Arquivos mensais: Abril 2010

Há que acabar com a amnésia colectiva ou venha o diabo e escolha!

PSD ultrapassa PS pela primeira vez desde que Sócrates é líder do PS

Concordei com Marco António, apesar de quase sempre discordar das suas ideias, quando ele afirmou (ontem, no corredor do poder) que é um erro considerar que o problema do país é José Sócrates. Não disse bem assim, mas digo eu: É um erro que emergirá de uma espécie de amnésia colectiva depois da libertação do país da liderança de JS e que poderá levar o pobre do eleitor a desprezar o contributo de alguns peões de brega que não se coibirão de aparecer em cena ao lado de outro figurante que exale o cheiro do poder.

Vamos lá admitir que estas sondagens são credíveis; que os erros das sondagens têm consequências e que por isso serão despiciendos; e que as sondagens não são um factor de pressão social que favorecem os partidos com mais experiência governativa. Ao admitir isto tudo até sou capaz de admitir que há males que vêm por bem.

Mas desenganem-se. Não estou a dizer que é um mal necessário ter de gramar com PPCoelho para nos livrarmos da sua alma gémea. O que eu digo é que, paradoxalmente, os resultados das sondagens que apresentam Pedro Passos Coelho como alternativa a JSócrates não representam, de facto, qualquer alternativa de governação. Por uma simples e óbvia razão: As políticas de Passos Coelho serão mais uma continuidade das políticas de direita de JSócrates, que resultaram no empobrecimento do Estado Social, do que um factor de coesão social que faça diminuir o fosso entre pobres e ricos.

Apesar de surgir no horizonte um mal, uma hipótese de governação à direita que irá revitalizar as metáforas do mercado e do desempenho, como se as convulsões sociais que se vivem na Europa não resultassem elas próprias de uma cultura política que se deixou vergar pela ganância das elites económicas dominantes, há um bem que importa relevar: é necessário guinar à esquerda e recusar estratégias de economizar e despolitizar as decisões sociais e educacionais.

(imagem daqui)

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Expliquem-me como se eu fosse um socratino:

Se há banqueiros, governantes, analistas do economês, e outros que tais, que questionam a “verdade” das classificações das agências de rating; e se crêem que se trata de um jogo especulativo que aliena e perverte a vida das pessoas; por que razão não mandam estes tipos às favas? Esta coisa da regulação não deveria ser uma competência de um banco central, por exemplo o Banco Europeu de Investimento?

Petição Pela redução do número máximo de alunos e alunas por turma e por professor/a.

A petição encontra-se disponível online aqui.

Se a coerência fosse um valor absoluto… ou os paradoxos preocupantes?

Se a coerência fosse um valor absoluto, os professores deveriam recusar a avaliação legislada, de pendor mais sumativo, reclamando uma avaliação exclusivamente formativa, aquela que mais contribuiu para o bem estar das pessoas, das organizações e das sociedades.

Se a coerência fosse um valor absoluto, eu não defenderia, como defendo, as três orientações estratégicas aprovadas no X Congresso da Fenprof: valorizar a escola pública, construir o sucesso educativo e organizar a luta, agindo no quadro da especificidade da profissão,  mas integrando, cada vez mais a acção no âmbito mais geral dos trabalhadores, designadamente no quadro da Frente Comum e da CGTP-IN. Defenderia a ilhota dos professores na função pública.

Não fosse a coerência um valor relativo, não perceberia a proposta do BE que defende a prorrogação até ao ano escolar de 2011/2012 (de) uma norma transitória que estipula que a lista de ordenação dos candidatos é calculada com base no tempo de serviço e na nota de curso. Esta proposta parte da presunção de que um dia, lá para o ano de 2012, a avaliação do desempenho docente será séria, justa, assente num modelo de avaliação avalie exactamente aquilo que se propõe: a qualidade do desempenho docente. Não fosse a coerência um valor relativo, talvez se defendesse a eliminação da famigerada norma transitória.

Mas eu percebo, não obstante ter sido ajudado, e muito, pelo meu sentido religioso, que é tudo uma questão de fé. Por isso quero acreditar que em 2012 existirá um modelo de avaliação objectivo, justo, sério, que identifique o que é fundamental avaliar e que vise, em última estância, o bem estar das pessoas, das organizações e das sociedades.

Nils Brunsson diria, a este respeito, que a hipocrisia facilita bastante a manutenção da legitimidade das organizações.

Para os arautos do contencioso…

… ou no tempo em que Garcia Pereira fazia escola na luta dos professores, isto era notícia:

Avaliação de professores: providências cautelares aceites em tribunal

Os tribunais administrativos e fiscais de Coimbra e Beja admitiram as duas providências cautelares interpostas pela Fenprof tendo em vista a não consideração da avaliação de desempenho no concurso de colocação de professores, noticia a Lusa.

Um Xanax, por favor.

Continua o meu receio, creio que fundado. O estatuto do aluno será um emaranhado de normas inconsequentes e inimputáveis, será um estatuto ajustado à promoção do sucesso estatístico.

Terá esta gente ideia do número de faltas injustificadas dadas numa única semana pelos alunos de uma turma de um curso profissional? A minha, por exemplo? Não tem!

Terá esta gente ideia dos procedimentos necessários para comunicar as faltas injustificadas aos EE?

Passo a explicar: Eu, manga-de-alpaca, sob protesto, depois de copiar do livro de ponto para o sistema informático as faltas, por dia da semana, aluno e disciplina, solicito aos serviços administrativos um extracto do relatório de faltas. Depois, com o documento em punho, desloco-me à reprografia para fotocopiar o referido relatório (porque há que manter o dossier do DT devidamente actualizado) devolvendo-o aos serviços administrativos que o fará chegar, em carta registada, ao respectivo EE. Claro que pelo meio, ou no final, ou ao mesmo tempo, sei lá, ainda é necessário registar, em livro próprio, o acto administrativo. Semanalmente, falta após falta, o automatismo repete-se e o DT metamorfoseia-se no tipo da churrascaria que passa a vida a virar frangos.

Diz o Artigo 20.º (Faltas injustificadas) no nº 3: As faltas injustificadas são comunicadas aos pais ou encarregados de educação ou, quando maior de idade, ao aluno, pelo director de turma ou pelo professor titular de turma, no prazo máximo de três dias úteis, pelo meio mais expedito.

Bem, isto até é uma boa notícia.

O meu horário semanal considera ½ bloco para o atendimento aos encarregados de educação e ½ bloco para a minha nobre função de manga-de-alpaca (copiar as faltas do livro de ponto para o sistema informático e proceder, no caso de faltas injustificadas, à respectiva comunicação aos EE’s). Para cumprir a lei e comunicar aos EE’s, ou, quando maior idade, ao aluno, em tempo útil as faltas injustificadas (prazo máximo de 3 dias úteis), será necessário atribuir aos DT’s mais tempo semanal para a DT. Certo?

Diz o Artigo 22.º (Efeitos das faltas)

1 – Sempre que um aluno apresente excesso de faltas, tendo por referência os limites do artigo anterior, deve ser objecto de medidas de diferenciação pedagógica com o objectivo de promover aprendizagens que não tenham sido realizadas em virtude da falta de assiduidade, devendo a respectiva família ser informada e co-responsabilizada.

2 – Ultrapassado um número total de faltas injustificadas correspondente a duas semanas no 1.º ciclo do ensino básico, ou ao dobro de tempos lectivos semanais, por disciplina, nos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino secundário, a escola deve promover a aplicação da medida ou medidas cautelares previstas no artigo 26.º que se mostrem adequadas, considerando igualmente o que estiver contemplado no regulamento interno da escola.

(…)

E quais são as Medidas cautelares (Artigo 26.º)?

1 – São medidas cautelares, sem prejuízo de outras que, obedecendo ao disposto no número anterior, venham a estar contempladas no regulamento interno da escola:

a) Repreensão;

b) A ordem de saída da sala de aula, e demais locais onde se desenvolva o trabalho escolar;

c) A realização de tarefas e actividades de integração escolar, podendo, para esse efeito, ser aumentado o período de permanência obrigatória, diária ou semanal, do aluno na escola;

d) O condicionamento no acesso a certos espaços escolares, ou na utilização de certos materiais e equipamentos, sem prejuízo dos que se encontrem afectos a actividades lectivas.

e) A mudança de turma.

Expliquem-me como se eu fosse muito… socratino. Se o aluno falta muito, mas mesmo muito, e tem maior idade, aplicam-se as medidas cautelares descritas atrás? Presumo que a a) e b) não farão mossa. Quanto à c) e d) tenho algumas reservas da sua eficácia. Quanto à e)… mudar de turma até pode ser fixe… Dá sempre para socializar!

Divulgação

 PROGRAMA

coloquio.cartaz

8.30 –  Recepção aos Participantes/Entrega da documentação

9.00 – Sessão de Abertura

Director Regional de Educação Norte, Presidente da Câmara de Ponte de Lima, Secretário do Conselho Cientifico Pedagógico da Formação Contínua, Director do CENFIPE, Directora da Escola Sede do CENFIPE  e Representante dos CFAE do NORTE.

9.35  CONFERÊNCIA : “ OLHAR-SE AO ESPELHO ”

                Javier Murillo Torrecilla  ( Universidade de  Madrid )

10.30 – Comentário : Rui Trindade (Universidade do Porto)

Debate

11.10 – Coffee Break

11.35 – Apresentação do Projecto de Investigação/Linha de Acção do CENFIPE

            José Carlos Fernandes ( Director do CENFIPE)

            Fernando Ilídio Ferreira (Consultor do CENFIPE/Docente U. Minho)

11.50 – A VOZ DAS ESCOLAS AVALIADAS : DUAS EXPERIÊNCIAS

Agrupamento de Escolas de Freixo/Ponte de Lima

  Luís Henrique C. Fernandes (Director)

Agrupamento de Escolas de Constância/Escola Básica e Sec. de Luís de Camões

 Anabela Grácio (Directora)

12.40 – Comentário : Carlinda Leite (U. Porto)

 Debate

14.45 – MESA REDONDA  | AVALIAÇÃO DAS ESCOLAS : OLHARES SOBRE A  REALIDADE  PORTUGUESA

Almerindo Janela Afonso

Moderador | Universidade do Minho

José Maria Azevedo

 Inspector  Geral da Educação

 José Augusto Pacheco

Universidade do Minho

Catarina Tomás

Avaliadora Externa/ESE de Lisboa

Álvaro Almeida dos Santos

Presidente do Conselho  de Escolas

ENCERRAMENTO

 

MOMENTO CULTURAL

Academia de Música de Ponte de Lima

Lanche – convívio | Verde de honra

As inscrições estão limitadas ao espaço existente no Teatro Diogo Bernardes (280 Lugares)/Ponte de Lima e podem ser efectuadas através do site www.cenfipe.edu.pt onde se encontra informação adicional.