Um pormenor não despiciendo.

“Lição magistral

O Ministério da Educação suspendeu o pagamento aos melhores alunos do Ensino Secundário dos prémios de mérito instituídos há 3 anos, no valor de 500 euros, e que deveriam ser hoje entregues.
Não conheço o Despacho justificativo do Ministro, mas notícias dizem que a distinção continua a fazer-se, sendo que os distinguidos deverão escolher uma instituição ou família carenciada a quem o dinheiro será entregue. Medida referida como sendo “para incentivar a solidariedade”.
Num Estado de direito, os fins não justificam os meios e a primeira obrigação do Estado é honrar os seus compromissos. E, se se tinha comprometido a dar um prémio pecuniário aos melhores alunos, deveria entregá-lo. Ponto final. Todavia, os alunos não recebem, o que já é mau. Mas, pior. O Ministério mantém a entrega, mas obriga os alunos a doá-lo para fins sociais.
Claro que os alunos deixarão de ter qualquer confiança no Estado, e também desconfiarão das solidariedades que se apregoam, mas feitas a expensas alheias e não à custa própria.
Nuno Crato, que admiro por aquilo que tem defendido para o ensino, cometeu um erro grave. Gravíssimo, mesmo. Mais uma vez, no melhor pano cai a nódoa. Bem suja.
A não ser que tivesse querido dar uma aula prática a todos os jovens de como o Estado não é confiável. Se assim foi, tratou-se de uma lição magistral. Os alunos com certeza que compreenderam tudo. Ou não se trate dos melhores alunos.”

Publicada por Pinho Cardão em http://quartarepublica.blogspot.com/2011/09/licao-magistral.html

Só não subscrevo integralmente est post porque Pinho Cardão falhou o alvo no último parágrafo.

Onde se lê Estado, devia ler-se PSD/CDS e PS.

De facto, Nuno Crato deu uma excelente aula prática a todos os jovens de como os partidos que nos têm (des) governado não são confiáveis. Este Estado tem um rosto e tem responsáveis políticos. Percebo o incómodo, mas não confundamos Estado com a governação do mesmo.

Cortes (na educação) a pretexto da crise…

Do blogue Ladrões de Bicicletas:

Cortar com uma mão para dar com a outra

(Postado por NUNO SERRA)

Uma boa pergunta, da Mariana Vieira da Silva, no Jugular: «Se as obrigações da escola pública no ensino básico vão diminuir, por que raio aumenta o valor [de 80 para 85 mil euros por turma] dos contratos de associação?».
É bom lembrar, de facto, que no memorando de entendimento com a troika, no compromisso de «reduzir os custos na área da educação, com o objectivo de poupar 195ME», também estava prevista a «redução e racionalização das transferências para escolas particulares com acordos de associação» [ponto 1.8 do capítulo da Política Orçamental para 2012].
E assinalar, paralelamente, que – no «histórico» plano de cortes da despesa pública – só as medidas relativas à «supressão de ofertas não essenciais do ensino básico», «revisão criteriosa de planos e projectos associados à promoção do sucesso escolar», «racionalização de recursos, nomeadamente quanto ao número de alunos por turma», «encerramento de escolas do 1º ciclo», «ajustamento dos critérios relativos à mobilidade docente» e «outras medidas» – todas elas dirigidas à escola pública – já perfazem um total de 309ME (ou seja, um acréscimo de quase 60% face ao valor inscrito no acordo com a troika).
Para a coligação PSD/PP, os cortes e os sacrifícios, quando nascem, não são de facto para todos.

A quem serve o curriculum utilitarista?

Há muito tempo que não lia um post que evidencia de modo tão claro o principal (?) problema que enferma o nosso sistema educativo: um curriculum educacional baseado nas necessidades de sobrevivência, utilitarista e irrelevante face aos desafios do futuro.

Foi no blogue De Rerum Natura que Helena Damião escreveu o post sob um olhar desenvolvimentista. E a mensagem é claríssima: Nós somos tontos porque “ensinamos a apanhar peixes para apanhar peixes, [ao invés de] … desenvolver uma agilidade generalizada que nunca se poderia desenvolver através do simples treino de fazer redes.

Vale a pena pensar nisto…

O Zé Manel Faria escreveu, no blogue Delito de Opinião,  um bom texto sobre educação e a aprendizagem do não. Saber quando e como dizer não, é, afinal, o princípio da autonomia.

Escola/Saber/Querer/Autoridade

A educação limita-se à transmissão dos modelos tradicionais e não se presta a grandes discussões. O seu papel é apenas o da conservação de um Estado social em que só se verificam mudanças de caracol.

A ser assim, a melhor dádiva que a Escola pode conceber às crianças e jovens parece ser uma certa e importante disponibilidade do espírito que permita não apenas acompanhar a história na sua marcha precipitada mas, ao mesmo tempo, dominar os novos problemas que surgem como consequência das contínuas e necessárias mudanças históricas e quebrar dia após dia os variadíssimos muros que nos aparecem de todos os lados em quase todos os sítios: sejam eles dentro de casa, na Escola, na turma, na organização social e/ou política.

A educação não deve ser orientada apenas para o saber. O que é que pode acontecer se as diferentes vontades – do professor e dos alunos – entrarem em choque?

Admitindo que a liberdade é o sinal distintivo do ser humano e que a evolução consiste em libertar o homem de todas as sujeições que lhe são exteriores, a autoridade exacerbada, longe de facilitar a vida em comum, oculta-lhe o verdadeiro fundamento, alienando o homem e o jovem da sua própria consciência, tornando-se inapto para toda e qualquer forma de total integração social autêntica// a Democracia.

Não é, pois, uma ordem conservadora, autoritária e estática, que se deve procurar, mas um equilíbrio entre quereres antagónicos. Equilíbrio precário e instável e, por tal motivo adequado ao progresso humano. Vivo, justo e não mercantilista.

Se o jovem não aprende a sentir-se ele mesmo é natural que não aprenda o manual/programa. É necessário não esmagar o orgulho, a franqueza, até a turbulência sadia do mesmo, porque não está em momento algum posta em causa a minha liberdade: se o docente se sentir totalmente livre, não precisa de se deixar vencer.

A aprendizagem do não, da oposição, da contestação, pode ser uma linha clara de pedagogia democrática.

A educação não pode assentar no princípio da autoridade. A sê-lo, teremos jovens instruídos, mas passivos, que aceitam com resignação as orientações da ordem estabelecida. Esta ideia encaixa completamente tanto nos jovens como em adultos. Todos aqueles que são homens ou mulheres completas não precisam de uma autoridade e só o reconhecimento da livre vontade de cada um fará da Escola a antecâmara de um futuro risonho.

Não devemos ser apenas criaturas boas. Boas para serem domesticadas.

José Manuel Faria

Bazófias

A "honestidade" e a "coragem" de Medina Carreira

do As Minhas Leituras de JOSÉ LUIZ SARMENTO

[…] O que não é corajoso nem honesto é utilizar neste discurso a primeira pessoa do plural. Os corajosos não se refugiam nas médias, os honestos não as instrumentalizam. Os corajosos e honestos afrontam quem pode retaliar, não quem não pode. O discurso de Medina Carreira teria algum merecimento se distinguisse claramente entre quem gasta e quem produz; ou se identificasse os muitos portugueses que vivem abaixo das suas possibilidades para que alguns poucos vivam muito acima das de todos. […]

Onde errei, senhores?

muito obrigado, senhores (*)

[…] Não prometo voltar ao tema, até porque me é doloroso e as nossas feridas devem lamber-se em silêncio – para não perturbar alheios regozijos.
Sou funcionário público. Em dedicação exclusiva desde que, em novo, me obrigaram a isso e eu acreditava nisso sem reservas.
Nos dias de hoje já me não obrigam a exclusividades, mas acontece que já passaram quase vinte e cinco anos. Acontece, também, que dediquei esse meu tempo quase inteiro a tentar ser um bom funcionário público e que, suprema aberração do meu pobre entendimento, creio tê-lo conseguido. E que, como se não bastasse, acredito ainda nisso, nessa coisa de ser funcionário público em exclusiva dedicação, sem reservas que me esmoreçam demasiado. Por enquanto.

(continuar a ler)

Obrigado…

A minha intermitência blogoEsférica, ou não estivesse em período de recobro, não me permite reagir com prontidão aos desafios lançados pelos companheiros mais perseverantes.

Há alguns dias, o Ramiro decidiu revelar dez dos seus blogues favoritos. O outrÒÓlhar foi um dos nomeados, o que me deixa grato pela lembrança. Olhando para este tipo de prática blogoEsfércia, que é mais frequente do que poderia pensar um observador menos atento, é possível apurar dois efeitos complementares: um efeito mais imediatista e outro mais alargado no tempo, talvez mais substantivo: O primeiro efeito busca, através de um certo mimetismo, a promoção da filiação e da resiliência; O segundo, reforça uma ética de reconhecimento do “outro”.

Sinto-me por isso muito lisonjeado, sobretudo pela razão da escolha.

Obrigado, Professor(a)...A propósito do tema deste post, descobri uma iniciativa que vale a pena ser destacada pelo simbolismo que encerra neste tempo marcado por um individualismo do “cada um por si”, ou como diria Lipovetsky (leitura de férias), um individualismo irresponsável.

Obrigado(a) Professor(a).

A farsa contada pela Maria Lisboa

E depois falem-me de mérito, de incentivo, de vontade de dar mais à escola…

Não me tem apetecido escrever ou falar da vergonha que tem sido tudo o que se tem passado em termos de avaliação, não só por culpa do ME, mas mais por culpa de muitos colegas… e são estes últimos que mais me desanimaram com a sua postura de subserviência, de medo, de não me comprometo, de, em alguns casos, deixa andar que eu estou safo…
Foram nuns casos os equívocos, noutros as pressas, ainda noutros a falta de orientações concretas e atempadas. Tudo isto, associado às prepotências de avaliadores e directores, fez com esta avaliação se transformasse numa opereta de mau gosto só aplaudida pelos encenadores e pelos coreógrafos.
Eu que sou de desporto, nunca consegui perceber como é que as regras variam dentro de um campeonato, de como é que se vão inventando regras à medida que o jogo vai decorrendo e como é que a minutos do apito final os árbitros ainda nos vêm dizer que falta aplicar algumas regras.
E eu que sou de educação física sei que há diferenças entre uma coisa chamada desporto e outra chamada jogos tradicionais e/ou populares. E essa diferença é enorme. E é essa grande diferença que faz a diferença naquilo que nos está a acontecer com esta avaliação. Estamos a fazer jogos tradicionais numa coisa que é um campeonato desportivo.
Para quem não sabe, a diferença que separa estas duas matérias é a sua forma de regulamentação. No desporto, todas as modalidades se jogam com as mesmas regras em todo o mundo. Nos jogos tradicionais, para um mesmo jogo, as regras variam de país para país, da minha rua para a tua rua. E é este o grande problema desta avaliação, cada um joga com as regras da sua rua para depois ser comparado no campeonato do “mundo” inteiro.
Num dia, por coincidência, o mesmo em que o “outro” brindou a assembleia com um par de cornos, mostrando a todos a idoneidade dos nossos “eleitos”, tive que estar numa “acção” sobre classificação (está entre aspas porque uma acção com a importância desta se resumiu a uma informação de 4 horas). Quer isto dizer que esta “acção” que deveria constituir um dos preliminares deste processo, é a parte final do dito.

E depois falem-me de coerência, de boa gestão, de boas práticas, de coisas pensadas com tempo.

Nessa acção, para além de ter tido a certeza de muitas coisas que eu vinha defendendo como obrigatórias e imprescindíveis, de acordo com a legislação em vigor, e que não existiam na maioria das escolas/agrupamentos, fiquei a saber como se iria processar a dita classificação, isto é, a transformação de uma dita avaliação de desempenho num processo de seriação de professores.
Para começar a formadora informou-nos de coisas, pelas quais me consideravam louca quando eu chamava a atenção para a sua não existência, tais como as que se seguem.

Para qualquer “evidência” pedida tem que haver instrumentos de análise e respectivos critérios de êxito. Portanto, aquela gente que andou a pedir “portafolhas” com tudo e mais alguma coisa, teria que ter uma folha de análise com os respectivos critérios definidos e bem expressos e divulgados a toda a comunidade, assim como o respectivo registo avaliativo para cada uma das evidências pedidas. Que eu saiba, da minha escola e das escolas de colegas com quem falei, nada disto existiu e quando existiu constava de umas generalidades, onde a apresentação, a quantidade e outros itens semelhantes eram os factores a ter em conta. Teria de haver, estabelecidos em tempo útil, critérios de diferenciação para o caso dos Exc e MB excederem as quotas poder haver um desempate criterioso. Também, todos s itens do director teriam que ter indicadores e critérios de êxito bem definidos e que permitissem a diferenciação. Por exemplo, teria que haver uma definição do que era o empenho e de como se diferenciava (assim como de todos os outros parâmetros). Um dos exemplos que deu foi: aula de substituição – deu a aula, cumpriu o serviço; deu a aula, elaborou uma ficha de revisão, falando do que fez, do que ficou por fazer, das dúvidas que ficaram nos alunos, etc – cumpriu mais do que apenas o serviço, (claro que isto é quase impossível de realizar porque não faríamos mais nada do que andar com um bloco para registo de tudo e mais alguma coisa), mas foi o exemplo que deu para mostrar que as coisas não deviam ser feitas a olhómetro, como aconteceu em quase todo o lado, por não haver indicadores, especialmente no que diz respeito à avaliação dos directores, que permitissem medir a diferença (pelo que ouvi, raros teriam indicadores para os seus parâmetros).
Cingindo-me, nesta breve mostra de como tudo isto não passou de folclore, vou falar apenas das indicações para a avaliação do director que a foi a que aconteceu para a maioria de nós.
Como eu defendia e a maioria dos directores (e mesmo o ME) não queria aceitar como legal, no ponto A1, respeitante à assiduidade, todos teriam que ter Excelente (10). A não ser que se tivesse sido suspenso, preso ou tivesse faltas injustificadas, todos estavam dentro da lei e não poderiam ser prejudicados desde que não tivessem ultrapassado os limites previstos na legislação. A lei, especialmente quando essa lei é geral, não pode conduzir a penalizações determinadas em leis “menores”.
Punha-se então o caso do ponto A2 – o empenho. E era aqui que teria que ser feita a compensação à assiduidade, foi esta a sugestão da formadora para não sobrecarregar a Comissão de Avaliação com a escolha dos “premiados com o mérito”. E foi aqui que muitos directores (como o meu) resolveram utilizar o factor de compensação, dando regulares e insuficientes para compensar os excelentes do A1. A maioria sem critérios estabelecidos, sem indicadores que fizessem a diferença.
E como o A valia a dobrar também foram compensando “porifora”.
Só que este problema só se punha com a possibilidade dos Exc e dos MB.
Poucos foram os que não perceberam que não tinham que fazer compensações porque se não havia aulas assistidas (para a maioria), não tinham mais do que dar a notação que cada um valia, sabendo de antemão que todos teriam Bom. E houve Bons com 8 e com 9 em algumas escolas demonstrando o real valor das profissionais. E houve outras em que as pessoas foram avaliadas com as compensações tendo que ter notações “negativas” mesmo que não as merecessem para compensar a assiduidade.

E depois falem-me de mérito, de incentivo, de vontade de dar mais à escola.

Estes foram alguns dos problemas desta avaliação que por si só a tornou uma fantochada.
Mas isto agrava-se quando ficamos a saber que a primeira coisa que o director tem que fazer, quando inicia o processo de classificação on line, é “parametrizar a ficha”, isto é, abrir as fichas e transformá-las de acordo com a escola. Por exemplo, não vai avaliar o A5, assinala-o e esse campo passa a “não aplicável” e desaparece da ficha, ou pode alterar o texto de um parâmetro, ou acrescentar um parâmetro, etc.
Vocês sabem quais os parâmetros (e em que moldes) em que os vossos directores vos avaliaram? Eu, até hoje, continuo a não saber. Não faço a mínima ideia…
Depois da parametrização o director inscrevia em cada professor a sua condição de avaliado: coordenador, avaliador, avaliado, com aulas assistidas, sem aulas assistidas, etc. Conforme a “condição” do professor assim se abriam ou fechavam campos de classificação.
Para além disto, como explicou a formadora, o avaliador apenas tem que inscrever, no parâmetro, a avaliação qualitativa atribuída ao professor. Explicou mais, explicou que automaticamente o programa assume essa avaliação pelo valor máximo. Por isso me tem feito tanta confusão algumas notações que foram aparecendo aí pela blogosfera, nomeadamente umas que davam resultados até às milésimas.
Tanto quanto sei, também os avaliadores de aulas assistidas entraram nesta brincadeira das compensações para não criar problemas à comissão. Em cada “categoria” foram determinadas, a priori, as pessoas que iriam ter mérito e depois as avaliações/classificações foram atribuídas de acordo com essa determinação. Isto passou-se numa escola onde todos tiveram, obrigatoriamente, aulas observadas nos 2 anos (a titulo experimental, foi o que foi dito e decidido em CP). Só que este a título experimental, foi obrigatório e teve resultados! Resultados que diferenciam! Resultados que vão contar para a carreira! Resultados que colocam em cheque as quotas porque muitos professores se sentiram prejudicados porque comparativamente, dentro dos grupos, as diferentes categorias em resultado das compensações viram o seu trabalho não valorizado nuns casos e sobrevalorizado noutros.

E depois falem-me de mérito, de incentivo, de vontade de dar mais à escola.

E nem vos conto o meu caso e o caso da minha escola porque nem vale a pena!

in: http://professorsemquadro.blogspot.com/2010/01/e-depois-falem-me-de-merito-de.html

O primeiro-ministro é o bombo da festa, coitadinho!

Há muito tempo que lhe sigo o trilho blogoEsférico: O Ademar não adorna a escrita, não  foge ao embate, não se coíbe de dizer o que lhe vai na alma só para agradar a quem o lê. MSGosto de gente assim, frontal!

Hoje evocou Brecht a propósito de uma declaração surpreendente, ou talvez não, de Mário Soares. Caí de tanto rir, mas estejam descansad@s que já me levantei…

Tal como o Ademar, “Confesso que fiquei assustado : nunca me ocorrera, de facto, que Sócrates poderia fartar-se. E depois… como sobreviveríamos sem ele? Continuaria o trigo a crescer para cima? E as mulheres continuariam a engravidar? E atrever-se-ia a nascer o sol?…

 

Dificuldade de governar
1
Todos os dias os ministros dizem ao povo 
Como é difícil governar. Sem os ministros 
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima. 
Nem um pedaço de carvão sairia das minas 
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda 
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra 
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol 
Sem a autorização do Führer? 
Não é nada provável e se o fosse 
Ele nasceria por certo fora do lugar. 
2
E também difícil, ao que nos é dito, 
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão 
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem. 
Se algures fizessem um arado 
Ele nunca chegaria ao campo sem 
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem, 
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que 
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural? 
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas. 

Se governar fosse fácil 
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer. 
Se o operário soubesse usar a sua máquina 
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas 
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários. 
E só porque toda a gente é tão estúpida 
Que há necessidade de alguns tão inteligentes. 

Ou será que 
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira 
São coisas que custam a aprender?

Reformas casuísticas são vulneráveis à erosão ideológica.

Se bem entendi, a proposta de solução do JMA para resolver o diferendo entre o ME e a FENPROF não dispensa, e bem, a formação contínua. Seria a solução para acabar com a subordinação económica e estatutária entre categorias profissionais. Esta proposta de solução parte do pressuposto de que as condições actuais para o exercício da profissão docente requerem um reajustamento do perfil do professor. E que condições são essas que exigem um novo perfil funcional? Há ou não uma pressão da ciência, da tecnologia, e globalmente, da sociedade que exerçam uma nova pressão sobre o professor que o obrigue a reajustar a sua formação para fazer face à mudança?

A escola é hoje convocada a responder a “novas” solicitações: À escola exige-se que resolva, essencialmente, o problema da custódia dos mais jovens e o problema da inserção dos sujeitos no mundo do trabalho. Estarão os professores portugueses preparados para responder a este desafio social? Estas “novas” exigências requerem ou não uma mudança no paradigma de formação inicial?

Não! Nenhum dos novos desafios implica uma mudança profunda no modelo inicial de “fabricar” professores ou um reajustamento na formação contínua. Nenhuma das “novas” funções requer uma mudança de perfil funcional do professor. Então de que falámos quando dizemos que é necessário repensar a formação contínua para resolver um problema entre o ME e uma associação socioprofissional de professores? Falámos de mudanças organizacionais que se propõem rentabilizar os recursos educativos, como se diz na gíria do economês. São as políticas educativas de cariz neoliberal, que exigem mudanças na organização escolar, que requerem a diversificação de perfis.

É nesta encruzilhada que nos encontramos: o ME não quer mudar de políticas educativas e insiste em dividir os professores em duas categorias profissionais para minorar a despesa pública; os sindicatos e as organizações de professores que divergem do governo querem uma mudança de políticas educativas e defendem que as mudanças normativas são inócuas e que prejudicam a qualidade do serviço educativo.

Tenho como válido o pressuposto de que o perfil profissional do professor não é definido, é redefinido interminavelmente. Definido o modelo pedagógico de escola e o quadro de actividades educativas a desenvolver nela, há que “fabricar” o professor de que necessitamos. Quem deve, então, definir o modelo pedagógico de escola? Terá um governo legitimidade para impor unilateralmente um modelo pedagógico de escola?

Excepto na reforma de 86 em que houve uma alargada discussão e participação de todos os agentes educativos nas mudanças no sistema escolar, os sucessivos governos têm optado por impor reformas casuísticas sem os apoios e consensos necessários para sobreviverem à erosão ideológica. A consequência mais visível deste tipo de “governação pelas estrelas” é o desfasamento entre o espírito da lei de bases do sistema educativo (LBSE) e grande parte da produção legislativa que se lhe seguiu. Vejamos algumas das incongruências: A escola que está plasmada na LBSE é uma escola pluridimensional e a escola situada é unidimensional; A LBSE prevê uma diversificação de perfis profissionais que derivam para várias direcções (educação especial, inspecção escolar, administração escolar, educação de base de adultos, investigação, acção social escolar, educação permanente, etc., etc.) e as categorias profissionais (titulares e não titulares) são ilógicas porque não requerem dos seus detentores formação adequada para o desempenho dos cargos. No espírito da LBSE subjaz uma ideia de formação ramificada, especializada, mas que convive mal com uma pretensa subordinação económica e estatutária de uma face às restantes. Creio que foi este o sentido mais profundo das palavras do JMA quando defendeu que todas as categorias devem permitir o acesso ao topo da carreira.

As questões da carreira ficarão reservadas para outra oportunidade…

;o))

Quem me explica, como se eu fosse mesmo burra? (in: Fábulas)

Nesta novela da avaliação de professores o que eu não engulo mesmo (e é por isso que os professores reclamam, não é pela avaliação em si!) é a divisão da carreira docente em 2 grupos: os “titulares” e os outros. Não cabe na cabeça de ninguém que numa profissão, num dia as pessoas sejam todas iguais – porque todas desempenham as mesmas tarefas e todas têm formação idêntica* – e no dia seguinte haja uns mais iguais que outros. Ainda por cima essa divisão foi feita sem critérios ou, se os houve, não são razoáveis nem aceitáveis.

Vem agora o sr. Jorge Pedreira dizer que “a manutenção das duas categorias é essencial para a melhoria da escola pública”

E eu só pergunto: PORQUÊ???

* ou não, mas isso é outra história…

PRÉMIO PEDAGOGIA DO AFECTO

O blogue (Re)Flexões  resolveu presentear-me com o prémio “Pedagogia dos Afectos”.

trofeu_pedagogia2Dando continuidade a mais esta corrente vou seguir a norma, que é a seguinte:
1. Recebendo o troféu, ele deve ser oferecido a 10 blogues que tenham compromisso e afecto com a Educação;
2. A imagem do selo deve passar a ser exibida permanentemente no blogue;
3. O nomeado deve colocar um link para o blogue de onde a nomeação foi atribuída;
4. Nos blogs seleccionados, deve ser deixado um comentário, permitindo assim que eles saibam que foram presenteados e quem os presenteou;
5. O blogue que receber 5 vezes o troféu “Pedagogia do Afecto” deve ir à página deixar um comentário com o e-mail, para receber uma nova homenagem. De acordo com as regras estabelecidas, os blogues aos quais atribuímos o troféu “Pedagogia do Afecto” são os seguintes:

http://msprof.blogspot.com/ – Isabel
http://edutica.blogspot.com – Henrique
http://professorsemquadro.blogspot.com/– MLisboa
http://tempodeteia.blogspot.com – Teresa Marques
http://talvezpeninsula.blogspot.com/ – Teresa Lopes
http://somaisumaprof.blogspot.com – Ana
http://ocantodovento.blogspot.com/ – Matilde
http://correntes.blogs.sapo.pt – PauloP
http://rupturavizela.blogs.sapo.pt – Zé Manel
http://mcabeca.blogspot.com– Manel
http://4thefun.blogspot.com/– tsiwari
http://diasdofim.blogspot.com – PauloV
http://terrear.blogspot.com/– JMatias
http://henrique-jorge.blogspot.com/– Henrique Jorge
http://dias-assim.blogspot.com/– Sofia

Como já terão percebido, não me sinto nada confortável [esta expressão até arrepia] com a contabilidade de merceeiro. Na educação, dez até podem significar doze, quinze ou mil tributos. Embora considere redundante a expressão “pedagogia dos afectos”, na medida em que o afecto está impregnado na pedagogia, este prémio tem para mim um significado especial: Conheci a maioria dos nomeados a partir da rede ou por via dela e nunca é de mais consagrar a amizade blogosférica que ultrapassa, na maioria dos casos, o domínio do virtual. Independentemente das discordâncias ideológicas ou de outra natureza: Bem hajam!

Não desarmar!

Escrevi a entrada anterior antes da aparição televisiva de Jorge Pedreira e do comunicado obtuso do ME na sua página oficial, que depois foi reencaminhado para as nossas caixas de correio. Defini aí duas condições de base para vencermos a batalha política: predisposição para a luta e resistência [activa – manifestações, greves, manifestos, etc.; ou passiva – “desinscrevendo” este modelo de ADD, isto é, não entregando os objectivos individuais]. É para mim evidente a tentativa do ME em salvar a face. Diz desdizendo-se, como escrevi em comentário a uma provocação de um leitor, esclarece baralhando, enfim, é a habitual birra do “quero, posso e mando.”

É neste quadro que a pergunta de fjSantos faz todo o sentido: qual a atitude mais inteligente a tomar? E faz ainda mais sentido a sua resposta:

“[…] Em primeiro lugar temos que definir claramente o campo em que nos situamos: estamos do lado dos professores (somos um dos 130 mil que fizeram greve no dia 3), ou estamos do lado do ME, do governo e do PS?

É que se a posição for a de apoiar a ministra, o caminho a seguir será o de aplaudir a “esperteza saloia” demonstrada pela “armadilha” montada por Jorge Pedreira, a qual se terá traduzido numa emboscada (a chamada dos sindicatos ao ministério) seguida do seu assassinato (através do comunicado publicado no portal do ME e enviado por email aos professores. É o que têm feito os comentadores do PS, destacados para a provocação nas caixas de comentários dos blogues de professores, nos quais se demonstra a forma como o rei vai nú.

A solução a seguir por quem continua a defender a escola pública, para quem não abdica de ser professor, para quem sabe que é apenas uma questão de tempo a substituição desta legislação errada e injusta, é a de manter a serenidade, a vigilância e a determinação na luta.

O comunicado do ME não tem mais valor do que a reunião da semana passada no largo do Rato, ou do que as declarações que Filipe do Paulo foi induzido a fazer à saída dessa reunião, ou do que todos os anteriores emails que a DGRHE tem mandado aos professores. Por isso ninguém deve entrar em pânico, temendo termos sido “mais uma vez enganados”.

Não vai haver nenhum entendimento (parte II), nem houve qualquer capitulação dos professores ou dos seus representantes. A plataforma sindical sabe bem o que nós queremos e é só isso que tem que colocar em cima da mesa:

  • uma avaliação séria, justa e formativa;
  • uma solução transitória, este ano, com credibilidade e justiça;
  • negociação do ECD;
  • fim da divisão da carreira;
  • um modelo de avaliação formativo, a partir do próximo ano.

Mas a plataforma também sabe muito bem que:

  • os professores estão vigilantes e determinados;
  • que estamos dispostos a continuar a luta;
  • que estamos decididos a desobedecer a ordens injustas e ilegais e, por isso, disponíveis para promover a desobediência civil em relação ao modelo de avaliação que o ministério quer impor.

É tudo isto que os dirigentes sindicais têm que transmitir no dia 15, quando se sentarem à mesa das negociações. De forma clara e serena, mas com a determinação de se sentirem mandatados por mais de 130 mil professores, sindicalizados ou não.” (in: (Re)Flexões)

A custódia – O papel social da escola

“Greve dos professores. Adesão elevada. Conselhos Executivos e funcionários auxiliares mantêm muitas escolas em funcionamento. A Ministra da Educação tinha pressionado os Conselhos Executivos para manterem as escolas abertas. Conclusão: as escolas não precisam de professores. Precisam apenas de Conselhos Executivos para mandar nos funcionários, funcionários para abrir o portão e para manter a cantina a funcionar e burocratas para inflacionar as notas. Sem professores, a escola pode finalmente desempenhar o seu papel social: manter os miúdos ocupados e num local seguro enquanto os pais vão trabalhar.” (in: Blasfémias)

Orgulhosamente só!

marionetes“O presidente do Conselho das Escolas vai enviar até sexta-feira à ministra da Educação a deliberação oficial que defende a necessidade de «suspender o actual modelo de avaliação de desempenho, até que este seja substituído por um competente»” (in: Sol)

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“Sento-me para jantar, ligo o televisor, sintonizo a RTP1 e sai-me, fulminante, Albino Almeida, presidente da direcção da CONFAP. Acabara de reunir (coisa rara) com a ministra da educação e estava de esperanças: amanhã, se deus quiser, o conflito entre o ME e os professores ficará sanado. Não contive a gargalhada. Já desisti de levar a sério Albino Almeida: ele é uma anedota com duas pernas, dois pés e muitos sapatos.
Geralmente, apresentam-no como… representante dos pais portugueses. Uma espécie de espantalho. O pobre do Albino mal se representa a si próprio, quanto mais… os pais portugueses. Eu também sou pai (como ele, para estes efeitos, em dobrado) e nunca lhe conferi mandato para o que quer que fosse. Aliás, muito poucos serão os pais portugueses que, formalmente, encomendaram alguma espécie de sermão a Albino Almeida. Ele fala, fala, fala e adora aparecer… mas se quisesse dizer quantos pais, ao certo, ou aproximadamente, representa, gaguejaria apenas.
Devo confessar, ninguém é perfeito, que já mantive relações de grande proximidade pessoal e institucional com Albino Almeida. Como se diz na gíria, conheço-o de ginjeira. Sei muito bem quem ele é e em que águas costuma navegar. E sei muitas coisas, de resto, que não digo, porque sou um cavalheiro: as confissões de índole pessoal que me fazem… não as partilho com o universo. Mas, como também se costuma dizer na gíria, não sou parvo. E sei como o ME e o PS exploram a vaidade do Albino, insuflando-lhe o ego, quando convém. Gozam-no em privado, mas exibem-no como trunfo e espantalho, nas alturas de maior aperto. E o Albino, sempre atento, venerador e obrigado, cumpre. Como hoje…”
(in: abnóxio)

Prémio “Dardos”

Deixo aqui os meus agradecimentos à brit do blogue O Cartel por ter agraciado o outrÒÓlhar com o prémio “Dardos”, mais uma das nossas correntes blogosféricas, no qual «se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web”

Quem recebe o “Prémio Dardos” e o aceita deve seguir algumas regras:
1. – Exibir a distinta imagem;
2. – Linkar o blog pelo qual recebeu o prémio;
3. – Escolher quinze (15) outros blogues a que entregar o Prémio Dardos.»

Os blogues são, sem ordem específica:

1. (Re)Flexões
2. correntes
3. Da crítica da Educação à Educação Crítica
4. coisas de Cabeça
5. Ruptura Vizela
6. Ecos
7. Memórias soltas de prof
8. Professores sem quadro
9. Tempo de teia
10. Terrear
11. O cantinho da educação
12. 4thefun
13. Vida de Professor
14. Talvez península
15. O canto do vento

Loucura ou maldade

Aconselho vivamente a leitura deste texto da Maria Lisboa.

“Que o diploma sobre a avaliação docente é um verdadeiro monstro burocrático já todos constatámos. Que a esse monstro foram sendo implementadas mais cabeças, com os diferentes despachos e memorandos que lhe foram sendo anexados, em nome da regulamentação do monstro, transformando-o numa hidra de Lerna, também já todos nos apercebemos. Que os serviços intermédios do ME, com as suas estranhas interpretações, ainda, o “amostrenguem” mais, também já todos sabemos.

Que entre nós ainda consigamos aprimorar o “bicho” tornando-o ainda pior do que é, é que já ninguém entende.

Espanto-me, cada vez mais, como alguns elementos de uma classe diferenciada, portadora das mais altas habilitações académicas, revela a sua total iliteracia quanto à leitura, interpretação e aplicação de simples articulados de uma legislação.” (continuar a ler aqui)

O que me importa saber sobre a saída de JMAlves do CCAP.

“Dizer a Verdade

1. Veio a público que depois da presidente do CCAP ter cessado funções devido a pedido de aposentação, tinha agora sido demitido o autor deste blogue.

2. Alegou-se que esta demissão era um sinal que o ME queria calar uma voz crítica.

3. Tentei, o mais possível, nada escrever sobre o CCAP nem sobre as saídas, ainda que tenha sido pressionado de diversos lados, porque entendi que isso era inoportuno e irrelevante.

4. Dada a mentira da alegação, é minha obrigação esclarecer:

a) dirigi à presidente cessante do CCAP no início de Setembro um pedido de cessação de funções;
b) esse pedido dizia nomeadamente o seguinte: José Joaquim Ferreira Matias Alves, membro do Conselho Científico para a Avaliação de Professores, na qualidade de professor titular do ensino secundário em exercício efectivo de funções, nomeado pelo Despacho nº 6753/2008 de 7 de Março, vem requerer a cessação de funções a partir de Setembro de 2008 uma vez que a partir dessa data deixou de exercer a função de professor titular que legitimou a sua nomeação.
Gondomar, 1 de Setembro de 2008.
Pede deferimento

5. Esclareço ainda que enquanto membro do órgão citado nunca me senti obrigado nem violentado nas posições que assumi.

6. Também é verdade que, enquanto órgão, o CCAP nunca teve qualquer interferência do poder político.

7. Expresso, no entanto, a convicção que o pensamento e acção do CCAP, expressas nas suas recomendações, não tiveram o impacto e a influência que a meu ver deveriam ter. E que corre o risco de ser um órgão inútil.”

JMA in: http://terrear.blogspot.com/2008/10/dizer-verdade.html

Porque está de volta…

Mario Henrique Leiria

Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação

Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão

Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça

Sophia de Mello Breyner

in: http://marialisbo.blogspot.com/

Movimentos pré-sindicais.

Pergunta a colega brit do blogue o Cartel pel’As evidências?
“1. Quem tem poder negocial? Sindicatos ou movimentos?
2. Os movimentos a ter poder negocial quando será? Este ano? Daqui a dois? Nunca?
3. Interessa-nos o quê? Este ano? Daqui a dois? Nunca?
4. O que farão/poderão fazer os sindicatos com uma grande manif?
5. O que farão/poderão fazer os movimentos com uma grande manif?
6. O que farão os sindicatos e os movimentos com duas pequenas manifs?
Não estou a tomar posição, apenas a colocar questões…”

Eu agradeço o guião da brit para retomar a minha posição: Estas questões conduzem-nos ao cerne do problema: Será possível resolver o problema da sobrevivência profissional sem uma acção política consistente? Sabendo que o ECD e a panóplia de políticas deste governo no domínio da educação têm trasladado os professores do “lugar do morto” (metáfora que o António Nóvoa soube utilizar) para o lugar do morto desconhecido (o que significa que o professor nem sequer terá direito a uma identidade profissional), que organização profissional deve evitar a decapitação profissional?

Respondo peremptoriamente: Os sindicatos!
A não ser que os “movimentos” se metamorfoseiem em pré-sindicatos (e aqui já seria inteligível a tentativa de antecipação em relação aos sindicatos e consequente protagonismo na marcação de uma acção de luta), não existe alternativa política.

E só não vê quem não ouve…

Desafio

[…] tempo saturado, intenso, complexo; a burocracia (uniformidade, obsessão do escrito, perversão de tomar os meios pelos fins); a atomização e a fragmentação das práticas induzidas pelo modelo instituído.” (JMA)

Estes são os três problemas centrais que afectam do modelo de avaliação em curso identificados pelo JMA. Abrem-se, no seu entender, dois caminhos: berrar e encharcar-se cada vez mais no veneno, pedindo soluções de fora ou de cima. Ou agir, nos contextos da acção no sentido da sobrevivência profissional.

Se decidir participar na discussão, lance o seu olhar pelo Aragem. Está aqui: http://outroarcanjo.blogspot.com/2008/09/avaliao-construir-alternativas-sensatas.html