Arquivos mensais: Setembro 2009

Abrir a caixa de Pandora.

Isabel Alçada tem sido referenciada como putativa ministra da educação. A sua aparição mediática na apresentação do programa eleitoral do PS permite a especulação.
O problema de IAlçada começa logo pela sua ligação umbilical às políticas de MLRodrigues como se vê aqui.

É evidente que o PS ganhou as eleições com um programa eleitoral que será o ponto de partida para a elaboração do programa de governo. Programa esse que terá de ser exequível, isto é, terá de ser negociado para ter condições de ser implementado. Face às circunstâncias políticas que decorrem de um governo sem maioria parlamentar e ao grau de conflitualidade e de animosidade entre o ME e os professores, será de todo conveniente que o próximo ministro da educação seja um bom político.
Ora, se há qualidades difíceis de identificar em IAlçada, a aptidão política é uma delas.

É por esta razão que eu arquitecto outra personagem para ministro da educação. António José Seguro parece ter a experiência política necessária para a função e o cargo que desempenhou como presidente da Comissão da Educação e Ciência, várias vezes chamado a mediar os conflitos com os professores, faz dele um potencial candidato à pasta da educação.

O problema de AJSeguro é o que se espera dele: AJSeguro é o líder reservista para o PS; seria um ministro talhado para os assuntos parlamentares; pode ser um trunfo que o PS guardará para outras pastas, menos secundárias – como é a pasta da educação (na perspectiva dos arautos neoliberais que nos governam, obviamente).

IAlçada ou AJSeguro representam dois modos diferentes olhar o problema da educação. Por aproximação, IAlçada ou AJSeguro representam dois modos diferentes olhar o problema da liderança que JSócrates pretende para o país:

IAlçada é a imgem da continuidade no ME; AJSeguro representa uma ruptura com um determinado estilo de governação. A escolha de um ou de outro (AJSeguro ou alguém com o mesmo perfil) ministro definirá o estilo que JSócrates irá adoptar durante este mandato. Se optar pelo primeiro, podemos inferir que JSócrates quer precipitar eleições antecipadas; Se optar pelo segundo estilo de governação, podemos inferir que JSócrates quer concluir o seu mandato.

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Paradoxal

Ganhar as eleições perdendo e perder as eleições ganhando.

Como dizia o outro cromo:
– Portugal endoideceu!

Um mal menor ou a vitória possível?

 Será que estou a ver mal o problema? É que o voto útil, cirúrgico, dos professores fez toda a diferença. Mas para lá das leituras que serão feitas pelos analistas importa perceber, para os professores é uma questão essencial porque se trata de aferir a credibilidade dos partidos da oposição, se há condições, face ao quadro parlamentar, para fazer retroceder as medidas impostas por MLRodrigues.

Ouvi com muita satisfação FLouçã evocar a luta dos professores e as suas causas. Para fazer recuar o novo governo é necessário um acordo da oposição, reafirmando o que fora prometido na campanaha eleitoral. Aguardarei pelas declarações de PPortas para ver se é capaz de ser tão explícito neste tema como o foi FLouçã. Mantenho um receio: que os arranjos socratinos com o PSD remetam a educação para o lugar do morto. MFLeite é bem capaz de “trocar” a questão educativa por outra questão mais conveniente para o PSD. Veremos…

Adenda: Não ouvi o discurso do PPortas até ao fim. Ajudem-me: o homem não aflorou a questão da educação no seu discurso de vitória. Terá sido uma amnésia “orgasmica”? Não se quis comprometer com os tais arranjos a que fiz referência atrás? Ou as declarações foram proferidas em off?

Carne para canhão

Nao_Voto_PSDispensaria o dia de reflexão. Se as campanhas eleitorais servissem para esclarecer os eleitores, para lhes apresentar as propostas do partido ou coligação, o dia de reflexão não serviria para grande coisa. E seria dispensável num processo mais racional, mais elevado, mais introspectivo, mais solitário, talvez menos festivo, menos psicótico. A decisão seria tomada com antecedência, seria ponderada face à substância dos argumentos apresentados e à coerência das propostas. Ora, como todos bem sabemos, as campanhas eleitorais visam apenas inebriar o eleitorado para lhe que lhe seja extraído o votozinho, de preferência sem dor, se possível com prazer. O esclarecimento das diferentes(?) propostas políticas são, deste ponto de vista, meros rituais de campanha a que nenhum partido dá verdadeira relevância. Até no caso dos debates televisivos, onde supostamente deveriam ser dissecadas todas as propostas dos partidos com representação parlamentar, prevaleceu a simulação ardilosa dos diferentes actores.

É por isso que os partidos políticos, sem excepção, não prescindem das técnicas de marketing político para convencer o eleitorado (disse bem, convencer, que é usado aqui com o sentido de iludir). Mas não sejamos ingénuos: a turba não dispensa este tipo de festa. Sei que me ponho a jeito para o rótulo de elitista ou de reaccionário. Paciência. Mas não me convenço que uma nação culta daria uma esmola para este festim.

:))

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Isto vem a propósito já não sei bem de quê ;)

[…] Os idiotas, de modo geral, não fazem um mal por aí além, mas, se detêm poder e chegam a ser felizes em demasia podem tornar-se perigosos. É que um idiota, ainda por cima feliz, ainda por cima com o poder, é, quase sempre, um perigo.
Oremos.
Oremos para que o idiota só muito raramente se sinta feliz. Também, coitado, há-de ter, volta e meia, que sentir-se qualquer coisa.

Alexandre O’Neill, in “Uma Coisa em Forma de Assim”

Mau de mais só de pensar.

Haverá, provavelmente, apenas um acontecimento pior do que uma vitória eleitoral do PS: o discurso fanfarrão do seu líder.