Será que não podem integrar os CEF’s e os EFA’s?

Politécnicos vão passar a integrar ensino profissional

Com um tiro, Crato mata dois coelhos: aumenta os despedimentos de professores na escola pública, fazendo diminuir a despesa com salários, e transfere para os privados politécnicos a formação profissional.

Diz o ministro que “os politécnicos “têm professores, instalações e conhecimentos que muitas escolas secundárias não têm”.

Com esta mesma linha de argumentação, os politécnicos poderão reclamar tudo, desde o pré-escolar ao ensino secundário. Certo?

É o cratês no seu melhor!

Esperem que depois do modelo germânico virá o chinês…

Crato chegou ao governo e ao MEC com a reputação de um cientista. Era espectável que o rigor, a racionalidade, a coerência, características fundamentais num homem de ciência, fizessem parte do código genético do “homem político” em que se transformou.

Puro engano! Crato parece aquele “aprendiz de feiticeiro” cuja mágica duplica um problema sempre que julga ter encontrado uma solução.

Crato vai a Berlim assinar acordo para reforçar ensino profissional em Portugal

À atenção dos iluminados do MEC

Quantas evidências empíricas serão necessárias para convencer pseudocientistas com responsabilidades governativas que a redução da carga horária da disciplina de Educação Física é nefasta ao desenvolvimento integral das nossas crianças e jovens?

Atividade física ajuda crianças com déficit de atenção e hiperatividade

(Estudo publicado no “Journal of Pediatrics”)

As crianças com déficit de atenção e hiperatividade têm um melhor desempenho escolar após a prática de 20 minutos de atividade de física, sugere um estudo publicado no “Journal of Pediatrics”.

Apesar de a maioria dos atuais tratamentos para o déficit de atenção e hiperatividade ter sucesso, muitos pais e médicos estão preocupados com os possíveis efeitos secundários dos mesmos, estando também os gastos com a medicação a aumentar.

Assim, este estudo mostra que a prática de exercício físico pode ser considerada uma ferramenta não farmacológica importante para este tipo de transtorno, a qual deveria ser recomendada pelos psicólogos. (continuar a ler)

À atenção de Nuno Crato

Declaração do Parlamento Europeu – Apoio reforçado da União Europeia aos desportos de base

A Declaração que a seguir se apresenta é proveniente do Parlamento Europeu, de 16 de Dezembro de 2010, e indica algumas das medidas que deverão ser tomada para um apoio reforçado da União Europeia aos desportos de base.

O Parlamento Europeu ,

–  Tendo em conta o artigo 165.º do TFUE,

–  Tendo em conta o artigo 123.º do seu Regimento,

A.  Considerando que o desporto passou a fazer parte das competências da UE,

B.  Considerando que o desporto representa um importante factor de coesão social e contribui para a realização de numerosos objectivos políticos, tais como a promoção da saúde, a educação, a integração social, a luta contra a discriminação, a cultura, e ainda a redução da criminalidade e a luta contra a toxicodependência,

C.  Considerando que a grande maioria dos europeus praticantes de desporto e de uma actividade física recreativa o fazem no âmbito do desporto de base,

D.  Considerando que a crise económica e a pressão sobre a despesa pública poderão ter consequências graves para o financiamento do desporto de base,

1.  Convida a Comissão e os Estados­Membros a promoverem o desporto para todos, reforçando o papel educativo e integrador do desporto e dedicando especial atenção aos grupos sub-representados, tais como as mulheres, os idosos e as pessoas com deficiência;

2.  Convida os Estados­Membros a garantirem que o desporto de base não seja afectado por reduções orçamentais drásticas em períodos de crise;

3.  Convida a Comissão a dedicar a atenção necessária ao desporto de base na próxima comunicação sobre o desporto, bem como a garantir um financiamento suficiente do programa da UE para o desporto a partir de 2012;

4.  Solicita à Comissão que tome em devida conta os resultados do estudo sobre o financiamento do desporto de base, no que diz respeito a uma eventual iniciativa da UE sobre os jogos de fortuna ou azar;

5.  Encarrega o seu Presidente de transmitir a presente declaração, com a indicação do nome dos respectivos signatários(1) , à Comissão e aos parlamentos dos Estados­Membros.

in: http://cnapef.wordpress.com/2012/10/21/declaracao-do-parlamento-europeu-apoio-reforcado-da-uniao-europeia-aos-desportos-de-base/

Não chega de lamber as botas?

Percebe-se melhor, depois de conhecida a boleia, o ziguezaguear do Cata-vento.

Hoje verborreia sobre o crime de lesa-pátria que foi o crescimento do grupo de Educação Física usando como argumento, o financeiro. Diz ele que fica caro. Diz também que o desporto deve fazer-se sobretudo nas associações e clubes desportivos. Defende que o Estado deve lavar as suas mãos nesta matéria…

150 minutos por semana chegam, diz lá do alto da sua cátedra o sabichão. Presume-se que a OMS, o Parlamento Europeu e os especialistas da área estejam todos enganados.

Lá pelo meio do texto ainda opina sobre a falácia que resulta do facto da classificação de Educação deixar de contar para a contabilização da média aos alunos que prosseguem estudos no ensino superior. O argumento é pobre, pobrezinho de todo. Parece que há alunos prejudicados porque têm notas baixas a Educação Física. “Não me parece que os alunos devam ser prejudicados na média por causa de não terem gosto nem aptidão pela Educação Física.” O professor José Soares já desmontou aqui o argumento biológico, mas o tipo faz ouvidos de mercador…

E a cereja em cima do bolo aparece no remate. Parece que corporalidade não é estruturante. Estruturante é superstição, não é Ramiro?

Cata-vento

É cada vez mais difícil de classificar a metamorfose do Ramiro sem roçar o insulto. Mas, convenhamos: por cada incoerência e titubearia ideológica, o Ramiro dá um coice na inteligência de quem o lê. Tentar encontrar uma razão substantiva que justifique a sua fidelização insaciável e sôfrega por tudo o que o MEC expele é cada vez mais uma perda de tempo. Mas desta vez o Ramiro ultrapassou os limites. Claro que só não mudam de opinião os tontos e os ignorantes. Mas não é de uma opinião passageira que se trata. Trata-se de uma mudança de quadro de referência. Para quem defendeu de forma obstinada a escola cultural, e não exagero no adjetivo, como atestam as suas intervenções nos vários colóquios da AEPEC, vir agora defender que “o Relatório Final – Proposta Global  de Reforma, um documento de 708 páginas que marcou o início da hegemonia do eduquês na Escola Pública Portuguesa” nem ao diabo lembra.

É verdade que nem tudo correu como devia. É verdade que a reforma do sistema educativo esteve imersa em paradoxos, como reconheceu Manuel Ferreira Patrício quando escreveu o “Escola Cultural – Horizonte decisivo da reforma educativa”. Mas daí a conspurcar a ideia de escola que subjaz à atual lei de bases do sistema educativo com essa coisa do eduquês vai uma grande distância.

A não ser que o Ramiro se refira a afirmações deste género, saídas da sua pena:

“É possível afirmar, portanto, que existe uma certa correlação entre uma grande diversificação curricular e diferenciação social e que um currículo comum, academicamente orientado, favorece a igualdade de oportunidades. Daí que, embora seja verdade que a livre escolha das escolas é um instrumento de pressão a favor da eficácia das escolas, também é certo que a partir de determinado limite é um fator de estratificação social. Perante esta contradição que posição poderão ter os que defendem simultaneamente o aumento da igualdade de oportunidades e a melhoria da eficácia das escolas? Estou em crer que o modelo de educação pluridimensional e da escola cultural nos permite superar esta contradição.”*

________________

*Patrício, M,F. (1997). Formar professores para a escola cultural no horizonte dos anos 2000. Porto Editora. pp 155-161.

O neoconservador Nuno Crato

Nuno Crato desejou fazer “implodir” o MEC. Houve quem conotasse esta pretensão com um impulso neoliberal de emagrecimento do Estado com a consequente transferência de mais autonomia para as escolas situadas.

Puro engano!

Nuno Crato é o arquétipo de um político neoconservador que deseja um Estado forte. E os seus impulsos neoconservadores revelam-se em coisas como:

O controlo sobre o saber legítimo, que a recente revisão curricular reduziu a duas ou três disciplinas putativamente nucleares;

A definição de metas de aprendizagem que não conseguem disfarçar o “policiamento” do trabalho dos professores cada vez mais padronizado e racionalizado, baseado numa profunda falta de confiança da tutela nas competências dos professores;

A proliferação de testes intermédios e de exames nacionais que visa, em última instância, providenciar não só o conteúdo legítimo a ser ensinado como os métodos legítimos (métodos de ensino centrados mais nos resultados e menos nos processos de aprendizagem);

A alteração das regras de organização do ano letivo que prossegue o objetivo de intensificar o trabalho dos professores (diminuindo em 110 minutos o tempo de trabalho individual semanal).

Quais as consequências desta deriva neoconservadora?

O empobrecimento da escola pública e a degradação do estatuto social do professor!

G(Cr)ato escondido com rabo de fora

É cada vez mais difícil de encontrar a linha que separa um ministro da educação de um mero sectário de matéria académica.

A jornalista Bárbara Wong chegou tarde, mas ainda bem que chegou lá…

Porque é que este ano o ministro não foi inaugurar/abrir um ano escolar?

Com medo que atirem um ovo?
Com medo que algum professor desempregado se atire para cima do carro?
Com medo dos protestos agendados pela Fenprof?
Não. O ministro não foi a qualquer escola, nem mesmo àquela onde já estava marcada a abertura do ano lectivo, na Benedita, onde estaria com o senhor primeiro-ministro, numa escola com contrato de associação, porque está ocupado. Está em Lisboa, no seu palácio das Laranjeiras (muito mais digno do que a 5 de Outubro) a receber os brilhantes alunos portugueses que participaram nas Olimpíadas internacionais da Matemática. Podia fazer o mesmo enquanto presidente da Sociedade Portuguesa da Matemática.
BW

O “cratês” como ideologia

Há cerca de um ano avancei com uma proposta de definição do cratês. Naquela altura, o cratês era apenas um modismo que se podia caracterizar pela bazófia do rigor e da excelência.

Hoje é possível ir um pouco mais longe. Além de modismo é também uma ideologia, por analogia à definição que Guilherme Valente (um mentor das ideias de Nuno Crato) atribuiu ao famigerado eduquês no seu livro “os anos devastadores do eduquês”.

O cratês pode significar também um conjunto de preconceitos e de ideias que recusam a análise crítica e racional e não aceitam submeter-se à experiência, à prova da realidade, “uma espécie de óculos que distorcem e dissimulam a realidade”, numa citação indireta a Simon Blackburn. Não deixa de ser paradoxal que Guilherme Valente acabe por facilitar o entendimento do cratês, como ideologia pseudopedagógica.

Relatório Education at a Glance

Previsões da OCDE contrariam Nuno Crato

A percentagem de alunos entre os 15 e os 19 anos vai aumentar 10% ou mais por comparação com a última década. A previsão é da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e contraria as projecções apresentadas pelo ministro Nuno Crato nos últimos dias.

100 palavras bastam!…

Li a entrevista de Nuno Crato ao Sol que o blogue Aventar partilha aqui.

Quando um ministro inepto decide aparecer e dá uma entrevista que ultrapassa as 100 palavras, por mais amigável que seja o entrevistador acaba por revelar mais a ignorância do que a sapiência.

Nuno Crato esteve remetido ao silêncio enquanto se situava no labirinto do MEC. Esta fase da governação terá durado cerca de um mês e pode ser considerado o estado de graça. Depois começou a mostrar ao que vinha sempre que mandava publicar em Diário da República. E bastou um ano! Bastou um ano para revelar que a política para a educação é meramente instrumental face a uma política mais global de definhamento dos serviços públicos. O objetivo principal é, como se verá, a transferência para os privados de funções sociais que, por enquanto, ainda estão sob a alçada do Estado.

O princípio da gratuitidade da educação obrigatória ainda não é assunto, como revela o ministro na entrevista, mas percebe-se que está aberto o caminho para as discussões que fazem parte do linguajar neoliberal e neoconservador: Regressaremos (porque é uma conversa recorrente sempre que a direita toma conta do poder) às retóricas sobre a “liberdade de escolha”, às narrativas sobre programas de cheques-ensino; sistemas de gestão privada das escolas; etc., etc.

Não irei dissecar a entrevista de Nuno Crato à procura de dissonâncias de um ministro impreparado para o cargo. O Paulo Guinote fez esse trabalho com competência aqui, aqui e aqui, o que me permite enfatizar os dois principais equívocos do cratês: considerar que as mudanças na educação fazem-se por decreto; que as mudanças significativas na qualidade das aprendizagens podem ser concretizadas sem os professores.

Política da terra queimada

No final da manhã acompanhei parte do programa opinião pública da SIC onde foi abordado o tema educação alimentar. Tirei duas breves notas:

1. Foi evidente o desconforto do convidado, um técnico nutricionista do MEC, quando interpelado com questões relacionadas com a Educação Física e Desporto Escolar. Fiquei com a ideia de que há uma guerra de tipo paroquial entre gabinetes do MEC, guerra essa que justificará parte das imbecilidades que o MEC vai impondo às escolas, em busca de um protagonismo estéril de uns sobre os outros.

2. Está a ser congeminado um programa de atividade física informal para o 2º ciclo. Informal? Valha-me Deus!

Desvalorização do saber – Paradoxos

Lisboa, 29 ago (Lusa) – O Ministério da Educação admitiu hoje estar a preparar novas ofertas de ensino, entre as quais cursos de ensino vocacional, que poderão ser frequentados por opção, dos alunos ou encarregados de educação, ou como resultado do desempenho escolar.
Ler mais: http://visao.sapo.pt/educacao-governo-prepara-novos-cursos-de-ensino-vocacional-para-dar-mais-oportunidades-a-alunos=f683336#ixzz24vkPaV8d

É intolerável o modo como o governo e o seu MEC trata as disciplinas “não fundamentais”, os cursos profissionais como segunda oportunidade, a escola dos coitadinhos, só justificável à luz de uma visão reacionária de educação.

Atentem ao paradoxo da eficiência e do rigor, que nos é relembrado todos os dias: por que são anunciados novos cursos vocacionais a 15 dias do início do ano escolar? De que serve um anúncio tão precoce? Ou será que estão a pensar implementar estas novas experiências já este ano letivo, depois das turmas constituídas?

Mas o que é grave é o facto de não existir uma estratégia de valorização do saber ao longo da vida. Como se o saber profissional dispensasse uma atitude permanente de valorização do conhecimento.

Não pedes pouco, não!…

O governo quer que 50% dos jovens do ensino secundário escolham o ensino profissional. É esse o seu objetivo já para este ano.

Como é que o governo vai aliciar os jovens a escolher o ensino profissional? Alegando que o país precisa? Prometendo empregos que ninguém pode garantir? Colocando entraves de natureza administrativa para que as escolas limitem a oferta dos cursos orientados para o prosseguimento de estudos?…

Que empregos fazem sentido para o país? Será possível confiar no sistema de qualificação profissional dos nossos jovens? Ou será que assistiremos a uma mudança de paradigma dos cursos profissionais? Pode o governo garantir que esta repentina aposta na formação de nível secundário não faz parte do projeto “troikiano” de rebaixamento salarial dos portugueses (presumindo-se que, em regra, os licenciados com emprego conseguem salários mais altos)?

Sei que são perguntas excessivas para final de período balnear… mas há que promover sinapses de neurónios “encarquilhados”.

Uma no cravo e outra na ferradura

O Paulo, que não perde uma oportunidade para molhar na sopa, consegue fazer de um ato de contrição (e ia tão bem lançado) um contra-ataque aos críticos apriorísticos do cratês. Se estivéssemos no nicho do futebolês diria que a estratégia é bem conhecida aqui pelos lados do dragão: É que não há memória de ver um andrade reconhecer um erro, de estimativa ou de facto, e se porventura esse quiproquó não puder ser mais disfarçado, então há que aproveitar para reunir as tropas numa cruzada contra os mouros. E não é que o truque resulta sempre?!

Só não percebi por que razão é que o Paulo pensa que tem maior legitimidade para fazer as críticas que faz ao Nuno Crato. Claro que o problema é meu porque embirro com o Paulo e raramente lhe reconheço uma virtude.

Estudo endereçado ao ministro Crato

Não encontrei o registo no Público online (1). Com recursos muito limitados, produzi a imagem que se segue de uma notícia que nos dá conta dos resultados de um estudo longitudinal realizado pela FMH e que tem como destinatário especial o ministro da educação.

Não deixa de ser preocupante a desinformação do MEC, que mente descaradamente, ao declarar ao jornal que os alunos do secundário podem escolher a nota de Educação Física para efeitos de média de acesso ao ensino superior. Percebo a dificuldade em explicar essa decisão, mas haja decoro!

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Adenda: Foi disponibilizada ao final da tarde, aqui: http://www.publico.pt/Sociedade/alunos-que-fazem-mais-exercicio-fisico-tem-melhores-resultados-escolares-1558459?p=1

Se pensam que já batemos no fundo…

atentem à notícia:

Hoje entram em vigor um conjunto de alterações à lei laboral, algumas das quais terão um impacto quase imediato na vida dos trabalhadores. A partir de agora, as empresas podem reduzir para metade o valor das horas extraordinárias que pagam até aqui e o mesmo acontecerá com a compensação (em tempo e dinheiro) do trabalho em dia feriado. 

O que poderá provocar uma verdadeira hecatombe no serviço público da educação é a possibilidade do trabalho docente poder ser ainda mais intensificado. Para já é ainda distante a possibilidade do Banco de horas individual. Mas pensemos quão atrativos são, para um econometrista, claro, os períodos de interrupção das atividades letivas. Serão resmas de horários zero!…

“Banco de horas individual
A reorganização do tempo de trabalho que até agora só podia ser negociada coletivamente desce para o nível individual.

Assim, o empregador pode negociar diretamente com o trabalhador a criação de bancos de horas, tendo de observar dois limites: este não poderá exceder as 150 horas anuais e permite que em alturas de “picos” de atividade o tempo de trabalho passa ser aumentado em duas horas diárias.

A proposta é feita por escrito ao trabalhador e se este não responder no prazo de 14 dias considera-se que aceitou. Assim que 75% dos trabalhadores estiver de acordo, o banco de horas estende-se a todos. O grande objetivo deste instrumentos é permitir às empresas poupar com o pagamento de horas extraordinárias.”

Educação Física – Resposta do Diretor-Geral da Educação ao Diretor da FADEUP

Acabei de tomar conhecimento da resposta do MEC (por intermédio do Diretor-Geral da Educação, Fernando Egídio Reis) à tomada de posição da FADEUP depois de conhecido o teor da reorganização curricular que desvaloriza a disciplina de Educação Física, contrariando não só esta recomendação do Parlamento Europeu como os resultados da investigação que tem sido produzida nesta área de conhecimento.

É preciso muita desfaçatez para dizer o que disse o senhor Diretor-Geral:

O ponto 10 da Resolução “Exorta os Estados-Membros a tornarem obrigatória a educação física no ensino primário e secundário e a aceitarem o princípio de que o horário escolar inclua, pelo menos, três aulas de educação física por semana, embora as escolas devam, na medida do possível, ser incentivadas a ultrapassar este objectivo mínimo;”

Desafio aqui o senhor Diretor-Geral a provar que existe uma, e basta-me uma, escola pública do país que ofereça três aulas semanais de Educação Física. E se, por hipótese do absurdo, houvesse uma escola a oferecer esse tempo, ainda teria de demonstrar que são cumpridos os 45 minutos de tempo útil de aula que, como se sabe, não contempla o tempo de balneário – equipar e desequipar.

Deixe-se de demagogia barata e reconheça o óbvio e assumam lá a vossa visão atávica de desenvolvimento curricular!

Quanto à resposta falaciosa, junto o PDF para os interessados.

Mau! Se não acerta com a Matemática…

São decisões atrás de decisões sem qualquer sustentação científica ou pedagógica. Em nome de um racionalidade económica que o tempo se encarregará de fazer desacreditar, Nuno Crato tomou uma série de decisões cretinas, porque empobrecerão o serviço público de educação. Dou dois exemplos: a reorganização curricular conceptualmente errada, porque menospreza o desenvolvimento multilateral dos alunos;  e a gestão irracional de recursos, porque coloca em trânsito professores que são necessários às escolas e intensifica o trabalho daqueles que têm horas para completar horário.

Hoje, no blogue do Arlindo, encontrei dois pareceres de duas associações de matemática. Dão que pensar. Quem olha para as Metas de Aprendizagem como um instrumento de controlo e domesticação do trabalho dos professores, vê nestes dois pareceres um documento herético. Eu vejo uma evidência de como o cratês é uma falácia; é uma ideologia populista que assenta num falso critério de autoridade.

Pela análise apresentada, a SPIEM reitera a necessidade de o MEC retirar a proposta de metas curriculares em discussão. Note-se ainda que estão em fase de experimentação outras metas de aprendizagem sobre as quais não existe qualquer avaliação, pese embora a sua sintonia com o Programa de Matemática em vigor no ensino básico. Assim, a SPIEM recomenda que o Ministério da Educação e da Ciência, em vez de propor “novas” metas curriculares, canalize os seus esforços e investimentos para uma ação cientificamente sustentada e que permita que os alunos portugueses continuem a melhorar as suas aprendizagens matemáticas.

Sociedade Portuguesa de Investigação em Educação Matemática

 

O Conselho Nacional da Associação de Professores de Matemática (APM) considera assim que, não tendo ainda terminado a generalização do atual programa de Matemática, introduzir um documento que lhe é antagónico vai ter consequências negativas para o normal funcionamento nas escolas, perturbando o trabalho que os professores vêm realizando e, naturalmente também as aprendizagens dos alunos e a sua relação com a Matemática.

Lisboa, 23 de julho de 2012

Conselho Nacional da APM

Daltonismo cultural – uma consequência do “cratês”

No final do campo de férias, antes de recolher a miudagem, houve um breve período de reflexão. Pais e filhos, em pequenos grupos, revelam perceções: sobre o meio social e comunitário em que nos movemos; sobre as diversas representações de juventude. Tudo muito bem planeado pelos organizadores, com um guião simples mas que permitiu observar a pluralidade das representações de cada um dos participantes…

Depois foi necessário encontrar um porta-voz de cada grupo para, em plenário, revelar os consensos possíveis, o que não foi conseguido na medida em que, por falta de experiência ou por narcisismo, os representantes na maior parte dos casos representaram-se.

Das reflexões transmitidas foi possível perceber uma colagem aos discursos hegemónicos veiculados pelos fazedores de opinião, reveladores de um certo determinismo social – A sociedade carece de sujeitos competitivos, porque as oportunidades de sucesso são escassas e só premiarão alguns, poucos, diziam os mais entusiastas. Dirigindo-se para a miudagem adolescente, apelavam: “têm de estudar para vencer!…”.

É fácil de perceber que o cratês vai fazendo o seu caminho à custa da ausência de questionamento sobre o lugar que cada um quer ocupar no mundo e, fundamentalmente, sobre que mundo urge construir. A cultura de massas terá mesmo vencido, como afirma Clara Ferreira Alves (neste texto que surripiei ao Paulo). Porque bastaria que algum dos oradores colocasse a hipótese, vá lá, do absurdo, que o seu rebento ficará do lado dos perdedores.

A arte do bitaite rigoroso

A imprensa e a blogosfera destacaram do debate parlamentar de ontem da comissão de educação, ciência e cultura, a tirada do ministro onde garantia que o MEC “estava a trabalhar para fazer, ainda este ano, uma vinculação extraordinária de professores contratados”. Num passe de magia, o ministro saca da manga a carta que deixaria desarmada a oposição e entreteria a comunicação social durante algum tempo, como se veio a verificar pelas manchetes da imprensa escrita de hoje.

Quando todas as movimentações de organização do ano letivo vão no sentido de aumentar a precariedade dos professores, o ministro acena com a possibilidade de engrossar a lista dos horários zero nas escolas. Ficou evidente que Nuno Crato aprendeu depressa as regras do jogo demagógico parlamentar, só que o debate de ontem revelou talvez a sua maior fragilidade política: a ausência de transparência pela ocultação da verdade. Sendo esta caraterística porventura inócua num político vulgar saído do anonimato, Nuno Crato comentador da coisa educativa fez assentar todo o seu discurso no jargão do rigor. Nuno Crato não podia ter fugido, como o fez repetidamente face às constantes interpelações da oposição, à revelação dos números de professores com horário zero que foram introduzidos nas plataforma informática pelos diretores das escolas. Este foi, a meu ver, o único facto político do debate parlamentar de ontem: a ocultação da verdade e, atente-se ao paradoxo, o medo dos números.

Confrangedor

Estou a assistir ao debate da comissão de educação, ciência e cultura. Para já anoto uma falta de comparência: a do CDS. Vi, é verdade, um deputado a balbuciar um introito impercetível. Olhei a sua ficha biográfica que retirei da página da assembleia da república. Tenho a resposta: é um  estudante profissional, que parece tão preparado para debater as questões educativas como o alcoólico está preparado para discutir os problemas de cirrose hepática.

Espero encontrar as imagens na net porque, confesso, não fui capaz de discriminar o mínimo de coerência no seu discurso.

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Está a acabar a primeira ronda de intervenções e Nuno Crato insiste no jargão da gestão racional dos recursos enquanto a oposição espera, e desespera.

 Um fiasco! Vai falar a Ana Drago…

Um estudo com dedicatória especial para Nuno Crato

Mais de metade dos portugueses com mais de 15 anos são inactivos

Em Portugal, 51% das pessoas com mais de 15 anos (homens e mulheres) não cumprem os critérios de actividade física recomendada pelos especialistas, segundo a revista científica The Lancet, que divulgou ontem uma série de trabalhos sobre a actividade física em todo o mundo.