Auto-avaliar – o sexo dos anjos

A auto-avaliação do desempenho docente é um exercício crítico, reflexivo, que visa conduzir o avaliado a um estado superior de análise do valor real do seu produto de trabalho. Sendo a actividade docente uma actividade com uma carga inquantificável de trabalho invisível, há um risco elevado de existir um desfasamento entre o valor do trabalho calculado pelo avaliado e o valor que é estabelecido pelo avaliador.

Ora, quando o avaliador é incapaz de definir e mensurar o trabalho do avaliado, dada a natureza “invisível” do produto e processo desse trabalho, não é conceptualmente possível classificar como inválida a auto-avaliação de um docente.

Desafia-nos o Paulo Prudêncio a dizer, com coerência, o que se auto-avalia. Direi, seguindo a linha de raciocínio que discorri atrás (admitamos que é relativista q.b), que tudo e nada pode ser objecto de auto-avaliação: a auto-avaliação é relevante para o auto-avaliado e risível para o avaliador.

Se a minha auto-avaliação só diz respeito a mim próprio, por que carga de água há-de alguém esconder-se por detrás desta engenharia da tecnocracia a atiçar, imerecidamente, tanto alarido?