Arquivos mensais: Setembro 2011

Um pormenor não despiciendo.

“Lição magistral

O Ministério da Educação suspendeu o pagamento aos melhores alunos do Ensino Secundário dos prémios de mérito instituídos há 3 anos, no valor de 500 euros, e que deveriam ser hoje entregues.
Não conheço o Despacho justificativo do Ministro, mas notícias dizem que a distinção continua a fazer-se, sendo que os distinguidos deverão escolher uma instituição ou família carenciada a quem o dinheiro será entregue. Medida referida como sendo “para incentivar a solidariedade”.
Num Estado de direito, os fins não justificam os meios e a primeira obrigação do Estado é honrar os seus compromissos. E, se se tinha comprometido a dar um prémio pecuniário aos melhores alunos, deveria entregá-lo. Ponto final. Todavia, os alunos não recebem, o que já é mau. Mas, pior. O Ministério mantém a entrega, mas obriga os alunos a doá-lo para fins sociais.
Claro que os alunos deixarão de ter qualquer confiança no Estado, e também desconfiarão das solidariedades que se apregoam, mas feitas a expensas alheias e não à custa própria.
Nuno Crato, que admiro por aquilo que tem defendido para o ensino, cometeu um erro grave. Gravíssimo, mesmo. Mais uma vez, no melhor pano cai a nódoa. Bem suja.
A não ser que tivesse querido dar uma aula prática a todos os jovens de como o Estado não é confiável. Se assim foi, tratou-se de uma lição magistral. Os alunos com certeza que compreenderam tudo. Ou não se trate dos melhores alunos.”

Publicada por Pinho Cardão em http://quartarepublica.blogspot.com/2011/09/licao-magistral.html

Só não subscrevo integralmente est post porque Pinho Cardão falhou o alvo no último parágrafo.

Onde se lê Estado, devia ler-se PSD/CDS e PS.

De facto, Nuno Crato deu uma excelente aula prática a todos os jovens de como os partidos que nos têm (des) governado não são confiáveis. Este Estado tem um rosto e tem responsáveis políticos. Percebo o incómodo, mas não confundamos Estado com a governação do mesmo.

Inimputáveis(?), só com obra feita…

A história de Isaltino é rocambolesca. Mas o que me impressiona nesta história não é o móbil do crime pelo qual foi condenado o autarca. Afinal, é mais uma pequena cavadela no buraco da nossa dívida… e são apenas “amendoins” (só para recuperar uma expressão que ficará ligada para sempre ao ministro das finanças do governo anterior). O que me incomoda mesmo é o discurso de legitimação de um crime por algo que lhe é exterior, como se a “a obra feita” com o dinheiro que ainda restou concedesse a inimputabilidade absoluta ao político. E quem assim pensa e diz que os políticos são todos iguais, embora nem todos façam obra, acaba por engrossar o caldo da decomposição da nossa democracia.

uffa…

Idiossincrasias

A aluna levantava materiais escolares no balcão da papelaria. Enquanto ziguezagueava com o olhar o conteúdo das prateleiras, sofregamente debitava à funcionária a ordem de aquisição. Os materiais amontoavam-se em cima da sua mochila e repetiam-se os pedidos porque a diversidade da oferta era pequena. Percebi que se tratava de uma aluna subsidiada. Não era obrigada a levantar o material de uma só vez mas preferiu fazê-lo. Ainda perguntei o porquê da azáfama, quando podia levantar o material mais tarde, quando fosse requerido pelas necessidades escolares. Não queria perder tempo(?)… Percebi que gozava o momento da abundância como se fosse o último. Porque tinha direito, respondeu-me.

As esferográficas eram mais de uma dezena, borrachas, várias caixas de lápis de cor (no ensino secundário, para quê?), capas, capinhas, cadernos e caderninhos,… e material cuja utilidade desconheço.

Só porque tinha direito…

O apoio social escolar é imprescindível porque há cada vez mais crianças e jovens em ambientes familiares carenciados, abaixo do limiar da dignidade humana. A escola é o seu porto de abrigo.

Mas fico chocado com o desperdício, com o desbaratar de dinheiro público. Creio que é possível e desejável uma fórmula diferente para este tipo de apoio social escolar. É necessário ajudar quem precisa, mas há que responsabilizar que beneficia da ajuda comunitária. O direito que assistiu a aluna não a dispensou do dever de usar com parcimónia o que é de todos.

É necessário repensar a fórmula…

Trezennttooosss miiillll.

Situação foi detectada pelo anterior executivo

Elevado número de atestados médicos de professores são “fenómeno preocupante”, diz Nuno Crato

O ministro da Educação considerou um “fenómeno preocupante” os mais de 70 mil atestados médicos passados a professores, o equivalente a 514 mil dias de baixa, e anunciou que o Governo vai averiguar a existência de “possíveis casos de infracção”.

O ministro Nuno Crato comentava assim, em Constância, a notícia avançada nesta segunda-feira pelo Diário de Notícias (DN), segundo a qual 70031 atestados foram passados entre Outubro de 2010 e Janeiro deste ano num universo de cerca de 300 mil professores, sendo que 413 baixas foram passadas por uma médica que estava de licença prolongada. (…)

Valorizo muito este tipo de notícias. São credíveis porque são acompanhadas de muitos números. E são rigorosas… como as sondagens. Entendi quase tudo. Só não entendi a dimensão do universo: Afinal, somos 300000. Presumo que também contaram os óbitos e os pretendentes. Creio que alguns ainda não terão nascido….

Está bem abelha!

Por falar em preconceitos…

… e em teses hilariantes, que nem ao diabo lembra, siga esta discussão no blogue do Ramiro.

O cratês prossegue, pujante, o seu destino!…

Uma oportunidade perdida… ou apenas um preconceito?

Nuno Crato, no exercício do cargo de ministro da educação, deslocou-se ao aeroporto da Portela para receber pessoalmente as ‘estrelas’ das Olimpíadas da Matemática. Nada a opor à iniciativa, bem pelo contrário. Porque há que reconhecer o mérito e a presença do ministro da educação dá-lhe a visibilidade e o simbolismo que a imprensa generalista muitas vezes ignora.

Seria desejável que o ministro aproveitasse outras prestações de nível internacional para reforçar o propósito meritocrático que empacota a ideia de educação deste governo. Como referi na altura, outros atletas cujos resultados de nível internacional obrigariam o ministro da educação a deslocar-se com mais frequência ao aeroporto, se houvesse coerência e menos sectarismo. O ministro da educação não deve, não pode, andar travestido de ex-presidente da sociedade portuguesa de matemática e mandar às malvas a sua condição política de representante máximo de todas áreas disciplinares e de todos os intervenientes do sistema educativo.

Esperava ver, no aeroporto, o ministro da educação a receber o João Silva, vencedor da etapa de Yokohama do Campeonato do Mundo de triatlo. João Silva é um estudante de medicina (medicina é, em termos mediáticos, um referencial de sucesso académico face à exigência do curso) e a presença do ministro da educação no aeroporto teria uma projecção bem maior nos estudantes do ensino não superior do que teve a sua presença na recepção às estrelas da matemática. Seria a apologia do estudante multifacetado rejeitando o estereótipo do aluno “marrão”.

Este exemplo, pela omissão, é apenas mais uma ponta do novelo. Uma ponta que nos conduz à ideia de educação deste ministro –  “back to basic”. Uma ideia que é fundada nas suas crenças e nos seus preconceitos.

Quem disse que Nuno Crato é um homem de ciência?