Arquivo da Categoria: Zeco em campanha

Diz o roto ao nú…

Menezes: Sócrates "tem muito boy e girl para dar de comer"

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Dois em um.

Olha que maravilha: Com um voto apenas…

E não há mais ninguém do PS que se queira associar?

SPN presente, sentir o sindicato nas escolas

http://www.sentirosindicatonasescolas.org/

Déjà vu

Os dois grupos de trabalho que o Paulo descortinou na luta interna do PSD, fazem-me lembrar uma contenda antiga e de má memória para o Sistema Educativo porque dela resultou um modelo de escola assente numa filosofia tecnocrática ao invés de se ter optado por uma filosofia humanista e personalizante. A contenda a que me refiro emerge dos grupos de trabalho constituídos no âmbito da Comissão de Reforma do Sistema Educativo (CRSE), criada pela Resolução do Conselho de Ministros nº 8/86, publicada em DR em 22/01/86. Os dois grupos de trabalho eram coordenados, respectivamente, por Fraústo da Silva (responsável pela proposta de reorganização dos planos curriculares, cuja figura central era a Área-Escola) e por Manuel Ferreira Patrício que apresentou a proposta da “Escola Cultural” (que relevava a pluridimensionalidade pedagógica da Escola).

Hoje, a escola continua agarrada a essa lógica burocrática de “Reforma” segundo a qual há um movimento transformador do topo para a base. MLRodrigues foi a ministra que melhor interpretou esta lógica pedagógica e hoje, no PSD, esta mudança de filosofia não se enxerga no seu programa eleitoral, a não ser que a promessa de PPCoelho se cumpra nesse sentido.

A escola deve estar no centro do sistema educativo, que deve estruturar-se e funcionar em obediência aos imperativos pedagógicos da escola, como defendia, e bem, Manuel Ferreira Patrício. Se é isto que defende Santana Castilho no seu livro (que ainda não tive oportunidade de ler), se é esta a sua luta, será também a minha luta!

A Educação em campanha eleitoral – CDS

O CDS apresentou o seu programa eleitoral. O documento contempla um conjunto de medidas de política educativa que os seus autores dizem ser promotoras dos gastos e inócuos chavões: exigência, rigor e mérito.

A concorrência entre a escola pública e privada é, para este partido político, a chave da qualidade. Qualidade que é conseguida à custa da concorrência das escolas entre si, através do reforço da autonomia (celebração de contratos de autonomia) e da descentralização de competências escolares para as autarquias.

É reafirmada a importância da educação como “principal mecanismo do elevador social” embora a realidade demostre que a filosofia da CUNHA e dos COMPRADIOS, e as práticas CACIQUES, são os principais motores do tal elevador social.

É um programa que é demasiado ambíguo no modo como pretende ver reforçada a autoridade dos professores e responsabilizadas as famílias pela educação das crianças e jovens.

Ficou por aclarar também o modelo de avaliação de desempenho docente. Não basta dizer que o modelo de ADD não será burocrático, que a avaliação é hierárquica – direcção pedagógica – o que evita que avaliador e avaliado concorram entre si, que é inspirado no modelo de avaliação que está em vigor no ensino particular e cooperativo.

Convém relembrar ao CDS que a direcção pedagógica e a direcção executiva não são a mesma coisa. Que a existir hierarquia pedagógica, haveria que recuperar a carreira dos titulares (ou outra iniquidade do género) da ministra de má memória, MLRodrigues. Será mesmo isto que o CDS pretende?

A questão dos exames nacionais nos finais de ciclos de escolaridade regressa à retórica deste partido (para ser correcto, essa retórica nunca foi abandonada) para mistificar a questão da qualidade, exigência e rigor, numa tentativa de estabelecer um nexo causal entre a quantidade de exames e a qualidade das aprendizagens.

Reforça-se a ideia do ensino instrumental, ao serviço do mercado de trabalho. O CDS propõe uma “revisão curricular, não essencialmente por razões financeiras (note-se bem, digo eu), mas por redefinição de uma estratégia de conteúdos que prepare realmente os alunos para a inserção do mercado de trabalho. Tal deve incluir a estrutura curricular nos 2º e 3º ciclos de escolaridade, concentrando as aprendizagens dos alunos em torno de um núcleo de disciplinas estruturantes; o reforço da carga horário das disciplinas de português e matemática no ensino básico; em contrapartida, a eliminação da área de projecto e de estudo acompanhado; e a introdução de cursos profissionais mais cedo, no 3º ciclo de escolaridade.”

Depois segue-se o palavreado habitual da liberdade de ensino…

A Educação em campanha eleitoral– PCP

No seu programa eleitoral, o PCP advoga uma nova lei de gestão democrática que respeite os princípios, objectivos e valores consagrados na Constituição e na Lei de bases do Sistema Educativo. Não se adianta muito mais mas quero acreditar que se trata do retorno da colegialidade à direcção das escolas.

Como quase todos os partidos políticos, o PCP recupera o tema do reforço da autonomia das escolas públicas que passa pela garantia de um regime de Financiamento da Educação Pré-Escolar e dos Ensinos Básico e Secundário, que clarifique responsáveis e responsabilidades e garanta o normal funcionamento das escolas públicas financiadas, essencialmente por verbas consagradas no OE;  Demarca-se da direita ao sugerir a revogação do decreto que estabelece o processo de municipalização do ensino básico, com o objectivo de impedir a perda de autonomia administrativa e pedagógica das escolas ou a sua privatização.

O PCP defende a revogação do Estatuto da Carreira Docente, tendo como prioridades: a revisão da estrutura da carreira docente eliminando a sua divisão em categorias e revendo as regras de progressão; defende a eliminação da prova de acesso à profissão e a substituição do actual modelo de avaliação de desempenho cujo modelo deve ser baseado numa concepção formativa da avaliação que tenha como objectivo a melhoria do desempenho dos docentes e não a sua penalização em termos de progressão da carreira ou em qualquer outra dimensão da sua condição laboral.

Curto mas conciso nas questões fracturantes!

Não confundamos estrada da Beira com beira da estrada.

O Ramiro parece incomodado com a falta de adesão da blogosfera docente às propostas eleitorais do PSD. Já rotulou os professores de socialistas, de esquerda, e agora considera que só têm comportamentos esquizofrénicos porque, heresia, dizem mal dos dois únicos partidos capazes de nos livrarem do partido e do primeiro-ministro que lhes fizeram a vida negra nos últimos seis anos.

Em primeiro lugar, os partidos políticos que nos conduziram à bancarrota estão bem identificados e basta percorrer o histórico da governação do país para concluir que o seu PSD (com o apêndice CDS) não está isento de culpas. A lógica do voto útil, a polarização do eleitorado nos dois partidos do centrão, conduziu-nos à pré-bancarrota. Esperar resultados diferentes apostando nos mesmos protagonistas é um equívoco que importa desmistificar.

Em segundo lugar, não sei qual o estudo de opinião que sustentará o quadro identitário dos professores portugueses. É um erro crasso considerar que as opiniões soterradas nas caixas de comentários dos blogues mais frequentados dos professores constituem uma amostra significativa do pensar dos professores das escolas situadas. É uma generalização abusiva e o Ramiro não precisa de evocar a sua condição de investigador para o reconhecer. Nem os blogues podem constituir uma corrente de opinião dentro da classe, nem o juízo que vamos formulando nestes fóruns de opinião podem ser extrapolados para um sentir de classe. Mas avancemos no intróito para chegarmos ao que importa.

O Ramiro parece apreciar as lideranças unipessoais. Por isso diz, demagogicamente, que os professores “opõem-se a qualquer medida que dê verdadeira autonomia às escolas que passe pelo reforço das competências do diretor.” Descentralizar competências para a escola não significa centralizar as competências no director. Não encontro qualquer incongruência entre o desejo do reforço da autonomia das escolas com o desejo de ver essa autonomia ser conduzida por um órgão colegial.

Diz também que “os professores não querem uma avaliação de desempenho burocrática, consumidora de tempo, subjetiva e faz-de-conta mas opõe-se a uma avaliação a sério e com componente externa.” Ora, será por rotularmos a avaliação de séria que ela vai ser capaz de avaliar o que se propõe avaliar: o desempenho docente!? Não é na sala de aula que esse desempenho se materializa? Não devia ser esse o quadro de referência para o desempenho docente? É o avaliador externo que credibiliza a avaliação? Será um exame de conhecimentos, ou a assistência a uma, duas, três aulas por ano, por um avaliador externo, por mais consagrado que ele seja, que dá credibilidade à avaliação? Se isso é uma avaliação séria, então eu defendo uma avaliação a brincar, e até lhe podem chamar de avaliação formativa, se isso servir para purgar consciências!

Quanto à questão da avaliação dos alunos, o Ramiro considera que “os professores queixam-se de que há alunos a passarem de ano sem saber nada e que a escola pública está ameaçada pelo facilitismo mas reagem negativamente à proposta de criação de exames nacionais à saída de todos os ciclos de ensino.” Precisamos de exames nacionais para impedir que alunos passem de ano sem saber nada? Por que não se afastam os empecilhos normativos que permitem que alunos passem de ano sem saber nada? Por que não se afasta “a burocracia imposta por um modelo de prestação de contas que não confia nos professores e que lhes nega liberdade e autonomia na concepção e utilização dos meios, métodos e procedimentos”?

O Ramiro é um blogger sério. Espero que a sua militância partidária não lhe obscureça a habitual lucidez.