Arquivos mensais: Agosto 2011

Indecoroso

O Governo avisou hoje que os salários na Função Pública serão congelados pelo menos até 2013.

(…) preconiza-se o congelamento dos salários no sector público, em termos nominais, naqueles anos, bem como o impedimento, a qualquer título, de consequências financeiras associadas a promoções e progressões”

Se houvesse o mínimo de decência, acrescentariam:

Findo esse período, os funcionários públicos serão recolocados na carreira, contabilizado o tempo em que foi impedida a progressão.

Conselho de quê?

… Ele existe?… Afinal, a posição do Conselho de Escolas interessa a quem?

Educação: Conselho de Escolas vai tomar posição sobre avaliação dos professores
Ler mais: http://aeiou.visao.pt/educacao-conselho-de-escolas-vai-tomar-posicao-sobre-avaliacao-dos-professores=f619921#ixzz1WbwMAP7z

Nova(?) ADD – reescrita em “cratês”.

ADD_29_AgEm primeiro lugar há que reconhecer que, embora sem perder a incongruência interna porque não pode cumprir a função para a qual foi desenhado, este “modelito” está melhor do que a versão anterior. A inclusão dos docentes dos dois últimos escalões no processo avaliativo (e não discuto aqui a questão da qualidade, ou melhor, da falta de qualidade latente) foi uma boa decisão e a não contabilização da ADD para efeitos de concurso para os contratados (embora a solução encontrada tenha o despoletado outro problema, como exporei mais à frente) é uma medida acertada porque diminui a perversidade dos concursos.

Mas à medida que o ME aligeira as novas versões do “modelito”, ganha força a tese de que a ADD não é um problema de aferição do desempenho docente e de melhoria do desenvolvimento profissional. Para o MEC, a ADD é exclusivamente um instrumento de contracção da progressão na carreira.

Como o Governo não quer reconhecer esta evidência, insiste em remendar o “modelito” porque presume obter proveitos políticos com um acordo alcançado com qualquer sindicato.

Face às propostas de alteração apresentadas pela FENPROF e pela FNE (sei que houve mais contributos de outras organizações sindicais, mas só li as 2 propostas) houve o cuidado de limar as arestas mais toscas, designadamente, a dispensa dos docentes dos dois últimos escalões (Art. 20º) e a clarificação do perfil dos avaliadores externos (Art. 13º). Como é evidente, o problema continua por resolver porque os avaliadores internos podem ser de outro grupo de recrutamento se o coordenador do departamento não puder designar outro avaliador e tiver ele próprio de assumir essa competência (Art. 14º). A dispensa dos contratados da observação de aulas cavou ainda mais o buraco do rigor, ou da falta dele (Art. 18º). Se se reconhecem benefícios da observação de aulas no desenvolvimento profissional, como justificar este impedimento?

Estou convencido de que o MEC decidiu, voluntariamente, deixar alguns rabos-de-palha para a próxima ronda negocial, designadamente, a obrigatoriedade de observação de aulas aos docentes integrados no 2º e 4º escalão da carreira.

E pouco mais há a acrescentar a não ser reforçar a evidência de que este documento foi escrito em cratês, puro e duro. Quero com isto dizer que o rigor, que devia impregnar todo o documento, é uma falácia desvirtuada de sentido.

Pergunta retórica

Enquanto se vão conhecendo os contornos do “modelito” apresentado pelo MEC a 29 de Agosto, ocorre-me uma questão ingenuamente retórica 🙂

Se consideram difícil um alargado consenso sobre a agregação da ADD à progressão na carreira, o que dizer da discriminação dos desempenhos face a padrões que ainda estão por definir?

Deixem-se de hipocrisias…

O país não tem condições para assegurar a escolaridade obrigatória de 12 anos!

Famílias mais pobres obrigadas a pagar livros

A escolaridade obrigatória requer condições materiais que a garantam e a tornem realidade: o acesso ao estabelecimento escolar; o apoio às escolas para que sejam eliminados os obstáculos ao abandono escolar precoce e à exclusão; o apoio às famílias para que possam prescindir do trabalho infantil.

Se o Governo não é capaz de garantir estas condições mínimas que viabilizam a escolaridade obrigatória de 9 anos, é imperativo retroceder e anular os efeitos dos normativos que alargaram esse período para os 12 anos, sob pena de forçar milhares de famílias a viverem na ilegalidade ou, em alternativa, agravarem ainda mais as suas condições de vida.

Há quanto tempo não ouvia isto?… :)

Vodpod videos no longer available.

A culpa é da escola…

Sempre que renegoceio o pacote de TV por cabo, procuro enjeitar um conjunto alargado de canais dispensáveis face às preferências da famelga. É raro sair do meu naipe de escolhas e sempre que me sento para ver um programa televisivo a selecção foi pré definida. Faço zapping muito ocasionalmente e são raras as vezes em que fico pregado depois de tomar de assalto o comando. Hoje, ao passar pelo canal Q, canal 15 da Meo, deparo-me com o Otelo Saraiva de Carvalho, convidado de um programa de entrevistas biográficas conduzidas por Aurélio Gomes. Otelo é uma das personagens mais controversas do pós-25 de Abril. Creio que ninguém fica indiferente depois de o ouvir mesmo discordando das ideias mais “progressistas” ou mais “reaccionárias”. Perdoem-me a frase feita, que lhe assenta que nem uma luva: o homem tem uma história de vida carregada de história. Ao ouvir Otelo, a interrogação é incontornável: por que escasseiam personalidades políticas com substância?

A conclusão é óbvia: Creio que é culpa da escola! Não da escola básica e secundária porque essa apenas está interessada na instrução direccionada para a profissão. A culpa é da escola artística: A escola de formação dos “jotinhas”, que tem uma especialização em marionetas!