Arquivos mensais: Outubro 2006

Dilemas…

O ECD em vigor e a proposta de revisão coerciva do ME apelam a um profissional reflexivo. O conteúdo funcional do professor requer um profissional que desenvolva competências pessoais, sociais e profissionais para conceber respostas inovadoras às novas sociedades do conhecimento; Reclama do professor uma fidelização às orientações de política educativa num quadro de formação integral do aluno. Exige responsabilidade profissional e autonomia técnico e científica, assente numa lógica de participação activa na comunidade escolar, na comunidade local e com outros parceiros educativos.

  • Com que direito o docente se pode opor a políticas de educação, quando é um assalariado, obrigado pelo estatuto [como referi atrás] a respeitar as orientações de política educativa, resistindo a reformas democraticamente decididas por um poder legítimo?
  • Em que medida o docente se pode considerar livre de se demitir do que se lhe requer, quando essa exigência lhe parece contrária aos seus valores ou que o que se lhe pede está para além das suas forças?
  • Qual é a fronteira entre uma perspectiva individualista, confundida muitas vezes com uma perspectiva estritamente sindical e que pode ser entendida, pela opinião pública e pelos próprios, como uma defesa de regalias e interesses meramente pessoais, e uma perspectiva altruísta, que visa defender a cultura, os interesses e a formação integral dos alunos, e o serviço público?

Endireitar Portugal

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Sugestão de leitura

Olhe que vale a pena ler este texto do crack!

Adenda: As técnicas da nova propaganda (2) – Continuação do artigo de opinião da semana passada do Eduardo Cintra Torres.

É um projecto é!

Na página da DGIDC o destaque é o projecto é! Depois de ler a sinopse do projecto fiquei convencido de que se trata de mais uma iniciativa redundante do ME. “O Projecto é! é um projecto de acção global da escola de educação para o empreendedorismo. A Educação para o empreendedorismo é!: Educação transversal para a vida; centrada na acção; focalizada no processo e nos resultados; coerente e constante; integrada multidisciplinarmente; contextualizada; auto-construída pelos/as alunos/as.
O projecto é! é, a meu ver, mais um apelo à faceta utilitarista da escola. Depois da promoção dos cursos profissionalizantes que visam a mão-de-obra qualificada, era necessário promover as competências-chave e o espírito empreendedor para os gestores do futuro: “Autoconfiança/Assumpção de riscos; Iniciativa/ Energia; Resistência ao fracasso; Planeamento/Organização; Criatividade/Inovação; Relações interpessoais”.

A linearidade do pensamento dos decisores políticos é confrangedora: Penso num problema social, económico, ecológico, ético, estético,… crio uma comissão que engendra um projecto, nasce um plano para ser aplicado na escola – uma educação para…. , faço uma apresentação pública com mais ou menos pompa e circunstância, envio às escolas uns prospectos e informações com mais ou menos detalhe,… e espero pelos resultados… e como não tenho tempo para esperar porque sou uma pessoa muito ocupada e a minha função é de curto prazo, o melhor é regressar para o gabinete porque o mundo reclama a minha presença… e os meus projectos.

Que triste sina…

Discursos da treta…

Adenda: A imagem que já se encontrou aqui, à esquerda, foi desviada para outra entrada…

Conversa da treta…

Foi através do blogue Ensinar na Escola que li um excerto da entrevista do Nuno Crato (NC) ao www.educare.pt. Do diagnóstico dos problemas da Educação, NC destaca “o centralismo ministerial que retira às escolas a possibilidade de contratarem os melhores professores, arranjarem soluções adequadas às suas especificidades, etc.”
Não vou questionar o “modus operandi” da selecção de professores que NC advoga, nem o sistema de competição das escolas pelos “melhores professores”, nem tão-pouco me irei interrogar se há algum aluno que mereça ser contemplado com um mau professor [presumo que na hierarquia dos professores seleccionados alguém teria de ficar no fundo da tabela mesmo admitindo que muitos dos maus professores fossem excluídos do sistema].
O que me interessa destacar desta afirmação é uma incoerência de fundo que convém esclarecer, sob pena de NC poder ser acusado de adoptar o mesmo tipo de discurso que ele próprio repudia e que legitimou a edição do seu livro “Eduquês”:

É que o tipo de ideologia que produz situações de competitividade e de selecção entre escolas, professores [e na mesma linha, os alunos], resultam numa recentralização do poder de decisão sobre as escolas (político-administrativamente), ao invés da realização do tão proclamado princípio da descentralização e da autonomia.
O apelo a mais exames, mais avaliação, mais avaliação externa do tipo contábil, mais formas punitivas, mais vigilância, exige modelos positivistas e formas de organização universais que não admitem diversidade de processos e de referências contextuais. E neste sentido, onde está a autonomia?

Adenda: O ECD da Sra. Ministra – versão apressada

Ufffa…

… 35 horas? Pois…