Arquivos mensais: Janeiro 2005

Caminho que se faz…

No Que Universidade encontramos uma discussão interessante. Ao destacar uma lista de sete princípios que “podem ajudar à criação de um estilo próprio de ensinar que se ajuste à diversidade dos alunos que cada um encontra”, MJMatos faz a apologia da diferença.

Um outro olhar transparece da tese de que o professor é um operário reprodutor da semelhança e da uniformidade. É um ponto de vista que até “dá jeito” se exigir menos trabalho. Lidar com a diferença será mais enfadonho. E, na verdade, até existem constrangimentos que legitimam a perda do entusiasmo, nomeadamente, os vários conflitos com a Administração e as resistências geradas por outros elementos da escola, pelos projectos que desaparecem pelo desgaste e pelos efeitos de conjunturas desfavoráveis.

Mas, não é por aqui que será feito caminho.

Acalmia

Após uma ronda pela blogoEsfera pude verificar alguma acalmia. Vi blogues por actualizar e outros a assumir a desistência.

Enquanto faço um compasso de espera aguardando por sinais de vitalidade debato-me com o argumento da falta de produtividade. É um argumento forte para emagrecer a barra lateral dos blogues. Saindo dois companheiros e entrando um novo para o seu lugar canalizo mais atenção pelos residentes.

Enfim, a lógica de merceeiro pode ser utilizada em qualquer reforma…

Dois blogues…

… a visitar: O Português nas Escolas e A Memória Flutuante.

Ser Professor…

… – Um ofício em risco de extinção?

Será uma antevisão dos efeitos do projecto Escola Virtual?

Reflexão imediata…

O direito à educação é um preceito que assenta numa crença: A Educação pode melhorar a qualidade de vida, o desenvolvimento e compreensão do ser humano, o controlo da agressividade, o desenvolvimento económico, o domínio do destino através do progresso das ciências e da tecnologia fomentadas pela educação. É a crença de que o ser humano evolui para o progresso. A diversidade de formas e meios para fazer passar o sujeito a um estado superior de desenvolvimento faz emergir a questão da qualidade. E neste ponto que concordo com o(a)adkalendas: A educação só faz sentido se for de qualidade. Massificada ou de elite, todos os sujeitos têm o direito a uma educação de qualidade. Contudo, o carácter polissémico do termo – qualidade – permite esta panóplia de chavões: rigor/exigência, público/privado, etc., etc.

A questão que emergia da entrada anterior, embora utilizasse um desses chavões, desejava avançar[?] um pouco mais.

Sabendo que todos precisam de oportunidades para evoluir e que os pontos de partida para a caminhada são díspares, que modelo de escola serve melhor os interesses de todos e de cada um?

Reflexões intercaladas…

O Estado ao alargar, compulsivamente, a escolaridade obrigatória dos alunos ao ensino secundário realça o carácter funcional da escola como um espaço de custódia dos jovens. Uma das implicações desta medida coerciva será a tendencial desvalorização da educação secundária, essencialmente, pela incapacidade da Escola em responder e conciliar um duplo desafio: a educação massificada e a educação para as elites.

Serviço público.

O descrédito que se abate sobre algumas das instituições basilares no nosso país, nomeadamente sobre o edifício da justiça, da saúde e da educação, acentuado pela crise das finanças públicas e privadas, gera um sentimento de inquietude no cidadão que configura um doença – a depressão colectiva. É um diagnóstico badalado nos órgãos de comunicação social por analistas e especialistas de vários quadrantes do conhecimentos e que depressa foi incorporado nos discursos do senso comum.

Quem sou eu para refutar esta espécie de orgia colectiva da desgraça?

Curiosamente, ou talvez não, sempre que entro num cenário de crise de massas lembro-me do futebol e dos seus extraordinários efeitos de catarse social.

Para animar uma parte da malta [para aproximadamente seis milhões de lusitanos – reparem como os números reforçam a palavra], ontem um clube de futebol prestou um enorme serviço público à nação valente: Fez adiar a crise sentida.

Será este o nosso fado?