Arquivos mensais: Janeiro 2008

Brincadeiras de Carnaval

Como pode o Conselho Executivo elaborar o calendário de observação de aulas deste ano lectivo, se ainda não existe publicação do diploma legal que estabelece as regras de delegação de competências de avaliador?

Re: observação de aulas
por a dgrhe – Quarta, 30 Janeiro 2008, 18:51
Estando definidos os prazos a cumprir para o processo de avaliação do desempenho, a escola poderá avançar uma previsão da observação de aulas, que confirmará após saída em despacho, do membro do governo responsável pela área da educação, dos moldes da delegação de competências.

A escola poderá avançar com uma previsão da observação das aulas, que confirmará após saída em despacho…?
Será uma brincadeira de Carnaval? Este fórum está cada vez mais divertido…

Obrigado

Foi um privilégio colaborar no Correio da Educação. Obrigado, José Matias Alves.

Imaculada…

Não tendo qualquer pretensão em ocupar a cátedra dos especialistas em comentário político, acabo por ficar espantado (eu sei que estou cada vez mais susceptível…) por constatar que nenhum jornalista relevou (até ao momento) das palavras do vice-presidente da Assembleia da República e reputado socialista, Manuel Alegre, a referência à ministra da educação. Manuel Alegre, na sequência deste comentário, dizia à TSF que a ministra da educação deveria ser incluída no “pacote” da remodelação.

O estado de graça da ministra na comunicação social continua… sem mácula.

Coragem ou a falta dela…

A equipa que (des)governa o ME através das políticas conducentes ao controlo da classe docente teve o “mérito” de despertar os professores menos atentos aos assuntos de política educativa. Apesar do acréscimo de motivos para um “levantamento de rancho” continuo a verificar um encolhimento endémico da classe face aos desafios da acção situada.

Não é possível usar como pretexto a desinformação ou a falta de conhecimento das alterações normativas para justificar a inacção do professorado. Não me canso de enaltecer as iniciativas que visam accionar o interruptor motivacional, esteja ele onde estiver. Hoje, há uma profusão de contactos em rede que transporta, em tempo real, um manifesto ou um abaixo-assinado à escola mais recôndita. Arrisco dizendo que não há uma escola neste país onde não se tenha sussurrado uma referência ao blogue do Paulo Guinote ou ao Terrear do JMatias Alves.

O problema não está, a meu ver, na ausência de informação. O problema da inacção [ou da acção desconcertada] coloca-se ao nível da debilidade das capacidades volitivas. É uma pena não saber como treinar a perseverança em adultos. Sei que não basta o apelo à coragem! Não basta verbalizar a valentia! Sei que entre o discurso e a acção vai um mundo de distância…

Este é o drama dos valentes da retórica!

Barómetro…

Tenho um amigo que foi afectado por um vírus muito fácil de diagnosticar mas muito difícil de tratar: é o complexo “neoliberal_neoconservador”. Quando a virose ataca, ele fica alucinado: grita pelo “mercado” quando entra no plano económico e apela aos valores tradicionais quando pára no plano educativo.
As nossas discussões são intermináveis. Ainda bem que os alicerces da nossa amizade não foram construídos no terreno ideológico porque o edifício já se teria desmoronado há muito tempo.

Isto a propósito da conversa de hoje não ter começado, como de costume, pelas recentes medidas do ME. A voz do diabo perdeu o pio…
Agora começo a convencer-me que, afinal, a população está a perder a paciência com a ministra!

Vale a pena lutar!

Acabo de reler um livro cujo título não podia ser mais apelativo face às mudanças no sistema de ensino. «Por que é que vale a pena lutar?»1 é uma obra de Andy Hargreaves e Michael Fullan que tem por tema o modo como podemos transformar as escolas em locais mais atractivos e gratificantes e aborda as formas de introduzir alterações significativas na vida quotidiana e na experiência de cada vez mais docentes, directores de escolas e alunos. Por que é que vale a pena lutar(?) interroga-se o professor que diariamente testa as suas capacidades de adaptação e de resiliência quando confrontado com a degradação das condições em que desempenha o seu trabalho. Por que é que vale a pena lutar(?) é uma questão que poderia muito bem ser colocada por aqueles que actuam em contextos geradores de sentimentos de impotência e de auto-depreciação. Por que é que vale a pena lutar?

Recusando uma atitude de auto-complacência, direi que vale a pena lutar porque é possível criar ambientes positivos nas escolas face aos factores de mudança da função docente. A minha sugestão passa por colocar o ónus inicial da acção nas mãos dos professores e dos directores e exercer maior pressão sobre aqueles que se situam fora da escola no sentido de também eles agirem. Parte-se da premissa de que, em última instância, são os docentes e os responsáveis pelas escolas que devem fazer com que isso aconteça. Atente-se às recentes iniciativas, algumas das quais já divulgadas no Correio da Educação e no Terrear, suscitadas pelo desacerto da administração na implementação do modelo de avaliação do desempenho docente. Congratulo-me pelo sincronismo dos vários actores educativos que, na escola situada ou fora dela, persistem na afirmação de um profissionalismo interactivo.

Lutar em circunstâncias difíceis é um desafio extenuante. Mesmo para os mais entusiastas e enérgicos há batalhas que deixam marcas sobre a motivação do docente. Eis, uma vez mais, a pergunta: Por que é que vale a pena lutar? Será um esforço inglório? Depende de cada um de nós! Mas estou certo de que suportamos melhor a exaustão que advém do trabalho duro enquanto membro de uma equipa do que a exaustão que decorre de batalhas solitárias e dos esforços não reconhecidos. O primeiro tipo de cansaço é vencido com uma noite de sono enquanto o segundo deixa marcas mais profundas e duradoiras.

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1 FULLAN, M.; HARGREAVES A. (2001). Por que é que vale a pena lutar – O trabalho de equipa na escola. Porto Editora. Porto.

Avaliação do desempenho – Grelha(da)S

Aqui: http://www.min-edu.pt/outerFrame.jsp?link=http%3A//www.dgrhe.min-edu.pt/

Quanto ao despacho do alargamento dos prazos [a contar após o 1º dia útil imediatamente seguinte ao da divulgação das orientações do CCAP], creio que teremos matéria para uma prolongada batalha jurídica.