Por que vale a pena lutar?

Michael Fullan e Andy Hargreaves, fizeram publicar em 1991, no Canadá, um texto que ainda considero atual. Por que vale a pena lutar? aclara o modo como podemos transformar as escolas em lugares atrativos  e gratificantes e aborda as formas de introduzir alterações significativas  na vida quotidiana e na experiência de cada vez mais docentes, diretores de escolas e alunos.

Havia muito a dizer sobre o livro e, fundamentalmente, sobre as questões que ele suscita. Quem o leu sabe bem do que falo e para quem não o leu aconselho vivamente a leitura, até porque não pretendo reduzir e empobrecer o seu conteúdo a meia dúzia de linhas soltas.

Hoje, as circunstâncias que marcam o nosso quotidiano são extremamente conflituantes e potencialmente tensas. Há dois tipos de exaustão que, nas palavras dos autores, provoca efeitos opostos nos professores: o primeiro decorre das batalhas solitárias, dos esforços não reconhecidos, da perda de terreno e de um sentimento crescente e corrosivo de impotência; o outro tem a ver com aquela espécie de cansaço total que acompanha o trabalho duro enquanto membro de uma equipa, um reconhecimento crescente de que se está envolvido numa luta que vale a pena travar e de que aquilo que se está a fazer tem um efeito crítico junto de uma criança ou de um colega desanimado. Com o tempo, o primeiro tipo de exaustão faz sentir os seus efeitos sobre a motivação do docente mais entusiasta; o segundo tem a sua própria reserva interna que nos permite recuperar após uma boa noite de sono. Na realidade o primeiro tipo provoca ansiedade e insónias, enquanto o segundo induz o descanso e a regeneração das energias.

Pergunta retórica: será o nosso dispêndio de esforço inglório ou vantajoso?

Dependerá de cada um de nós, embora a solução não dependa exclusivamente de nós. São os indivíduos e pequenos grupos de professores e de diretores que terão de criar as culturas profissionais que desejam.

Ora, quem lê criticamente as caixas de comentários dos blogues mais frequentados, quem for capaz de observar com distanciamento as lutas inter geracionais de docentes de teor autofágico, percebe que nós temos a solução, que nós somos a solução!

Sem esta consciência de classe, sem entendermos que este é o ponto de partida, não há plano de ação que nos valha, por mais assertivo que ele nos pareça.

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One thought on “Por que vale a pena lutar?

  1. Pexim 16/07/2012 às 12:07 Reply

    Agradeço o poste e a bibliografia.

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