Flic flac…

… à retaguarda.

Estava errado!

O MEC, por enquanto, não vai premiar os boys cansados de salas de aula nem pretende purificar as redes dos caciques.

2 – Os mandatos dos  diretores que terminem  até final do ano escolar de 2012/2013 são prorrogados até que seja proferida decisão sobre a reorganização da rede de escolas públicas.
3  – Sempre que não se verifique a agregação da escola ou agrupamento, mantém o respectivo conselho geral o direito de recondução do director em exercício ou de abrir novo procedimento concursal nos termos dos artigos 22.ºe 25.º do presente diploma.

Nova proposta de regime de autonomia e gestão de estabelecimentos de educação pré-escolar e do ensino básico e secundário.

Como reestruturar as redes de caciques

Assim que um director de uma escola que ainda não foi agrupada terminar o seu mandato, fica impedido de voltar a candidatar-se e de ser reconduzido para um segundo mandato. A escola é tomada de imediato por uma comissão administrativa provisória, nomeada pelo Ministério da Educação. Esta comissão assume a gestão da escola e só dali sairá quando o governo decidir sobre a sua fusão com outros estabelecimentos de ensino ou agrupamentos escolares. A partir de agora e até ao fim do ano lectivo 2012-2013 terá de ser assim. in: http://www.ionline.pt/portugal/directores-impedidos-se-candidatarem-terminar-fusao-escolas

Um governo que usa e abusa da retórica meritocrática não devia enveredar pelo caminho dúbio de nomeações políticas em patamares intermédios da função pública. Se se confirmar que o ME nomeará as comissões administrativas provisórias, das duas uma:

Ou trata-se de um estratagema para premiar os boys cansados de salas de aula?

Ou pretendem purificar as redes dos caciques?

Surreal

A clubite e a partidarite são duas variantes de uma doença degenerativa do sistema nervoso central, digo eu que não sou médico.

Os portadores desta doença não têm a noção do real e vivem num estado de permanente alienação.

Não acreditam? Então atentem à sequência noticiosa:

FC Porto diz que gritos de macaco eram “Hulk, Hulk, Hulk”

Explicação do diretor de comunicação Rui Cerqueira sobre alegados insultos racistas no jogo com o City

F.C. Porto nega racismo e fala em mal-entendido

“Rui Cerqueira entende que tudo não passou de um mal-entendido. «Gritos como Hulk, Hulk, Hulk ou Kun, Kun Kun [referindo-se a Aguero] podem facilmente ser confundidos com cânticos racistas», explicou.”

FC Porto vai apresentar queixa à UEFA contra os adeptos do City

E se ainda tiver paciência veja este vídeo:

A falácia do rigor e da exigência

imageForam publicados os pré-requisitos exigidos para a candidatura à matrícula e inscrição no ensino superior. No que toca aos cursos de desporto, há cursos que exigem a realização de provas de aptidão funcional, física e desportiva.

Como sabem, há alguns anos a esta parte e sem uma razão sólida que o fundamentasse, os cursos de desporto orientados para o prosseguimento de estudos em desporto saíram do ensino secundário. E como o nível de exigência dos programas de educação física nas escolas situadas não tange os requisitos exigidos por uma grande parte das instituições de ciências do desporto, aos alunos de desporto não lhes resta outra alternativa a não ser o mercado paralelo. E não me refiro ao mercado das explicações, mais ou menos declarado, que acolhe a maioria dos alunos que necessitam de treino intensivo nas disciplinas sujeitas a exame nacional. Refiro-me a conteúdos de ensino que podem não fazer parte dos programas de educação física situados porque, como julgo que devem saber, é necessário escolher e optar o que pode ser ensinado em cada escola face ao leque muito alargado de atividades físicas desportivas que fazem parte dos programas nacionais.

O Ministério da Educação e Ciência (MEC) devia garantir a equidade no acesso ao ensino superior. A Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES) devia verificar se os pré-requisitos são ou não exequíveis.

Duas duas três:

Ou o MEC recria, nos cursos científico-humanísticos, uma área de opção em desporto;

Ou a CNAES (atendendo à presumível articulação vertical do sistema educativo como justificar que na constituição da CNAES não exista um representante do ensino básico e secundário?) impede os pré-requisitos inexequíveis;

Ou estamos a falar de rigor e de exigência à la crate.

Exaltação

Quem me conhece mais profundamente sabe como relativizo os valores que enformam uma sociedade materialista.

Quem me conhece mais profundamente sabe que me enriqueço com a inteligência e com a afabilidade daqueles que me envolvem.

Não peço mais da vida!

O que tenho basta-me…

Obrigado! 🙂

Neotayloristas

Há alguns anos atrás fui inquirido por um inspetor, durante uma ronda de entrevistas num painel de docentes no âmbito da avaliação externa da escola, sobre os pontos fortes do NOSSO projeto educativo.

A pergunta direta exigia uma resposta pronta. É evidente que conhecia o teor do projeto educativo, do regulamento interno, dos planos anual e plurianual de atividades, enfim, usando o linguajar tecnocrata, conhecia todos os instrumentos do exercício da autonomia reclamada ou a reclamar pela minha escola. Mas não tinha uma resposta pronta. Não sabia como sumular essa complexidade. Precisava de referentes e atirei uma pergunta para me situar na resposta:

Qual é o ponto forte do projeto educativo nacional?

Iriam imergir na lei de bases do sistema educativo para encontrar a resposta? Seriam capazes de me elucidar sobre a ideia de escola que lhe subjaz?

Como elaborar projetos educativos locais se não reconhecermos as traves mestras do projeto educativo nacional?

A conversa foi desembocar num baldio, numa terra de ninguém, naquele território onde os documentos oficiais ficcionam a realidade.

Isto vem a propósito da ideia peregrina que emerge das declarações do presidente do Conselho das Escolas que olha para a escola como se fosse uma coutada do diretor.

«O presidente do Conselho das Escolas diz não perceber os receios dos sindicalistas, ao temerem a falta de democracia, perante um modelo que actualmente entrega aos directores o poder de nomear as chefias das estruturas intermédias: “Os sindicalistas têm esta mania que nós só queremos yes boys a trabalhar connosco. É uma ideia profundamente errada, mas também não podemos nomear docentes que estão, por exemplo, contra a visão que temos sobre o projecto educativo da escola ou do agrupamento do qual somos responsáveis.”»

Por que temem a gestão democrática?

Ainda escrevi umas linhas para dizer quão obtuso é o modelo de gestão escolar que agora surge remendado pelo ministro Nuno Crato. O referencial democrático que devia enformar a organização escolar desapareceu e a escola corre o risco de perder uma das suas funções mais importantes: a fundamentação e difusão da democracia.

Entretanto o Paulo publicou este texto.

OS DUALISMOS E A GESTÃO ESCOLAR

Fiquei mais aliviado!

Atenção, senhores políticos incautos!

O descontentamento popular vulgarizou-se na retórica política e é apresentado como uma consequência compreensível da austeridade. A narrativa política hegemónica pretende que o descontentamento seja adotado pelo discurso do senso comum. Mas é arriscado este caminho da desvalorização do protesto e da “desinscrição” do real, porque emergirão outras formas da revolta se fazer existir.

imagem daqui

Desmitificar a competição.

No blogue DemoCrato encontrei este texto, que terá sido escrito por um pai e educador, aparentemente confuso com a competição, sobretudo pelos sentidos que ela encerra.

O conceito competição é um conceito axiologicamente neutro. São os formatos e os objetivos que lhe determinam o sentido, tanto na competição desportiva como na competição escolar ou na competição profissional. Como instrumento pedagógico, a competição é promotora da transcendência e da superação e só a ignorância a conota, pejorativamente, como antónimo de solidariedade e partilha.

A competição permite comparar, equiparar, aferir e ajustar modos de ser e de fazer. Seria possível construir a auto imagem e auto conceito sem o confronto com o outro? Uma coisa é desaprovar as formas de competição exacerbadas cujo enquadramento pedagógico é discutível. Outra coisa bem diferente é defender o isolamento dos petizes em ambientes inócuos como se a vida, biológica e comunitária, não fosse ela própria uma competição.

Se tratam o povo como burros…

… esperem pelo coice!

Há algum tempo que não ouço comentário político e económico. Esgotou-se a minha paciência com balelas que procuram mascarar a realidade e anestesiar o povo.

O comentário político hegemónico e a retórica do governo convergem na necessidade de reconquistar a confiança dos mercados, da troika, e de todas as entidades, reais ou fictícias, que nos agrilhoam com políticas de austeridade.

Se, por um lado, a austeridade é apresentada como um mal necessário, uma inevitabilidade; por outro lado o governo decide ir além do memorando de entendimento assinado com a troika.

O paradoxo é inaceitável!

“Fico atónito quando o Governo vai além da troika” (Dom Januário)