Arquivos mensais: Março 2009

Ministério da Educação demite Conselho Executivo de Santo Onofre

CONTRA AS ESCOLAS MARCHAR, MARCHAR
(OU COMO SE DESTRÓI UM PROJECTO DE SUCESSO)

A demissão imposta pelo Ministério da Educação ao Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas de Santo Onofre, em Caldas da Rainha, tem um primeiro significado: para este Ministério da Educação o que menos importa é a qualidade das escolas e o bom ambiente de trabalho indispensável ao sucesso das aprendizagens. O Agrupamento de Santo Onofre colocou o interesse dos alunos acima da “guerra da avaliação de desempenho” e, por isso mesmo, rejeitou integralmente o modelo do ME, um modelo que substitui a cooperação pela concorrência e o trabalho colectivo pelo individualismo.

Numa visão muito “especial” de autonomia, o Ministério da Educação quer impor às escolas deste agrupamento um modelo de gestão e um modelo de avaliação que a escola de facto rejeita. Que a escola /agrupamento funcione bem, que os alunos tenham sucesso real (e não apenas estatístico…) que os professores se sintam unidos na construção de um projecto inovador e criativo, que a ligação com a comunidade seja exemplar, nada disso interessa aos que têm a arrogância do poder como único argumento. Como também não lhes interessa os vários prémios que o agrupamento tem recebido do jornal “O Público” na promoção dos jornais escolares, como não lhes interessa o terem sido pioneiros na informatização da escola e no cartão electrónico, como não lhes interessa o trabalho desenvolvido que a fez passar de TEIP a escola onde todos queriam matricular os filhos, como não lhes interessa os resultados escolares dos alunos, como não lhes interessa todos os projectos que ao longo dos anos tem desenvolvido com sucesso.

Ao que se sabe, o Ministério da Educação, do alto do seu despotismo nada iluminado, terá já nomeado três docentes para substituir – com que legalidade? – o Conselho Executivo legitimamente eleito. Um vindo de Peniche, outra de uma biblioteca e um outro não se sabe ainda donde … Paraquedistas impostos contra toda a comunidade escolar, poderão cumprir o seu papel de comissários políticos, mas não conseguirão, certamente, manter e desenvolver um projecto que exige paixão e uma liderança democraticamente aceite. Nestas coisas, o abuso de poder pura e simplesmente não funciona ou é mesmo contraproducente…
Esta brutal intervenção do Ministério da Educação (repete-se: em tudo contrária aos interesses dos alunos e aos de toda a comunidade) pretenderá talvez ser um “aviso à navegação”. “Quem se mete com o PS…leva!”. Lembram-se? Maria de Lurdes Rodrigues & Cia. passam agora à prática as diatribes verbais de Jorge Coelho: “Quem se mete com o ME… leva!”. Esta trupezeca pouco instruída ignora possivelmente que a história nunca deixa de derrubar, mais cedo ou mais tarde, os tiranetes e tiranetezitos de tigela ou de meia tigela e que o respeito pelo trabalho de gente honesta e competente é realmente aquilo que perdura. Sobretudo quando a honestidade e a competência têm de se impor contra a arrogância incompetente e ignorante de quem, por acaso e transitoriamente, ocupa os cadeirões do poder.

A direcção do SPGL exorta os professores e educadores do Agrupamento de Santo Onofre a que não desistam. O projecto de verdadeira autonomia que têm vindo a erguer não pode ser destruído. As trevas não duram sempre.

A Direcção do SPGL

 

Adenda: Resistências.

;)

O poder embriaga ou o mundo hilariante de um cromo da política…

Se as eleições fossem cá em cima, nem era preciso fazê-las. Eu ganhava com 80% dos votos. Esta gente votava 10 vezes em mim. É uma dimensão engraçada, porque em Lisboa não se tem esta leitura” (Manuel Pinho, ministro da economia)

Eis um texto que ilustra perfeitamente o estado de alienação a que pode chegar um membro do governo.

Olhar a escola sob uma lógica de “Jobs for the boys”

O PauloG divulga no seu blogue o Parecer De Garcia Pereira Sobre O Modelo De Gestão Escolar – Conclusões E Versão Preliminar, segundo o qual “O Decreto-Lei nº 75/2008, de 22/4, padece de inconstitucionalidade orgânica por conter, em diversos dos seus pontos, clara natureza de modificação inovatória relativamente à LBSE”.

O relatório da Inspecção-Geral de Educação, responsável pela avaliação externa das escolas, mostra que estas se destacam mais em capítulos como “liderança” ou “organização e gestão escolar” do que naqueles que alegadamente seriam o seu cerne, como são o caso dos “resultados” ou a “prestação do serviço educativo”.

Relembro que a retórica do ME que procurou justificar as alterações ao modelo de gestão escolar evocou razões de más práticas de liderança e de organização e gestão escolar: A ideia de que as escolas precisam de lideranças fortes para implementar as reformas no sistema escolar parece cair por terra face aos resultados da avaliação externa das escolas.

Pergunto: Que razões políticas terão levado o ME a violar a Constituição da República Portuguesa para introduzir um modelo de gestão escolar permeável às lógicas de “Jobs for the boys”?
E só pergunto isto para não perguntar a cor do cavalo branco de Napoleão.

Metamorfose…

… um dia, manga de alpaca, outro dia, professor.mangas1

Encontrei a imagem aqui: http://img.photobucket.com/albums/v85/jumento/018/mangas.jpg

Cadê a picareta?

Os pais dos 430 alunos da maior escola primária de Felgueiras impediram esta quinta-feira a abertura da escola alegando que os filhos estão a adoecer devido a condições deficientes do estabelecimento, refere a Lusa.

Há algo que me escapa nesta notícia:

A decisão de impedir a reabertura da escola foi tomada terça-feira, numa reunião de pais em que participaram centenas de pessoas. A decisão foi tomada por todos os pais da escola, pela maioria ou por alguns dos presentes na reunião? A CONFAP incentivou esta decisão, tomou conhecimento da decisão, ou nada tem a dizer sobre esta rebelião? Partindo do princípio de que nem todos os pais concordaram com a decisão [de encerrar a escola] [a notícia não é clara quanto à expressão do descontentamento], o que fez a tutela para garantir o acesso às actividades escolares de alunos, funcionários e professores? Mandou uma equipa da DREN para assegurar a abertura da escola e o direito dos alunos às actividades lectivas?

Não é pelo facto de estar solidário com estes encarregados de educação e com todos os profissionais que terão já denunciado esta situação em devido tempo que aceitarei (im)posturas menos hirtas da picareta falante que não perde uma oportunidade para acolitar a tutela.

Lógica valteriana

Em declarações à agência Lusa, o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, disse esta quarta-feira que «é falso que o concurso dos professores tenha sido suspenso», uma vez que o Ministério da Educação apresentou uma resolução fundamentada.
«Desde que exista uma resolução fundamentada a aceitação pelo tribunal da providência cautelar não provoca qualquer efeito suspensivo», sublinhou Valter Lemos, acrescentando que o concurso de professores «está e vai decorrer normalmente».
Valter Lemos adiantou que após a providência cautelar ser julgada pelo tribunal e se se vier a verificar que o sindicato «não tem qualquer razão», o Ministério da Educação vai intentar uma acção cível e exigir as indemnizações correspondentes pelos prejuízos causados ao Estado português e às escolas. (in: IOL)

Hummm… segundo VL a providência cautelar não impediu o concurso de professores. Se a providência cautelar não impediu o concurso, que danos terá causado ao Estado e às escolas?
Vamos lá admitir que o tribunal considera que o sindicato tem razão. Quem paga as indemnizações aos professores?