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A gargalhada…

O Secretário de Estado da Educação reconheceu, esta sexta-feira, «alguma preocupação» com os resultados no exame nacional de Português e prometeu tomar medidas para inverter a situação.”

Se há motivos para grande apreensão da parte dos responsáveis pelo ME, esses motivos não deveriam ser (creio que não serão) os resultados dos alunos no exame de português. Valter Lemos saberá melhor que ninguém como meter o Rossio na Betesga. O que justificará a apreensão da equipa maravilha do ME será a “missão impossível”: a recuperação da credibilidade, a recuperação da confiança, a criação de um clima de esperança no ensino.
Afinal, qual é o plano?

Luta pela sobrevivência.

Não estranho o ruído que gerou a ideia peregrina de cobrar uma taxa aos trabalhadores não sindicalizados que beneficiam, indirectamente, dos benefícios conquistados nas discussões com as associações patronais. Ser sindicalizado é uma questão que deve ser discutida no domínio da consciência profissional. Quero dizer com isto o seguinte: se a ideia de profissionalidade existir dissociada da filiação sindical, não me parece justo cobrar qualquer encargo ao trabalhador; por outro lado, se essa ideia de profissionalidade não dispensar as lutas políico-laborais o trabalhador irá, voluntariamente, agregar-se e filiar-se no sindicato mais bem posicionado para responder à contenda.
Não me agrada a ideia de pretender sindicalizar os professores de forma compulsiva. É preciso que o professor, cada vez mais remetido à sua condição de “operário”, acredite no projecto e na prática sindical. E sem uma percepção do sentido de associação, sem compreender a necessidade de um sindicalismo forte como resposta à desqualificação profissional, jamais teremos professores mobilizados contra as políticas neoliberais responsáveis pela erosão dos direitos laborais mais básicos.

A desertificação sindical é um problema complexo, é um problema multifactorial que não pode ser ultrapassado com leis coercivas. O espírito de sobrevivência da UGT terá levado João Proença, líder da UGT, a uma fuga para a frente.

É prudente que a CGTP se demarque desta posição: As moscas não se apanham com vinagre!

Oportunidade perdida ou uma oportunidade de reestruturação?

Um olhar mais atento ao modo como decorre o processo de constituição do conselho geral transitório, leva-me a constatar que o significado do conceito de colaboração entre professores não é amplamente compreendido. No actual contexto em que evoluem as políticas educativas neoliberais e a competição entre pares é estimulada por via da avaliação normativa [com o propósito de ordenar os professores numa espécie de hierarquia de competência], a colaboração assume formas muito diferentes mas que, malogradamente, não se têm repercutido no reforço da autonomia e no fortalecimento dos professores como classe profissional. A meu ver, a colaboração dos professores só pode ser considerada positiva se suscitar benefícios ao nível da sua autonomia profissional e estimular a prática reflexiva.

Tenho percebido que as diversas manifestações de colaboração que emergem da constituição de listas para o conselho geral transitório visam prolongar um modus vivendi instalado, mais dirigidas para as questões micropolíticas e menos orientadas para as grandes questões da profissionalidade, nomeadamente, a luta colectiva contra a imposição de modelos de controlo burocrático do trabalho docente e contra as reformas que desqualificam a função docente.
O desafio da reestruturação da confiança [nas pessoas e nos processos] passa, necessariamente, pela capacidade de escutar vozes díspares de professores, passa pelo respeito do poder de discrição dos professores e pelo fortalecimento da sua capacidade de tomada de decisões.

Saibamos ouvir porque o pior cego é aquele que não quer ouvir!

Não ao conselho geral transitório!

Apesar de manifestar uma clara e assumida oposição ao novo regime de gestão imposto pelo ME, o professorado parece vacilar quando desafiado a agir e a recusar a participação no conselho geral transitório.

Saber por que motivo(s) os professores rejeitam a Luta para alinhar, coniventemente, num processo que lhes é desfavorável (?), é a pergunta que importa responder nas escolas. Estou plenamente convencido de que ao aclararmos os motivos para tamanha incongruência, deciframos o código da colaboração artificial que mina as relações de confiança nas escolas.

O umbigo, a nossa mundividência e a acomodação.

“Acredita-se comumente que a carga obriga a escravidão. Indianos esmagados sob o peso da juta ou chineses arqueados sob o palanquim, vocês já transportaram alguma vez? Perdemos o porte.” (Michel Serres)

Menosprezei a capacidade de antecipação e de previsão dos promotores da Manifestação Regional na cidade do Porto. Protestei aqui pelo espaço encontrado para concretizar a iniciativa porque, de facto, a Praça D. João I seria sempre um espaço exíguo face aos motivos da contestação. Quis acreditar que os professores persistiriam na luta de forma genuína. Deixei-me alienar por um optimismo que era justificado pela retórica de resistência que escutei da boca de muitos professores e que, malogradamente, tem sido contradito pelas suas próprias práticas.

Os resquícios do Memorando de Entendimento entre o Ministério da Educação e a Plataforma Sindical dos Professores demonstram que bastou uma brecha no cerco imposto pelos professores ao ME para que emergisse a faceta paroquialista dos professores. É o regresso às questiúnculas da escola situada e à “vidinha” rotineira: o umbigo é, afinal, a nossa mundividência. A indignação metamorfoseou-se de acomodação. Que esta nobre capacidade de adaptação, que tanto nos pode levar ao céu como ao inferno da humanidade, não nos faça perder o porte.

Até já!

Protesto…

… também pelo lugar exíguo que foi encontrado pela plataforma sindical para o protesto regional a realizar, no próximo sábado, na cidade do Porto.

O meu protesto simbólico resulta da presunção de coerência dos docentes, não só daqueles que marcharam em Lisboa no dia 8 de Março, como dos outros que se ficaram pelas promessas de um reencontro na rua.