Evidências

“[…] seria desejável transformar a Educação Física na disciplina nuclear de acesso ao ensino superior, fosse qual fosse o curso! Claro que as outras seriam seleccionadas em função do destino de cada um. Ao dar importância a esta disciplina, desde a infância até ao décimo segundo, e mesmo a nível superior, permitiria obter ganhos inimagináveis com investimentos mínimos.
Vejamos: a maioria das doenças, ditas da civilização, têm a ver com um sedentarismo crescente. Enfartes do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais, hipertensão arterial, dislipidémias, diabetes, obesidade, algumas formas de cancro, doenças músculo-esqueléticas, osteoporose, depressões, ansiedade e agressividade, só para citar algumas, estão relacionados com a falta de utilização do corpo. Passamos a maior parte do tempo, sentados ou deitados. A falta de mobilização corporal é uma verdadeira praga. Ao criarmos uma consciência para a prática desportiva, desde tenra idade, e valorizando-a, tal como disse, como a prova número um de acesso ao ensino superior, obteríamos uma sociedade com características muito diferente da actual.
Como combater com mais eficiência a toxicodependência? Praticando desporto. Como combater o consumo de tabaco? Praticando desporto. Como combater o alcoolismo? Praticando desporto. Como combater a diabetes e a obesidade? Praticando desporto. Como tornar os jovens e adultos mais solidários e generosos? Praticando desporto. Como ensinar os jovens a serem mais respeitadores das normas e das leis? Praticando desporto. Como melhorar a aprendizagem escolar? Praticando desporto. Muitas outras perguntas de importância capital teriam a mesma resposta. E porquê? Porque os que praticam desporto têm uma vida mais longa e saudável, são mais generosos, mais simpáticos, menos agressivos, com menor tendência para o crime, têm menos depressão e ansiedade, suicidam-se menos, são mais felizes, mais ordeiros, mais produtivos, mais competitivos, com mais auto-estima e muito mais…
As consequências imediatas e a prazo traduziriam-se, além das já enunciadas, numa economia difícil de quantificar, com menos recursos às consultas, menos hospitalizações, redução do consumo de medicamentos e uma maior produtividade a todos os níveis, enfim mais riqueza.[…]”
[in: Quarta República]

Exames

Faço minhas as dúvidas do Paulo:

“São coisas difíceis de entender.

Mas para que é que servem, realmente, os exames?

Se confiamos no professor para leccionar as aulas durante o ano inteiro, porque é que no fim havemos de duvidar da classificação que atribui aos alunos?

Se o professor é mau e pode estragar os alunos, no fim o mal já está feito, com ou sem exame. Mas os alunos, que já não basta terem gramado com o mau professor, ainda têm de fazer exame para duplicar a sua azarada condição.

Se o professor é bom, bastava o processo das aulas, uma vez que os resultados dos exames nunca diferem muito da nota do professor e podem, quando muito, tramar os alunos que tiveram um dia mau.

Se o professor é assim-assim, acontece um bocado das duas coisas e estamos, por isso, conversados.

Então? Por que raio é que há exames?

Para aferir conhecimentos?

Bem, isso seriam provas de aferição e poderiam ser feitas, por amostra, e em qualquer altura.

Para os alunos estudarem mais?

Não, por aí também não podemos ir. A avaliação contínua assenta em vários exames realizados ao longo do ano lectivo. Mal do país que tem de pensar assim: ensinar, estudar e aprender tem de valer um bom bocado mais do que isso. E cada escola pode ser avaliada pela exigência e pelo rigor que coloca no seu ensino sem os exames. É mesmo decisivo que seja assim, parece-me.

Para estudos internacionais?

Bem, isso, e salvo melhor opinião, serve para alimentar tecnocratas que estão a milhas, a quilómetros, das escolas, mas têm de fazer os seu estudos. Não, para isso também não servem. Aceita-se uns testes por amostra, de quando em vez, para que o desemprego não seja praga também aí.

Para hierarquizar as escolas?

Não, já se viu que não. As escolas são, felizmente, muito mais do que examinar os saberes numa ou em duas disciplinas: e nisso, no muitíssimo mais que os exames, nem se auto-avaliam nem são avaliadas externamente; por sistema e com rigor.

Para hierarquizar os alunos na entrada para a universidade?

Claro, aí tem que ser. Mas não tem nada que ser. Já pensou nisso meu caro leitor? Há sítios em que no final do secundário a escola diz se o aluno está apto ou não e depois as universidades escolhem quem lá se matricula. Tão simples como isso.

Serão, portanto, os exames tão necessários assim?

Parece que não. O problema é outro e bem mais profundo: somos uma sociedade desconfiada e em que os média promovem um verdadeiro caldo de “conversa da treta”. E isso mina tudo: as relações entre as pessoas e a selecção dos melhores caminhos para construir o futuro.

Já por lá andámos e saímos: não tarda voltaremos. De outro modo, é seguro, já que as aprendizagens (processo demasiado desconhecido) individualizadas associadas às vantagens da ciência assim o exigirão. A escola da má burocracia morrerá aos poucos e muito lentamente, mas morrerá. As fábricas de ensino não sobreviverão. Na pior das hipóteses, os ricos pagarão a frequência dos novos módulos de ensino e os pobres arrastar-se-ão, com um controle férreo e burocrático, nas antigas unidades fabris em versão piorada: mais baratas e mas desqualificadas” (in: Correntes)

Adenda surreal: Negativas na prova de Matemática do nono ano caem quase 40 por cento num ano.
Beeemm… já parei de rir.

Formalismos e esquematismos…

Por intermédio do JMA, tomei conhecimento da 4ª reunião plenária do CCPA que, entre outras deliberações, “aprovou um conjunto de recomendações sobre princípios e estratégias destinadas a promover a adequada aplicação e utilização do sistema de avaliação do pessoal docente”.
Relembro que o CCPA decidira aprovar, em reunião plenária realizada em Lisboa, no dia 14 de Março de 2008, as recomendações formuladas pela Presidente em 25 de Janeiro de 2008.

Importa saber em que diferem as recomendações agora discutidas e aprovadas das recomendações aprovadas pelo CCAP em 14 de Março do corrente ano. Não busco uma resposta retórica. Nem pretendo ironizar sobre o processo desconexo da criação do CCAP. Quero apenas perceber o grau de fechamento ou de abertura dos princípios que enformam a avaliação. Quero perceber se as recomendações agora produzidas incorrem ou não no erro da “complexificação”.

Sinais… nos exames nacionais.

“[…] o fosso assustador é talvez aquele que esta facilidade vai cavando entre alunos, quer dizer, entre jovens cidadãos. O fosso entre aqueles que, face a estas provas, rejubilam com um festivo “correu bem?” e aqueles outros que tendo trabalhado duro se sentem defraudados. O que os separa, perigosa e talvez irremediavelmente, é o modo como uns e outros deitam contas à vida.”

Ouça estes sinais de Fernando Alves, na TSF.

Só nos faltava mais esta*

Esta é do DN de hoje, 15-06-2008.
É mesmo de bradar aos céus. Então eu que pago regular e atempadamente as minhas contas de electricidade vou ter de pagar AINDA MAIS porque há aqueles que não pagam a a querida EDP não pode ficar sem a guita?
Esta não lembra ao diabo!
E quando as empresas XYZ passarem a apresentar nas facturas os custos daqueles clientes que não lhes pagam as ditas aos que lhe pagam?
Mas afinal de contas o mercado é só todo bom, não tem riscos?
E sou eu que tenho de arcar com os riscos da iniciativa dos outros?
É muito lindo dizer que o mercado é que é o verdadeiro regulador, mas quando surge o lado negro desse bondoso regulador o Estado e a sociedade que pague pois o capital não pode correr riscos.
Neste país foi sempre assim – o capitalista só arrisca à sombra do chapéu protector do Estado!
Os custos com as dívidas incobráveis da electricidade vão passar a ser pagos por todos os consumidores. Hoje, é a EDP Serviço Universal que assume os encargos totais dessas dívidas. Mas a proposta da ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos) para o próximo período regulatório de 2009/11 prevê que os encargos com esses compromissos passem a ser partilhados com os consumidores de electricidade a partir do próximo ano, nas tarifas de electricidade.”

*IN: (O Reino da Macacada)

Outro olhar

“A política educativa em Portugal tem revelado graves problemas e isto por quatro razões:
Primeiro, porque continuamos a adoptar um modelo de mudança e de reforma que é centralista, iluminado, uniformizante, oriundo de um aparelho, mais ou menos incógnito, que toma as milhares de escolas como se fossem uma só e que vê na publicação de normas no Diário da República (sucessivamente alteradas)o principal instrumento da melhoria da educação. Resultado: mudança após mudança, as melhorias ficam muito aquém do esperado, do necessário e do possível.

Segundo, porque o aparelho do Ministério da Educação não confia sistematicamente no exercício profissional, na autoridade e no profissionalismo dos professores. Por isso, investe-se demasiado em tudo definir a priori, interessa menos o que se passa e os resultados gerados em função daquilo que realmente se passa (dão-se passos iniciais na avaliação das escolas). O clima que se gera só pode ser de desresponsabilização, de travagem da autonomia e de desincentivo ao trabalho árduo e contínuo de tantos, em ordem à melhoria gradual e responsável de cada escola.

Terceiro, porque não há liberdade para conceber, desenvolver, aplicar, avaliar e melhorar projectos pedagógicos diferenciados, por escola. Ora, todas as escolas são diferentes e a melhoria da educação só pode resultar se houver liberdade e responsabilidade, quer por parte de quem assume a direcção e a gestão das escolas quer de cada docente, desde a sala de aula até aos órgãos de regulação pedagógica.

Quarto, porque a sociedade portuguesa (pais, autarcas, empresários, interesses socio-culturais locais…) ainda investe pouco na sua educação escolar, no saber, no conhecimento. Existe hoje um novo clima de disponibilidade por parte de muitos actores sociais e esse capital tem de ser fortemente mobilizado. Precisamos de mais sociedade na educação, agora que há muito mais educação na sociedade portuguesa.” (Joaquim Azevedo in: Educare)

Divulgação

QUEIXAS DE PROFESSORES

A partir de hoje, passamos a disponibilizar um serviço de recolha de queixas dos colegas professores e educadores, relativas ao seu desempenho profissional, através do e-mail profqueixa@gmail.com.

Todas as queixas recebidas serão reenviadas para:
– Presidente da República;
– Assembleia da República;
– Procurador-Geral da República;
– Vários deputados da Assembleia da República (de todos os partidos representados) e comissões parlamentares;
– Órgãos de comunicação social.

Sempre que assim for solicitado, as queixas serão também publicadas no blog MUP – QUEIXAS DE PROFESSORES, podendo-se, caso vontade expressa, apresentá-las de forma anónima.

A responsabilidade pelo teor da queixa é sempre do emitente que a fez chegar. “(via: mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/)

Na mouche.

«MLR insiste nos lugares comuns e na desfiguração do papel da escola
A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, disse, ontem, em Braga que “a escola actual tem de ser mais aberta e participativa, de forma a formar jovens para a cidadania e para a sociedade do conhecimento”.”A escola tem de formar cidadãos para participarem numa sociedade aberta e participativa, mas tem também de os preparar para serem autónomos, capazes de desenvolver projectos pessoais e profissionais”, declarou.A governante falava durante a sessão inaugural do 1º Congresso Escolar – Ambiente, Saúde e Educação que começou hoje no Mosteiro de Tibães, em Braga.Maria de Lurdes Rodrigues disse que “o sistema de ensino tem de se preocupar em formar cidadãos europeus, mas tendo em atenção que o desafio que os espera é global e não apenas da União Europeia”.Realçou que as escolas têm hoje uma missão diferente e mais difícil do que no passado, dificuldade que se prende “com as novas exigências que o mercado coloca aos jovens que nele entram”. E sublinhou que “o sistema de ensino já não é só um sistema de aprendizagem, posto que tem de responder de forma positiva a novas exigências e sinais sociais, em áreas como a saúde, o ambiente e a cidadania”.

Leia o resto no Público Online.

Comentário

MLR insiste nos lugares comuns e na desfiguração do papel da escola e da profisão docente. Para MLR, a escola serve para tudo menos para cumprir a sua essência: transmitir a herança cultural, científica, artística e tecnológica. MLR opina que a “escola já não é só um sistema de aprendizagem”. Diz que as “escolas têm hoje uma missão diferente da que tinham no passado”. Diferente em quê? Não continuam a ensinar Matemática, Línguas, Ciências, Artes, Tecnologias, História e Geografia? Não continuam a desenvolver o potencial de cada um? Não continuam a fazer a formação cultural e cívica das novas gerações? Repare como MLR desvaloriza o papel da escola enquanto promotora da aprendizagem e valoriza os “novos papéis” de prestação de cuidados sociais e de guarda das crianças e dos jovens. Quando MLR afirma que a escola “tem de responder de forma positiva a novas exigências e sinais sociais”, está a reforçar a desfiguração da escola e da profissão docente, tornando-os agentes que prestam serviços sociais e esquecendo-se de que os serviços sociais devem ser prestados, não pelos professores, mas sim pelos assistentes sociais e educadores sociais.

MLR fala muito, diz sempre a mesma coisa e insiste nos lugares comuns. A sua presença constante nos media e nas escolas é um factor de perturbação. Cada vez que abre a boca lança mais confusão sobre o sistema e aumenta a desmotivação e irritação dos professores.»

(http://ramiromarques.blogspot.com/2008/05/mlr-insiste-nos-lugares-comuns-e-na.html)

A escola personalista plasmada na LBSE é um mito.

[…] Durante seis anos, uma equipa de investigadores que Jorge Adelino Costa integrou recolheu dados em escolas de uma cidade média do centro do país, cujos resultados não serão muito diferentes da realidade nacional: 60 por cento dos alunos do 12º ano frequentam explicações e os pais gastam entre 70 e 240 euros mensais, conforme o número de disciplinas.
[…]
«É quase um terceiro sistema de ensino e provavelmente os gastos com as explicações em Portugal são já superiores aos do ensino privado. O volume é tal, que o fenómeno tem de ser estudado», comentou à Lusa.
O investigador adverte para as questões de igualdade de oportunidades que o fenómeno levanta, quer em função das possibilidades económicas das famílias, porque nem todos os pais têm dinheiro para os filhos frequentarem as explicações, quer geográficas, já que no interior do país a oferta de explicações não é a mesma.
[…]
Jorge Costa acentua a urgência de um maior investimento nas escolas, não necessariamente financeiro, para que os alunos não precisem de recorrer a esses serviços e da regulação que tarda.
[…]
O fenómeno influencia as performances das diferentes escolas e muitas vezes introduz elementos de perturbação na sala de aulas.
«Fazem-se rankings das escolas com base no 12º ano e constatamos que em muitas das melhores escolas os alunos são apoiados por explicações. Estamos a avaliar o quê? As escolas ou os explicadores?», questiona o investigador.
As implicações fazem-se sentir também na «gestão da sala de aulas», em que os professores são confrontados com um grupo de alunos que domina a matéria, porque anda nas explicações, enquanto os outros não.
[…]
«Não podemos contrariar esse mercado, mas falta a articulação com as escolas. Há países onde os estabelecimentos de ensino fazem protocolos com centros de explicações para haver essa articulação», explica.
Numa década, o panorama mudou radicalmente. Enquanto há 10 ou 15 anos, os alunos «escondiam que andavam em explicações» porque estas eram frequentadas sobretudo por estudantes que tinham dificuldades às respectivas disciplinas, hoje as explicações são encaradas como mais um trunfo na competição pelo ingresso no ensino superior e chegam a ser uma moda.
[…]
O investigador dá conta de que «há escolas que oferecem um processo de explicações fora das aulas, mas os alunos preferem tê-las no exterior, onde se aplicam mais e sentem maiores obrigações porque os pais estão a pagar».
Lusa/SOL

Correntes que libertam

Gosto das correntes que libertam. Gosto destes fios que me guiam a recantos blogoEsféricos plenos de sentido. Gosto de dizer: é um blog muito bom sim senhora!

A Fátima André lançou um olhar cúmplice do seu Revisitar a Educação. Eu agradeço a simpatia e junto mais um elo à corrente:
1- Este prémio deve ser atribuído aos blogs que gostamos e visitamos regularmente postando comentários;
2- Ao receber o selo “é um blog bom sim senhora!!” devemos escrever um post incluindo: o nome de quem nos deu o prémio com o respectivo link de acesso + a tag do prémio + a indicação de outros 7 blogs;
3- A tag do prémio deve ser exibida no blog.
Depois de percorrer dezenas de blogs que visito diariamente de forma criteriosa através do meu leitor de RSS (Really Simple Syndication), vacilo como um ponta-de-lança [do glorioso] na hora de atirar para o fundo das redes. Desafio o:

  1. Aragem [Este desafio inclui todos os confrades, naturalmente];
  2. (Re)Flexões [Francisco Santos, é preciso começar a trabalhar os antagonistas ;)];
  3. De cabeça [O Manel foi o primeiro elo da teia];
  4. Anterozóide [Ainda bem que temos o Antero para estimular a veia satírica];
  5. Rudimentos – E agora? [É uma agradável surpresa esta descoberta recente];
  6. As Minhas Leituras [Espero que o José Luiz Sarmento regresse rapidamente à blogosfera];
  7. Ruptura Vizela [O Zé Manel é um velho companheiro de outras lutas].

PS (salvo-seja): E agora tenho de regressar ao Aragem tratar do desafio lançado pela Isabel 🙂

Educação S.A.: Como Diz?

Educação S.A.: Como Diz?

A legitimação de uma disciplina escolar decorre da explicitação da sua incumbência educativa. A EF encontra o seu argumento central no facto de ser a única disciplina escolar que visa preferencialmente a corporalidade. Mas estou certo de que seria um exercício interessante e surpreendente procurar argumentos, internos e externos à escola, que fizessem prova da incumbência educativa de cada uma das disciplinas escolares. O currículo escolar perderia muitos apêndices depois de submeter cada disciplina ao crivo da relevância social. Nem as disciplinas mais utilitaristas sobreviveriam ao teste, digo eu.
Estou convencido de que o “esclarecimento” aqui relatado é dissuasor de eventuais reclamações e dúvidas. O enredo é suficientemente denso, codificado, apenas acessível aos professores da área. Não estou a dizer que os pretensos especialistas o percebam, mas pelo menos podem relativizar a sua importância. Impõe-se então uma pergunta: num tempo em que impera o “simplex”, para quê o “complex”? Não se trata de um problema do eduquês. Trata-se de saldar uma factura em atraso. Como nunca ninguém quis saber concretamente o que se faz, e como se faz, dentro de um pavilhão, agora que querem saber do que se trata nós não lhes dizemos. Têm de pagar a factura da vossa indiferença. Foram anos e anos de sobrevivência no sistema educativo onde a disciplina foi relegada para disciplina de segunda ordem, o parente pobre das disciplinas escolares a quem se destinou uma função profiláctica, mas claramente redutora: a de reparar os efeitos nefastos produzidos pelas disciplinas ditas “sentadas”. E agora que alguém se lembrou de a (des)promover fazendo parte das operações contabilísticas com médias de acesso ao ensino superior, é que se interessam pela qualidade das práticas? Como diria o barão do PS: quem se mete com a EF… leva! ;o)

Resumo da reunião dos dois secretários de estado com os PCEs de Lisboa

Deixo uma saudação especial para o Ramiro Marques. Bem-haja.

“04-Abril 2008 – reunião sobre avaliação do desempenho…Hoje fui a uma reunião em conjunto com todos os presidentes CE e membros das comissões de coordenação de avaliação de toda a drel) com o Sr Pedreira e o Sr Valter Lemos sobre Avaliação docente, gestão e formação. Chegámos… entrámos… uns sentaram-se em cadeiras outros nas escadas…no chão…(várias dezenas!) porque não cabiam todos… Já é a 3ª vez que vou a uma reunião destas (com altas individualidades do ME) em que os profs se sentam no chão…uma vergonha!!! A reunião estava marcada para as 10h… começou às 10h30. Estivemos cerca de 2h a ouvir o sr Pedreira explicar-nos através de uma sessão de powerpoint o dec 2/2008… (como se nós não conhecêssemos a sua fundamentação teórica…) a importância de sermos avaliados… o facto determos DIREITO a uma avaliação…etc etc…Seguiu-se um momento onde os presentes poderiam colocar dúvidas… e os srs Lemos e Pedreira escreveram… escreveram para depois esclarecerem…Houve quem agradecesse ao blog do colega Ramiro Marques a partilha de instrumentos de registo e a ajuda a tantas dúvidas que vão surgindo…(Foi um aplauso de agradecimento generalizado!) No meio das dúvidas… faltou a pilha ao micro portátil… então o Sr Lemos sugeriu que fizéssemos um pequeno intervalo…Após o reinicio da sessão o Sr Lemos lá foi dando umas respostas-novidades atabalhoadas… já que quem tinha colocado situações concretas ficou na mesma… ou seja: “o CE terá de encontrar a solução mais adequada”… 🙂 Entretanto ficámos a saber que, na próxima semana, vai sair mais um despacho sobre as quotas de cada parâmetro da avaliação… e depois outro sobre a avaliação de quem não tiver componente lectiva… Por isso…
meus caros não se apressem porque o chorrilho ainda não terminou. Ahhh… mas o mais giro foi a conclusão…O mínimo dos mínimos de avaliação que as escolas terão de fazer é a avaliação aos contratados e que consiste em: Ficha de auto-avaliação e ficha do PCE-dados objectivos: assiduidade, avaliação dos alunos. As escolas que conseguirem fazer mais… devem fazer… porque algumas estão a avaliar todos os docentes já este ano… e isso é trabalho que não se lhes pode dizer para deitarem fora…Ah!… e mais disse o sr Pedreira: “Os instrumentos de registo que as escolas estão a elaborar… é preciso não esquecer que não são documentos escritos em pedra…podem e devem ser alterados quando e sempre que necessário…” Agora elaboram uns mas no inicio do próximo ano pode haver novos elementos e o processo é um processo aberto…(gostaram? esta foi gira…mas vem aí outra…)Disse também o Sr Pedreira: “o facto de este modelo de avaliação ser complexo… (e aí foi uma gargalhada geral… seguida de intervenções do tipo…Ahhh! afinal sempre é complexo!!!) ao que o Sr Pedreira confirmou:”Sim… o ME reconhece a sua grande complexidade…é um sistema complexo…nós reconhecemos…mas agora cabe aos Conselhos Executivos e às escolas simplificá-lo!!”Lindo! E nessa liiinda reunião (onde fomos postos na rua às 13h28m) porque a sala só estava disponibilizada até às 13h30… por isso teriam de terminar a reunião e sair…

Professora que esteve presente na reunião

Comentário meu
Afinal, ainda há muitos PCEs que resistem e que não calam a mágoa que lhes vai na alma.”

Adenda: eheheh… a Maria Lisboa também foi à missa. Pode ler aqui: http://professorsemquadro.blogspot.com/2008/04/foi-vez-das-lisboas-oriental-e.html

Impressões…

Fui encontrar no sítio da DGHRE dois documentos em PDF que constituíram a base das comunicações de dois autores, Leonor Santos – Professora na Universidade de Lisboa – e Jorge Pinto – Professor na Escola Superior de Educação de Setúbal -, no Seminário Temático Avaliação de Desempenho Docente.

Não conheço os especialistas convidados nem participei no evento. Limitei-me a observar as sínteses e a tentar perceber o sentido das apresentações. Só me ocorre um comentário: o Perrenoud ainda corre o risco de vir a ser considerado persona non grata no ME…

O verdadeiro artista…

O “solidário” e cada vez mais solitário Valter Lemos…

O inenarrável Valter Lemos terá considerado que a actuação de Ana Benavente nos governos de Guterres “resultou nos piores resultados escolares da Europa” em matéria de sucesso escolar…
Lembrai-vos ainda, por acaso, de que Ministro da Educação era Ana Benavente… Secretária de Estado? Exactamente: Augusto Santos Silva (o actual titular da pasta dos Assuntos Parlamentares). E sabeis quem era também ministro do agora tão execrado Guterres? Exactamente, José Sócrates, o actual primeiro-ministro.
Em matéria de solidariedade política e partidária, Valter Lemos deu um tiro no pé. Tanta burrice junta, em tempo de crise, nunca se viu!…
Talvez esteja a preparar-se para regressar ao CDS…” (abnoxio)

Ok… já parei de rir!
___________
PS: A figura foi desenhada pelo Antero

Debate – 2ª parte/3ª parte

“Presidente dos conselhos de escolas”
Fez uma intervenção hesitante e conciliadora. Considera que a avaliação é viável nos próximos dois anos embora seja necessário eliminar os constrangimentos (alargamento dos prazos e tempo de formação para os avaliadores).

“Professor revoltado”
Fez uma intervenção emotiva e pouco fundamentada. Os ataques pessoais à ministra acabaram por ser creditados a seu favor. Foi o período mais favorável à ministra que aproveitou a oportunidade para propagandear um conjunto de iniciativas do seu ministério.

“O professor Arsélio”
Fez uma intervenção sensata, justo nas críticas e nas autocríticas sem procurar a auto-complacência. Todos são responsáveis…

Adenda:
Já não há paciência para comentar, neste momento, a 3ª parte. O Sr. Albino está extasiado e a propõe a criação de um “observatório nacional de políticas educativas” para estudar o estado da arte. Só não entendi o seu papel nesse observatório. opppsss… ouvi agora o homem a falar de confiança

Finalmente, “A moderadora”:
Tendenciosa, como sempre.

Lamento a falta do trabalho de casa e a verborreia…

Debate

Acabou agora a primeira parte do debate.

A ministra identificou três equívocos da avaliação do desempenho sem ser capaz de os clarificar:
i) A avaliação é contra os professores; ii) A avaliação é importante mas o que se critica é o modelo; iii) Aceita-se a avaliação mas não há condições para a sua implementação.

Argumentou que:
i) Há que dignificar os professores premiando o mérito;
ii) Não há modelos perfeitos;
iii) O ME está a avaliar as condições desde meados de Fevereiro.
Não foi capaz de demonstrar que este modelo premeia o mérito; que o modelo anterior também era imperfeito; e que as condições de implementação não obstaculizam a premiação dos melhores.

Registo conclusivo: ficou por responder a questão “MUDAR PARA QUÊ”(?) se o modelo anterior admitia a possibilidade de premiar os melhores.

Os professores convidados não conseguiram demonstrar que o ME desconsiderou os professores. Foi bem explicado o processo pouco transparente e arbitrário do 1º concurso dos professores titulares.

Delegação de competências*

“apesar das maiores semelhanças quanto à estrutura das aulas e a maior proximidade das áreas envolvidas, será exequível que um professor de uma área avalie colegas de outras para as quais não tem competências científicas e pedagógicas?” [Ler aqui]

Poderá até ser uma avaliação exequível, mas não será uma avaliação rigorosa, exigente, sensata e responsável. Logo, será uma acção eticamente reprovável!

____________
*ou faz-de-conta que a avaliação do desempenho docente será uma coisa séria.

O maior cego é o surdo…

A crónica dominical de António Barreto (AB) revela uma distracção difícil de explicar num cronista tão experimentado. Se tivesse acompanhado com alguma atenção o debate sobre esta matéria [o debate sobre a gestão escolar], se tivesse lido os pareceres do Conselho de Escolas, de alguns investigadores, dos sindicatos, se tivesse acompanhado as discussões na blogosfera educativa e nos jornais de referência, AB seria capaz de formular um juízo mais fundamentado sobre o assunto. Pelo teor da sua crónica, presumo que terá tido em consideração apenas as posições do ME e, porventura, dos acólitos da CONFAP.

AB considera que é uma boa decisão alterar o regime de gestão das escolas porque vê com bons olhos a entrega de poderes a um director; a intenção de entregar às comunidades locais novas competências e responsabilidades [que confusão é esta? A transferência de competências para os municípios é outro assunto, caro AB]; alargar a autonomia da gestão das escolas; a criação de um conselho geral, com a participação de pais e autarcas.

A pergunta que AB devia ter procurado resposta é a seguinte: Mudar para quê? AB verificaria que as alterações que propõe são exequíveis no actual “regime de gestão das escolas”. AB diz que a gestão colegial tem dado maus resultados mas não diz em que se baseia para chegar a esta brilhante conclusão: a Inspecção Geral da Educação atesta precisamente o contrário. AB refere que o afastamento das comunidades e das autarquias, relativamente às suas escolas, tem tido há décadas, consequências nefastas. Diz ainda que existe já alguma evidência de que os pais se interessam mais pelo destino da escola e dos seus filhos. Mas se há uma evidência de que as coisas estão a melhorar com o actual regime, faz algum sentido mudar agora que melhoram os resultados? Finalmente, AB considera que “as escolas sem autonomia ou com autonomia aparente, com é hoje o caso, transformam-se em repartições dominadas pela burocracia do ministério obcecada com a regulamentação e a uniformização.” A pergunta que se impõe é a seguinte: Se o problema é do ministério, para quê mudar a gestão das escolas. Seria mais aconselhável mudar o funcionamento do ministério, ou não?

AB considera que não é possível governar o ME. Por ser ingovernável, o ME deveria entregar às autarquias as suas competências. Ora, AB presume que as autarquias são governáveis. Eu não estaria tão confiante. Basta olhar para os elevados endividamentos das autarquias para se perceber do que falo. Basta olhar para as experiências já relatadas, e censuradas, nos relatórios de avaliação das actividades de enriquecimento curricular para se perceber que o problema não está na dimensão das organizações mas na incompetência dos políticos que as gerem. Organizações grandes ou pequenas.

Se a ideia é aligeirar as responsabilidades da sua homóloga, a socióloga Maria de Lurdes Rodrigues, relevando a coragem e as ideias da ministra, AB perderá o seu tempo, apesar de eu lhe reconhecer o esforço corporativo. Em primeiro lugar, terá de ser mais claro e explicar a que ideias se refere: se se refere ao ataque descabido à classe docente, à incontinência legislativa tantas vezes contraditória, ou aos constantes atropelos à lei. Em segundo lugar, se AB pretende avaliar a acção dos ministros pelas suas intenções, nenhum ministro cairia do governo porque todos os ministros serão inatacáveis na medida em que se presume que todos eles se movem por motivos altruístas.

António Barreto engana-me cada vez menos…

Cansaço

É a uma espécie de mutismo aquele a que me apetece remeter-me. Silêncio de luto por um país que não o sabe ser. Acho-o feio, de entranhas de fora, clamando ódios viscerais, invejas e vinganças. Boçal e medroso e merdoso. Insano e sem graça.[…]” [continuar a ler a Cristina, aqui]

O Novo Modelo de Gestão das Escolas: Que Debate Público?

A colega Isabel Guerreiro, via Paulo Guinote, desafia-nos à participação no debate público “promovido” pelo governo acerca do novo regime jurídico da administração escolar.
À ideia de promover um debate público em torno da proposta do novo regime jurídico da administração escolar subjaz uma intenção política: influenciar o curso dos acontecimentos, isto é, evitar a destruição da escola pública.

Conhecendo o estilo autista deste governo e, em particular, do seu líder, o bom senso recomenda que se baixe o nível das expectativas. Os alicerces da escola pública continuarão a ser minados [é aqui que as minhas expectativas estão no grau mínimo] porque assim o determina a ideologia deste governo embora a sua retórica procure demonstrar o oposto. Apesar de não acreditar na mudança de política, é possível não a legitimarmos pelo silêncio e conformismo. É neste sentido que vejo algum interesse no desenvolvimento de iniciativas que denunciem as perversidades das políticas educativas.
A questão que se deve colocar é saber em que palcos se devem desenvolver essas iniciativas. Sabendo da influência cada vez mais crescente da comunicação social na construção da opinião pública e do senso comum, é, a meu ver, aqui que nos devemos concentrar. Fazer o debate público junto do público, na internet, nos jornais e nas revistas da especialidade, e, de preferência, nos jornais de massas. O debate físico envolvendo um elevado número de participantes é cada vez menos viável e produz efeitos residuais no grande público.

A minha proposta é simples: usemos todos os canais de comunicação que estão ao nosso alcance para, em tempo útil [o debate público terá aproximadamente três semanas], dizer ao nosso público que nos demarcamos das medidas que visam acabar com a escola pública republicana, laica e, por que não, democrática.
Legitimar pelo silêncio é que não!

Desafio

“[…] Burocratas, professores, gestores ou políticos?

A história da administração escolar em Portugal permite identificar quatro concepções dominantes na evolução dos perfis funcionais dos responsáveis pela direcção das escolas:
uma concepção burocrática, estatal e administrativa, em que o director é visto, fundamentalmente, como um representante do Estado na escola, executante e vigilante do cumprimento das normas emanadas do centro e um elo de ligação/controlo entre o Ministério e sua administração central ou regional e o conjunto de professores e alunos que frequentam a escola.
uma concepção corporativa, profissional e pedagógica, em que o director é visto como um primus inter pares, intermediário entre a escola (principalmente os professores) e os serviços centrais ou regionais do Ministério, garante da defesa dos interesses pedagógicos e profissionais docentes, perante os constrangimentos burocráticos e financeiros impostos pela administração.
uma concepção gerencialista, em que o director é visto como se fosse o gestor de uma empresa, preocupado essencialmente com a administração dos recursos, com formação e competências técnicas específicas, com o grande objectivo de garantir a eficiência e a eficácia dos resultados alcançados.
uma concepção político-social, em que o director é visto como um negociador, mediador entre lógicas e interesses diferentes (pais, professores, alunos, grupos sociais, interesses económicos, etc.), tendo em vista a obtenção de um acordo ou compromisso quanto à natureza e organização do “bem comum” educativo que a escola deve garantir aos seus alunos.
Estas concepções informaram de modo diferente os vários quadros legislativos que se foram sucedendo desde os finais do século XIX até à actualidade, embora, na prática, elas se sobrepusessem num sistema de estratificação sucessiva, fazendo com que estas dimensões coexistam (com maior ou menor expressão) na diversidade de modos de exercício dos cargos de gestão que encontramos nas escolas. […]”

Descubra o gestor que tem perto de si.

Empresário egoísta…

“Enzo Rossi é um empresário italiano que, durante um mês, tentou viver com os mil euros que pagava aos operários da sua fábrica de pastas alimentares. Ele a sua mulher, que também trabalha na empresa, tentaram gerir a sua vida com dois mil euros. Como o dinheiro, mesmo poupadinho, só chegou até ao dia 20, Rossi resolveu aumentar os vinte empregados em 200 euros por mês. O episódio tornou-se um caso em Itália, e já correu mundo. Quando lhe começaram a chamar “empresário comunista”, respondeu que não. Que é egoísta. Quer empregados motivados e despreocupados com a ginástica mental para pagar as contas, disse. Uma evidência.

A forma como o episódio tem sido contado pela imprensa faz lembrar uma frase de Freitas do Amaral durante a contestação à invasão do Iraque. Quando questionado porque razão se foi alinhando com posições políticas mais comuns à esquerda, Freitas respondeu que nunca mudou. O panorama politico é que se desviou para a direita. De facto, vivemos tempos extraordinários. Os trabalhadores desapareceram e deram lugar aos colaboradores, as bolsas ressuscitam a cada notícia de despedimento e o que devia ser a norma, aumentar empregados que recebem bastante abaixo do salário médio, tornou-se a excepção. Dá direito a excursão de ministros, a seminários em faculdades de gestão e a dezenas de entrevistas. É uma espécie de intervalo na programação do noticiário para apresentar um “comunista” no seu habitat natural. Um freak show. Com tanto elogio, parece que ninguém perdeu tempo para fazer as contas e reparar que o generoso aumento só vai durar até ao dia 24 de cada mês.”

de Pedro Sales (0 de conduta)