Partido Socialista sobre a inconstitucionalidade da proposta da oposição não é juridicamente correcto. […]

Em defesa de uma ADD exclusivamente formativa!

A Assembleia da República revogou a ADD.

Até ao final do presente ano lectivo, o Governo inicia o processo de negociação sindical tendente a aprovação do enquadramento legal e regulamentar que concretize um novo modelo de avaliação do desempenho docente, produzindo efeitos a partir do início do próximo ano lectivo.

Para efeitos de avaliação desempenho docente, e até à entrada em vigor do novo modelo de avaliação, são aplicáveis os procedimentos previstos no Despacho nº 4913-B/2010, de 18 de Março, no âmbito da apreciação intercalar, até ao final de Agosto de 2011.

Este é o momento para auscultar os professores e encontrar um modelo de avaliação que seja o mais consensual possível entre a classe. Sabemos o que significa consensualizar um modelo de avaliação de desempenho. Sabemos que a tarefa é ciclópica porque há uma pluralidade de sentidos da profissão. O que me leva a pensar que nenhum sindicato será capaz de encontrar um modelo, não direi que seja aceite por todos os professores mas que seja entendido por todos. E para ser entendido por todos os professores esse modelo só pode ser exclusivamente formativo. Não há que recear os remoques dos Pachecos e Tavares da nossa praça que não perderão a oportunidade para fazer passar a ideia que os professores não querem ser avaliados. Há que explicar a complexidade da função docente e a impossibilidade de verificar e confirmar a materialização das várias dimensões do exercício profissional.

Bom fim-de-semana :)