Arquivos mensais: Julho 2007

Até já!…

Fica marcado o reencontro para a 3ª semana de Agosto. :o))

Anúncios

Balanço II…

“Os amigos fazem-nos engordar? Dizem que sim. Um estudo nos Estados Unidos, um dos países onde se é mais gordo, conclui que a obesidade se dissemina como uma doença infecciosa, só que através dos laços sociais. Assim, quem tiver um amigo obeso correrá riscos de ficar como ele, ainda mais se ambos forem do mesmo sexo. Os irmãos e os casais também se influenciam na gordura, embora em menor grau do que os amigos.”

Foi no Público que encontrei esta referência: um estudo americano apresenta a obesidade como um fenómeno que se processa em rede. Presumo que o motivo de destaque da notícia esteja associado mais ao efeito recreativo da notícia (que levará muitos dos leitores a gracejar e a questionar a malignidade/benignidade do morfótipo do círculo de amigos) e menos ao quê de inovador da descoberta.
Há muito tempo que se sabe que a obesidade sofre a influência de factores indirectos – como o estatuto sócio económico e o envolvimento do contexto cultural. Há muito tempo que são conhecidas as influências comportamentais (dietas, actividade física, exercício físico e tabagismo) que, por sua vez, são condicionadas por uma série de factores biológicos, tais como a hereditariedade, idade, género e programação fetal.

Que este jornal dê um destaque ao problema da obesidade pela via mais populista até se percebe, o que não se percebe é o silêncio ensurdecedor (numa época em que os silêncios são cada vez mais coercivos e menos optativos) das autoridades responsáveis pelas questões da saúde pública e da educação.

Não é estranho que a escola se demita de afrontar o problema da obesidade infanto-juvenil, atacando os factores directos, designadamente, as dietas (que são oferecidas nas cantinas e nos bares da escola) e os programas de actividade física (nos tempos lectivos e não lectivos)?

Ou será que a escola, entretida com a formação de mão-de-obra para compor estatísticas internacionais, deixou de se preocupar com as necessidades básicas da pessoa que mora no aluno?

Balanço…

A Escola deixou de ser aceite como um referencial de verdade, viu destruída a sua autoridade moral e desgastado o prestígio da função docente. Confrontada com a indústria do audiovisual e com os meios de comunicação de massas, a Escola perdeu não só a exclusividade da transmissão da cultura em geral e da ciência em particular, como foi ultrapassada em termos de eficácia por esses meios. Sem autoridade e sem o exclusivo, ou sequer o melhor desempenho na transmissão do saber, parece pertinente perguntar, qual o papel que ainda poderá ainda caber hoje à Escola?

Será que perdeu? Será essa perda real ou apenas percepcionada? Com que critérios avaliamos a transmissão de saber através da generalidade dos Órgãos de Comunicação Social? Será *informação* o ponto de vista particular de uma cadeia de audiovisuais pertencentes ao mesmo grupo económico? Será *transmissão de conhecimento* a propaganda astrológica e outras efabulações new age que nos são transmitidas pela televisão? Constituirá *conhecimento* o manancial de dados e opiniões disponíveis na internet mas não submetidos a nenhum sistema de verificação de credibilidade? E seria desejável que tal sistema existisse? Extrapolando, seria ou não conveniente a existência de um mesmo sistema de verificação de qualidade para a Escola – por exemplo, para os manuais escolares? Transmitirá a Escola os devidos conhecimentos e, sobretudo, os devidos valores? Deverá a Escola educar para os valores? Em caso afirmativo, que valores serão esses? A escolha desses valores e desses conhecimentos devolverá à Escola a sua posição referencial na transmissão de cultura? Constituirá isso o âmago da profissão docente? SL

Apoio à APD

A Associação Portuguesa de Deficientes é uma organização de pessoas com deficiência, constituída e dirigida por pessoas com deficiência. Enquanto organização de direitos humanos, tem por objecto a promoção e defesa dos interesses gerais, individuais e colectivos das pessoas com deficiência em Portugal.

Baseada no princípio de que as pessoas com deficiência são os peritos em matéria de deficiência, que conhecem melhor que ninguém os problemas que enfrentam e as soluções para os ultrapassar, a APD não limita a sua acção à denúncia das situações de discriminação de que são objecto estes cidadãos. Analisa, dá pareceres, apresenta soluções, por forma a influenciar as medidas e políticas em matéria de deficiência.

Do blogue do Henrique à Associação Portuguesa de Deficientes foi um pequeno passo. Acedi ao seu convite para divulgar a APD e seleccionei este testemunho, escrito na 1ª pessoa, para robustecer a iniciativa blogoEsférica.

Uma pedrada no charco…

Contra o medo, liberdade*

“[…] O que não merece palmas é um certo estilo parecido com o que o PS criticou noutras maiorias. Nem a capacidade de decisão erigida num fim em si mesma, quase como uma ideologia. A tradição governamentalista continua a imperar em Portugal. Quando um partido vai para o Governo, este passa a mandar no partido, que, pouco a pouco, deixa de ter e manifestar opiniões próprias. A crítica é olhada com suspeita, o seguidismo transformado em virtude.

[…] Não tenho qualquer questão pessoal com José Sócrates, de quem muitas vezes discordo mas em quem aprecio o gosto pela intervenção política. O que ponho em causa é a redução da política à sua pessoa. Responsabilidade dele? A verdade é que não se perfilam, por enquanto, nenhumas alternativas à sua liderança. Nem dentro do PS nem, muito menos, no PSD. Ora isto não é bom para o próprio Sócrates, para o PS e para a democracia. Porque é em situações destas que aparecem os que tendem a ser mais papistas que o Papa. E sobretudo os que se calam, os que de repente desatam a espiar-se uns aos outros e os que por temor, veneração e respeitinho fomentam o seguidismo e o medo.”

*Manuel Alegre

Professor – De transmissor a mediador da informação…

Anunciado o programa Plano Tecnológico para a Educação apareceram as críticas que antecipam um conjunto de problemas, que podem ser agrupados em quatro áreas:

1. Segurança dos equipamentos e das redes de informação;
2. Manutenção dos equipamentos;
3. Financiamento dos consumíveis e renovação/actualização do equipamento;
4. Reconfiguração do papel do professor com reforço da função de mediador no acesso à informação.

Os problemas das primeiras três áreas são de fácil resolução.
Os problemas com a segurança e manutenção dos equipamentos podem ser resolvidos: por um lado, através da criação da carreira profissional de auxiliar técnico informático (é uma das saídas para os alunos do curso profissional de informática); e por outro, acabando com o espartilho normativo da gestão do crédito horário dos docentes.
O problemas relacionados com o financiamento serão suportados inicialmente com os dinheiros de Bruxelas e quando a fonte de Bruxelas secar será necessário aproveitar a “boa-vontade” empresarial (a TMN já deu o primeiro passo sendo o parceiro privilegiado no programa novas oportunidades) e reforçar os orçamentos das escolas.

Os problemas de maior complexidade e de difícil resolução têm que ver com a reconfiguração do papel do professor por via da alteração dos modos como se produz o conhecimento. De dono e detentor da informação, o clássico transmissor (professor) passará a ser, dentro da sala de aula, um mediador no acesso à informação. É natural que esta mudança estrutural seja geradora de conflitos e de resistências. Estamos numa zona de incerteza onde o professor, a partir da sua percepção da situação, quer controlar. Não quer perder protagonismo, não quer perder o poder, teme que o já depauperado estatuto profissional se degrade ainda mais.
Não quero enveredar por uma visão fatalista mas o ofício de professor, tal e qual o reconhecemos hoje, poderá estar em risco de extinção.

Olhar despido…

Ontem enviei um vídeo com imagens que eu rotulei de fantásticas a um conjunto de amigos e colegas. Lancei sobre elas, tanto quanto me foi possível, um olhar inocente, axiologicamente neutro.
Hoje, recebi o seguinte comentário:

Receio que as imagens que enviaste se reportem mais à Coreia do Norte do que propriamente à China. O retrato que aparece é do pai do actual líder da Coreia um tal Kim no sei quê. A questão não é despicienda. A China não é muito melhor do que a Coreia no que respeita aos direitos humanos mas a China tem feito um esforço de realçar e na verdade os jogos olímpicos poderiam justificar tanto aparato. Mas deixa-me dizer-te que nunca fui um apreciador destes eventos colectivos, massificados e que ao bom estilo dos …ismos se propagandeavam as ditaduras de Hitler a Estaline e de Fidel a Salazar no caso português no estádio nacional através da mocidade. De qualquer forma reconheço um trabalho aturado e pormenorizado que não me custa a admitir de grande esforço.

Questiono-me se será possível apreciar uma obra de arte ou uma expressão artística depreciando o contexto em que ela foi produzida? Será possível lançar um olhar de espanto para a muralha da China ou para a Torre do Dubai sem deixar que o nosso pensamento indague a natureza dos seus alicerces?