Arquivos mensais: Maio 2011

Combater a abulia.

José Matias Alves, no blogueTerrear, evoca um texto de Miguel Santos Guerra que toca bem fundo numa questão me é cara: a questão da vontade, ou mais precisamente, a educação da vontade. Para o desenvolvimento das capacidades psicomotoras é impossível subtrair o treino das capacidades volitivas, o treino da vontade, da perseverança, da disciplina face à adversidade. Todas as ferramentas escolares, todas as disciplinas escolares, suscitam a educação da vontade. Mas a Educação Física, pelo lugar que ocupa na escola, pela tipologia dos seus conteúdos, faz parte do núcleo duro de disciplinas escolares que mais induz a educação da vontade.

E se pensarmos que cada vez mais aparecem propostas (no interior e exterior da escola e dos programas curriculares) para a construção corporal sem esforço, sem actividade física e sem sacrifícios, percebemos quão importante é a promoção dos valores fundamentais da sociedade pela via do desporto.

Diz o roto ao nú…

Menezes: Sócrates "tem muito boy e girl para dar de comer"

A quem serve o curriculum utilitarista?

Há muito tempo que não lia um post que evidencia de modo tão claro o principal (?) problema que enferma o nosso sistema educativo: um curriculum educacional baseado nas necessidades de sobrevivência, utilitarista e irrelevante face aos desafios do futuro.

Foi no blogue De Rerum Natura que Helena Damião escreveu o post sob um olhar desenvolvimentista. E a mensagem é claríssima: Nós somos tontos porque “ensinamos a apanhar peixes para apanhar peixes, [ao invés de] … desenvolver uma agilidade generalizada que nunca se poderia desenvolver através do simples treino de fazer redes.

Dois em um.

Olha que maravilha: Com um voto apenas…

E não há mais ninguém do PS que se queira associar?

Não mordam o isco!

A política da terra queimada chegou aos médicos? A “avaliatite” percorreu toda a pirâmide do funcionalismo público e acabou por se instalar na classe médica? O SIADAP puro e duro, sem qualquer efeito ardiloso (como se verificou com o modelo de avaliação de professores), vai ser aplicado aos senhores doutores de medicina! Acompanhei a notícia só pelas parangonas porque, confesso, não é assunto que me tire o sono. As contradições do famigerado modelo da dona Lurdes já me dão sarna para me coçar. Adiante… Não li, nem tenciono ler tão cedo, a portaria que regulamenta a avaliação do desempenho médico. Li este post do Paulo relativo à possibilidade de existir uma portaria a aplicar exclusivamente aos médicos não sindicalizados.

É evidente que a publicação de uma portaria tão fracturante, que requer uma discussão mais alargada e prolongada no tempo, não é inocente: o PS parece agoniar a um mês das eleições e há que gerar o caos! Se as oposições morderem o isco, até é bem possível que a discussão de casos sectoriais, como este, faça desviar os holofotes da comunicação social para os problemas risíveis face ao estado do Estado.

Não vou dar esmola para esse peditório mas não resisto a uma piquena provocação: Devo presumir que os defensores do princípio utilizador/pagador ficaram satisfeitos com a utilização deste princípio numa negociação laboral? O benefício/prejuízo dos acordos devem ser suportados apenas pelos seus signatários ou instituições signatárias (e por extensão aos sócios das instituições signatárias)? Não seria este princípio que estava a ser defendido pelos professores que reagiram desfavoravelmente ao acordo firmado entre as organizações sindicais de professores e o ME de Isabel Alçada relativamente ao ECD? Não seria esta a ideia que estava subjacente à contestação daqueles que viram apenas os efeitos negativos do acordo e que discordaram da estratégia sindical adoptada?

Os imprescindíveis…

O vídeo que se encontra mais em baixo suscita várias leituras. Mas há uma leitura que é, a meu ver, incontornável e que Brecht problematizou no poema "Os que lutam": "Há homens que lutam um dia, e são bons; há homens que lutam por um ano, e são melhores; há homens que lutam por vários anos, e são muito bons; há outros que lutam durante toda a vida, esses são imprescindíveis." 

O depoimento realista e contundente da professora Amanda Gurgel chegou à chamada grande imprensa. Na tarde desta quarta-feira, ganhou página do jornal O Globo online, com a exposição do seguinte vídeo:

Boa e má onda…

Há salas de professores que me deixam deprimido! Há salas de professores que me revigoram! Perceber as causas pelas quais emergem estes dois sentimentos aparentemente antagónicos é um bom ponto de partida para se compreender a cultura escolar situada.