Só nos faltava mais este…

Miguel Relvas anunciou ainda que o desporto escolar irá ser alargado ao 1.º ciclo do ensino básico.

“O Governo não faz campeões, mas cria as condições para que esses campeões sejam feitos. E, nesse sentido, o Governo criou todas as condições”, defendeu.

Convém ter presente que estas palavras são de Miguel Relvas. E quando Miguel Relvas toca num assunto, há que temer o pior. Depois da previsível machadada na Educação Física, porque não se esperaria outra coisa de um ministro sectário ofuscado pela matemática, resta o desporto escolar para a atrofia definitiva da escola. Ou será que ainda não perceberam que a educação física é uma forma específica da relação do sistema educativo com o corpo?!

Mais proximidade, mais acompanhamento, mais exigência…

A competição é intrinsecamente positiva e a participação em atividades competitivas cria oportunidades do desenvolvimento de competências, na procura da excelência e da superação. Nem todos os adultos que acompanham as competições dos mais jovens percebem as diferenças conceptuais entre a competição dos adultos e a competição dos mais jovens. Um breve percurso pela investigação permite-nos encontrar sinais que comprovam a ideia de que, também no desporto, as crianças e jovens não são adultos em miniatura.

Sem pretender ser muito exaustivo, porque este espaço é meramente opinativo, vejamos o que defendem alguns autores de referência nesta área do conhecimento:

“No desporto de alto rendimento a competição é o quadro de referência para a organização do treino; no desporto de crianças e pubescentes, a competição deve constituir uma extensão e complemento do treino” (Marques, 1999: 26). As competições devem servir os propósitos da formação, e por isso, devem estar ligados não só no plano organizativo, como nos conteúdos (Weineck, 1983).

As competições devem ser encaradas numa óptica de progressão, mesmo num quadro que visa a preparação de atletas para o alto nível. Nas primeiras fases, o divertimento e o prazer são os objectivos primeiros, existindo de seguida uma evolução posterior até se chegar às competições olímpicas (Bompa, 2000).

Se as alterações na estrutura e regulamentos das competições começam a deixar de gerar resistências por parte dos responsáveis pelas actividades físicas dos mais jovens, a alteração do conteúdo das competições já é defendida por um número crescente de especialistas (Rost, 2000; Lima, 2000).

O que se pretende é introduzir alterações na competição de forma a torná-la mais adequada aos objectivos de formação: por um lado, contribuindo para o desenvolvimento da multilateralidade, não só uma multilateralidade geral – competições múltiplas (Rost, 2000) – como uma multilateralidade específica – adequada às necessidades de cada desporto (Marques, 1997); e por outro lado, estimular o desenvolvimento de pressupostos de prestação que já são treináveis, nas primeiras fases da preparação desportiva – desenvolvendo preferencialmente os pressupostos coordenativos. Uma questão que terá de ser equacionada, quando se sugere a alteração da competição dos mais jovens é o problema dos escalões competitivos, organizados em função da idade cronológica.

Etc, etc…

Se a competição desportiva e o sistema de treino devem ser diferentes quer se trate do desporto de crianças e jovens ou desporto para os adultos, também devia ser diferente o modo e as expectativas dos pais, dirigentes e treinadores sobre o valor dos resultados desportivos na competição dos mais novos.

Ora, malogradamente, na realidade sobram os exemplos de má formação desportiva daqueles que têm a responsabilidade de acompanhar os mais novos. Num quadro de ajustamento das responsabilidades, sou muito mais complacente com a atitude errática de pais desportivamente analfabetos do que com a atitude irresponsável de dirigentes e treinadores que se projetam nos resultados desportivos dos mais jovens para suprir os seus próprios recalcamentos.

Só o acompanhamento de proximidade permite que os pais mais informados compensem desvarios dos agentes desportivos que acompanham o desporto dos filhos. Se nenhum encarregado de educação está obrigado (a não ser que se trate de um profissional da área) a aferir se os técnicos e dirigentes que acompanham os mais novos dominam a matéria técnico-pedagógica do desporto que ensinam; todos os encarregados de educação devem ser exigentes e inflexíveis quanto ao incumprimento de regras que ofendem a dignidade da pessoa. Aqui não há desculpa!

À atenção dos iluminados do MEC

Quantas evidências empíricas serão necessárias para convencer pseudocientistas com responsabilidades governativas que a redução da carga horária da disciplina de Educação Física é nefasta ao desenvolvimento integral das nossas crianças e jovens?

Atividade física ajuda crianças com déficit de atenção e hiperatividade

(Estudo publicado no “Journal of Pediatrics”)

As crianças com déficit de atenção e hiperatividade têm um melhor desempenho escolar após a prática de 20 minutos de atividade de física, sugere um estudo publicado no “Journal of Pediatrics”.

Apesar de a maioria dos atuais tratamentos para o déficit de atenção e hiperatividade ter sucesso, muitos pais e médicos estão preocupados com os possíveis efeitos secundários dos mesmos, estando também os gastos com a medicação a aumentar.

Assim, este estudo mostra que a prática de exercício físico pode ser considerada uma ferramenta não farmacológica importante para este tipo de transtorno, a qual deveria ser recomendada pelos psicólogos. (continuar a ler)

À atenção de Nuno Crato

Declaração do Parlamento Europeu – Apoio reforçado da União Europeia aos desportos de base

A Declaração que a seguir se apresenta é proveniente do Parlamento Europeu, de 16 de Dezembro de 2010, e indica algumas das medidas que deverão ser tomada para um apoio reforçado da União Europeia aos desportos de base.

O Parlamento Europeu ,

–  Tendo em conta o artigo 165.º do TFUE,

–  Tendo em conta o artigo 123.º do seu Regimento,

A.  Considerando que o desporto passou a fazer parte das competências da UE,

B.  Considerando que o desporto representa um importante factor de coesão social e contribui para a realização de numerosos objectivos políticos, tais como a promoção da saúde, a educação, a integração social, a luta contra a discriminação, a cultura, e ainda a redução da criminalidade e a luta contra a toxicodependência,

C.  Considerando que a grande maioria dos europeus praticantes de desporto e de uma actividade física recreativa o fazem no âmbito do desporto de base,

D.  Considerando que a crise económica e a pressão sobre a despesa pública poderão ter consequências graves para o financiamento do desporto de base,

1.  Convida a Comissão e os Estados­Membros a promoverem o desporto para todos, reforçando o papel educativo e integrador do desporto e dedicando especial atenção aos grupos sub-representados, tais como as mulheres, os idosos e as pessoas com deficiência;

2.  Convida os Estados­Membros a garantirem que o desporto de base não seja afectado por reduções orçamentais drásticas em períodos de crise;

3.  Convida a Comissão a dedicar a atenção necessária ao desporto de base na próxima comunicação sobre o desporto, bem como a garantir um financiamento suficiente do programa da UE para o desporto a partir de 2012;

4.  Solicita à Comissão que tome em devida conta os resultados do estudo sobre o financiamento do desporto de base, no que diz respeito a uma eventual iniciativa da UE sobre os jogos de fortuna ou azar;

5.  Encarrega o seu Presidente de transmitir a presente declaração, com a indicação do nome dos respectivos signatários(1) , à Comissão e aos parlamentos dos Estados­Membros.

in: http://cnapef.wordpress.com/2012/10/21/declaracao-do-parlamento-europeu-apoio-reforcado-da-uniao-europeia-aos-desportos-de-base/

Destinatário: ministro Crato

Uma em cada 3 crianças tem excesso de peso – APCOI

Três dados chave sobressaem deste vídeo.

  1. Em média, cada criança fica 4 horas por dia em frente à TV. Esse tempo pode aumentar até 7 horas diárias no fim de semana.
  2. Uma em cada três crianças tem excesso de peso.
  3. Apenas 40% das crianças realizam atividades físicas extracurriculares.

Pergunta: Se apenas 40% das crianças portuguesas conseguem realizar atividade física fora da escola, o que será dos outros 60%? O que poderá obrigatoriamente garantir atividade física a todas as crianças?

Resposta: Duas palavras –  Educação Física 


E qual é a novidade?

Jovens portugueses com melhor alimentação e menos exercício físico

Os adolescentes portugueses são os que mais tomam o pequeno-almoço, mais fruta consomem e menos fumam. Os indicadores mostram que praticam pouco exercício físico e apresentam mais excesso de peso, de acordo com um estudo publicado esta quarta-feira.

(…)

Margarida Gaspar de Matos acrescentou que a “prática de atividade física é das mais baixas” e que as raparigas de 15 anos se destacam porque “têm dos piores indicadores de todos os países”.

Outra questão que aparece no estudo é o aumento do excesso de peso e Portugal está acima da média, principalmente as meninas mais novas, de 11 anos, que estão em segundo lugar, com 20 %, depois das norte-americanas, com 30%.

O problema da obesidade e excesso de peso nos jovens tem tido a atenção dos especialistas, que alertam para o aumento dos casos em Portugal.

“Tanto a questão da prática de atividade física, como a alimentação saudável são dois focos de intervenção em termos políticos que temos de ter em atenção”, defendeu a coordenadora do trabalho.