Só nos faltava mais este…

Miguel Relvas anunciou ainda que o desporto escolar irá ser alargado ao 1.º ciclo do ensino básico.

“O Governo não faz campeões, mas cria as condições para que esses campeões sejam feitos. E, nesse sentido, o Governo criou todas as condições”, defendeu.

Convém ter presente que estas palavras são de Miguel Relvas. E quando Miguel Relvas toca num assunto, há que temer o pior. Depois da previsível machadada na Educação Física, porque não se esperaria outra coisa de um ministro sectário ofuscado pela matemática, resta o desporto escolar para a atrofia definitiva da escola. Ou será que ainda não perceberam que a educação física é uma forma específica da relação do sistema educativo com o corpo?!

Mais proximidade, mais acompanhamento, mais exigência…

A competição é intrinsecamente positiva e a participação em atividades competitivas cria oportunidades do desenvolvimento de competências, na procura da excelência e da superação. Nem todos os adultos que acompanham as competições dos mais jovens percebem as diferenças conceptuais entre a competição dos adultos e a competição dos mais jovens. Um breve percurso pela investigação permite-nos encontrar sinais que comprovam a ideia de que, também no desporto, as crianças e jovens não são adultos em miniatura.

Sem pretender ser muito exaustivo, porque este espaço é meramente opinativo, vejamos o que defendem alguns autores de referência nesta área do conhecimento:

“No desporto de alto rendimento a competição é o quadro de referência para a organização do treino; no desporto de crianças e pubescentes, a competição deve constituir uma extensão e complemento do treino” (Marques, 1999: 26). As competições devem servir os propósitos da formação, e por isso, devem estar ligados não só no plano organizativo, como nos conteúdos (Weineck, 1983).

As competições devem ser encaradas numa óptica de progressão, mesmo num quadro que visa a preparação de atletas para o alto nível. Nas primeiras fases, o divertimento e o prazer são os objectivos primeiros, existindo de seguida uma evolução posterior até se chegar às competições olímpicas (Bompa, 2000).

Se as alterações na estrutura e regulamentos das competições começam a deixar de gerar resistências por parte dos responsáveis pelas actividades físicas dos mais jovens, a alteração do conteúdo das competições já é defendida por um número crescente de especialistas (Rost, 2000; Lima, 2000).

O que se pretende é introduzir alterações na competição de forma a torná-la mais adequada aos objectivos de formação: por um lado, contribuindo para o desenvolvimento da multilateralidade, não só uma multilateralidade geral – competições múltiplas (Rost, 2000) – como uma multilateralidade específica – adequada às necessidades de cada desporto (Marques, 1997); e por outro lado, estimular o desenvolvimento de pressupostos de prestação que já são treináveis, nas primeiras fases da preparação desportiva – desenvolvendo preferencialmente os pressupostos coordenativos. Uma questão que terá de ser equacionada, quando se sugere a alteração da competição dos mais jovens é o problema dos escalões competitivos, organizados em função da idade cronológica.

Etc, etc…

Se a competição desportiva e o sistema de treino devem ser diferentes quer se trate do desporto de crianças e jovens ou desporto para os adultos, também devia ser diferente o modo e as expectativas dos pais, dirigentes e treinadores sobre o valor dos resultados desportivos na competição dos mais novos.

Ora, malogradamente, na realidade sobram os exemplos de má formação desportiva daqueles que têm a responsabilidade de acompanhar os mais novos. Num quadro de ajustamento das responsabilidades, sou muito mais complacente com a atitude errática de pais desportivamente analfabetos do que com a atitude irresponsável de dirigentes e treinadores que se projetam nos resultados desportivos dos mais jovens para suprir os seus próprios recalcamentos.

Só o acompanhamento de proximidade permite que os pais mais informados compensem desvarios dos agentes desportivos que acompanham o desporto dos filhos. Se nenhum encarregado de educação está obrigado (a não ser que se trate de um profissional da área) a aferir se os técnicos e dirigentes que acompanham os mais novos dominam a matéria técnico-pedagógica do desporto que ensinam; todos os encarregados de educação devem ser exigentes e inflexíveis quanto ao incumprimento de regras que ofendem a dignidade da pessoa. Aqui não há desculpa!

À atenção dos iluminados do MEC

Quantas evidências empíricas serão necessárias para convencer pseudocientistas com responsabilidades governativas que a redução da carga horária da disciplina de Educação Física é nefasta ao desenvolvimento integral das nossas crianças e jovens?

Atividade física ajuda crianças com déficit de atenção e hiperatividade

(Estudo publicado no “Journal of Pediatrics”)

As crianças com déficit de atenção e hiperatividade têm um melhor desempenho escolar após a prática de 20 minutos de atividade de física, sugere um estudo publicado no “Journal of Pediatrics”.

Apesar de a maioria dos atuais tratamentos para o déficit de atenção e hiperatividade ter sucesso, muitos pais e médicos estão preocupados com os possíveis efeitos secundários dos mesmos, estando também os gastos com a medicação a aumentar.

Assim, este estudo mostra que a prática de exercício físico pode ser considerada uma ferramenta não farmacológica importante para este tipo de transtorno, a qual deveria ser recomendada pelos psicólogos. (continuar a ler)

À atenção de Nuno Crato

Declaração do Parlamento Europeu – Apoio reforçado da União Europeia aos desportos de base

A Declaração que a seguir se apresenta é proveniente do Parlamento Europeu, de 16 de Dezembro de 2010, e indica algumas das medidas que deverão ser tomada para um apoio reforçado da União Europeia aos desportos de base.

O Parlamento Europeu ,

–  Tendo em conta o artigo 165.º do TFUE,

–  Tendo em conta o artigo 123.º do seu Regimento,

A.  Considerando que o desporto passou a fazer parte das competências da UE,

B.  Considerando que o desporto representa um importante factor de coesão social e contribui para a realização de numerosos objectivos políticos, tais como a promoção da saúde, a educação, a integração social, a luta contra a discriminação, a cultura, e ainda a redução da criminalidade e a luta contra a toxicodependência,

C.  Considerando que a grande maioria dos europeus praticantes de desporto e de uma actividade física recreativa o fazem no âmbito do desporto de base,

D.  Considerando que a crise económica e a pressão sobre a despesa pública poderão ter consequências graves para o financiamento do desporto de base,

1.  Convida a Comissão e os Estados­Membros a promoverem o desporto para todos, reforçando o papel educativo e integrador do desporto e dedicando especial atenção aos grupos sub-representados, tais como as mulheres, os idosos e as pessoas com deficiência;

2.  Convida os Estados­Membros a garantirem que o desporto de base não seja afectado por reduções orçamentais drásticas em períodos de crise;

3.  Convida a Comissão a dedicar a atenção necessária ao desporto de base na próxima comunicação sobre o desporto, bem como a garantir um financiamento suficiente do programa da UE para o desporto a partir de 2012;

4.  Solicita à Comissão que tome em devida conta os resultados do estudo sobre o financiamento do desporto de base, no que diz respeito a uma eventual iniciativa da UE sobre os jogos de fortuna ou azar;

5.  Encarrega o seu Presidente de transmitir a presente declaração, com a indicação do nome dos respectivos signatários(1) , à Comissão e aos parlamentos dos Estados­Membros.

in: http://cnapef.wordpress.com/2012/10/21/declaracao-do-parlamento-europeu-apoio-reforcado-da-uniao-europeia-aos-desportos-de-base/

Destinatário: ministro Crato

Uma em cada 3 crianças tem excesso de peso – APCOI

Três dados chave sobressaem deste vídeo.

  1. Em média, cada criança fica 4 horas por dia em frente à TV. Esse tempo pode aumentar até 7 horas diárias no fim de semana.
  2. Uma em cada três crianças tem excesso de peso.
  3. Apenas 40% das crianças realizam atividades físicas extracurriculares.

Pergunta: Se apenas 40% das crianças portuguesas conseguem realizar atividade física fora da escola, o que será dos outros 60%? O que poderá obrigatoriamente garantir atividade física a todas as crianças?

Resposta: Duas palavras –  Educação Física 


E qual é a novidade?

Jovens portugueses com melhor alimentação e menos exercício físico

Os adolescentes portugueses são os que mais tomam o pequeno-almoço, mais fruta consomem e menos fumam. Os indicadores mostram que praticam pouco exercício físico e apresentam mais excesso de peso, de acordo com um estudo publicado esta quarta-feira.

(…)

Margarida Gaspar de Matos acrescentou que a “prática de atividade física é das mais baixas” e que as raparigas de 15 anos se destacam porque “têm dos piores indicadores de todos os países”.

Outra questão que aparece no estudo é o aumento do excesso de peso e Portugal está acima da média, principalmente as meninas mais novas, de 11 anos, que estão em segundo lugar, com 20 %, depois das norte-americanas, com 30%.

O problema da obesidade e excesso de peso nos jovens tem tido a atenção dos especialistas, que alertam para o aumento dos casos em Portugal.

“Tanto a questão da prática de atividade física, como a alimentação saudável são dois focos de intervenção em termos políticos que temos de ter em atenção”, defendeu a coordenadora do trabalho.

Como é urgente fazer uma barrela ao desporto infanto-juvenil…

clip_image002No passado fim-de-semana estive em retiro lá para os lados da Serra de Lousã. Não fui à procura dos deleites gastronómicos da região nem do sossego do lugar, embora não me fiz rogado de tudo a que tive direito. Impunha-se acompanhar um extraordinário evento desportivo de Voleibol que vai já na sua décima segunda edição, reúne cerca de 1 200 participantes directos distribuídos por 67 equipas e 200 jovens voluntários.

Estão de parabéns os organizadores, que têm melhorado ano após ano as condições de realização e apoio aos participantes, estão de parabéns os responsáveis pelos clubes desportivos que facultam aos seus jovens atletas uma experiência singular que é extremamente significativa em vários planos do seu desenvolvimento.

Este não é o momento, nem o lugar, para dissecar as especificidades da competição. Guardarei essas notas de trajecto para outros fóruns de discussão. Não resisto, no entanto, a deixar uma breve nota sobre o enquadramento técnico a proporcionar aos jovens. É geralmente reconhecido e com argumentação convincente que deveriam ser os treinadores mais experientes a acolher os praticantes mais jovens. Contudo, o nosso sistema desportivo não tem condições de cumprir este imperativo e são os treinadores jovens, também mais inexperientes, a assegurar a formação desportiva dos praticantes mais jovens. Esta é a nossa realidade e é com ela que temos de lidar. Sabemos que o dia-a-dia do treinador jovem é percorrido num terreno minado de interesses contraditórios, todos eles imbuídos de “boas intenções”. Há um denominador comum entre esses interesses: a tentativa de moldar a prática dos jovens aos interesses dos adultos. É preciso ter armas adequadas para resistir às constantes emboscadas de alguns dirigentes e pais.

É uma pena que não seja possível generalizar os excelentes exemplos de treinadores jovens que procuram alicerçar o seu ensino num quadro de valores que colocam o bem estar dos outros acima dos seus próprios interesses. São estes bons exemplos que deviam ser relevados, e não são, porque permitem que esses valores se projectem na formação dos jovens integrando-os nas recomendações pedagógicas que sustentam o ensino.

Combater a abulia.

José Matias Alves, no blogueTerrear, evoca um texto de Miguel Santos Guerra que toca bem fundo numa questão me é cara: a questão da vontade, ou mais precisamente, a educação da vontade. Para o desenvolvimento das capacidades psicomotoras é impossível subtrair o treino das capacidades volitivas, o treino da vontade, da perseverança, da disciplina face à adversidade. Todas as ferramentas escolares, todas as disciplinas escolares, suscitam a educação da vontade. Mas a Educação Física, pelo lugar que ocupa na escola, pela tipologia dos seus conteúdos, faz parte do núcleo duro de disciplinas escolares que mais induz a educação da vontade.

E se pensarmos que cada vez mais aparecem propostas (no interior e exterior da escola e dos programas curriculares) para a construção corporal sem esforço, sem actividade física e sem sacrifícios, percebemos quão importante é a promoção dos valores fundamentais da sociedade pela via do desporto.

Uma escola (de qualidade) para todos

Desporto Escolar: Especialistas alertam que programa pode enfraquecer, ministra garante que é para manter.

Lisboa, 21 mai (Lusa) – A reorganização do desporto escolar ameaça tirar na prática tempo de atividade desportiva aos alunos, afirmam especialistas ouvidos pela Lusa, mas a ministra demissionária assegura que nada está posto em causa.

O despacho publicado este mês estipula que o desporto escolar fica fora das horas que os professores têm no horário semanal para aulas. Antes, os projetos de desporto escolar podiam contar como horas de componente letiva, mas com o novo despacho já não, têm que ser desenvolvidos extra-aulas.

Para Jorge Mota, do Centro de Investigação em Atividade Física, Saúde e Lazer da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, a decisão de reduzir as horas de trabalho consignadas ao desporto escolar “não está baseada em nenhum pressuposto pedagógico” e quem sofre são as crianças.

Percebo o Professor Jorge Mota. É um investigador em Actividade Física associada à Saúde e não lhe faltam evidências empíricas para expressar a sua preocupação. As taxas elevadas de crianças e jovens pré-obesos são sensíveis a qualquer alteração, por mais pequena que seja, das condições de prática desportiva na escola.

O recente despacho assinado pelo Secretário de Estado Adjunto e da Educação, José Alexandre da Rocha Ventura Silva, que retira 1 hora semanal da componente lectiva ao já escasso tempo adstrito às actividades de treino (ao que se acresce o filtro para a criação e manutenção dos grupos/equipa), vem contribuir para o definhamento do Desporto Escolar.

Mas o maior problema é, a meu ver, a escassez de tempo destinado à Educação Física que obstrui, como devia, a elevação das capacidades físicas das crianças e jovens. O caso mais paradigmático que observo, e que os responsáveis políticos fingem desconhecer, está na situação imperdoável dos cursos profissionais, que oferecem um bloco semanal de 90 minutos. Ora, não serão necessários grandes conhecimentos científicos para se intuir que o desenvolvimento das capacidades físicas carece de um determinado tempo mínimo de exercitação, sem o qual não ocorrerão as alterações fisiológicas indispensáveis ao desenvolvimento das crianças e jovens.

Percebem agora que quem defende uma escola para todos não quer dizer necessariamente que defende uma escola de qualidade para todos?

Há insuspeitas formas deste PS copular os portugueses

Tenho evitado pronunciar-me sobre o conteúdo do programa eleitoral do PS porque, como nos ensina a prática dos anteriores governos PS, são uma falácia. Vai um mundo de distância a separar as intenções das práticas governativas.

Mas não deixo de sorrir quando noto que ainda há quem lhe dê o benefício da dúvida. No blogue AD DUO li uma referência aos objectivos de campanha eleitoral do PS, designadamente três:

“o programa eleitoral do PS prevê a promoção da actividade física, o desporto e a qualidade de vida.”

Ora, havia muito para dizer sobre cada um deles mas não temos tempo. Tenho algum tempo para questionar este fantasmagórico objectivo de promover a actividade física. É que ou se esqueceram de acrescentar que ela, actividade física, deve ser orientada ou então devem estar a pensar em algo mais refinado.

É que isto não vai lá com objectivos genéricos a enfeitar um programa eleitoral. Vai lá com políticas consequentes. Promover a actividade física? Estão a falar de quê? De que actividade física? Trabalhar a terra é uma actividade física! Correr para o autocarro é uma actividade física! Copular é uma actividade física!

É disto que estamos a falar? De nos copularem pelas vias mais insuspeitas?

Reduzir e empobrecer o Desporto Escolar

Desporto Escolar: Secretário de Estado defende redefinição
Menos modalidades nas escolas

As notícias que apontam para o fim do Desporto Escolar são “infundadas”, mas o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Ventura, defende uma redução do número de modalidades do programa. O objectivo é “aumentar a sua eficiência e visibilidade”, de modo a não prejudicar “a totalidade do programa”.

O secretário de Estado Adjunto e da Educação acaba por fortalecer uma ideia que me parece insofismável: este governo conseguiu, como nenhum outro governo pós-25 de Abril, escamotear o primado do pedagógico sobre o administrativo e financeiro.

Porque o Desporto é plural de formas e modelos, valores e sentidos, reduzir o leque das modalidades desportivas no Desporto Escolar significa negligenciar o desenvolvimento de distintas aptidões desportivas dos alunos, empobrecendo a cultura desportiva da escola e do país.

Uma escola culturalmente rica não tem de ser necessariamente uma escola cara. Mas a educação e a cultura custam dinheiro e para a promoção da cultura desportiva e escolar é preciso gastar o mínimo necessário para cumprir essa ambição.

Em defesa do Desporto escolar

Os delegados ao 7º Congresso do Sindicatos dos Professores do Norte subscreveram o seguinte abaixo-assinado em “Defesa do Desporto Escolar”:

ABAIXO-ASSINADO

EM DEFESA DO DESPORTO ESCOLAR

O Desporto Escolar constitui um instrumento privilegiado na promoção da saúde, na inclusão e integração escolar, na promoção do desporto e cultura desportiva e no combate ao insucesso/abandono escolar. Pelo Desporto Escolar ocorre uma aprendizagem de valores que só se conseguem aprender com a competição saudável que lhe é inerente. Inserido na comunidade escolar, forma para os valores socialmente desejáveis, promovendo o trabalho de equipa, o empenho, a luta pelos objectivos, a alegria e o confronto com as reais capacidades, a procura da vitória (sem medo da derrota) numa perspectiva permanente de superação.

O trabalho desenvolvido com um grupo-equipa do Desporto Escolar é estrutural e conceptualmente idêntico ao que qualquer professor (em qualquer disciplina) realiza com uma turma, desde o número de alunos envolvidos num núcleo (idêntico ao de uma turma), passando por todos os processos pedagógicos e didácticos de preparação, planeamento, programação, realização e avaliação das actividades desenvolvidas. Acresce ainda que os momentos competitivos (“avaliativos”) acontecem aos sábados, exigindo uma enorme disponibilidade dos docentes para as deslocações aos fins-de-semana (com o inerente prejuízo do seu repouso e tempo para a família).

Uma vez que a única diferença significativa reside no facto do Desporto Escolar ser uma valência de extensão do currículo, isto é, de os alunos aderirem de forma voluntária, manifestando o seu desejo de se especializarem numa determinada modalidade, a sua atribuição só faz sentido na componente lectiva, mormente por se basear numa sólida articulação entre a dinâmica do Grupo de Educação Física e as propostas do Clube de Desporto Escolar.

Os professores e educadores abaixo-assinados, delegados ao 7º Congresso dos Professores do Norte, reunidos no dia 25 e 26 de Fevereiro de 2011 em Guimarães, exigem do Ministério da Educação a assumpção das responsabilidades para com o Desporto e, sobretudo, para com as crianças e jovens. A promoção e o desenvolvimento do Desporto Escolar decorre da garantia das condições de trabalho dos profissionais que o dinamizam, pelo que, só faz sentido na componente lectiva, mormente por se basear numa sólida articulação entre a dinâmica do Grupo de Educação Física e as propostas do Clube de Desporto Escolar.

Desporto Escolar – Muito perto da estocada final

Quem está fora do sistema de ensino dificilmente poderá imaginar os estragos das políticas de terra queimada forjadas por este governo. Ontem, durante o Corta-Mato Distrital, cruzei-me com dezenas de colegas indefectíveis defensores do Desporto Escolar. O desânimo e a revolta são, muito provavelmente, os dois estados de espírito prevalecentes. E ao contrário do que se poderia pensar, constato que há um prenúncio de abandono desta espécie de missão em que se transformou o Desporto Escolar. Sobretudo os professores mais experientes, que até pareciam imunes ao ostracismo da tutela. Ficarão os novatos, maioritariamente contratados, e aqueles professores que não estão em condições de declinar as horas para preencher um horário.

O Desporto Escolar não morrerá apenas por uma questão de sobrevivência profissional. Mas a estocada parece ter provocado danos irreversíveis na sustentação de um projecto cujo alcance pedagógico não cabe na retórica falaciosa do político aldrabão.

Desporto Escolar–o renascimento

O Paulo divulgou uma versão (não sei se será a última) do projecto de despacho de organização do trabalho nos agrupamentos ou escolas não agrupadas.

O ME parece ter recuado na sua intenção de considerar como não lectivo o trabalho realizado com os grupos equipas, como se lê no ponto 5, do artigo 3º (componente lectiva):

As horas de que a escola necessite para a dinamização de actividades com grupo/equipa a nível do desporto escolar, dado tratar-se de uma actividade de enriquecimento e complemento curricular, sairão desta componente.

Quero acreditar que os responsáveis pela área do corte e cose no tempo de trabalho dos professores terão percebido, graças a um consenso alargado mas exógeno às estruturas do ME, que a pretensão inicial de agregar o tempo com os grupos/equipas do desporto escolar ao tempo não lectivo teria repercussões nefastas ao desenvolvimento do desporto escolar, pondo em causa a sua viabilização nas escolas.

Agora há que esperar pela publicação do diploma e, como prometeu a ministra, pela regulamentação própria. Pode ser que desta discussão, que fez agitar as organizações de professores de Educação Física, emirja um novo modelo do Desporto Escolar, mais inclusivo, mais democrático.

E se me permitem sonhar alto: que desse modelo democrático do Desporto Escolar advenha o renascimento da gestão democrática.

Em defesa do Desporto Escolar.

Para memória futura…

[…] o Conselho das Escolas considera que se deve alterar o conteúdo do n.º 1 do art.º 2.º e o n.º 1 do art.º 16.º, de forma a que as obrigações educativas de cada escola, para cada aluno, se cinjam ao respectivo horário escolar.

Artigo 3.º, n.º 5

As horas de que a escola necessite para a dinamização de actividades com  grupo/equipa a nível do desporto escolar, dado tratar-se de uma actividade de enriquecimento e complemento curricular, sairão desta componente.

7. O Desporto Escolar tem sido uma mais-valia na educação e formação dos jovens, um antídoto para combater o abandono escolar e uma importante medida socioeducativa que tem permitido manter muitos jovens ligados à escola, afastados de ambientes prejudiciais ao desenvolvimento equilibrado do corpo e da mente e dos valores que devem guiar a vivência em sociedade.

8. As actividades dos grupos/equipas do desporto escolar sempre foram desenvolvidas em horário equivalente a lectivo e os respectivos professores tinham direito a uma redução específica da componente lectiva para o efeito.

9. O CE está firmemente convencido de que a alteração agora proposta (supressão da redução da componente lectiva) prejudicará irremediavelmente o Desporto Escolar, porque as escolas não terão crédito horário suficiente para atribuir aos responsáveis pelos grupos/equipas o número de horas que lhes permitam  desenvolver os projectos, com a dimensão e a extensão que existia até ao momento.

10. O CE não tem dúvidas de que a forte redução de crédito horário disponível para o desenvolvimento das actividades de Desporto Escolar, prevista no projecto de diploma, implicará uma redução inevitável do número de alunos envolvidos no Desporto Escolar.

Assim sendo, o CE  discorda do n.º 5 do art.º 3.º do projecto em análise e propõe a sua eliminação, com a consequente alteração do quadro referido no Anexo II.

_____________________

Ler o parecer aqui.

Petição O fim do Desporto Escolar nas escolas

 

Para:Assembleia da República, Ministra da Educação

 

O fim do Desporto Escolar nas escolas
Com o novo despacho sobre a organização do ano lectivo 2011/2012, uma das medidas mais penalizadoras, será o fim do Desporto Escolar nas escolas. As horas do DE, deixarão de fazer parte da componente lectiva e passarão para a componente não lectiva. Será o Director de cada Agrupamento a definir o número de horas a atribuir ao DE, que poderão ser 1, 2, 3 ou zero! Como as horas da componente não lectiva vão diminuir, as mesmas serão utilizadas preferencialmente, para o apoio aos alunos nas diversas disciplinas: Matemática, LP, Inglês… e as horas para o DE serão as sobras.Com estas medidas prevê-se que mais de 1000 horários de Educação Física irão desaparecer!
In Público: “Para António Palmeira, investigador da Universidade Lusófona, a supressão do Desporto Escolar teria consequências a longo prazo na saúde dos jovens. “Parece-me uma perspectiva muito economicista, de curto prazo. As pessoas que não fazem desporto nestas idades muito dificilmente o farão na idade adulta e 80 por cento dos que são obesos nesta altura serão obesos na idade adulta”, frisou.
Segundo as contas do especialista, duas sessões de Desporto Escolar por semana representam o consumo de mil calorias, o que corresponde a 30 mil calorias por ano. “Representam quatro quilos a mais no jovem se mantiver o mesmo regime alimentar num ano lectivo, só por não terem Desporto Escolar”, sintetiza António Palmeira. Sem o Desporto Escolar, diz, “será difícil os alunos terem acesso de forma organizada à prática desportiva”. “O Desporto Escolar é uma oportunidade de os nossos jovens praticarem desporto da sua preferência sem ser tão sério como um clube federativo e com encargos reduzidos para as famílias”, explica.”

Assinar a petição aqui

Desporto escolar – O toque de finados II

A jornalista Bárbara Wong não compreende os cortes que o governo pretende fazer nesta área.

Se houvesse um critério pedagógico a ordenar as opções da política educativa, é evidente que o governo ao invés de reduzir teria de aumentar o tempo do Desporto Escolar e da Educação Física curricular respeitando ao menos as orientações da comunidade europeia já que ignora a comunidade científica de Educação Física. A jornalista elencou alguns motivos que justificam a sua apreensão. Parecem óbvios. E não é necessário ser-se um especialista na área da motricidade para demonstrar que os tempos da hipocinésia estão aí com todas as suas maleitas, que erradamente se designam de maleitas civilizacionais. Como se o retrocesso civilizacional pudesse encerrar algum propósito de humanidade.

Este governo perdeu definitivamente o norte!

Desgraçados daqueles filhos que não têm pais atentos e com algum desafogo económico. Eu sei o que fazer com a minha filha e esforçar-me-ei para lhe garantir os meios que ela necessita para lutar contra a hipocinésia. Na minha actividade profissional sou pago para o fazer com todas as crianças e jovens que frequentam a minha escola. Malogradamente, este governo que representa mal o Estado parece estar mais interessado em vender gato por lebre do que servir os cidadãos. Tem os meios, está a melhorar as infra-estruturas escolares, mas surripia o bem mais precioso: o tempo.

Triste sina a nossa!

Desporto Escolar – O toque de finados

O projecto de despacho de organização do trabalho nos agrupamentos ou escolas não agrupadas dá um golpe fatal no Desporto Escolar: As horas de que a escola necessita para a dinamização de actividades com grupo/equipa a nível do desporto escolar, dado tratar-se de uma actividade de enriquecimento e complemento curricular, sairão da componente lectiva.

Simplificando para uma linguagem mais corrente, avanço já com o meu prognóstico: Morreu a actividade externa do Desporto Escolar.

Porquê? Por uma razão evidente: sem o “incentivo” da redução da componente lectiva que visa a preparação/realização da actividade externa (cuja configuração e o nível de exigência é similar à preparação/realização das actividades lectivas e que exigem uma enorme disponibilidade dos professores para as deslocações que se realizam normalmente aos fins-de-semana) o apelo ao espírito missionário mais profundo que mora em cada um dos resistentes estará condenado ao fracasso. Os missionários vão poder dedicar-se, em exclusividade, como todos os outros missionários de outros grupos disciplinares, às suas missões lectivas!

Considerando a vontade do ME em reduzir custos;  considerando que a actividade interna do desporto escolar é menos exigente para os professores e para os alunos; considerando que estas actividades não são práticas de treino orientado; são actividades desportivas, obviamente organizadas, mas com um pendor recreativo e menos intensivas sob o ponto de vista da prática:

Os docentes vão preferir as actividades internas.

Com a ligeireza costumeira do ME, que ignora as recomendações emanadas do Parlamento Europeu, esbanja uma valência importante do desporto escolar, que muito tem contribuído para a luta contra tendências negativas em matéria de saúde. E porque convém ter presente que os efeitos do exercício físico regular contribui consideravelmente para reduzir as despesas de saúde é caso para dizer:

O barato sairá muito caro!