Cata-vento

É cada vez mais difícil de classificar a metamorfose do Ramiro sem roçar o insulto. Mas, convenhamos: por cada incoerência e titubearia ideológica, o Ramiro dá um coice na inteligência de quem o lê. Tentar encontrar uma razão substantiva que justifique a sua fidelização insaciável e sôfrega por tudo o que o MEC expele é cada vez mais uma perda de tempo. Mas desta vez o Ramiro ultrapassou os limites. Claro que só não mudam de opinião os tontos e os ignorantes. Mas não é de uma opinião passageira que se trata. Trata-se de uma mudança de quadro de referência. Para quem defendeu de forma obstinada a escola cultural, e não exagero no adjetivo, como atestam as suas intervenções nos vários colóquios da AEPEC, vir agora defender que “o Relatório Final – Proposta Global  de Reforma, um documento de 708 páginas que marcou o início da hegemonia do eduquês na Escola Pública Portuguesa” nem ao diabo lembra.

É verdade que nem tudo correu como devia. É verdade que a reforma do sistema educativo esteve imersa em paradoxos, como reconheceu Manuel Ferreira Patrício quando escreveu o “Escola Cultural – Horizonte decisivo da reforma educativa”. Mas daí a conspurcar a ideia de escola que subjaz à atual lei de bases do sistema educativo com essa coisa do eduquês vai uma grande distância.

A não ser que o Ramiro se refira a afirmações deste género, saídas da sua pena:

“É possível afirmar, portanto, que existe uma certa correlação entre uma grande diversificação curricular e diferenciação social e que um currículo comum, academicamente orientado, favorece a igualdade de oportunidades. Daí que, embora seja verdade que a livre escolha das escolas é um instrumento de pressão a favor da eficácia das escolas, também é certo que a partir de determinado limite é um fator de estratificação social. Perante esta contradição que posição poderão ter os que defendem simultaneamente o aumento da igualdade de oportunidades e a melhoria da eficácia das escolas? Estou em crer que o modelo de educação pluridimensional e da escola cultural nos permite superar esta contradição.”*

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*Patrício, M,F. (1997). Formar professores para a escola cultural no horizonte dos anos 2000. Porto Editora. pp 155-161.

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One thought on “Cata-vento

  1. […] Percebe-se melhor, depois de conhecida a boleia, o ziguezaguear do Cata-vento. […]

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