Arquivos mensais: Maio 2007

Outroolhar…

Os resultados da greve geral são, normalmente, enformados por uma visão maniqueísta. Não considero este olhar o mais adequado para captar a realidade dos factos, mas não posso esquecer que é neste registo que são realizados os discursos políticos: De um e outro lado da barricada contam-se as espingardas. Contas feitas, a coligação governo/patronato declara vitória obtida pela inferioridade numérica do adversário: Observámos jogadores a abandonarem o recinto do jogo antes do seu início, com as calças pelos tornozelos; outros disfarçaram lesões [ou evasões] de última hora; e os restantes temeram pela sua subsistência e alinharam pelo adversário.
Do lado perdedor, assistimos ao triste cenário de trocas de mimos entre dirigentes (sindicais), multiplicaram-se os arrufos entre jogadores e extremaram-se posições.
Do lado vencedor, as manifestações de júbilo, coisa de pouca dura, não disfarçam o nervosismo causado pelas sucessivas trapalhadas ministeriais.

É possível olhar para este fenómeno e captar uma outra face da realidade! É possível pensar que este não é um jogo de soma nula, o que significa que ambos podem vencer: Os sindicatos serão obrigados a reformar a estratégia da luta privilegiando o pulsar das bases; o governo será obrigado a reafirmar o respeito pelos direitos fundamentais, apesar de alguns sinais de sentido contrário.

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Arriar as calças…

“[…] Uma leitura mais pormenorizada do que se passou ontem em todo o Estado – central, regional e local – revelará, provavelmente, algum cansaço na mobilização na sequência de outras jornadas mais entusiastas pelos mesmos motivos. O Governo, querendo, tem o campo livre para levar até ao fim a sua reestruturação do Estado. A movimentação sindical não tem força para o impedir. […]”

Vamos cantando e rindo… e cada vez mais a jeito!

Para memória futura…

Assim NÃO!

Não posso dizer que sou apanhado desprevenido sempre que constato temor, manifesto ou latente, naquele professorado que recua logo no primeiro obstáculo da luta associativa. Desta vez, o pretexto é o hipotético controlo hierárquico por via da contagem dos números da greve. Já vivenciei demasiadas experiências dolorosas ao longo da minha carreira para ficar espantado com este modo errático de lidar com a adversidade. É um cenário muito triste!… É uma pena que os professores não aproveitem esta oportunidade para dar uma lição de cidadania e de participação democrática aos alunos. Por muitos motivos que existam para não fazer greve [e eu não os consigo discernir], o medo não é admissível!!

E bastava apenas uma razão para aderir à greve geral: lutar, de forma inequívoca, contra um modelo de sociedade que se alimenta deste medo de existir!

Proporcionalidade…

O próximo presidente da Câmara de Lisboa vai herdar de Carmona Rodrigues, caso este não seja eleito, 49 assessores avençados com contratos no valor de mais de 1,3 milhões de euros.

Ora diga lá outra vez!?
É que ainda não me esqueci da (ir)relevante notícia que dava conta de gastos indevidos com os horários de professores pelas escolas do país. Lembram-se? 906.455,20 € de gastos indevidos que não permitiram construir paletes [como diria o verdadeiro artista] de bibliotecas…
Pois!…

Sinais…

Desde que entrei na escola nunca mais de lá saí. A escola tomou conta da minha vida, sem qualquer resistência da minha parte. Olho à minha volta e confirmo que não estou só neste modo de sentir a escola. Nos jantares de amigos [maioritariamente professores] ou nas festas dos nossos herdeiros, até nos períodos de férias, as conversas parecem desembocar invariavelmente na escola. Confesso que nunca senti qualquer sintoma de enfardamento apesar do estado de (des)graça da coisa educativa. Reconheço sinais de que algo está a mudar. Não os encontro por enquanto em mim, mas percebo-os nos outros:
Desculpa, mas não estou interessado em falar da escola!

Hummm…

Cor-de-rosa

Deixei-me levar pelo espírito do Antero

Num ápice, num abrir e fechar de olhos, enquanto um processo disciplinar vai e vem, as políticas educativas mudaram de cor: agora já são cor-de-rosa. Até as estruturas intermédias do ME deixaram de ser um fardo para o orçamento de estado; os professores voltaram a sentir que o ME deixou de ser uma secretaria de estado do Ministério das Finanças…
Enfim, a escola voltou a ser um espaço de cultura e o aluno deixou de ser olhado como um pré-operário para regressar à sua condição de pessoa…