Disciplinas “à la carte”?

Ministério considera “ideia interessante” ensinar história das religiões na escola pública.
Proposta foi feita à Comissão da Liberdade Religiosa pelo patriarca de Lisboa e pela maçonaria

“O Ministério da Educação considera a possibilidade de uma disciplina de história comparada das religiões uma “ideia interessante”. A ideia foi avançada segunda e terça-feira no colóquio internacional sobre as religiões e a paz, promovido pela Comissão da Liberdade Religiosa (CLR).” (Público – edição impressa 29-06-08)

Qual o período de vigência de um plano de estudos? Como se faz um programa de uma disciplina? Quem define os conteúdos curriculares? Com que critérios? A que lógicas obedecem? Deve ou não haver articulação curricular? Se deve haver articulação articular, quem tem a responsabilidade de articular os curricula?…

– Ambrósio, apetece-me algo.
– Uma nova disciplina, senhora?

Até já!

Rufus Wainwright a solo na Casa das Artes – Famalicão

Adenda 1: Muito bom! Seria excelente se se fizesse acompanhar de músicos à sua altura. É que o trabalho de equipa potencia os talentos…

Adenda 2: “Partilha, cumplicidade, arrepios na espinha e comentários espirituosos – eis um pouco do que se pode esperar do muito que é um concerto de Rufus Wainwright. O canadiano regressa a Portugal para duas actuações a solo em Famalicão, a 28 e 29 de Junho.
Rufus tem andado entretido com aventuras como o tributo a Judy Garland, no espectáculo “Judy! Judy! Judy!” (que levou ao Carnegie Hall), e a ópera que a Metropolitan Opera de Nova Iorque lhe encomendou (já se conhece o título, “Prima Donna”). Pelo caminho, lançou “Release The Stars”, que surpreendeu e conquistou a crítica. Encarrilou pela mesma linha intimista e pessoal dos álbuns anteriores, mas já se deixou levar com maior veemência pela tendência épica que Rufus nunca escondeu. No universo “rufusiano”, a melancolia anda de braço dado com o bom humor (aviso a principiantes: o “flirt” com a audiência é constante). Respira-se romantismo, um certo tom de exuberância e, a momentos, até uma atmosfera de religiosidade. Pelo meio, há palavras simples para emoções fortes.”
S.Pe. (PUBLICO.PT)

Rigorosas habilitações ou falta de mão-de-obra barata?

Vítor Lourenço, vereador da Educação, adianta, no entanto, que a maioria dos agrupamentos já aceitou corresponder à proposta e que uma reunião a realizar hoje, sexta-feira, pretende ultimar o processo de modo a garantir que, no próximo ano lectivo, as AEC decorram sem sobressaltos.
O vereador classifica mesmo o ano que passou de “horribilis”, devido a um sem número de alunos que ficaram sem AEC por falta ou desistência de professores e dificuldade em contratar substitutos
.” (Via O Cartel)

O que me espanta não é a eventual impreparação deste ou daquele autarca para determinadas funções. O desenrasca típico, que faz escola no nosso país, pode resultar em assuntos de pequena monta, mas é claramente um obstáculo quando se trata de lidar com problemas estruturantes, como é o caso da educação. Quando o governo acenou com a possibilidade de delegar competências na área do ensino, os municípios não deixaram fugir a oportunidade de aumentar o bolo das finanças locais. O problema muda de forma quando o Estado central decide, como é seu dever, regular e fiscalizar as actividades delegadas no poder local. Neste caso chegou tarde, mas em boa hora, a regulamentação das AEC’s ao nível da contratação dos professores. Diz o vereador da Câmara Municipal de Leiria que encontrou “dificuldades em recrutar professores de Inglês, Música e Educação Física, tendo em conta as rigorosas habilitações exigidas pelo Ministério da Educação e para cargas horárias reduzidas, algumas com apenas quatro horas semanais.”

É evidente que seria muito mais fácil recrutar professores sem habilitações próprias, com habilitações insuficientes e a baixo custo.
O que me espanta, no meio deste imbróglio, é o facto de ainda haver quem pense que para ser professor basta ter sido… aluno.

Futebol, outròólhar (IV)… da axiologia

“A finalidade do desporto é a de ajudar a fazer o homem com pessoa única, singular, distinta. Ajudá-lo a medir-se como sujeito dentro da sua grandeza física, estética, moral e espiritual.
[…] É por tudo isto que enfatizo a necessidade de reafirmar o desporto como um projecto axiológico. São princípios e valores que perfazem o teor da sua missão. Fora deste horizonte não tem qualquer substância humanista e cultual e deixa de pertencer ao reino das coisas mais sublimes que o génio humano inventou.
[…] Onde brilha o dinheiro, empalidecem os ideais. Estes vêem-se arredados da polis desportiva por interesses, mandarins e mandaretes com uma altura e uma grandeza de vão de escada.” (Jorge Bento)

Futebol, outròólhar (III)… da antropologia

“Há dois momentos distintos quando se realiza uma partida de futebol na região habitada pelos Peoná. O primeiro, quando o jogo é realizado entre os índios da própria etnia e termina sempre em empate. O segundo é o confronto dos índios Peoná com outras etnias que termina sempre na vitória do visitante. Até o presente momento essas curiosidades indígenas parecem ingénuas do ponto de vista civilizacional moderno. Aqui parece que o futebol realmente não incorpora os valores da realidade, efectivando o dito popular de que “futebol não tem lógica”. Vamos a algumas análises que podem ser elucidativas ou conflituantes conforme o conhecimento da vida indígena, dentro do aspecto ludico-rilual.
Ao visitante dito “branco”‘, os Peoná são arredios e de pouca conversa. É necessário um tempo significativo para que eles aceitem o visitante em seu meio ambiente. A princípio, o visitante é hostilizado e serve como elemento para infindáveis gozações. A realização da partida de futebol é algo que liberta o visitante deste estado, é quando o mesmo é considerado pertencente à natureza, logo adquire a vida por assumir a ave ou bicho do qual o nomearam durante o período de gozação. Aqui informamos que este estado, adquirido pelo visitante ao assistir a uma partida de futebol, jamais lhe promove a qualquer igualdade, pois a condição da criação mitológica é mantida em todos os aspectos. Vale a pena esclarecer que a criação mitológica fez sair de dentro da grande cobra-barco, primeiros índios considerados superiores na região, depois os Maku e finalmente o branco. Esse fenómeno da criação mitológica bem evidenciado com a realização do jogo de futebol. Quando o Peoná conquista uma amizade, ele torna-se o mais vassalo de todos os seres habitantes da natureza. Além da dedicação e da amizade, eles têm sempre um pedido especial para fazer ao visitante traga uma bola joga. A presença da bola significa a continuação do jogo de futebol. Por sinal, vemos a bola como o único implemento copiado do jogo moderno.

O jogo de futebol e ritualizado há muito tempo na comunidade indígena dos índios Peoná, que habitam a região do alto Rio Negro. Este jogo trás, em si, características bem próprias de uma cultura rica no sentido lúdico, que luta pela manutenção dos seus costumes, usando o futebol para tanto. O futebol, para esses índios, além de ser uma maneira recreativa, está lotado de uma infinidade de leituras sociais das quais podemos compreender melhor seu modo de vida.
O índio Peoná, pertencente ao tronco dos Maku, considerados como vassalos das outras tribos e os mais selvagens da região, está contido no meio ambiente, pois mantém a mais estreita relação com o mundo selvagem. Para eles, a existência e a sobrevivência devem estar muito próximos ao reino animal e de valor fundamental ao meio ambiente em que vivem. Não é só valor quantificado, acima de tudo temos o valor incorporado na sua essência como ser vivo.
Nós, que somos pesquisadores da área de Educação Física, sentimo-nos honrados com a importância cultural que o desporto exerce para os índios Peoná. O desporto assume uma verdade histórica entre essa etnia, revelando não só o sentido da disputa, como também, aspectos culturais importantes para a sua identidade indígena.
Na nossa óptica, o jogo é a vida de um Maku, não termina, tem sempre continuidade. Há uma jogada da vida por fazer e esta tem uma roupagem social importante para garantir o sentido ritual das etnias. A competição marca um momento único para estreitar os laços de fraternidade entre as etnias envolvidas.
Assim como o Kuarup (ritual realizado pelos krenakoro, habitantes da região do Mato Grosso. Esse ritual assemelha-se ao jogo da estafeta, sendo realizado dentro da selva e com auxílio de um tronco muito pesado que serve de implemento recreativo), simbolizado no tronco sagrado que restaura seus ancestrais, o futebol entre os Peoná vivencia o momento mais importante de sua vida, que foi o início de tudo, a criação de todas as tribos. Ambas as manifestações são festas, por isso sagradas. Para o kuarup, a confraternização tem entido Olímpico. Para o Peoná, o jogo de futebol, é mais um acontecimento da natureza que merece uma comemoração especial. Estamos vivos! Renascemos na selva.” (pp. 264-266)

Jefferson Jurema e Rui Garcia (2002). Amazônia – Entre o esporte e a cultura. Editora Valer. Manaus.

Futebol, outròólhar (II)… da antropologia

“Os Peoná são os indígenas considerados os mais primitivos dos habitantes daquela região. Eles empregam várias características, como por exemplo: o seu modo de andar, quando estão na cidade, pois caminham como se estivessem dando passos dentro de uma selva íngreme. Essa é uma das qualidades que difere esses índios dos outros. Outro aspecto é o fato deles não serem afeitos com números, géneros e graus. O uso da roupa, mesmo estando numa comunidade que adopta esses costumes, constitui-se num grande problema para aquela etnia.
Aqui temos algumas das qualidades de um Peoná sendo desenhadas, copiadas ou até mesmo expressas no jogo de futebol. O jogo obedece a certas regras do futebol moderno, que são adaptadas à vida primitiva. O número de jogadores em campo é algo não relevante, pois jogam quantos elementos da comunidade estejam presentes no acontecimento. A idade e o sexo são variáveis desconsideradas. Num mesmo time, há um verdadeiro encontro de pessoas e de idades; são homens, mulheres, jovens, crianças e idosos, todos com mesma função: jogar o futebol.
O tempo de realização de uma partida é espectacular. o jogo começa, por exemplo, no meio da tarde e, por fim, pela noite. Fomos informados de partidas que duraram até doze horas para se conhecer um vencedor.
A bola pode ser qualquer representação daquela encontrada no futebol moderno. O importante é o acontecimento. As funções de ataque, defesa e posição em campo não obedecem a critério algum, sendo essa regra determinada pela vontade “bem natural” inerente ao Peoná. As substituições acontecem a qualquer momento do jogo e é comum ver-se entrar vários jogadores em campo e não sair ninguém da peleja.
O jogo assemelha-se a uma dança onde eles expressam grande alegria em estar realizando aquela actividade. A cada jogada, eles cantam, brincam, riem e dançam. O jogo tem muito mais sentido de festa do que de uma competição.
Ao mesmo tempo em que eles estão motivados a jogar, saem a correr para o mato, abandonando o jogo, e isto é motivo de alegria para os que ficam em campo. Depois eles voltam do mato, incorporados na figura de um bicho e entram na joga¬da como se nada tivesse acontecido. O que acontece quando o jogo termina? Após o jogo vem a celebração, bem comparada com aquela feita na conquista do tetracampeonato de futebol feita pelo seleccionado brasileiro. A festa, a sagração dos ídolos, a rememorização dos costumes, o encontro com irmãos Peoná, a farta ingestão de bebidas e muita dança.” (pp. 262-263)

Jefferson Jurema e Rui Garcia (2002). Amazônia – Entre o esporte e a cultura. Editora Valer. Manaus.

(Continua…)

Futebol, outròólhar… da antropologia

“A comunidade Santo Atanásio está distante 1.350 km de Manaus, estando mais próxima da cidade de Iauaretê. Lá é o reduto dos índios Peoná, uma vertente étnica dos Maku, que tem no futebol sua expressão lúdico-ritual.
O futebol e uma modalidade esportiva praticada pela maioria dos brasileiros. Os índios da região do alto Rio Negro não são excepção. No entanto, o jogo praticado entre determinadas culturas revela dados sociais importantes para uma observação apurada. O que dizer de um time de futebol sem número determinado de jogadores que, quando enfrenta um convidado de outra comunidade sempre perde a partida? O que dizer do time que, quando joga entre os membros da mesma comunidade, o resultado é literalmente uma igualdade?
Parece estranho que haja jogos de futebol com essas características, pois estamos acostumados a ver sempre um resultado numa disputa acirrada, mesmo que o jogo tenha aspectos somente recreativos ou de reunião de amigos para um encontro formal.
Numa primeira vista, o jogo de futebol dessa família indígena parece não ter nada da arte que vemos nos jogos da selecção brasileira ou mesmo da malícia encontrada nas peladas de fim-de-semana. Como os índios Peoná vivem na lógica da selva, atendendo suas imposições, acostumados a viver nas dificuldades naturais, tendo liberdade de acção e obedecendo literalmente a função mitológica que lhes cumprem, é comum brincarem sempre com objectivo de re-criar seu mundo. Para nós, a função do lúdico encontrada no jogo é algo muito além do que o simples ato mecânico de chutar uma bola ou festejar um gol.” (pp. 261-262)

Jefferson Jurema e Rui Garcia (2002). Amazônia – Entre o esporte e a cultura. Editora Valer. Manaus.

(Continua…)

Sinais… nos exames nacionais.

“[…] o fosso assustador é talvez aquele que esta facilidade vai cavando entre alunos, quer dizer, entre jovens cidadãos. O fosso entre aqueles que, face a estas provas, rejubilam com um festivo “correu bem?” e aqueles outros que tendo trabalhado duro se sentem defraudados. O que os separa, perigosa e talvez irremediavelmente, é o modo como uns e outros deitam contas à vida.”

Ouça estes sinais de Fernando Alves, na TSF.

Do 8 aos 80…

Depois de um primeiro concurso de acesso à categoria de professores titulares iníquo, foi publicado, ontem, uma segunda versão, o Decreto-Lei n.º 104/2008, de 24 de Junho.

Três breves comentários:

  1. É um concurso precedido de uma prova pública, de tipo académico, onde @ candidat@ escolherá dois de três domínios [a) preparação e organização das actividades lectivas, relação pedagógica com os alunos e avaliação das aprendizagens; b) projectos inovadores desenvolvidos ou a desenvolver; c) área de gestão e organização escolar].
  2. A exigência de 14 valores na prova pública é, a meu ver, atípica e inconsequente: atípica, porque subverte os referenciais instituídos no sistema de ensino superior e não superior; inconsequente, porque a prova se revelará improfícua em repor a excelência calcinada no concurso anterior.
  3. Depois de aprovad@ na prova pública [uma aprovação significa obter mais de 13 valores], o júri do concurso [director + director do centro de formação + 3 titulares – 1 deles na área de especialização d@ candidat@] seleccionará @s candidat@s através da análise curricular: (3x resultado da prova pública+ 2x graus académicos + 3x experiência profissional + 2x avaliação do desempenho) / 10. Há aqui uma redundância na fórmula encontrada para seleccionar os candidatos na medida em que a prova pública versará sobre domínios que surgirão repetidos no documento referente à experiência profissional.

Ética da preguiça

Começo a ficar seriamente preocupado com as consequências de curto e médio prazo de um pretenso [retiro o pretenso porque a SPM e a SPQ são instituições credíveis] abaixamento de nível de dificuldade nas provas de exame.
Hummm… a despropósito… ou talvez não: Como irá reagir o mercado das explicações?

O que vem mesmo, mesmo, mesmo a propósito é o alho porro :))

Arregimentar

As organizações de professores, não só as “históricas” como as “embrionárias”, lutam com o problema da mobilização. Crê-se que a dimensão da organização faz inchar o lóbi. Esta é apenas uma meia verdade que tem levado algumas organizações a desprezarem outras formas, porventura mais eficazes, “de levar a água ao seu moinho”. Mas adiante… Independentemente da dimensão da organização, há o eterno problema existencial que consome muita energia e ocupa milhares de neurónios: Como arregimentar professores fidelizando-os ao objecto da organização?

Eis o problema da filiação, que não é exclusivo das organizações de classe, e que é tanto mais difícil de resolver quanto maior for a diversidade de percursos profissionais, as diferentes concepções da profissão e os variados níveis de cultura e formação!

Se tiver a solução para este problema, acredite que tem tudo para ser líder 😉

Reescrita

Encanecendo

O tempo é fenomenológico. E como diferem os sentidos subjectivos do tempo.
E se juntarmos ao tempo um corpo fenomenológico? O que vemos? Um tempo corporal! Vemos um corpo vivido!
Através do corpo, ou seja, através dos modos de percepção do uso do próprio corpo, vamos tomando consciência de vários corpos: O meu corpo; o corpo que se evidencia aos outros; o corpo objecto de estudo; e o corpo da corporeidade. É deste corpo que me interesse falar: do corpo que me obriga a conhecer-me porque eu sou o meu corpo, como dizia algures um autor de referência num livro de referência.
Sinto que o meu tempo vivido é mais curto que o meu tempo contado. Paradoxalmente, sinto que a parábola da vida marcha, vertiginosamente, para uma fase descendente. É esta falta de homogeneidade no tempo vivido que me permite reescrever a história da vida sob diferentes matizes. Hoje é o tempo. Este continua a ser o meu tempo.

“Este é o tempo
da selva mais obscura
Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura
Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada de amargura
Este é o tempo em que os homens renunciam.”

Sophia de Mello Breyner,
Mar Morto (1962)

A muleta da ciência.

De várias medidas que contribuíram para os presentes resultados [nas provas de aferição 2008], mencionem-se, a título de exemplo:

  • A formação contínua, em Português e em Matemática, de milhares de professores do primeiro ciclo;
  • O Plano de Acção para a Matemática, concretizado em todos os agrupamentos de escolas;
  • O Plano Nacional de Leitura, que apetrechou e dinamizou as bibliotecas escolares de todos os agrupamentos;
  • A definição de orientações sobre os tempos de trabalho com os alunos do 1.º ciclo em leitura e em Matemática;
  • O reforço do Estudo Acompanhado, para os alunos dos 1.º e 2.º ciclos;
  • A disponibilização de um banco de mais de 3000 itens de Matemática;
  • A elaboração de brochuras de apoio científico e pedagógico, para os níveis do pré-escolar, dos 1.º e 2.º ciclos, em Matemática e em Língua Portuguesa.

in: (ME)

A ministra da educação refutou veementemente as críticas que concedem uma pretensa falta de rigor e de exigência aos exames nacionais: “Eu não me pronuncio sobre opiniões, […] isto não é uma questão de opinião”, dizia a ministra em tom elevado depois de confrontada com opiniões contrárias às suas. Argumentou que este assunto deveria ser esclarecido no âmbito da técnica, dos procedimentos estatísticos, enfim, da ciência.
Afinarei pelo diapasão da senhora ministra: para quê opinar sobre A VERDADE científica? Não quero, portanto, pensar que na génese das provas dos exames subjaz uma ideia “facilitista”. Nada disso. Longe de mim tal heresia.
Se as opiniões não contam, se o que importa são “factos científicos”, como demonstrar que as medidas que o ME diz ter tomado são responsáveis pelos presentes resultados? O ME tem em seu poder algum estudo científico que prove essa relação causal?
Espero que não se trate de uma mera opinião.

Há que continuar a assobiar para o ar e fingir que não é nada connosco…

Estados Unidos, Malta e Portugal são os três países de um conjunto de 41 analisados por um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) onde as crianças com onze anos revelam maior excesso de peso.

Não vislumbro qualquer intenção do governo em atender às recomendações do Parlamento Europeu. De que me espanto? Afinal, as estatísticas da obesidade não concorrem para o ranking do PISA e as políticas balcanizadas deste governo remetem os problemas de saúde pública para o Ministério da Saúde.
E as recomendações são tão claras que bastava um pouco de vontade política para atacar o problema pelo lado da profilaxia: Como afirma o relator, “Não é tanto o aumento da dose de calorias que provoca o excesso de peso, mas a inactividade física: as crianças não comem mais, mexem-se menos”

O CNE vai encontrar a chave. Há que esperar pelo parecer…

Finlândia, Irlanda e Espanha são casos de sucesso na Educação e exemplos a seguir por Portugal. É a opinião do Conselho Nacional de Educação que convidou especialistas dos países a contarem o segredo educativo.
A Finlândia tem muitas horas de aprendizagem dentro da sala de aula, mas a chave do sucesso é mesmo a aposta em professores de apoio nos primeiros quatro anos de escolaridade. Já para os irlandeses, o segredo do êxito na Educação está nos professores altamente qualificados e que gostam da profissão. A especialista espanhola, Joaquina Maeso, revelou que a receita está sobretudo no apoio à língua espanhola, pois considera que se um aluno não dominar a língua vai fracassar às outras disciplinas.
São exemplos como os da Finlândia, Irlanda e Espanha que vão ajudar a formular o parecer sobre a Educação no ensino básico que o Conselho Nacional de Educação deve emitir em Julho.
in: TVI

Perdemos demasiado tempo à procura do elixir que nos fará transcender: Onde estará, afinal, a chave do sucesso na Educação?
É que passámos demasiado tempo a observar o caldo de cultura alheio e continuámos esperançados de que é possível importar modelos, paradigmas, e outros quejandos.
Parecemos umas baratas sem tino nem destino! Será possível existir um sucesso na educação sem que esse sucesso [travestido sei lá de quê] esteja reflectido num pretenso sucesso societal? Que miopia é esta que nos faz olhar para o sistema educativo através de uma lente que só enxerga o sistema escolar?

Triste sina a nossa!…

As novas catedrais

«Aos inimigos do palco desportivo, que continuam a tentar menorizá-lo intelectual, cultural e socialmente, diremos, como a poetisa Natália Correia, que face às “massificações, que assepticamente negam a vida, a massificação exaltante do futebol (…) põe em ebulição os sentimentos e as mentes” e tem “o mérito de desencadear as paixões que dão cor à alma. Ao menos os frenéticos do futebol dão tudo por uma causa. E são os homens sem causa que com o seu governo de máquinas calculadoras nos alienam o espírito”.
A esses e a todos que o aviltam continuaremos a repetir que o futebol e os seus estádios são símbolos de causas. Só os aleijados da alma é que não dão por isso.»

Jorge Bento

Só nos faltava mais esta*

Esta é do DN de hoje, 15-06-2008.
É mesmo de bradar aos céus. Então eu que pago regular e atempadamente as minhas contas de electricidade vou ter de pagar AINDA MAIS porque há aqueles que não pagam a a querida EDP não pode ficar sem a guita?
Esta não lembra ao diabo!
E quando as empresas XYZ passarem a apresentar nas facturas os custos daqueles clientes que não lhes pagam as ditas aos que lhe pagam?
Mas afinal de contas o mercado é só todo bom, não tem riscos?
E sou eu que tenho de arcar com os riscos da iniciativa dos outros?
É muito lindo dizer que o mercado é que é o verdadeiro regulador, mas quando surge o lado negro desse bondoso regulador o Estado e a sociedade que pague pois o capital não pode correr riscos.
Neste país foi sempre assim – o capitalista só arrisca à sombra do chapéu protector do Estado!
Os custos com as dívidas incobráveis da electricidade vão passar a ser pagos por todos os consumidores. Hoje, é a EDP Serviço Universal que assume os encargos totais dessas dívidas. Mas a proposta da ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos) para o próximo período regulatório de 2009/11 prevê que os encargos com esses compromissos passem a ser partilhados com os consumidores de electricidade a partir do próximo ano, nas tarifas de electricidade.”

*IN: (O Reino da Macacada)

Conflito de interesses…

Há que reconhecer a minha ignorância: alguém me poderá ajudar a compreender o que perdem os cidadãos europeus com o definhamento do Tratado de Lisboa?
Eu já percebi o que perde o nosso primeiro-ministro, e pude perceber que os interesses pessoais do primeiro-ministro não podem ser confundidos com os interesses do país. É para mim claro que o país pode ganhar quando o primeiro-ministro perde. O Dr. Durão Barroso demonstrou precisamente o contrário: que o país pode perder quando um primeiro-ministro ganha. Ora, por todas as razões que desconheço e principalmente por esta dúvida basilar, conviria que o debate sobre esta matéria fosse amplo e esclarecedor sobre o que está verdadeiramente em jogo.

Que o Não irlandês leve os “eurocratas” a arrepiar caminho!

Adenda: “Um dia depois da bomba lançada sobre a União Europeia pela vitória do “não” no referendo irlandês ao Tratado de Lisboa, os líderes europeus não parecem dispostos a abandonar o documento que acordaram em Outubro passado e são cada vez mais os que admitem a hipótese de convencer Dublin a repetir a consulta.”

Comentário: A política de bordel pode ser uma excelente paródia! E não é que me apetece perguntar: Eu sou castanho? E puxo carroça?

Manga-de-alpaca

Tenho de reconhecer que tenho ainda muito caminho para andar até me transformar num bom operário da educação. Pressinto que me querem impingir esse estatuto, por razões meramente economicistas, mas ainda [?] não estou preparado para o cumprir. Estarei desfasado deste tempo? Sinto que as funções acessórias que estão a ser relevadas no conteúdo funcional da profissão que escolhi não se coadunam com o investimento que fiz na profissão e muito menos com as minhas expectativas de educador.
Tenho de reconhecer que não me sinto nada confortável, mesmo nada confortável, a ouvir a leitura de uma norma [02], que deveria ser distribuída pelos professores em formato digital [só para evitar o desperdício de papel]; Não me sinto nada confortável a vigiar uma prova de exame onde apenas é requerida a presença física e um mutismo fiscalizador; Não me sinto nada confortável a preparar pautas de provas de exame, resmas de papel para cumprir um ritual administrativo oco de conteúdo…
É um pena não exigirem mais do meu trabalho do que o simples cumprimento de formalismos inócuos. Corro o risco de passar uma imagem de imodéstia ao denunciar um pretenso desperdício de capacidade. Mas quem não se sente não é filho de boa gente!
Manga-de-alpaca, Não muito obrigado!

Sapo da treta…

Já perdi a conta às horas de conversação. Estou farto de ser sacudido de operador para operador repetindo motivos de insatisfação. Estou farto do SAPO ADSL!

Não espero milagres com a NetCabo. Só que há momentos em que é preciso dizer basta!

Luta pela sobrevivência.

Não estranho o ruído que gerou a ideia peregrina de cobrar uma taxa aos trabalhadores não sindicalizados que beneficiam, indirectamente, dos benefícios conquistados nas discussões com as associações patronais. Ser sindicalizado é uma questão que deve ser discutida no domínio da consciência profissional. Quero dizer com isto o seguinte: se a ideia de profissionalidade existir dissociada da filiação sindical, não me parece justo cobrar qualquer encargo ao trabalhador; por outro lado, se essa ideia de profissionalidade não dispensar as lutas políico-laborais o trabalhador irá, voluntariamente, agregar-se e filiar-se no sindicato mais bem posicionado para responder à contenda.
Não me agrada a ideia de pretender sindicalizar os professores de forma compulsiva. É preciso que o professor, cada vez mais remetido à sua condição de “operário”, acredite no projecto e na prática sindical. E sem uma percepção do sentido de associação, sem compreender a necessidade de um sindicalismo forte como resposta à desqualificação profissional, jamais teremos professores mobilizados contra as políticas neoliberais responsáveis pela erosão dos direitos laborais mais básicos.

A desertificação sindical é um problema complexo, é um problema multifactorial que não pode ser ultrapassado com leis coercivas. O espírito de sobrevivência da UGT terá levado João Proença, líder da UGT, a uma fuga para a frente.

É prudente que a CGTP se demarque desta posição: As moscas não se apanham com vinagre!

Recomendação do CNE

Avaliação «desligada» de notas máximas
Recomendação é do Conselho Nacional de Educação

O Conselho Nacional de Educação (CNE) aprova a Avaliação Externa das Escolas mas recomenda que, por agora, os resultados deste processo não tenham implicações na atribuição das classificações mais elevadas, no âmbito avaliação de desempenho, segundo parecer divulgado esta sexta-feira.
«Desaconselha-se, pelo menos nesta fase, qualquer ligação entre os resultados da avaliação das escolas e punições dos seus agentes individuais, designadamente a quota de professores titulares e de atribuição de escalões mais elevados na atribuição de professores», refere o CNE, o órgão consultivo do Ministério da Educação presidido pelo ex-ministro da Educação Júlio Pedrosa, em parecer de 27 de Maio, hoje divulgado.
[…] Quanto ao Sistema de Avaliação da Educação e do Ensino não-Superior, o Conselho critica que se esteja a reduzir essa avaliação às escolas, ficando de fora a administração educativa. «As escolas não são organizações isoladas e não podem nesse quadro ser desligadas de uma avaliação mais global do sistema educativo e de ensino», refere o parecer. [in: IOL Diário]

Desaconselha-se, pelo menos nesta fase (…)? Será apenas um problema de… conjuntura? E depois das eleições? Seria aconselhável?

Oportunidade perdida ou uma oportunidade de reestruturação?

Um olhar mais atento ao modo como decorre o processo de constituição do conselho geral transitório, leva-me a constatar que o significado do conceito de colaboração entre professores não é amplamente compreendido. No actual contexto em que evoluem as políticas educativas neoliberais e a competição entre pares é estimulada por via da avaliação normativa [com o propósito de ordenar os professores numa espécie de hierarquia de competência], a colaboração assume formas muito diferentes mas que, malogradamente, não se têm repercutido no reforço da autonomia e no fortalecimento dos professores como classe profissional. A meu ver, a colaboração dos professores só pode ser considerada positiva se suscitar benefícios ao nível da sua autonomia profissional e estimular a prática reflexiva.

Tenho percebido que as diversas manifestações de colaboração que emergem da constituição de listas para o conselho geral transitório visam prolongar um modus vivendi instalado, mais dirigidas para as questões micropolíticas e menos orientadas para as grandes questões da profissionalidade, nomeadamente, a luta colectiva contra a imposição de modelos de controlo burocrático do trabalho docente e contra as reformas que desqualificam a função docente.
O desafio da reestruturação da confiança [nas pessoas e nos processos] passa, necessariamente, pela capacidade de escutar vozes díspares de professores, passa pelo respeito do poder de discrição dos professores e pelo fortalecimento da sua capacidade de tomada de decisões.

Saibamos ouvir porque o pior cego é aquele que não quer ouvir!

Será que estou a ver bem?

Escolas públicas superam privadas
A modernização tecnológica conheceu um avanço assinalável no ensino público português, deixando, à distância, os investimentos feitos no privado. Em 2007, quase 80% das escolas estatais tinham PC, contra 23% no sector privado. (ler aqui)

Não importa saber se o estudo é fiável ou não. Importa perceber o que aí vem: Se melhoram as condições nas escolas então deverão melhorar os resultados. Os professores que se cuidem…

CEF´s = falência da "Escola Geral".

“Talvez fosse preferível criar para esses alunos programas de formação profissional com forte ligação às empresas e com o objectivo declarado de ensinar competências profissionais do tipo das que são necessárias para serem canalizadores, electricistas, pedreiros, armadores de ferro e carpinteiros.” (in: ProfAvaliação)

Discordo, caro Ramiro. Ainda bem que “A cultura escolar ainda se baseia na leitura e na escrita.” É difícil imaginar uma sociedade humana “Pós-Moderna”, globalizada, que dispense a escola do treino da leitura e da escrita. Não estou a imaginar uma escola paralela capacitada para resolver o problema da formação de competências básicas da leitura e da escrita. Terá de ser esta escola, apesar de se mostrar incapaz de promover o desenvolvimento de um conjunto de inteligências, mas bem “rotinada” para o treino da leitura e da escrita, a «linha de vida» para segurar as crianças e jovens à Cultura.
A escola deve cuidar em primeiro lugar da formação geral, que é teórica, e só depois, ou sendo acompanhada [se preferirmos ordenar as prioridades] por uma formação orientada para a prática.
Transformar uma “escola geral” numa “escola específica”, ou técnica, ou outra, é amputar à sociedade um dos seus membros estruturais.