Arquivos mensais: Agosto 2012

Desvalorização do saber – Paradoxos

Lisboa, 29 ago (Lusa) – O Ministério da Educação admitiu hoje estar a preparar novas ofertas de ensino, entre as quais cursos de ensino vocacional, que poderão ser frequentados por opção, dos alunos ou encarregados de educação, ou como resultado do desempenho escolar.
Ler mais: http://visao.sapo.pt/educacao-governo-prepara-novos-cursos-de-ensino-vocacional-para-dar-mais-oportunidades-a-alunos=f683336#ixzz24vkPaV8d

É intolerável o modo como o governo e o seu MEC trata as disciplinas “não fundamentais”, os cursos profissionais como segunda oportunidade, a escola dos coitadinhos, só justificável à luz de uma visão reacionária de educação.

Atentem ao paradoxo da eficiência e do rigor, que nos é relembrado todos os dias: por que são anunciados novos cursos vocacionais a 15 dias do início do ano escolar? De que serve um anúncio tão precoce? Ou será que estão a pensar implementar estas novas experiências já este ano letivo, depois das turmas constituídas?

Mas o que é grave é o facto de não existir uma estratégia de valorização do saber ao longo da vida. Como se o saber profissional dispensasse uma atitude permanente de valorização do conhecimento.

Chico espertismo…

‘Desapareceram’ 135 mil filhos das declarações de IRS em dois anos

Bastava um pequeno cruzamento de dados para separar o trigo do joio.

Rabos-de-palha

Por alegadas razões ideológicas, como atestam estas declarações da ministra da agricultura no caso do pavilhão atlântico, estão a ser delapidados bens do Estado. A RTP, por proposta de um inenarrável conselheiro do governo, vai ser liquidada! Os responsáveis políticos pelos prejuízos da estação pública, que de forma criteriosa escolheram as administrações, vêm agora apontar uma solução esotérica.

Concessão da RTP é “muito atraente para potencial comprador”

Chegou o tempo de acabar com a inimputabilidade civil por decisões políticas danosas…

Não pedes pouco, não!…

O governo quer que 50% dos jovens do ensino secundário escolham o ensino profissional. É esse o seu objetivo já para este ano.

Como é que o governo vai aliciar os jovens a escolher o ensino profissional? Alegando que o país precisa? Prometendo empregos que ninguém pode garantir? Colocando entraves de natureza administrativa para que as escolas limitem a oferta dos cursos orientados para o prosseguimento de estudos?…

Que empregos fazem sentido para o país? Será possível confiar no sistema de qualificação profissional dos nossos jovens? Ou será que assistiremos a uma mudança de paradigma dos cursos profissionais? Pode o governo garantir que esta repentina aposta na formação de nível secundário não faz parte do projeto “troikiano” de rebaixamento salarial dos portugueses (presumindo-se que, em regra, os licenciados com emprego conseguem salários mais altos)?

Sei que são perguntas excessivas para final de período balnear… mas há que promover sinapses de neurónios “encarquilhados”.

Se houvesse coerência…

… Nuno Crato apressar-se-ia a lastimar o desempenho das nossas melhores universidades.

 A Universidade do Porto, a Técnica de Lisboa e a Clássica encontram-se entre as 500 melhores universidades de todo mundo, num ranking mundial que seleccionou mais de 1.200 instituições de ensino superior.

No rescaldo da participação olímpica, “O secretário de Estado Alexandre Mestre adiantou que o Governo quer «premiar o mérito» e assegurou que «já houve mudanças ao nível dos critérios de comparticipação financeira»”. Estar entre os vinte melhores do mundo é muito mau. Mas estar entre os 500 melhores do mundo pode ser muito bom. Desde que seja numa área estruturante.

Haja paciência!

Uma no cravo e outra na ferradura

O Paulo, que não perde uma oportunidade para molhar na sopa, consegue fazer de um ato de contrição (e ia tão bem lançado) um contra-ataque aos críticos apriorísticos do cratês. Se estivéssemos no nicho do futebolês diria que a estratégia é bem conhecida aqui pelos lados do dragão: É que não há memória de ver um andrade reconhecer um erro, de estimativa ou de facto, e se porventura esse quiproquó não puder ser mais disfarçado, então há que aproveitar para reunir as tropas numa cruzada contra os mouros. E não é que o truque resulta sempre?!

Só não percebi por que razão é que o Paulo pensa que tem maior legitimidade para fazer as críticas que faz ao Nuno Crato. Claro que o problema é meu porque embirro com o Paulo e raramente lhe reconheço uma virtude.

Estudo endereçado ao ministro Crato

Não encontrei o registo no Público online (1). Com recursos muito limitados, produzi a imagem que se segue de uma notícia que nos dá conta dos resultados de um estudo longitudinal realizado pela FMH e que tem como destinatário especial o ministro da educação.

Não deixa de ser preocupante a desinformação do MEC, que mente descaradamente, ao declarar ao jornal que os alunos do secundário podem escolher a nota de Educação Física para efeitos de média de acesso ao ensino superior. Percebo a dificuldade em explicar essa decisão, mas haja decoro!

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Adenda: Foi disponibilizada ao final da tarde, aqui: http://www.publico.pt/Sociedade/alunos-que-fazem-mais-exercicio-fisico-tem-melhores-resultados-escolares-1558459?p=1