Arquivos mensais: Julho 2010

Agora são os hospitais,… a seguir serão as escolas!

Governo vende hospitais para pagar dívidas.

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Summertime

Qual é a melhor interpretação? Não sendo uma escolha fácil, Jarrett transcendeu-se 🙂

Boas férias! 8)

Billie Holiday

Vodpod videos no longer available.

Keith Jarrett

Jill Scott & George Benson

Uma forma canhestra de promover os privados na saúde.

Noite ao relento por uma inscrição

Cerca de uma centena de pessoas passaram a noite à porta da Extensão de Saúde de Fradelos, em Famalicão, para garantir inscrição no médico de família. Na freguesia existe apenas um clínico para cerca de 4000 utentes. Só no início do Outono chegará outro médico.

A expressão pacientes, muito usada no SNS, faz cada vez mais sentido!

O PCP esteve bem

PCP teme “fortes constrangimentos” orçamentais na Educação

Numa pergunta enviada ao Ministério da Educação, o deputado Miguel Tiago começa por citar o despacho de constituição daquele grupo, que será responsável pela produção de relatórios sobre a gestão e a execução orçamental das políticas educativas e por propor e acompanhar medidas adicionais que promovam a eficiência e a eficácia dos serviços prestados nos ensinos básico e secundário, no que respeita à afectação de recursos materiais e humanos, entre outras funções.

“A desfiguração acentuada que a escola pública conheceu nos últimos anos tenderá a agravar-se num quadro de fortes imposições e constrangimentos orçamentais, como é óbvio, mas tenderá a tornar-se potencialmente fatal se forem as políticas de finanças a presidir a questões do âmbito estrito da política educativa”, escreve o deputado comunista.

O PCP fez o que, neste momento, podia e devia ser feito, porque há que manter uma vigilância apertada sobre o grupo de trabalho que se prepara para legitimar o garrote.

PIB, Educação e PISA, reduzidos numa folha de Excel

Retorno_Express2_25_7_10 No caderno de economia do Expresso, nas páginas centrais, o jornalista João Silvestre desafia-nos a olhar para a “coisa” educativa através da lente do “economês”. Os professores do ISEG, António Afonso, João César das Neves e, claro, Nuno Crato, são as estrelas da companhia. Pelo meio ainda é citado Miguel St. Aubyn, um investigador do papel do capital humano na economia portuguesa. Qual é a tese? A tese do costume: sabendo que um olhar sobre a realidade educativa a partir dos números, da quantidade de educação, de escolaridade básica ou da média de anos de escolaridade da população, é uma visão redutora que pode originar erros de análise; importa, por isso, colocar a tónica na qualidade em vez da quantidade. O que, segundo Nuno Crato, só através das comparações internacionais, TIMSS e PISA, é possível saber onde fica o norte do eduquês (isto sou eu a deduzir das palavras, e do pensamento escrito, do excelso especialista).

Sem qualquer preocupação jornalística pelo contraditório, João Silvestre apoia-se nas opiniões das referidas sumidades para afirmar que “Portugal gasta o mesmo que outros países em educação mas tem piores resultados.” Que resultados? Pergunta um incauto, como eu. Resultados na literacia matemática e acessoriamente nas literacias de leitura e científica. É nesta parte do texto que emerge a referência a um estudo científico (um artigo publicado no Banco Central Europeu… creio que é a universidade mais creditada na investigação educativa), assinado por Miguel St. Aubyn e António Afonso em 2005, onde os autores concluíam que, com os recursos utilizados, seria possível produzir mais 16% no ensino secundário. E para não pensarem que se trata de números atirados ao acaso só para impressionar, há um relatório da OCDE (Education at a Glance, de 2009) que atesta o seguinte: o Estado português gastou 5.3% do PIB em educação, em linha com a média dos países da OCDE, mas teve um retorno menor quando medido pelos conhecimentos. E é neste plano da eficiente utilização dos recursos que há mais problemas, dirão os pretensos relatores do documento.

Retorno_Express1_25_7_10Atente-se à precisão destes números e a complexidade das relações causais* o que contrasta com a criticada visão redutora de olhar apenas para o número de anos de escolaridade para se inferir a rendibilidade do ensino português.

Na ausência de um quadro de referência que abarque o conhecimento significativo que seria desejável um jovem conhecer, permitam-me a redundância, não encontro razões substantivas para aceitar que umas bojardas pretensamente científicas reduzam a complexidade dos problemas educativos a uma folha de Excel.

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* Um dos factores que explicam a existência de alguma ineficiência na utilização dos recursos, por exemplo, no ensino secundário, tem a ver com a própria formação dos pais dos alunos (…) refere António Afonso.

Se a condicionante-chave é a formação dos pais do aluno, o problema dos resultados encontra-se fora da escola. Para o bem e para o mal, não martirizem as escolas e os professores por algo que os transcendem.

Criado grupo de trabalho para planear o garrote.

O Despacho 11917 cria um grupo de trabalho a quem compete, designadamente:

a) Acompanhar a implementação das medidas para o sector da educação apresentadas no Orçamento do Estado para 2010;

b) Acompanhar a implementação das medidas para o sector da educação apresentadas no Programa de Estabilidade e Crescimento 2010-2013;

c) Propor medidas e acompanhar a implementação do aprofundamento da reorganização da rede escolar dos ensinos básico e secundário;

d) Acompanhar a actividade da Parque Escolar, no âmbito da implementação do Programa de Modernização do Parque Escolar do Ensino Secundário;

e) Propor e acompanhar a implementação de medidas adicionais que promovam a eficiência e eficácia dos serviços prestados no âmbito dos ensinos básico e secundário, nomeadamente no que respeita à afectação de recursos materiais e humanos.

(* O sublinhado é meu.)

Quando os professores regressarem dos banhos, o grupo de trabalho coordenado por tecnocratas do MFinanças e do MEducação terá preparado mais um garrote que constará no próximo orçamento de estado.

Títulos (académicos) em saldo

O Conselho Nacional das Ordens Profissionais (CNOP) exige o título de mestre para os alunos licenciados antes da entrada em vigor do processo de Bolonha (2006) e colocou uma petição on-line para entregar à Assembleia da República, avança a agência Lusa.

Em conferência de imprensa, em Lisboa, o presidente do CNOP, engenheiro Fernando Santos, considerou injusta a actual equiparação académica de todos os alunos, antes e depois do processo de Bolonha, que veio reduzir as licenciaturas para três anos.

«É injusto que os alunos que tiveram formação académica de cinco ou seis anos estejam equiparados aos que tiveram formação de três e isso reflecte-se no mercado de trabalho», disse.

Assim, adiantou, o CNOP decidiu colocar uma petição na Internet a solicitar à Assembleia da República que altere a respectiva portaria e que seja atribuído o grau de mestre aos licenciados antes do processo de Bolonha.

«Vamos pedir à Assembleia da República para que os antigos licenciados tenham o título de mestre e corrigir a injustiça», afirmou Fernando Santos. (in: iol)

O CNOP exige o título de mestre para os alunos licenciados antes da entrada em vigor do processo de Bolonha (2006). Posso presumir que exigirá também o título de doutores para os alunos mestres antes da entrada em vigor do processo de Bolonha? E já agora: o que exigem para os doutores antes da entrada em vigor do processo de Bolonha? Que grande nóia!