Albino, o paladino… da verborreia

Albino Almeida da Confap (Confederação das Associações de Pais) aponta o dedo ao sistema de ensino. “A escola ensina todos da mesma maneira e esquece-se que todos aprendem de forma diferente”. Por isso, os pais que têm dinheiro têm de se socorrer das explicações para ajudar os filhos a ter boas notas, critica. Fonte: DN de 11/6/09

Depois de ler o comentário do Ramiro às declarações de Albino Almeida (AA), e com o qual concordo na generalidade, não resisto a salientar duas incongruências no discurso de AA.

É verdade. Albino Almeida tem razão. A escola está formatada para um aluno tipo e tem dificuldades na personalização do ensino. Mas a escola também é construída pelos pais que são presumivelmente representados pelas suas associações. Albino Almeida ao apontar o dedo à escola não se pode esquecer que ele também é escola. O que significa que ele pode deve procurar resolver dentro de portas o problema da personalização do ensino:

Em primeiro lugar, Albino Almeida devia zelar para que cada associação de pais, localmente, e a CONFAP, centralmente, deixem de apoiar soluções políticas e administrativas que tratem todos os alunos como se fossem um só. A escola a tempo inteiro, só para não me alongar em exemplos, é uma medida apoiada pela CONFAP que trata todos os alunos com se fossem um só, sem atender às necessidades de cada um. Se há casos em que a escola pode, suplementarmente, coadjuvar algumas famílias ofertando actividades de enriquecimento curricular, há outras famílias que dispensam este tipo de intervenção da escola. [vem mesmo a calhar este texto do JMA sobre a tirania do auxílio]

Em segundo lugar, das afirmações de AA emerge um problema conceptualmente irresolúvel para qualquer associação de pais e, obviamente, para a CONFAP: se os alunos são todos diferentes, se as famílias são entidades singulares, o que defende a CONFAP? Que tipo de famílias e de alunos defende a CONFAP? Ou para ser ainda mais claro, parafraseando Pedro Silva: É que falar em associações de pais não significa que elas efectivamente desenvolvam actividades para os pais. Por outras palavras, não significa que os representem.

Declaração de interesses: sou professor, delegado sindical e dirigente de uma associação de pais.