Arquivos mensais: Abril 2012

Alunos e docentes a monte… e aos montes

Artigo 48º

Administração e gestão dos estabelecimentos de educação e ensino

 3 – Na administração e gestão dos estabelecimentos de educação e ensino devem prevalecer critérios de natureza pedagógica e científica sobre critérios de natureza administrativa.

(LEI DE BASES DO SISTEMA EDUCATIVO – Lei Nº 46/1986, de 14 de Outubro)

Lema que devia vincular todos os econometristas do MEC.

Haja luz!

Há algum tempo que não compro jornais. Há já algum tempo que deixei de contribuir com a minha guita para a farsa em que se transformou a imprensa publicada, salvo as raras exceções em que adquiro um jornal depois de bem conferido o seu conteúdo na banca. Sinto nojo daquele jornalismo servil do statu quo que se encrosta ao poder, pouco importa se o faz para sobreviver ou se o faz para crescer. Por isso vou acompanhando as últimas notícias pela net e os artigos de opinião que valem a pena acabam por ser divulgados na blogosfera, porque os bloggers não dormem…

Hoje li no Aventar um excerto de um texto que merece ser divulgado na blogosfera. É admirável ver um político profissional compreender o óbvio.

Fala Pacheco

Publicado a 28/04/2012 por João José Cardoso

“Quando ouço falar do “festim do crédito”, quem é que é responsável pelo “festim”? Quem deu a festa para recolher lucros, ou participou nela para ter vida mais fácil? A resposta justa é: pelo menos os dois. A injustiça da resposta é que só um aparece como “culpado” do “festim”, e só um lhe paga os custos. E se falarmos mesmo dos muitos milhares de milhões que constituem a dívida nacional, que hoje é apontada como um fardo moral para os pobres que “viveram acima das suas posses”, com esse plural majestático do “nós”, em “nós vivemos acima das nossas posses”, eles não foram certamente para o bolso das pessoas comuns que hoje lhes pagam o custo. Não foram os pobres, nem os funcionários públicos, nem a classe média baixa que fez as PPP. O discurso do poder é todo feito para culpabilizar os de baixo, enquanto quase pede desculpa para moderar um pouco os de cima. A resposta dos de baixo é uma rasoira populista e igualitária, que também não promete nada de bom para o futuro.

Há uns imbecis que dizem que falar assim é falar como o Bloco de Esquerda. Não, falar assim é falar como deveriam falar todos aqueles que não vêem a realidade com os olhos do poder e das ideias da moda, e que se esforçam por perceber o sentido último da política em democracia: as pessoas só têm uma vida, e, estragada essa vida, não há outra. É laica a política em democracia, vive da vida terrestre não da vida celeste. E se isso não é a pulsão da política em democracia, o bem comum e concreto das pessoas, então a democracia não sobrevive. Não tenho feitio para Catão, e tudo o que aqui é dito é mais que moderado e devia ser, se não andássemos todos virados para as explicações simplistas e para os slogans dicotómicos dos blogues, sensato. Aliás, a grande traição do PSD, do PS e do CDS é terem deitado fora, ofuscados pelo poder, todas as raízes humanistas, sociais, liberais, e cristãs, do seu pensamento e, pior ainda, do seu “sentimento”.

Autogestão

Esta relíquia apareceu solteira.  Que pena! Preferia vê-la casada com um tinto de Évora…. ou do Douro, apesar da hora matinal.

Gosto da ideia da autogestão em ambientes cooperativos… 😉

E Depois do Adeus

Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente
Um velho cravo para mim

Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto de jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Canta primavera, pá

Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim

Chico Buarque

(retirado daqui)

Silêncio comprometedor

No final da reportagem, no Repórter TVI desta segunda-feira, no «Jornal das 8»,a jornalista declarou que o Ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, e o secretário de estado da educação recusaram prestar declarações. Percebo o desconforto de quem olha para os professores como meros assalariados públicos e bens descartáveis de “unidades orgânicas” disfarçadas de escolas. Também percebo a falta de comparência. De facto, é cada vez mais difícil fundamentar a relevância social da profissão professor com medidas políticas que depauperam o seu estatuto.

Maria de Lurdes não fazia melhor!

Banho-maria

 Oliver Clerc, o escritor e filósofo, nesta sua breve história, põe em evidência as funestas consequências da não consciência da mudança que afeta a nossa saúde, as nossas relações, a evolução social e o ambiente.

A rã desta história não sabia que estava a ser cozida.

Imagine uma panela cheia de água fria na qual uma pequena e inocente  rã nada tranquilamente.

Uma pequena fonte de calor é colocada debaixo da panela. A água vai aquecendo lentamente.

Pouco a pouco a água vai ficando morna. A rã acha isso bastante agradável e continua a nadar.

A temperatura da água porém  continua a subir.

Agora a água  já está quente demais para a rã poder desfrutar e nadar tranquilamente.  Sente-se um pouco cansada mas, não obstante isso, não se amedronta.

Finalmente a água está realmente quente. A rã acha isso bastante desagradável, mas já está muito debilitada e por isso aguenta e não faz nada.

A temperatura continua a subir até que a rã morre cozida!!!

Se a rã tivesse sido atirada para a água, com ela já  quente, a pelo menos 50 graus de temperatura, ela a rã,  com um golpe de pernas teria saltado para fora da água.

Esta situação vem provar que, quando uma mudança acontece muito lentamente, escapa à nossa consciência e não desperta na maioria dos casos qualquer reação, revolta ou oposição da nossa parte…

Articulação curricular ou perda de autonomia docente?

Será desta que o MEC vai dar o exemplo na tão ambicionada articulação curricular? Ou a ideia é condicionar ainda mais o espaço de liberdade dos professores e das escolas na abordagem aos programas das diferentes áreas disciplinares?

Foi criado mais um grupo de trabalho cuja missão principal é a definição das Metas Curriculares. O objetivo deste grupo é a identificação de forma clara: dos conteúdos fundamentais que devem ser ensinados aos alunos; A ordenação sequencial ou hierárquica dos conteúdos ao longo das várias etapas de escolaridade; Os conhecimentos e capacidades a adquirir e a desenvolver pelos alunos.