Participação portuguesa nos Jogos Olímpicos – Mais do mesmo

Os Jogos ainda agora começaram, há atletas que ainda não participaram nas suas competições, e os resultados alcançados e a alcançar irão suscitar discussões acerca do programa de desenvolvimento desportivo do país.

Face ao desinvestimento do governo no desporto escolar e na educação física (embora os burocratas insistam que se mantêm a regulamentação do deporto escolar e os créditos horários adstritos aos professores com grupos/equipas, convém esclarecer que essa mesma regulamentação impede a criação de novos grupos/equipas não satisfazendo as necessidades de prática para os alunos que mudam de escola ou de ciclo se na “nova” escola não existir oferta.), aumentaram as dificuldades de complementaridade entre os subsistemas escolar e federado. Dito de modo mais simplista, a escola e o clube desportivo (onde se promove o desporto da elite) não só estão de costas voltadas como se afastaram ainda mais.

Ainda é cedo para balanços, mas seria desejável que a discussão (que não deve ser lamechas pelos previsíveis maus resultados) sobre o desporto português considerasse os três objetivos para os programas de desporto juvenil: o objetivo educativo, o objetivo da saúde pública e o objetivo do desenvolvimento da elite. Há um quarto objetivo que, sendo menos aparente, não é menos importante: preservar, proteger, e realçar práticas do desporto.

Veremos como os comentadores televisivos multifacetados e os especialistas do regime abordam o problema e, mais importante, que soluções preconizam.

Espero, sentado, para ver…

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14 thoughts on “Participação portuguesa nos Jogos Olímpicos – Mais do mesmo

  1. NP66 31/07/2012 às 12:28 Reply

    Mas algum corte no Desporto Escolar já teve alguma influência NESTES atletas?

    • Miguel Pinto 31/07/2012 às 12:32 Reply

      Como disse, a escola e o clube desportivo (onde se promove o desporto da elite) não só estão de costas voltadas como se afastaram ainda mais. Logo, mantendo e agravando a receita não se pode esperar melhores resultados, Nélson.

  2. NP66 31/07/2012 às 13:14 Reply

    Sim, mas isso será no futuro… e eu ainda estou confiante que isto acabe por ser rectificado.
    Este fim de semana estive a falar com um dos responsáveis do PRODEFDE (lembras-te?) no distrito da Guarda, com passagem pela DREC… e chegámos à conclusão que nada voltará a ser igual… mas é claro que a esperança de que as coisas não se degradem ainda mais é alguma! 🙂

    • Miguel Pinto 31/07/2012 às 14:24 Reply

      Claro que não é de agora, Nélson. Se existe alguma convergência nos discursos que emanam da instituição escolar e dos clubes desportivos, ela baseia-se no princípio da complementaridade entre os dois subsistemas. A problemática desta relação não está tanto na aceitação de um compromisso entre as duas instituições (já que ambos reconhecem essa inevitabilidade), mas está centrada nas funções que cada uma deve assumir no processo de preparação desportiva da criança e do jovem. E isto levar-nos-ia longe… mas não temos tempo 😉 Abraço.

  3. Rui Ferreira 01/08/2012 às 22:58 Reply

    Contudo, faltou ainda referir no post o seguinte:
    Que a grande maioria dos bons resultados tidos até ao momento por vários atletas portugueses devem-se mais a esforços pessoais do que ao investimento realizado nesta área.
    Muito temos ainda de palmilhar …

    • Miguel Pinto 02/08/2012 às 13:53 Reply

      É isso mesmo, Rui. Alcançar bons resultados desportivos, num país sem qualquer política de desenvolvimento desportivo, só por mero acaso…

  4. Paulo Guinote 15/08/2012 às 10:00 Reply

    Como se sabe há países africanos cheios de meios humanos e financeiros que nem sequer conseguem resultados… Conversa de bostik, de café para profes desocupados e lamentando-se pr falta do subsidiozinho.
    >e eu que pensava que estas coisas também se conseguiam com gosto e vocação… não… o “encosto” é que faz falta á malta.

    • Miguel Pinto 15/08/2012 às 19:09 Reply

      É possível obter resultados de alto nível por geração espontânea. Não é possível obter resultados de alto nível consistentes num leque alargado de modalidades desportivas sem uma política de desenvolvimento desportivo com forte investimento do Estado, claro. O recente exemplo da Grã-Bretanha no último ciclo olímpico é paradigmático. Mas “fazer mais com menos”, só no país de faz-de-conta do Passos Coelho.

    • Rui Ferreira 16/08/2012 às 17:49 Reply

      Que comentário mais parolo. Que desilusão.

      • Miguel Pinto 16/08/2012 às 17:54 Reply

        ? Não percebi, Rui.

        • Rui Ferreira 16/08/2012 às 23:07 Reply

          O comentário do Paulo Guinote baseia-se numa ignorância atrevida. Não esperava, confesso.
          Quem não sabe cala-se. No mínimo exige-se o uso de expressões do tipo “em meu entender”, “em minha opinião”, … Assim, a ignorância ainda se tolera. Nos moldes como o fez revela má fé, má educação e má formação.

          • Miguel Pinto 17/08/2012 às 00:07 Reply

            ok… está situado o teu comentário 🙂
            Mas regressando ao que importa, creio que devo aclarar um pouco mais: O desporto é plural de formas e modelos, valores e sentidos. Quando afirmo, insistentemente, que este governo, à semelhança de outros que o antecederam, não tem uma verdadeira política de desenvolvimento desportivo quero dizer que a LBAFD (http://www.idesporto.pt/ficheiros/file/Lei_5_2007.pdf ) em vigor é equívoca e redutora, como é demonstrado aqui (http://www.wook.pt/ficha/em-defesa-do-desporto/a/id/194663) por Jorge Olímpio Bento. E se o governo não percebe o erro acerca da falácia da “atividade física”, que está plasmada na lei – e que bom seria que fosse apenas um erro linguístico, não poderá arquitetar um modelo de desenvolvimento do desporto.

            • Rui Ferreira 17/08/2012 às 15:09 Reply

              Caro Miguel,

              Não gosto deste tipo de discurso mas desta vez vou tê-lo por uma questão de melhor entendimento: estou no desporto ao mais alto nível já lá vão muitos anos, primeiro como atleta e depois como seleccionador nacional e nunca fui pago (subsídio), deitando assim por terra toda a fundamentação de uns ditos especialistas. Só que todo este empenho nunca chegou (nem nunca chegará) para fazer história. Longe disso.

              Sendo técnico nesta área custa-me a constatar todos os dias, no futebol e noutras modalidades desportivas, por vários intervenientes no sistema (ignorantes técnicos = incompetentes) ou fora dele (ignorantes curiosos), a ignorância e a leviandade que reveste os diferentes discursos. Para nós que somos da área é muito fácil desmontar tais ignorâncias. Quando falamos de rendimento desportivo (é sempre sobre isto que se fala) teremos de falar obviamente nos factores que o afectam, segundo Matveiév, Buchard ou outro, não interessa (até porque eles se tocam, apenas diverisifcando as terminologias). Posto isto, sempre que alguém fala sobre a vitória/derrota apontando toda uma série de razões que não encontra paralelo com os factores do rendimento desportivo é ignorante.

              Sempre disse isto: não tolero ignorância técnica por se considerar incompetência; não tolero ignorância de curiosos formados (universidade) seja ela qual for a área (porque a academia deve dar a noção de ignorância); tolero apenas os ignorantes curiosos não formados.

              Aproveito também este comentário para me referir às recentes declarações de Vicente Moura: depois de ter estado (ainda está) 17 anos à frente do Comité Olímpico Nacional, logo um elemento com responsabilidades nesse sector, só agora é que vem dizer que o sistema desportivo nacional está obsoleto? Agora que vem para fora do sistema? Como pode? Eu sei como é que pode, chama-se carneirismo e nepotismo. Este sim o grande problema que o país tem. Não é tanto quem nos governa (ou governou). É sim os técnicos com responsabilidades directas no executivo. Mas também sei que quando o técnico se assume, o político trata logo de o pôr fora. Enfim.

              Peço desculpa pela extensão do comentário.

  5. Paulo Guinote 15/08/2012 às 10:00 Reply

    “Eu”.
    “à”

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