Arquivos mensais: Setembro 2007

Resta o Miguel Sousa Tavares…

Maria Filomena Mónica (MFM) decidiu investigar o percurso académico e político do secretário de Estado da Educação Valter Lemos (VL) porque anda intrigada com a personagem. MFM quis saber o que VL pensa sobre o mundo e acabou por se agarrar a um livro seu “Técnicas de Avaliação da Aprendizagem”, publicado em 1986.

“O que sobressai deste arrazoado é a convicção de que os professores deveriam ser meros autómatos destinados a aplicar regras. Com responsáveis destes à frente do Ministério da Educação, não admira que, em Portugal, a taxa de insucesso escolar seja a mais elevada da Europa. Valter Lemos reúne o pior dos três mundos: o universo dos pedagogos que, provindo das chamadas «ciências exactas», não têm uma ideia do que sejam as humanidades, o mundo totalitário criado pelas Ciências da Educação e a nomenklatura tecnocrática que rodeia o primeiro-ministro.” (MFM, in: Público, 30/09/07)

Porque rio?…

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Destaque…

O que podemos fazer para que os alunos queiram aprender? E não só nós (educadores/professores), mas todos os que são responsáveis pelas gerações mais jovens? Eis, pois, o desafio que o JMA lançou no Aragem.

Abutres (cont.)

“Pelos dados tornados públicos, mais de 99% dos horários escolares em 2006/07 foram elaborados de forma equilibrada, correspondendo às orientações que existiam sobre a matéria.

Infelizmente, a forte carga lectiva que os alunos continuam a ter nos 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico e no Ensino Secundário (principalmente no 3º Ciclo), o excesso de turmas em algumas escolas e a desadequação dos transportes escolares relativamente aos horários dos alunos, obrigam, por vezes, a que estes se sujeitem a esforços que poderiam evitar-se.

Por essa razão, se estranha o título de primeira página de um jornal de expressão nacional, em que se afirma que os horários escolares seriam feitos à medida dos professores. Tal não corresponde à verdade e não é apenas a FENPROF que o afirma, são os próprios números da Inspecção-Geral de Educação que o confirmam.

Quanto aos critérios de distribuição de horários pelos professores, dentro de cada escola, pouco ou nada influenciam a distribuição equilibrada dos horários dos alunos. Essa é, aliás, outra das conclusões que pode ser retirada do relatório da I.G.E.

Por essa razão, e por se confirmar ter sido correcta e competente a elaboração, pelos docentes, dos horários escolares, a FENPROF saúda todos os que integraram as comissões de escola que os elaboraram, bem como os seus órgãos de gestão.

O Secretariado Nacional da FENPROF
25/09/2007″

Eis o contraditório…

Presunção e água benta…

O incremento do tempo de trabalho de escola e a consequente redução do tempo de trabalho individual suscitou a ira de muitos docentes. As reacções de desagrado decorrem dos efeitos da intensificação do “trabalho individual”, expressão que pode significar, redução do tempo de preparação das actividades escolares.
Como é usado o tempo de preparação das actividades escolares? Sabendo que o impacto da intensificação do trabalho docente é sentido de modo desigual, como distribuir este tempo fazendo prevalecer o critério de equidade?
Esta questão, tratada com seriedade, conduzir-nos-ia a uma avaliação dos contextos em que esse tempo é usado, fazendo depender o tempo de preparação às circunstâncias do trabalho (por exemplo, o contrato a tempo inteiro ou a tempo parcial) e à (in)capacidade produtiva de cada um dos docentes.

É uma pena que o pretensiosismo disciplinar balcanize a discussão, fazendo-nos desviar do que importa relevar: que a intensificação do trabalho docente, até certo ponto, desqualifica a função.
É uma pena que o Paulo Guinote não tenha percebido isto.

Abutres…

Grelhas de avaliação do desempenho docente (Via SPGL)

Aqui está a perversão reguladora burocrática!

Adenda: Perversão? Porquê?

É óbvio que os actores envolvidos no processo defender-se-ão deste documento regulador, manifestamente inexequível, concentrando-se no acessório (documentos de registo e fichas) e evitando (porque o tempo é precário) a avaliação formativa, a reflexão diária, a troca de experiências de ensino e de pontos de vista acerca do que é SER professor.

Chegou a hora do esquematismo e do formalismo como expressões máximas da perversão avaliativa!

Alienação…

A ministra da educação desvalorizou o estudo da DECO realizado em 40 salas de 20 escolas por pretensa irrelevância científica. Não ouvi nenhuma declaração sua a refutar a veracidade da informação apresentando evidências de que nessas escolas está tudo bem.

Este episódio é elucidativo para percebermos o universo em que se move a ministra da educação e o tipo de lente que usa para analisar os problemas do sistema educativo. Para a ministra, as escolas situadas são ou não meras representações, consoante o seu potencial estatístico. Isto é, as escolas e os actores escolares são entidades abstractas que só existem numa folha de cálculo. Fora da planificação macro política e da “engenharia organizacional” nada existe.
Seria injusto se não reconhecesse que está ser feito algum esforço na recuperação de edifícios escolares. Tem havido algum investimento na melhoria das instalações escolares apesar de considerar que o desejável ainda é uma miragem. Percebo que a ministra preferisse ver destacado na imprensa o que foi feito e não o que falta fazer. Um copo meio cheio é, também, um copo meio vazio. Mas o que a ministra não pode fazer é negar a realidade sob pena de se descredibilizar, ainda mais, aos olhos daqueles que vivem a escola situada.