Arquivos mensais: Julho 2012

Participação portuguesa nos Jogos Olímpicos – Mais do mesmo

Os Jogos ainda agora começaram, há atletas que ainda não participaram nas suas competições, e os resultados alcançados e a alcançar irão suscitar discussões acerca do programa de desenvolvimento desportivo do país.

Face ao desinvestimento do governo no desporto escolar e na educação física (embora os burocratas insistam que se mantêm a regulamentação do deporto escolar e os créditos horários adstritos aos professores com grupos/equipas, convém esclarecer que essa mesma regulamentação impede a criação de novos grupos/equipas não satisfazendo as necessidades de prática para os alunos que mudam de escola ou de ciclo se na “nova” escola não existir oferta.), aumentaram as dificuldades de complementaridade entre os subsistemas escolar e federado. Dito de modo mais simplista, a escola e o clube desportivo (onde se promove o desporto da elite) não só estão de costas voltadas como se afastaram ainda mais.

Ainda é cedo para balanços, mas seria desejável que a discussão (que não deve ser lamechas pelos previsíveis maus resultados) sobre o desporto português considerasse os três objetivos para os programas de desporto juvenil: o objetivo educativo, o objetivo da saúde pública e o objetivo do desenvolvimento da elite. Há um quarto objetivo que, sendo menos aparente, não é menos importante: preservar, proteger, e realçar práticas do desporto.

Veremos como os comentadores televisivos multifacetados e os especialistas do regime abordam o problema e, mais importante, que soluções preconizam.

Espero, sentado, para ver…

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Entrei…

… em férias, virtualmente. Embora oficialmente  estou em férias desde 3ªf !

Hoje comprei o Expresso e só me falta ler a Bola…

É muito raro pagar para ler notícias. Mas não me importo de comprar umas boas gargalhadas mesmo que seja de jornalismo de pacotilha…

O Portas anda aí e já prometeu cacete.

Educação Física – Resposta do Diretor-Geral da Educação ao Diretor da FADEUP

Acabei de tomar conhecimento da resposta do MEC (por intermédio do Diretor-Geral da Educação, Fernando Egídio Reis) à tomada de posição da FADEUP depois de conhecido o teor da reorganização curricular que desvaloriza a disciplina de Educação Física, contrariando não só esta recomendação do Parlamento Europeu como os resultados da investigação que tem sido produzida nesta área de conhecimento.

É preciso muita desfaçatez para dizer o que disse o senhor Diretor-Geral:

O ponto 10 da Resolução “Exorta os Estados-Membros a tornarem obrigatória a educação física no ensino primário e secundário e a aceitarem o princípio de que o horário escolar inclua, pelo menos, três aulas de educação física por semana, embora as escolas devam, na medida do possível, ser incentivadas a ultrapassar este objectivo mínimo;”

Desafio aqui o senhor Diretor-Geral a provar que existe uma, e basta-me uma, escola pública do país que ofereça três aulas semanais de Educação Física. E se, por hipótese do absurdo, houvesse uma escola a oferecer esse tempo, ainda teria de demonstrar que são cumpridos os 45 minutos de tempo útil de aula que, como se sabe, não contempla o tempo de balneário – equipar e desequipar.

Deixe-se de demagogia barata e reconheça o óbvio e assumam lá a vossa visão atávica de desenvolvimento curricular!

Quanto à resposta falaciosa, junto o PDF para os interessados.

Mau! Se não acerta com a Matemática…

São decisões atrás de decisões sem qualquer sustentação científica ou pedagógica. Em nome de um racionalidade económica que o tempo se encarregará de fazer desacreditar, Nuno Crato tomou uma série de decisões cretinas, porque empobrecerão o serviço público de educação. Dou dois exemplos: a reorganização curricular conceptualmente errada, porque menospreza o desenvolvimento multilateral dos alunos;  e a gestão irracional de recursos, porque coloca em trânsito professores que são necessários às escolas e intensifica o trabalho daqueles que têm horas para completar horário.

Hoje, no blogue do Arlindo, encontrei dois pareceres de duas associações de matemática. Dão que pensar. Quem olha para as Metas de Aprendizagem como um instrumento de controlo e domesticação do trabalho dos professores, vê nestes dois pareceres um documento herético. Eu vejo uma evidência de como o cratês é uma falácia; é uma ideologia populista que assenta num falso critério de autoridade.

Pela análise apresentada, a SPIEM reitera a necessidade de o MEC retirar a proposta de metas curriculares em discussão. Note-se ainda que estão em fase de experimentação outras metas de aprendizagem sobre as quais não existe qualquer avaliação, pese embora a sua sintonia com o Programa de Matemática em vigor no ensino básico. Assim, a SPIEM recomenda que o Ministério da Educação e da Ciência, em vez de propor “novas” metas curriculares, canalize os seus esforços e investimentos para uma ação cientificamente sustentada e que permita que os alunos portugueses continuem a melhorar as suas aprendizagens matemáticas.

Sociedade Portuguesa de Investigação em Educação Matemática

 

O Conselho Nacional da Associação de Professores de Matemática (APM) considera assim que, não tendo ainda terminado a generalização do atual programa de Matemática, introduzir um documento que lhe é antagónico vai ter consequências negativas para o normal funcionamento nas escolas, perturbando o trabalho que os professores vêm realizando e, naturalmente também as aprendizagens dos alunos e a sua relação com a Matemática.

Lisboa, 23 de julho de 2012

Conselho Nacional da APM

Daltonismo cultural – uma consequência do “cratês”

No final do campo de férias, antes de recolher a miudagem, houve um breve período de reflexão. Pais e filhos, em pequenos grupos, revelam perceções: sobre o meio social e comunitário em que nos movemos; sobre as diversas representações de juventude. Tudo muito bem planeado pelos organizadores, com um guião simples mas que permitiu observar a pluralidade das representações de cada um dos participantes…

Depois foi necessário encontrar um porta-voz de cada grupo para, em plenário, revelar os consensos possíveis, o que não foi conseguido na medida em que, por falta de experiência ou por narcisismo, os representantes na maior parte dos casos representaram-se.

Das reflexões transmitidas foi possível perceber uma colagem aos discursos hegemónicos veiculados pelos fazedores de opinião, reveladores de um certo determinismo social – A sociedade carece de sujeitos competitivos, porque as oportunidades de sucesso são escassas e só premiarão alguns, poucos, diziam os mais entusiastas. Dirigindo-se para a miudagem adolescente, apelavam: “têm de estudar para vencer!…”.

É fácil de perceber que o cratês vai fazendo o seu caminho à custa da ausência de questionamento sobre o lugar que cada um quer ocupar no mundo e, fundamentalmente, sobre que mundo urge construir. A cultura de massas terá mesmo vencido, como afirma Clara Ferreira Alves (neste texto que surripiei ao Paulo). Porque bastaria que algum dos oradores colocasse a hipótese, vá lá, do absurdo, que o seu rebento ficará do lado dos perdedores.

Hoje, por Terras de Basto…

… não fiquei indiferente à figura:

Provavelmente, resquícios do debate da comissão de educação, ciência e cultura.

Divulgação

Da Associação Portuguesa de Estudos Clássicos (apecclassicos@gmail.com)

Prezados colegas:

O ensino do latim e do grego no ensino público em Portugal vive, de há muito, um enquadramento curricular modesto e precário, devido a intervenções legislativas desastradas que têm vindo a erodir as condições para a sua presença nas escolas.

A erosão já é longa: desde reformulações precipitadas dos curricula escolares até às alterações nas competências requeridas para a profissionalização dos docentes na área de Português e de Línguas Clássicas, chegámos finalmente ao bem conhecido de todos os docentes despacho 5106-A/ de 2012 (https://www.portaldasescolas.pt/imageserver/plumtree/portal/matnet/Despacho_5106A_2012.pdf Definição de um conjunto de normas relacionadas com as matrículas, distribuição dos alunos por escolas e agrupamentos, regime de funcionamento das escolas e constituição de turmas ), que determina o número mínimo de vinte alunos para a abertura de disciplinas de opção.

O Ministério da Educação foi alertado pelas escolas, associações científicas e sindicatos para as consequências da aplicação deste normativo para o ensino de disciplinas como Francês, Alemão, Latim e Grego, para nos limitarmos exclusivamente à área das línguas, sabendo contudo que este enquadramento é pernicioso para outras áreas disciplinares.

Contudo, o mesmo despacho, no ponto 5.3, admite:

5.13 — A constituição ou a continuidade, a título excecional, de turmas com número inferior ou superior ao estabelecido nos números anteriores carece de autorização dos serviços do Ministério da Educação e Ciência territorialmente competentes, mediante análise de proposta fundamentada do diretor do agrupamento de escolas ou escola não agrupada, ouvido o conselho pedagógico.

Temos conhecimento de que foi emitida, no dia 17 de julho uma recomendação (n.º 4502) às Direcções Regionais (DREN;DREC;DREL; DREALENTEJO, DREALG) com carácter de urgência, para que autorizem a abertura de turmas das disciplinas de opção do 10.º e 11.º anos (com referência específica ao Latim e ao Grego) com número inferior a 20 alunos.

Essa possibilidade já se encontrava prevista no despacho 5106-A/2012 de 12 de abril no ponto 5.13, mas há Direções de escolas que, no momento de programar o número e tipo de turmas para o próximo ano letivo e da consequente afetação de recursos docentes para a sua lecionação, ignoram este ponto e não são suficientemente esclarecidas pelas Direções regionais ou outros organismos de tutela.

Devem os professores, as famílias e os alunos interessados na frequência destas disciplinas insistir pelo seu cumprimento, pois há base legal para pedir autorização de abertura de turmas de Latim ou Grego com menos de 20 alunos.

O pedido de autorização pode ser fundamentado com argumentos como, por exemplo, a escola ter professor habilitado para lecionar essas disciplinas (professores do grupo 300 e 310, ou seja, professores com formação base em Português ou Português Latim e Grego); e, sobretudo, o facto de não haver, num limite geográfico razoável para as famílias, escolas que disponham dessa oferta.

Estamos disponíveis para esclarecer os colegas que nos quiserem contactar.

Coimbra, 20 de Julho de 2012

Paula Barata Dias

(Presidente da Associação Portuguesa de Estudos Clássicos)