Educratês

1. O Conselho de Ministros aprovou uma proposta de lei relativa ao Estatuto do Aluno e Ética Escolar, no qual se estabelecem os direitos e os deveres do aluno dos ensinos básico e secundário e o compromisso dos pais ou encarregados de educação e dos restantes membros da comunidade educativa na sua educação e formação.

A linha de força desta proposta é o reforço da autoridade efetiva dos professores, apostando no estabelecimento de uma nova cultura de disciplina e promoção do mérito dos alunos, e na maior responsabilização dos pais e encarregados de educação.

O Código prossegue os princípios gerais e organizativos do sistema educativo português, conforme se encontram estatuídos na Lei de Bases do Sistema Educativo, promovendo, em especial, o mérito, a assiduidade, a responsabilidade, a disciplina, a integração dos alunos na comunidade educativa e na escola, a sua formação cívica, o cumprimento da escolaridade obrigatória, o sucesso escolar e educativo e a efetiva aquisição de conhecimentos e capacidades.

Blasfémia, senhores…

Entre uma leva de aulas li a Recomendação sobre Educação para a Cidadania (Recomendação n.º 1/2012) do Conselho Nacional de Educação (CNE).  Após apreciação do projeto de Recomendação elaborado pelo Conselheiro Almerindo Janela Afonso, o CNE deliberou aprovar o referido projeto.

Divergindo dos propósitos do governo, o CNE recomenda a manutenção da disciplina de Formação Cívica (cf. Decreto -Lei n.º 50/2011 de 8 de abril) considerando que “deve ser assumida como uma dimensão fundamental no ensino secundário, em adequada articulação com os processos que visam os melhores níveis de sucesso académico dos alunos. No ensino básico, deve ser revalorizada a educação para a cidadania democrática no âmbito da Formação Cívica, resgatando-a do enclausuramento excessivo relativo à gestão quotidiana dos problemas que decorrem das funções da direção de turma.

Não me surpreendi com o teor das recomendações e, sobretudo, com a crítica explícita sobre “as expectativas sociais e oficiais em relação ao currículo (por) privilegiarem a transmissão de conhecimentos, num contexto de algum modo favorável à indução de uma crescente seletividade e remeritocratização académicas.”

Ficarei apenas surpreendido se Nuno Crato não vier a terreiro defender a “implosão” deste seu órgão consultivo… por heresia.

Ainda se brinca às avaliações?…

Com a devida vénia ao JMatias Alves pelo destaque do Relatório IGE, 2011.

Do USO DOS RESULTADOS DOS EXAMES

de JMA

Retomo relatório da IGE, para sublinhar o óbvio, mas que quase nunca tem consequências:

A experiência do primeiro ciclo de avaliação externa de escolas mostrou não só haver alguma dificuldade em interpretar os resultados escolares à luz da informação de contexto disponibilizada mas também um desconhecimento de informação de umas escolas relativamente às outras, o que não lhes permitia fazer um exercício comparativo do seu desempenho (benchmarking). Adicionalmente, as provas nacionais não estão calibradas, o que se demonstra pelo facto de a média de classificações variar substancialmente de um ano para o outro, não sendo crível que a qualidade dos alunos varie de forma tão brusca. Assim, não faz sentido fazer julgamentos acerca de evoluções positivas ou negativas do desempenho da escola nestas provas. Esta evolução poderá ser menos determinada pelo desempenho da escola que pela flutuação do grau de dificuldade da prova de um ano para o outro. Este problema aponta, por isso, para a criação de modelos que forneçam indicadores de desempenho relativo da escola face ao conjunto de escolas congéneres.
Relatório IGE, 2011

Já avisaram o senhor ministro…

… da educação? Liguem a limusina para o levar ao aeroporto.

Aluno português recebe medalha nas Olimpíadas de Informática

Sempre desconfiei da retórica do mérito e da excelência porque a considero redundante na educação. Ninguém educa para a mediania, ninguém legisla convencido de que vai deteriorar a qualidade do sistema de ensino e todos os actores querem acreditar que através da sua acção o sistema de ensino ficará melhor. A excelência é um imperativo ético!

Sabendo que os resultados da educação resultam de relações múltiplas e cruzadas entre variáveis intrínsecas e extrínsecas, é injusto e intelectualmente desonesto pretender explicar os resultados alcançáveis por meio de uma variável apenas.

É por isso que considero excessiva e demagógica a presença do ministro da educação no grupo de recepcionistas aos alunos premiados em concursos internacionais.

Acreditar que a presença do ministro da educação na comitiva de recepção aos medalhados será capaz de provocar os alunos do sistema de ensino de modo a investirem mais no trabalho para obter resultados de excelência, seria o mesmo que acreditar que os prémios de excelência do Cristiano Ronaldo catalisam a qualidade da prática dos nossos jovens futebolistas.

Já nos bastou um Sócrates populista!…

A náusea da autoflagelação.

Têm de se alterar os programas de ensino para lhes retirar a ideologia pedagógica das competências, fazendo regressar os programas à sua essência que são os conteúdos. (Maria do Carmo Vieira, professora de português do ensino secundário, na SICN)

Estou cada vez mais convencido de que os anti-eduqueses andam emaranhados na sua oratória. A fantasmagoria do eduquês ofusca-lhes o raciocínio.

Qualquer programa nacional é uma mera orientação, um referencial de temas e de conteúdos de aprendizagem que guiam o ensino do professor. Ele é tão prescritivo quanto as escolas e os professores o desejarem. Ao invés de procurar razões endógenas para a incapacidade de se desconstruir os programas nacionais nos órgãos colegiais dentro da escola situada, os professores deviam evitar a autoflagelação em público com a argumentação, demasiado pobre e desqualificante da sua condição de intelectuais livres, de que a culpa, a busca continuada da culpa, é sempre do outro, do centralismo do ME ou… da ideologia pedagógica das competências. A culpa, este sentimento de culpa irracional, parece ser a fonte da letargia. Mas há uma saída, meus caros. Ao invés de buscarem o indulto pela inércia do trabalho de equipa no modo como se manuseiam os programas sejam audazes!

Gato escondido com rabo de fora

Acabei por consegui o título original deste texto, que me foi enviado por um amigo, escrito por Licínio Lima para a Página da Educação. Se o tivesse de titular, parafraseava o autor: “o verdadeiro "eduquês" (é gato escondido com rabo de fora porque) provém, hoje, da economia e da gestão, universos que tomaram conta do debate educacional e da produção de políticas.”

O «anti-eduquês» como ideologia pedagógica

Não é fácil chegar à compreensão do que é o "eduquês". Trata-se de uma categoria discursiva atribuída a um antigo ministro da educação, para quem o termo designaria um certo tipo de linguagem esotérica sobre a educação. O termo foi, depois, adquirindo o sentido de discurso educacional de senso comum, de estilo palavroso e vazio, de resto acompanhando o uso idêntico de categorias como o "politiquês", ou o "economês". Se é isto o "eduquês", ele está de facto presente no discurso político e no discurso jornalístico, capazes de discorrerem sobre o "ensino pré-escolar", sobre as "qualificações ao longo da vida", sobre a "aquisição de competências para competir" ou sobre a "formação para a empregabilidade".

Mais recentemente, no único texto que se dedica a uma interpretação crítica mais sistemática do "eduquês", Nuno Crato (em O "Eduquês" em Discurso Directo, Lisboa, Gradiva, 2006) opõe, "de um lado", pessoas e ideias que considera terem um "papel dominante na política educativa" e, "do outro lado", uma "opinião pública difusa" que intuitivamente sabe que a situação crítica da educação portuguesa se deve, segundo ele, à acção dos "teóricos da pedagogia dita moderna". Uma tal tese seria muito estimulante, se fosse confirmada, o que não é o caso.

Ainda que no início do seu texto o autor seja cauteloso e evite generalizações, que aliás lhe retirariam credibilidade, a verdade é que ao longo do livro estes cuidados iniciais vão desaparecendo, do que resulta, com intenção ou sem ela, uma crítica generalizada ao pensamento educacional e à investigação portuguesa. Não que estes não devam ser objecto de crítica, mas não nestes termos. É como se para criticar uma corrente pedagógica, ou sociológica, ou um mau trabalho, se optasse por um ataque às respectivas disciplinas e comunidades.

No entanto, a metodologia adoptada pelo autor não autoriza tais críticas. Desde logo porque é duvidoso que existam apenas os dois "lados" referidos. Pela minha parte não hesitaria em criticar tanto o "eduquês" quanto o "anti-eduquês", que considero igualmente ideológicos e orientados mais para o convencimento do que para a compreensão crítica e a argumentação.

Em segundo lugar, Nuno Crato procede a um crítica algo insular, centrando-se mais em questões didácticas e de teoria da aprendizagem que, embora relevantes, tendem a desprezar as matérias de pensamento educacional e, especialmente, de políticas de educação. Por último, quase sempre se desprezam as críticas teóricas e empíricas sustentadas, produzidas no âmbito da investigação em educação, que do interior do campo mais cedo, e de forma mais contundente, se abateram sobre aspectos criticados pelo autor (por exemplo o pedagogismo). O problema é que as ciências sociais e humanas não são redutíveis a um "paradigma", o que significa que as maiores críticas a uma dada escola ou corrente provêm, quase sempre, do interior da respectiva área de saber. Não há, portanto, "uma" Pedagogia, e raramente existem apenas dois "lados" em educação, o que torna difícil a emergência de uma "ideologia pedagógica dominante" a partir de critérios académicos, ou de académicos com tamanha influência política. A fragmentação do campo e as controvérsias entre escolas são a situação normal, não o inverso. Era, portanto, necessário que fosse analisado o processo através do qual uma dada corrente se tornou politicamente dominante, a acreditar no autor, mas isso é o que ele não faz, até porque tende a naturalizar o sistema educativo e as escolas, despolitizando assim as próprias teorias que critica. Pode, por isso, integrar sob a designação de "eduquês", autores, obras e trechos claramente divergentes, não compreendendo as diferenças. Afirma, de resto, por mais do que uma vez, que é "difícil perceber" certos excertos que, cirurgicamente, seleccionou. É passível que alguns façam mesmo pouco sentido ou que sejam amplamente criticáveis. É porém plausível que o autor não domine sempre o código nem a cultura académica de certas áreas, do que há aliás muitos indícios (por exemplo a autoridade, por definição, não é possível de imposição, mas de consentimento, segundo a conceptualização weberiana). Surpreendente seria que o autor dominasse os conceitos das ciências sociais, não obstante o esforço de interpretação que, é justo reconhecer, revela no seu trabalho. Será, porém, suficiente? A invocação de Antonio Gramsci, então, daria motivos para grandes interrogações.

É bom que se compreenda que o "anti-eduquês" é, igualmente, uma ideologia pedagógica. As críticas produzidas são igualmente de senso comum, sem argumentação sólida em termos teóricos e empíricos. Reactualizam-se agendas políticas de há muito conhecidas noutros países e esquece-se que o verdadeiro "eduquês" provém, hoje, da economia e da gestão, universos que tomaram conta do debate educacional e da produção de políticas. A ideologia pedagógica que Nuno Crato legitimamente defende lê-se claramente nas entrelinhas do seu texto e não apenas nas últimas seis páginas que dedica àquilo que "se deve adoptar em educação". Talvez um ponto de partida para um novo trabalho seu sobre pedagogia normativa. E depois são os outros que são pedagogos.

Licínio Lima

(cortesia do Tozé)

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PS: Depois de uma busca menos apressada, encontrei o texto de Licínio Lima nos arquivos da Página da Educação)

De que modo o “eduquês” ampara o “anti-eduquês” Nuno Crato?

Quem lê e acompanha a blogosfera docente notou o efeito Nuno Crato sobre as expectativas dos professores. Ao eleger a purificação do ME como alvo da sua acção retórica em período pré-eleitoral, rapidamente granjeou apoios dos professores ostracizados pelas políticas dos anteriores governos. Esse capital de confiança não foi sustentado pelas ideias que defendia de forma avulsa, digo eu, ou sobre o modo como a retórica do rigor se materializava na acção política. A partilha efémera do alvo de contestação foi o denominador comum entre Nuno Crato e um conjunto alargado de professores, entre os quais não me incluo como têm notado alguns comentadores. Mas da divinização do investigador à demonização do político foi um passo muito curto e bastou apenas saber que o programa de governo omitia a trucidação do modelo de ADD socratino. Atentem como as medidas que se preconizam no programa de governo foram subalternizadas face ao modo como Nuno Crato vai resolver o problema da ADD. Reformar significa precisamente o quê?

Ora, o nó górdio da credibilidade de Nuno Crato decide-se no sentido que atribuir ao vocábulo “Reforma”. Se reformar significa destruir o anterior modelo e começar de novo, Nuno Crato retoma o capital de confiança perdido; se reformar significa recompor o anterior modelo, Nuno Crato entrará no quadro de mérito da equipa socratina que tão boas memórias nos deixou.

O paradoxo é que só o modo eduquês de resolver os problemas poderá salvar Nuno Crato do descrédito. Se não fosse trágico, pelo desgaste que provoca, até daria para rir.

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PS (salvo-seja): Este eduquês a que me refiro deve ser entendido no sentido que lhe é atribuído por Licínio Lima: um discurso educacional de senso comum, de estilo palavroso e vazio. A Reforma da ADD do PSD ajusta-se perfeitamente a este conceito.

Querem ver que mora um “eduquês” em cada um de nós?…

“Um bom professor, tal como uma boa escola, é aquele que consegue contrariar o determinismo sociológico do estatuto socioeconómico familiar pela qualidade do seu ensino, pela forma como potencia as aprendizagens, pelas expectativas que consegue criar e pelas capacidades que consegue desenvolver nos alunos. Por isso dá tanto trabalho ser professor!” David Justino, Difícil é Educá-los, p. 92

Hummm… e como se avalia essa qualidade de ensino que contraria o determinismo sociológico do estatuto socioeconómico familiar?

Se isto não é eduquês, que se cale este blogue até ao próximo amanhecer 😉

Uma mão lava a outra.

Veiga Simão lamenta destino da avaliação de desempenho dos professores

O ex-ministro da Educação José Veiga Simão, que esta quarta-feira, recebe o doutoramento honoris causa pelo ISCTE, uma das várias instituições de Ensino Superior que criou, lamenta que a avaliação dos professores tenha acabado revogada na Assembleia da República.

[…]

O elogio de Veiga Simão vai estar a cargo de Maria de Lurdes Rodrigues, uma ministra que afirma ter tentado introduzir reformas com “grande seriedade”, apesar de polémicas.

“Alvíssaras” para quem revelar uma ideia do PSD sobre “educação”.

Excluindo as razões que perpassam o sobrenatural, do domínio do religioso, não há motivos para crer na capacidade do PSD para estancar o avanço das políticas educativas neoliberais protagonizadas pelo PS. Não se conhece uma ideia, um mero compromisso do PSD para a educação.

É por isso descabido pensar que a queda (pré)anunciada de JSócrates significará o fim da ADD, o óbito do modelo de gestão escolar, a inversão de um movimento que transforme os mega-agrupamentos em escolas de proximidade de média e pequena dimensão, o fim de uma governança subjugada às estatísticas.

Como eu gostava de estar redondamente enganado, Ramiro: com este PSD, com este PSD mudo e oportunisticamente quedo, dificilmente são criadas condições para travar o actual modelo de avaliação de desempenho.

Testes PISA – vitória do “eduquês”

Nuno Crato é um fervoroso defensor dos testes PISA. Como destaquei aqui, Nuno Crato considera que só através das comparações internacionais, TIMSS e PISA, é possível saber onde fica o norte do eduquês.

Haverá maior ironia que esta? Ver um Matemático enredado nos números à procura de um norte para as suas crenças?

Desengane-se quem pensa que regozijo com as contradições dos especialistas do rigor e do mérito. Nem os testes PISA  permitem estabelecer um nexo causal entre as políticas educativas e os resultados dos alunos, como o fez demagogicamente José Sócrates,  (porque os efeitos das políticas, em educação, devem ser aferidos a médio e a longo prazo); nem os estudos promovidos pela OCDE são neutros.

PIB, Educação e PISA, reduzidos numa folha de Excel

Retorno_Express2_25_7_10 No caderno de economia do Expresso, nas páginas centrais, o jornalista João Silvestre desafia-nos a olhar para a “coisa” educativa através da lente do “economês”. Os professores do ISEG, António Afonso, João César das Neves e, claro, Nuno Crato, são as estrelas da companhia. Pelo meio ainda é citado Miguel St. Aubyn, um investigador do papel do capital humano na economia portuguesa. Qual é a tese? A tese do costume: sabendo que um olhar sobre a realidade educativa a partir dos números, da quantidade de educação, de escolaridade básica ou da média de anos de escolaridade da população, é uma visão redutora que pode originar erros de análise; importa, por isso, colocar a tónica na qualidade em vez da quantidade. O que, segundo Nuno Crato, só através das comparações internacionais, TIMSS e PISA, é possível saber onde fica o norte do eduquês (isto sou eu a deduzir das palavras, e do pensamento escrito, do excelso especialista).

Sem qualquer preocupação jornalística pelo contraditório, João Silvestre apoia-se nas opiniões das referidas sumidades para afirmar que “Portugal gasta o mesmo que outros países em educação mas tem piores resultados.” Que resultados? Pergunta um incauto, como eu. Resultados na literacia matemática e acessoriamente nas literacias de leitura e científica. É nesta parte do texto que emerge a referência a um estudo científico (um artigo publicado no Banco Central Europeu… creio que é a universidade mais creditada na investigação educativa), assinado por Miguel St. Aubyn e António Afonso em 2005, onde os autores concluíam que, com os recursos utilizados, seria possível produzir mais 16% no ensino secundário. E para não pensarem que se trata de números atirados ao acaso só para impressionar, há um relatório da OCDE (Education at a Glance, de 2009) que atesta o seguinte: o Estado português gastou 5.3% do PIB em educação, em linha com a média dos países da OCDE, mas teve um retorno menor quando medido pelos conhecimentos. E é neste plano da eficiente utilização dos recursos que há mais problemas, dirão os pretensos relatores do documento.

Retorno_Express1_25_7_10Atente-se à precisão destes números e a complexidade das relações causais* o que contrasta com a criticada visão redutora de olhar apenas para o número de anos de escolaridade para se inferir a rendibilidade do ensino português.

Na ausência de um quadro de referência que abarque o conhecimento significativo que seria desejável um jovem conhecer, permitam-me a redundância, não encontro razões substantivas para aceitar que umas bojardas pretensamente científicas reduzam a complexidade dos problemas educativos a uma folha de Excel.

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* Um dos factores que explicam a existência de alguma ineficiência na utilização dos recursos, por exemplo, no ensino secundário, tem a ver com a própria formação dos pais dos alunos (…) refere António Afonso.

Se a condicionante-chave é a formação dos pais do aluno, o problema dos resultados encontra-se fora da escola. Para o bem e para o mal, não martirizem as escolas e os professores por algo que os transcendem.

Um novo linguajar…

Objectivos mínimos…

Competências básicas…

Metas de aprendizagem

A epistemologia e a didáctica encarregar-se-ão de descobrir, com subtileza, todas as diferenças. Na escola situada, como sempre, os professores desconstruirão esse emaranhado e aguardarão por novo linguajar.

Quero acreditar, porque sou muito crente, que um burocrata perceberá, uma dia, quão inócuas são as “reformas” de papel.

Valente(s) a provedor(es) para a qualidade do ensino, já!

VO(para ler, clicar na imagem)

aqui fizera referência à esotérica intervenção de Valente de Oliveira (VO) no programa televisivo “Plano Inclinado”. Hoje, o seu homónimo Guilherme publica um texto no Público que designou “O princípio do fim do eduquês?” que é uma pretensa resposta a um artigo escrito no mesmo jornal pelo professor Daniel Sampaio no qual se regozija por ter encontrado um novo aliado para a sua luta contra um inimigo sem rosto – o eduquês.

Esta batalha protagonizada por Valente de Oliveira e outros teóricos “cratezes” atinge contornos surrealistas, porque estes intelectuais se deixaram enredar numa teia de conceitos e pré conceitos avulsos, que denunciam um problema: a qualidade no (sistema de) ensino, ou a falta dela.

Como se trata de uma lógica maniqueísta, basta dizer que uma determinada ideia de escola é promotora do facilitismo para se atribuir ao criador, inquisitoriamente, o epíteto de eduquês. O problema é que a cartilha é liberal ao ponto de se poder virar o feitiço contra o feiticeiro e o algoz acabar por se transformar, num ápice, na própria vítima, a não ser que exista uma consonância absoluta entre os auto-designados anti-eduqueses.

Quantas características de um mau ensino e de uma má escola são aceitáveis para nos livrarmos desse epíteto?

Será que eu, porque considero os exames nacionais uma falácia, não só por razões que se prendem com a fiabilidade dos mesmos mas também por considerar que os exames enformam e deformam o ensino (porque não garantem aprendizagens duradoiras e significativas), posso ser apelidado de eduquês?

Mas é um facto que sempre estive, e não me faltam evidências para o demonstrar, ao lado dos professores, logo, promovo condições para um ensino de qualidade. Será que esta característica me deve transportar para o purgatório dos anti-eduqueses?

Bem… o melhor é eleger Valente de Oliveira a provedor do anti-eduquês e esperar que ele me absolva! Valha-me Deus…

Adenda: Agradeço ao Paulo Prudêncio a chamada de atenção (cf. caixa de comentários). Confundi os dois Valentes embora, coincidência ou talvez não, os dois façam parte da escola “anti-eduquesa”. Meia culpa pelo erro e, em vez de um, proponho dois provedores do anti-eduquês. Irei modificar o título deste texto mantendo o conteúdo do mesmo.

Escola Cultural

O Ramiro vê na Escola Cultural uma resposta  para combater (alguns d)os problemas com que flagelam a escola contemporânea. Nesta temática andamos no mesmo azimute.

Hoje o Ramiro escreveu sobre o eduquês e decidi provocá-lo:
(Ramiro) Sei que és um “adepto” da Escola Cultural. Como é que respondes àqueles que não encontram diferenças entre esse paradigma de escola e o que designas de eduquês?

Abriu a época da asneira da grossa

Não resisti à chamada de atenção do Zé Manel e passei pelo Blasfémias. Não posso assegurar que a mesma vacuidade argumentativa se estenda a outros assuntos. Mas no que diz respeito aos assuntos da educação, não sei não.

Se tiver algum sentido de humor e se se quiser entreter com “bitaitada”, não deixe de passar por lá. O problema é que se o fizerem em massa ainda colocam em risco a liderança de visitas no WordPress do PGuinote. 😉