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Privatizar a educação – fraude eleitoral

O PCP pediu hoje a presença do ministro da Educação no Parlamento para explicar as “verdadeiras intenções” do Governo em relação ao financiamento do ensino obrigatório, considerando que existe o risco de introdução de propinas.

(…)
Para o PCP, “não há dúvida nenhuma” de que o primeiro-ministro se referiu “à introdução do pagamento de propinas” na escolaridade obrigatória, disse o deputado Miguel Tiago, em declarações aos jornalistas no Parlamento.

Passos Coelho foi claro: advoga a supremacia dos princípios e mecanismos de mercado sobre os princípios de cidadania e financiamento democráticos da escola pública. Passos Coelho defende um modo de privatizar a educação pela via do aumento da percentagem de financiamento da escola pública pelas famílias.

Se não podemos dizer que estamos surpreendidos com a ideologia neoliberal do primeiro-ministro, podemos dizer que as medidas que agora vem defender com o pretexto de não haver dinheiro para sustentar o Estado Social não foram sufragadas pelo voto dos pacóvios que nele acreditaram, o que configura, a meu ver, uma fraude eleitoral.

Se Portugal tivesse Presidente República, o governo seria deposto!

Manual de sobrevivência…

Fiquei indignado quando li um documento emanado do MEC explicando aos professores como se dirige uma reunião de trabalho entre pares. Foi uma espécie de manual para totós que supostamente pretendia minimizar os efeitos da intensificação do trabalho docente que surgiu animado pela avaliatite. Era um tempo em que recusava a ideia de que os professores devessem ser tratados como meros operários da educação, porque não eram acéfalos, porque eram intelectuais livres do pensamento. Aquilo era um manual para diretores de turma, delegados de grupo e coordenadores excessivamente zelosos que esticavam as reuniões até ao limite da paciência de um santo. A ideia do MEC seria o combate ao formalismo e ao esquematismo que faziam escola nesse tempo mas que ainda não desapareceram das práticas de alguns professores.

Hoje ficaria menos indignado!…

Mudam-se os tempos…

G(Cr)ato escondido com rabo de fora

É cada vez mais difícil de encontrar a linha que separa um ministro da educação de um mero sectário de matéria académica.

A jornalista Bárbara Wong chegou tarde, mas ainda bem que chegou lá…

Porque é que este ano o ministro não foi inaugurar/abrir um ano escolar?

Com medo que atirem um ovo?
Com medo que algum professor desempregado se atire para cima do carro?
Com medo dos protestos agendados pela Fenprof?
Não. O ministro não foi a qualquer escola, nem mesmo àquela onde já estava marcada a abertura do ano lectivo, na Benedita, onde estaria com o senhor primeiro-ministro, numa escola com contrato de associação, porque está ocupado. Está em Lisboa, no seu palácio das Laranjeiras (muito mais digno do que a 5 de Outubro) a receber os brilhantes alunos portugueses que participaram nas Olimpíadas internacionais da Matemática. Podia fazer o mesmo enquanto presidente da Sociedade Portuguesa da Matemática.
BW

Um bom reinício…

Clique para ouvir: Com dedicatória especial para @s colegas de Língua Portuguesa… ou Português.

😉

Emagrecem os resultados assim como emagrece o investimento…

Os últimos meses foram particularmente difíceis e, sem me dar conta, acabei o ano mais irritado, mais intolerante, mais suscetível, do que é costume. Pudera. As políticas de agressão aos funcionários públicos intensificaram-se e, na escola situada, as políticas de agregação de escolas puseram a nu o impensável.

Havia que sair de cena e, na blogosfera, recorri aos serviços mínimos. As leituras são intermitentes e só escrevo por necessidade, como é o caso, porque os tempos de regeneração devem ser respeitados.

Impõe-se, então, um breve comentário à “nossa” participação olímpica.

Um país que negligencia a cultura desportiva, que desinveste na educação desportiva, que tem uma política avulsa de desenvolvimento desportivo, só por mero acaso alcança resultados desportivos de alto nível. Gostei de ler este texto no arrastão. Acrescentar-lhe-ia talvez um ou outro excerto do texto que li no Público (6/8/12), numa carta à diretora, do leitor Joaquim Moura (versão papel). Destaco, por exemplo, o que diz sobre a “arrogância, vaidade, exigência sem nexo demagogia e pouca noção das possibilidades reais de alcançar as metas sonhadas, a vitória final, por parte dos acompanhantes, imprensa exagerada, e poder político, oportunistas…” Ou quando sugere “uma entidade qualificada, exterior, competente, que faça o estudo, o levantamento sobre o que fazem, em que é que são úteis, de facto, os excessivos membros da embaixada numerosa que acompanha os atletas nobres, e se tamanha comitiva olímpica se justifica tão alargada, tal como a despesa que acarreta e de retorno mais do que duvidoso.”

E por aqui me fico…

Se pensam que já batemos no fundo…

atentem à notícia:

Hoje entram em vigor um conjunto de alterações à lei laboral, algumas das quais terão um impacto quase imediato na vida dos trabalhadores. A partir de agora, as empresas podem reduzir para metade o valor das horas extraordinárias que pagam até aqui e o mesmo acontecerá com a compensação (em tempo e dinheiro) do trabalho em dia feriado. 

O que poderá provocar uma verdadeira hecatombe no serviço público da educação é a possibilidade do trabalho docente poder ser ainda mais intensificado. Para já é ainda distante a possibilidade do Banco de horas individual. Mas pensemos quão atrativos são, para um econometrista, claro, os períodos de interrupção das atividades letivas. Serão resmas de horários zero!…

“Banco de horas individual
A reorganização do tempo de trabalho que até agora só podia ser negociada coletivamente desce para o nível individual.

Assim, o empregador pode negociar diretamente com o trabalhador a criação de bancos de horas, tendo de observar dois limites: este não poderá exceder as 150 horas anuais e permite que em alturas de “picos” de atividade o tempo de trabalho passa ser aumentado em duas horas diárias.

A proposta é feita por escrito ao trabalhador e se este não responder no prazo de 14 dias considera-se que aceitou. Assim que 75% dos trabalhadores estiver de acordo, o banco de horas estende-se a todos. O grande objetivo deste instrumentos é permitir às empresas poupar com o pagamento de horas extraordinárias.”

Hoje, por Terras de Basto…

… não fiquei indiferente à figura:

Provavelmente, resquícios do debate da comissão de educação, ciência e cultura.