Arquivos mensais: Março 2010

Escola certificadora – um paradoxo.

«A nossa proposta de Estatuto [do Aluno] não inclui a reprovação por faltas. A reprovação decorre da insuficiência da aprendizagem se assim o conselho de turma o entender», afirmou a ministra, em declarações aos jornalistas, no final de uma audição na Comissão de Educação da Assembleia da República.

A governante acrescentou que «se o conselho de turma verificar que há uma aprendizagem o aluno passa», mas a escola deverá «impedir que o aluno repetidamente falte à escola», porque se isso acontecer, «naturalmente que não vai conseguir aprender».

«Sentimos que não devemos associar a ausência da escola à repetência», reiterou. (in: tsf)

A Escola transformada em guiché da educação, como podia ser da segurança social ou das finanças, é uma ideia que começa a ganhar força com os governos do senhor Pinto de Sousa e que se vem materializando com a proliferação dos Centros de Novas Oportunidades. A ideia de atrair à escola outros públicos, mais velhos, transformando os saberes profissionais em saberes escolares acabou por baralhar públicos da escola, juntando pais e filhos na escola, avós e netos, confundindo os burocratas do ME ao ponto de nos fazer crer que a outra escola, sim, sempre houve uma outra escola que não se confunde com centros de validação embora também validasse, era facilitadora e promotora do processo educativo.

A Escola, que sempre foi uma unidade pedagógica, um reencontro com a velha tradição helénica da paideia que Coménio universalizou, metamorfoseia-se com os avanços das políticas educativas neoliberais. O que não deixa de ser paradoxal. E não deixa de ser paradoxal deixar que o princípio administrativo prevaleça sobre o princípio pedagógico contrariando, aliás, a própria Lei de Bases dos Sistema Educativo que poucos se lembram que existe e que ainda ordena todo o sistema educativo. Num tempo em que se exigem mais valências à Escola para suprir défices de educação, que decorrem da demissão das famílias no trabalho educativo, eis que surgem políticas que empurram as escolas para as lógicas empresariais de catalogação de produtos “educativos”.

Enquanto estas mudanças mais ou menos sub-reptícias ocorrem, há muita gente a assobiar para o ar fazendo de conta que não percebem o sentido da mudança: por quanto tempo mais as organizações de professores  (sindicatos, movimentos, associações de disciplina, escolas de formação, …,) vão pactuar com esta farsa?

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Uffa…

Há tanto para contar… mas não me apetece!1019wallpaper-6_1600

Manga-de-alpaca

Se a agenda da comunicação social estivesse sincronizada com a agenda da escola situada, o assunto da ordem do dia seria o Estatuto da Carreira Docente. Não, não seria o Estatuto do Aluno que vai ser o tema de hoje do Prós e Prós. E porquê? Porque a desqualificação da função docente atinge o ponto alfa no final de cada período lectivo, sempre que se preenchem em simultâneo resmas de fichas informativas, pautas em excel, termos, fichas dos processos individuais, relatórios, actas, ou outro qualquer quejando cujo objectivo principal é reunir evidências só para inspector ver mas que raramente vê.

É a escola da (e para a) montra no seu melhor que não dispensa o professor manga-de alpaca!

O espaço-tempo corporal

Autópsia a Leandro não revela sinais de agressão

Depois de avaliado o corpo objecto, especularemos sobre o corpo vivido! Sem uma “autópsia” sobre o modo como o Leandro sentia o seu corpo e que sentido lhe dava, ficaremos eternamente reféns dos testemunhos daqueles que, de diferentes lugares, procuram desvendar os mistérios que aquele corpo encerra.

Lá como cá: Ninguém viu, ninguém soube de nada!

Professora de 73 anos espancada

Rússia: alunos filmaram e colocaram o vídeo na net.

(Atenção: imagens chocantes)

Haja decoro!

Alunos de secundária de Coimbra criticam falta de condições das salas de aula

(…) Em causa estão as condições dos monoblocos que substituem as salas de aula, onde, argumenta Pedro Dourado, “continua a chover”, e de uma sala de ginástica, no primeiro piso, “que não consta do projecto nem tem condições apropriadas”. “O chão é muito rugoso, só dá para andar em cima dos colchões”, observou.

As queixas estendem-se ao polidesportivo semicoberto do estabelecimento de ensino, cujo piso “não tem condições nenhumas” para a prática desportiva. “Tem muito relevo, areia e muitos detritos”, argumentou.

Palhaços!

Venda do Estado a retalho

Governo admite privatização da RTP mas só quando der lucros

Antes de se retalhar o Estado sem preceito, não seria mais prudente identificar os sectores de actividade que podem ou não ser alienados? Eu, que não percebo nada de economia, fico espantado com a leviandade nas tomadas decisão sem que se conheça um plano de privatizações, sem haver uma discussão participada acerca das funções do Estado que acabam por determinar o sentido dessas  tomadas de decisão.