A arte do bitaite rigoroso

A imprensa e a blogosfera destacaram do debate parlamentar de ontem da comissão de educação, ciência e cultura, a tirada do ministro onde garantia que o MEC “estava a trabalhar para fazer, ainda este ano, uma vinculação extraordinária de professores contratados”. Num passe de magia, o ministro saca da manga a carta que deixaria desarmada a oposição e entreteria a comunicação social durante algum tempo, como se veio a verificar pelas manchetes da imprensa escrita de hoje.

Quando todas as movimentações de organização do ano letivo vão no sentido de aumentar a precariedade dos professores, o ministro acena com a possibilidade de engrossar a lista dos horários zero nas escolas. Ficou evidente que Nuno Crato aprendeu depressa as regras do jogo demagógico parlamentar, só que o debate de ontem revelou talvez a sua maior fragilidade política: a ausência de transparência pela ocultação da verdade. Sendo esta caraterística porventura inócua num político vulgar saído do anonimato, Nuno Crato comentador da coisa educativa fez assentar todo o seu discurso no jargão do rigor. Nuno Crato não podia ter fugido, como o fez repetidamente face às constantes interpelações da oposição, à revelação dos números de professores com horário zero que foram introduzidos nas plataforma informática pelos diretores das escolas. Este foi, a meu ver, o único facto político do debate parlamentar de ontem: a ocultação da verdade e, atente-se ao paradoxo, o medo dos números.

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