Arquivos mensais: Agosto 2007

O milagre da reparação do erro…

O ME decidiu acatar, e bem, uma recomendação do Provedor de Justiça relativa ao regime de acesso à categoria de professor titular.

“A tutela vai permitir o acesso a professor titular, por nomeação, dos docentes do antigo décimo escalão que foram ultrapassados por colegas da mesma escola ou agrupamento com classificações mais baixas, explicou hoje o secretário de Estado adjunto da Educação, Jorge Pedreira.”

Se se mantiver a postura habitual desta equipa governativa, pautada na sua acção por critérios economicistas, este acesso fulgurante de bom senso do ME ficará circunscrito a apenas uma situação flagrante de injustiça. E porquê?
Porque os 200 docentes agora promovidos a titulares manter-se-ão no mesmíssimo lugar da carreira: no último escalão onde já se encontravam. Não auferirão por isso nem mais um cêntimo após a nomeação. Aos olhos da opinião pública, o ME dá um sinal de abertura, de sensatez e de equidade. O ME credita politicamente, e a custo zero convém lembrar, uma situação de injustiça que ele próprio criou e que agora repara. É o milagre político da multiplicação do erro: erra muitas vezes para depois corrigir os erros mais baratos.

Há quem lhe chame esperteza saloia, eu prefiro chamar-lhe o milagre da reparação do erro, só quando me armo em politicamente correcto…

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Minudências ou algo mais?

Conheço pessoalmente dois dos autores dos programas. Além da estima que tenho pelos colegas, reconheço-lhes mestria para desenvolver este tipo de labor. Estou globalmente de acordo com as linhas orientadoras dos programas e louvo o esforço de conciliação entre matérias nucleares (comuns a todas as escolas) e matérias opcionais (trabalhadas localmente). Porém, esta concordância generalizada não me coíbe de questionar o sentido de determinadas afirmações (com é este o caso) ou de suspeitar da incoerência de algumas decisões que inviabilizam o desenvolvimento do programa (cf. entradas anteriores), de cuja responsabilidade pode, ou não, ser alheia aos autores.

“Na explicação do programa ficou expressa a ideia de que a estruturação dos módulos deverá ser feita em cada escola, pelo professor e alunos de cada turma, após um período de avaliação inicial que permita perceber as possibilidades e necessidades de aprendizagem e aperfeiçoamento dos alunos considerando as competências a desenvolver e as normas de referência para a avaliação do curso. […]”

(o sublinhado é meu)

Pensava eu que as tarefas de planificação da actividades lectivas seriam da exclusiva responsabilidade dos professores. Este novo papel do aluno é equívoco, podendo tratar-se de um excesso de linguagem? de uma inovação qualquer que visa mobilizar o empenhamento dos alunos nas actividades propostas nas aulas? Pode até tratar-se de uma questão ainda mais profunda: da reconfiguração do papel do aluno tornando-o co-responsável pela definição do próprio trajecto escolar? Estivéssemos a falar dos programas de nível secundário e até se compreenderia, com alguma dose de boa vontade, esta mudança conceptual.

Admitamos que há intencionalidade na implicação dos alunos pelas tarefas de planeamento das actividades lectivas: onde, quando e como o poderão fazer? Sim… se há responsabilidade dos alunos nestas tarefas, convém definir os limites de intervenção de cada um dos actores e enquadrar este problema na questão da avaliação do desempenho do docente à luz do novo ECD.

Ah! Antes que eu me esqueça …

No desabafo contido na entrada anterior está implícita uma problemática que, todos nós professores, devemos enfrentar sem rodeios: a legitimação da nossa disciplina na escola. O que legitima a presença da área disciplinar, na qual somos especialistas, no contexto escolar? Se a nossa disciplina não tem lugar na escola ou está a perder “utilidade”, que argumentos invocar para justificar a sua presença? Há alguma disciplina que possa contornar esta problemática?

Omeleta sem ovos…

Hoje apresentei-me ao serviço e aproveitei para levantar os programas da minha disciplina que, por enquanto, ainda faz parte da matriz curricular dos cursos de educação formação (CEF) e dos cursos profissionais (CP).
Não tenho parado de rir desde que comecei a folhear o documento! Eu explico: como a cama é curta para se deitarem todas as disciplinas que fazem parte da matriz curricular, houve necessidade de emagrecer os módulos de matéria até porque o tempo semanal de aulas está nos limites da razoabilidade. E rio porque o documento é internamente incoerente na medida em que não permite que uma parte dos objectivos, aqueles que se prendem com a aplicação dos princípios de treino e o desenvolvimento da Aptidão Física na perspectiva da Saúde (objectivos centrais para a disciplina), possam ser viabilizados.

E esta?

Carta não-aberta…

… à Sr.ª Ministra da Educação
Por Ana Maria Carrasquinho (Uma professora indignada)

“[…] Queira V. Ex.ª assumir que a grande maioria das medidas demagógicas que implementou no sistema educativo e em particular, no Ensino Secundário, são, na prática, aquilo que toda a gente sabe: estratégias de poupança, por imperativos do descalabro económico e financeiro em que o país se encontra, ataque à Escola Pública e directo contributo para a proliferação de instituições privadas que têm vindo a crescer, como cogumelos, perpetuando assimetrias, injustiças e favorecimentos sociais de várias naturezas, em benefício de um espectro alargado de clientelas; […]”

[Ler aqui: Rostos on-line]

Responda se souber…

“O objectivo é tornar Portugal num dos países do mundo onde professores pagarão tarifas mais baixas de acesso à Internet por banda larga…”

Esta frase foi proferida:
A. Pelo Primeiro-ministro
B. Por um vendedor da TMN
C. Pelo presidente do conselho executivo das Taipas

Se acertar na resposta receberá como prémio uma boa gargalhada! 😉

Diga lá outra vez…

Se uma greve de professores não pode ser realizada porque afecta o “normal” desenvolvimento da avaliação externa, e considerando que a avaliação externa tem o mesmo valor que tem a avaliação interna, então uma greve, qualquer greve de professores, afectará sempre o “normal” desenvolvimento da avaliação interna. Uma greve causará, sempre, um prejuízo para os alunos que, numa escola mais ou menos recôndita, realizem testes de avaliação. Mais: como a avaliação interna é contínua, a única forma de não prejudicar o “normal” desenvolvimento da avaliação interna é agendar as greves para o período de férias.

Será que estou a ver mal o problema?