Arquivos mensais: Junho 2009

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ADD – Um enterro adiado

Já toda a gente percebeu que o modelo de avaliação, complex ou simplex 1 e 2, é um nado morto. Contudo, o ME continua com paliativos só para adiar o funeral.

Nos últimos dias, o Ramiro e o PauloG deram eco a um estudo produzido por uma tal Deloitte. Só hoje vi a referência ao dito cujo na página oficial do ME.

Não gosto de funerais e por isso não olhei para o relatório à espera da Santa Unção. Lancei um olhar mórbido, mais entretido com as flores do que com o defunto. E vi esta buganvília (alguém me disse que era uma espécie de trepadeira):

deloitte

Leram as letrinhas? “[…] Esta publicação não substitui tal aconselhamento ou a prestação daqueles serviços profissionais, nem a mesma deve ser usada como base para actuar ou tomar decisões que possam afectar o vosso património ou negócio.” Fartei-me de rir!

Placebo

A ficha de auto-avaliação que publiquei aqui já mereceu o olhar de cerca de 2500 visitantes. Em tão pouco tempo nunca um texto meu mereceu tamanha atenção.

Se por um lado fico satisfeito ao saber que a minha escrita serve de inspiração a tomadas de posição (?) de onde subjaz uma ideia de resistência, por outro lado fico apreensivo ao saber que este tipo de oposição será sempre um placebo aos olhos da opinião pública.

Que chatice, há cada vez mais falta de tempo para legislar…

“O secretário de Estado Adjunto da Educação admite ser “impossível” a aplicação do modelo integral de avaliação docente. Por isso, defendeu ontem ao JN, “o Governo tem de tomar uma decisão a curto prazo”.

– Tardiamente, é certo, lá reconheceram o óbvio: o modelo é inexequível! Mas se pensam que esta evidência é suficiente para parar o processo, estão muito enganados. Não é extraordinário?!

“Parece ser consensual a necessidade de introdução de correcções por ser impossível a aplicação integral do modelo”, defendeu Jorge Pedreira após a reunião de ontem de manhã com a Fenprof. O modelo em vigor (decreto-lei 1-A/2009) é o simplificado que só vigora este ciclo avaliativo, cessando até 31 de Dezembro. Ou seja, sublinhou o secretário de Estado, se não forem aprovadas alterações a partir de 1 de Janeiro regressa o decreto-lei nº2/2008. Pedreira considera que o Governo deve, por isso, anunciar uma decisão até ao início do ano lectivo.”

– Como? Ainda consideram a hipótese de aplicar o modelo inexequível se não for alterado o simplex 2?
Ah… estava a ficar preocupado: afinal a coerência foi coisa que passou… num ápice.

“As negociações com os sindicatos sobre avaliação não devem, no entanto, começar antes de “meados de Julho”, porque o ME ainda espera o parecer da OCDE – que primeiro entregará “um rascunho e só depois do ME reagir o relatório final”, embora as negociações comecem só com esse “rascunho”- e a decisão do Conselho Científico para a Avaliação dos professores (CCAP) sobre qual dos modelos de avaliação deve vigorar no próximo ano (integral ou simplificado). Sem prazo dado pelo Governo para se pronunciarem, Jorge Pedreira espera que os conselheiros tenham em conta a necessidade de se tomar uma decisão rapidamente.”

– Isto está a correr bem. Então é o CCAP que toma decisões sobre o que deve ou não vigorar no próximo ano? A delegação de competências é definitiva ou só dura enquanto der jeito?

“O concurso extraordinário para professores titulares não deve realizar-se antes das eleições legislativas. O secretário de Estado Adjunto da Educação admitiu, ontem, ao JN, ser já “muito difícil” o Governo aprovar legislação e haver tempo suficiente para os procedimentos durante os três meses que faltam até às legislativas. Depois, na reunião de dia 1 com os sindicatos o ME vai propor alterações às regras de acesso à categoria.”

– O senhor secretário tem razão: houve pouco tempo para legislar sobre o assunto. hummm… e três meses não dá para muita coisa, de facto,… em ritmo de cruzeiro da produção legislativa deste ME, em três meses dará apenas para alterar duas resmas de portarias e uma palete de decretos-regulamentares. Coisa de pouca monta para a vontade que há em mexer na massa…

A notícia está aqui: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1277338

O problema é a (má) memória.

 Ferreira Leite promete ruptura com políticas de José Sócrates.
A líder social-democrata revelou aos deputados quais serão as duas “bandeiras fundamentais” do programa eleitoral: educação e justiça. Hoje, em Portugal, “não se premeia o mérito nem se condena o demérito”, justificou
.

A educação surge, uma vez mais, como bandeira de campanha eleitoral. Só que desta vez até se percebe. Seria injustificável que algum partido político fizesse tábua rasa, nos programas eleitorais, de uma área tão depreciada pelo governo de Sócrates. Depois da passagem de MLR à frente do ME, as palavras de MFL até nem soam mal. O problema é a memória. A minha, obviamente. Mas venha daí esse programa eleitoral para não ficarmos só pelos chavões!

Setembro quente

O secretário de Estado da Educação, Jorge Pedreira, assumiu esta tarde, em conferência de imprensa , que não vai ser possível chegar a acordo com os sindicatos dos professores sobre a revisão do Estatuto da Carreira Docente, […]
Ontem, o Ministério formalizou a sua proposta de revisão estrutura da carreira docente, mas não abdicou da divisão em duas categorias. Pedreira reconheceu que esta posição torna inviável um acordo. “Para os sindicatos tudo o que não seja a abolição das duas categorias não é valorizado”, disse
.”

Os sindicatos da plataforma, ou o que restar dela (atente-se ao ziguezaguear da FNE) depois deste novo embate com o ME, têm o mês de Julho para preparar um Setembro que antevejo muuiiito quente.

Vamos lá acertar uma data para descer a Avenida da Liberdade!?

Na mouche!

“Dois Anos do XVII Governo no Desenvolvimento da Sociedade da Informação”
Ordem dos Engenheiros

“Os minutos 14 a 21 deste vídeo com António Figueiredo, APDSI, sobre o Plano Tecnológico da Educação, são de antologia” (in: Twitter, obrigado António)
E são mesmo!

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Adenda:

Minuto 14 – “O Ministério da Educação tem um modelo de gestão profundamente ultrapassado e tacanho. É um modelo de comando e controlo. Para o ME, os professores são uma cambada de preguiçosos, sem iniciativa. E isso é um erro completo.(…) Nós temos professores espantosos, com uma paixão pela sua missão comovente.”

Minuto 15 – “Há da parte do ministério uma inadequação completa quanto à mobilização dos professores para um projecto de mudança. Enquanto o ministério não conseguir apaixonar de novo os professores para um projecto de mudança pode meter quantos magalhães ou quadros interactivos quiser que não vai mudar o sistema [reforma pedagógica]. Os eventuais resultados positivos não se deverão ao ministério mas apesar dele.”

Minuto 17 – “O Plano Tecnológico da Educação tem uma visão tecnocrática primária, muito semelhante a alguns projectos do início dos anos 80.”

Minuto 36 – “A educação tem que ser profundamente remodelada. Há que recuperar, reconquistar e vai ser difícil reconquistar os professores, recuperar a paixão que os professores tinham pela sua missão. Eu tenho feito o exercício desde que fizemos este relatório, tenho feito o exercício de tentar ver qual é o sonho na cabeça dos professores, em várias partes do país. O sonho que neste momento está na cabeça dos professores é reformarem-se antecipadamente. É absolutamente deprimente, quando havia tantos sonhos, pelo menos em grupos muito representativos das escolas, havia paixões, havia pessoas que de manhã iam para a escola apaixonados por aquilo que faziam, apesar de saberem que aquilo era desgastante. Agora, o sonho dos professores é aposentarem-se antes do tempo”.