Arquivos mensais: Maio 2009

zapping

[desta vez como não titular, quero associar-me à extraordinária manifestação de professores… é uma espécie de trabalho de casa sofrível]

Com algumas intermitências ainda consegui acompanhar a cobertura televisiva da “Manifestação do Adeus”. Fiz zapping qb para avaliar o tratamento jornalístico que foi concedido ao evento. A SIC N foi o canal televisivo que mais tempo lhe dedicou, seguido da TVi 24 e da RTP N. Os canais generalistas mantiveram as suas programações sem qualquer corte. A SIC N transmitiu em directo o discurso integral de Mário Nogueira introduzindo inúmeras peças jornalísticas que contextualizaram a acção reivindicativa dos professores. Muito bem. A TVi 24 actualizava as informações sobre a manifestação de hora a hora embora com um tempo de emissão bastante reduzido, no máximo 5 minutos de tempo de antena. A RTP N era ainda mais restritiva do que a TVi 24 quase que deixando passar despercebido o evento. Após o desfecho da “Manifestação do Adeus”, a SIC N passou em directo para o comício do PS em Braga onde José Sócrates parecia aguardar a chegada da antena. Foi interessante verificar que José Sócrates acusou a farpa que Mário Nogueira lhe lançara do palanque  (o não voto no PS) e reconheceu que estivera a acompanhar os acontecimentos pela televisão. Nesta curta reacção, Sócrates repetiu os chavões do costume acerca da obra feita pelo seu governo e insistiu que há sindicatos que são instrumentalizados e que funcionam como correia de transmissão de partido, dizendo mesmo que há sindicalistas com maior interesse pelas eleições do que pelos seus sindicalizados. Quem não reagiu à manifestação, como seria de esperar, foi Maria de Lurdes Rodrigues. Fez uma curta declaração e disse mais do mesmo: que os professores têm o direito de se manifestar e que o governo deve continuar com as suas políticas.

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Intermitência

Há gente que busca a desobriga na manifestação. Há gente que carecia deste momento para se reencontrar. Há gente que não arrisca perder-se. Não sendo um apreciador de canonizações, venham elas como vierem travestidas, considero que o alcance desta liturgia deve ser sempre situado. E claro, todos devem procurar um resguardo na faixa referenciada pelo Paulo Prudêncio, aqui.

Regressarei à blogosfera na próxima segunda-feira.

Apelo

Maio_Manif_256x3631) Este governo desfigurou a escola pública. O modelo de avaliação docente que tentou implementar é uma fraude que só prejudica alunos, pais e professores. Partir a carreira docente em duas, de uma forma arbitrária e injusta, só teve uma motivação economicista, e promove o individualismo em vez do trabalho em equipa. A imposição dos directores burocratiza o ensino e diminui a democracia. Em nome da pacificação das escolas e de um ensino de qualidade, é urgente revogar estas medidas.

2) Os professores e as professoras já mostraram que recusam estas políticas. 8 de Março, 8 de Novembro, 15 de Novembro, duas greves massivas, são momentos que não se esquecem e que despertaram o país. Os professores e as professoras deixaram bem claro que não se deixam intimidar e que não sacrificam a qualidade da escola pública.
3) Num momento de eleições, em que se debatem as escolhas para o país e para a Europa, em que todos devem assumir os seus compromissos, os professores têm uma palavra a dizer. O governo quis cantar vitória mas é a educação que está a perder. Os professores e as professoras não aceitam a arrogância e não desistem desta luta: sair à rua em força é arriscar um futuro diferente. Saír à rua, todos juntos outra vez, é o que teme o governo e é do que a escola pública precisa. Por isso, encontramo-nos no próximo sábado.

Subscrevem:

Os blogues: A Educação do Meu Umbigo (Paulo Guinote), ProfAvaliação (Ramiro Marques), Correntes (Paulo Prudêncio), (Re)Flexões (Francisco Santos), Educação SA (Reitor), O Estado da Educação (Mário Carneiro), Professores Lusos (Ricardo M.), Outròólhar (Miguel Pinto)

Os movimentos: APEDE (Associação de Professores em Defesa do Ensino), MUP (Movimento Mobilização e Unidade dos Professores), PROmova (Movimento de Valorização dos Professores), MEP (Movimento Escola Pública), CDEP (Comissão em Defesa da Escola Pública)

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Nota: Por motivos pessoais inadiáveis não poderei cumprir o dever e o desejo de participar na manifestação de 30 de Maio. Resta-me estar solidário com  quem dará o corpo ao manifesto por uma luta que é de todos.

A minha (página) é maior que a tua

concursoTempo de luta, tempo de controvérsia. Quem segue as aventuras do Ramiro na rede, como eu sigo, entende a sua insatisfação pelo facto dos sindicatos apostarem muito pouco na Web2.0. Mas não o acompanho quando ele decide ressuscitar o fantasma do esmorecimento da Plataforma pelas acções de luta agendadas para esta semana. Não sei se todos os sindicatos da Plataforma Sindical estão completa ou parcialmente mobilizados ou mesmo nada mobilizados. O que eu sei é que a acção de um sindicato deve aferir-se na acção situada. E aí, permitam-me afunilar a lente, não notei qualquer diferença face às anteriores acções de grande impacto.

É por isso que não quero dar para o peditório de quem (des)mobiliza mais, quem grita mais alto ou quem enfeita menos. Prefiro desafiar cada activista a responder a uma pergunta: o que está a fazer na escola situada para envolver os colegas nas acções de luta propostas pela plataforma?

Espero que deixem cair os argumentos de que não têm jeito para a coisa ou que as acções de luta são erradas e que até têm uma na manga muito mais engraçada mas que ninguém quer apoiar.

Centralismo à la carte

O artigo de António Barreto (AB) enfatiza a concepção controladora e dirigista que o ME tem da escola e da sociedade, obsessão típica de um governo que apostou muito num modelo de gestão taylorista. Para comprovar a sua tese e mostrar o quão ridículo é o centralismo do ME, AB recorre a um Manual de Aplicadores que foi preparado tendo em vista a orientação dos professores nas salas onde se realizaram as provas de aferição de Português e Matemática.

O centralismo burocrático, cuja função principal é domar os professores,  é protelado sempre que se trata de contornar embaraços legais. Esta carta de alforria, que permite às escolas disporem da autonomia necessária para conter as resistências internas e usar se necessário meios mais ou menos esotéricos, é oferecida através de comunicações internas nem sempre traduzidas ao púbico.

Este paradoxo, que eu vou designar de centralismo à la carte, não foi aflorado por AB no seu artigo. E é pena porque teria pano para mangas.

Jornal de sexta-feira, na TVi – Um breve balanço da sondagem

A sondagem que realizei na entrada anterior sobre o espectáculo televisivo proporcionado pela MMGuedes e Marinho Pinto provocou um trânsito invulgar neste espaço. Cerca de 400 visitantes passaram pela entrada anterior mas só 60 responderam ao desafio.

Um comentador lamentava que o conjunto de hipóteses era muito restrito. A sondagem não permitia abarcar as opiniões de assentimento à prestação de Marinho Pinto; E quem se projectou no ajuste de contas de Marinho contra a arrogância da jornalista não respondeu. Mea culpa.

A minha hipótese favorita foi a menos votada. Mas subscreveria todas as outras hipóteses. Bastaria mudar de lente para perceber uma lógica em todas as opções de resposta e até não me importaria nada de subscrever a tese do ajuste de contas para fustigar a arrogância que campeia num tipo de jornalismo que tange a impunidade.

Já estou habituado a opiniões minoritárias, como aconteceu nas últimas eleições, e não me dei mal porque as maiorias também se equivocam. A meu ver, a entrevista foi uma não entrevista porque não informou, não esclareceu, e pelo modo como foi conduzida acabou por acentuar a inessencialidade do adorno fútil que se sobrepôs à essencialidade do sentido da entrevista.

Jornal de sexta-feira, na TVi