Arquivos mensais: Setembro 2006

Em defesa da escola pública

Apesar de haver elementos de bom senso na crítica aos sistemas escolares, nomeadamente a burocratização excessiva e a reduzida atenção às preocupações dos pais e da comunidade [aliás foi este tipo de crítica que levou muita gente a defender a construção de modelos de currículo mais baseados nas ambições da comunidade], o sentimento antiescola que está sendo formado na opinião pública parece-me destituído de sentido. Mesmo com as falhas evidentes das escolas públicas, elas oferecem uma espécie de cola social, um ponto de referência cultural comum na nossa sociedade cada vez mais multicultural.

A defesa da escola familiar ou do ensino à distância através da Internet rejeita, a meu ver, esta função da escola – coesão social – e ameaça as conquistas de grandes grupos de desprivilegiados e economicamente pobres. A discussão acerca do ensino à distância tem necessariamente de ter um quadro de referência: a justiça social.

Isto a propósito de uma agradável provocação do crack: “… porque teremos tanta dificuldade em perceber que não está longe o dia em que teremos os pais a exigir poder escolarizar os filhos sem o recurso permanente à escola material?”

[in: KORVUS INNOV@TION]

Mais do mesmo…

No Reino Unido
[…]
Dado que o desenvolvimento capitalista exige competição e estando ele já como se acaba de referir, a sofrer também com os reflexos de uma crise que se avoluma, as orientações neoliberais preocuparam-se então em desviar as funções dos educadores do seu papel de «entidades messiânicas» concebidas pelo Estados-Providência (entidades essas que partilhariam a tarefa de construção de uma sociedade mais justa) para o de entidades que deveriam ajudar o sistemas económicos a manterem-se rentáveis e competitivos. Sentindo a crise e uma situação que Elliot (1998) descreve como sendo de «histeria política», professores, formadores e investigadores em educação passaram a «bodes expiatórios» (Cortesão, 2000).

Pois…

Das aulas de substituição…

A aula de substituição foi uma das soluções encontradas pelo ME para ocupar os alunos durante a ausência de curta duração do professor.
O aplauso generalizado da opinião publicada e de um número restrito de professores [não me peçam estatísticas] evoca o argumento de que os alunos têm direito à matéria de ensino prevista num tempo e espaço definido à priori. Ao colocar o objecto de ensino [a matéria] no centro da acção educativa, a administração escolar parece defender a despersonalização da relação educativa e admite que o acto educativo não tem de ser necessariamente singular. A meu ver, é nesta abstracção do acto educativo que mergulha o paradigma do ensino à distância e que em certa medida já fora experimentado entre nós através da TV escola [a solução encontrada num tempo particular para resolver o problema do acesso massificado à educação escolar]

Mas a pergunta que me ocorre neste momento é a seguinte:
Serão as “aulas de substituição” um dispositivo de ensino transmissivo [Paulo Freire designava este tipo de ensino de educação bancária] que contradiz a tese da imprescindibilidade do professor?

Alento…

“um tirano só é grande aos olhos do cobarde” (Vergílio Ferreira)

Não creio que uma afirmação deste teor fique desalojada do [meu] tempo.

Aprender a negociar a mudança em educação

Na capa:
“Numa escola que é um compromisso negociado é preciso combater o medo da desordem e a obsessão do controlo…”

Na contra-capa:
“A outra face da medalha é mais conhecida: uma reforma conduzida sem ou contra os actores não só falha como deixa feridas e contribui para o desenvolver de mecanismos de defesa contra toda a inovação. Aqueles que investiram as suas forças e a sua inteligência para mudar a escola, muitas vezes indo bem mais além do que os seus mandatos, ficam tristes e amargos quando o seu trabalho não é reconhecido nem tido em conta. Saem da experiência fortemente decididos a não cair no mesmo jogo uma segunda vez.” (Perrenoud, 2002)

Um livro que não entrou, seguramente, nos gabinetes da 5 de Outubro…

Adenda: Há blogues que merecem crescer nas audiências pela natureza das reflexões produzidas. É o caso do blogue do Paulo GuinoteA Educação do meu Umbigo -.
Vale a pena passar por .

Parco em palavras…

A organização escolar [até podia generalizar para as restantes organizações] comporta-se de forma hipócrita. E a hipocrisia foi a solução encontrada para promover a estabilidade social e a felicidade dos actores que fazem parte da organização. Se a hipocrisia foi elevada à categoria de solução, para quê perdermos tempo com o problema – hipocrisia? …

Adenda: O Conselho de Ministros, reunido hoje na Presidência do Conselho de Ministros, aprovou o Decreto-Lei que altera o actual regime sobre a justificação da doença e respectivos meios de prova aplicável aos funcionários e agentes da administração pública, previsto no Decreto-Lei n.º 100/99, de 31 de Março, passando a exigir-se uma declaração emitida pelas entidades competentes do Serviço Nacional de Saúde, como único meio de prova idóneo para justificar as faltas por doença.

Hummm.. os atestados médicos dos médicos que trabalham nas entidades competentes do Serviço Nacional de Saúde são o único meio de prova idóneo para justificar faltas por doença. Os atestados médicos dos mesmos médicos passados nos seus consultórios privados deixam de ser meio de prova idóneo… Estou a ver… Isto é Simplex!!

Até podia recomeçar a entrada: A organização política comporta-se de forma hipócrita…