Arquivos mensais: Janeiro 2012

Reforço da Educação Física – Uma questão de equidade e de equilíbrio na oferta curricular.

A proposta do conselho de escolas que aponta para um reforço da disciplina de Educação Física é um exercício de lucidez!

1. Porque a amplitude, complexidade e profundidade dos conteúdos programáticos, que decorrem dos objetivos que foram estabelecidos e dos pressupostos materiais e pessoais condizentes, requerem um alargamento do horário semanal da disciplina de Educação Física que se deve aproximar de uma hora diária da prática desportiva. O contexto de vida aconselha a extensão da Educação Física escolar!

2. É verdade que a decisão político-administrativa de reajustar as cargas horárias das disciplinas escolares é difícil porque os ganhos de umas disciplinas revertem em prejuízo de outras. Se é um dado inquestionável que todas as disciplinas são importantes pela especificidade dos seus conteúdos, importa perceber se há ou não redundância na estimulação das múltiplas inteligências. Se há disciplinas em excesso face ao tempo disponível, terá de ser este o único critério a determinar a diminuição ou alargamento do tempo adstrito à cada disciplina escolar. Ora, sabendo que a Educação Física escolar é a única disciplina que visa preferencialmente a corporalidade, é difícil de perceber as razões pelas quais o sistema educativo maltrata o corpo e porque rejeita as oportunidades de educação e formação que o corpo proporciona.

Conselho de escolas – Reforço da Educação Física

Também estou curioso, Arlindo. Gostava de ter acesso ao parecer do conselho de escolas que, segundo a imprensa, defende o reforço da disciplina de Educação Física na sua proposta de revisão curricular.

Estou espantado com este acesso de lucidez!

Gorduras do Estado

O Tribunal de Contas chumbou um contrato de 1,1 milhões de euros que foi celebrado, em Janeiro de 2011, pela empresa pública Parque Escolar com a construtora Mota-Engil.
(…) acusa o TC, a empresa celebrou um contrato “com vista a executar uma empreitada cujas obras já estavam concluídas e sem que houvesse quaisquer outras obras a realizar no seu âmbito”.

Percebem agora o conceito de Estado gordo?

Serviço público versus serviço privado

“Os pais de Joana, uma menina de nove anos que precisa de terapia da fala, puderam até agora usar uma sala da escola Básica Vasco da Gama, em Lisboa, que a criança frequenta, para esta ter sessões com a terapeuta duas vezes por semana, mas na semana passada receberam uma mensagem de correio eletrónico da diretora do Agrupamento Eça de Queiroz a informá-los de que a partir de agora terão que pagar dez euros por cada hora que a sala seja utilizada.”

Sem demagogia, vamos aos factos:

1. A menina precisa de terapia da fala e a escola não tem terapeuta da fala;

2. Os pais da menina recorrem a um serviço privado e contratam uma terapeuta;

3. Os pais da menina solicitam à escola a cedência de uma sala para o serviço;

4. A escola aluga uma sala aos pais da menina para que o serviço privado seja realizado;

Deve a escola pública patrocinar serviços privados?

Observada a questão numa ótica mercantil é óbvio que dinheiros públicos não devem servir para patrocinar serviços privados. A escola fez o que devia.

Observada a questão numa ótica de serviço público, de um serviço social de apoio às crianças e jovens com necessidades educativas especiais, a escola pública não é uma empresa e as lógicas de serviço público têm outro quadro de referência: a pedagogia. A escola não fez o que devia.

Decidam-se: Não podemos ter sol na eira e chuva no naval!

Constituição “à la carte”

O presidente da comissão de Assuntos Constitucionais, Fernando Negrão, defendeu hoje que a petição que já reuniu mais de 23 mil assinaturas pedindo a demissão do Presidente da República é de “objeto impossível” porque “a Constituição não o permite”.

A sério, Negrão? Olhe que eu não seria tão taxativo. Depende do modo como se decifra a Constituição. A acreditar na sapiência e na coerência do professor Marcelo, a Constituição deve ser situada (a expressão é minha). Dito de outra forma, a Constituição deve ser lida e interpretada num determinado contexto histórico e social. Foi assim que os constitucionalistas mandaram às malvas a Constituição no caso do roubo nos salários e nos subsídios dos funcionários públicos.

Não percebo por que não o podem fazer no caso da demissão do Presidente.

Blasfémia, senhores…

Entre uma leva de aulas li a Recomendação sobre Educação para a Cidadania (Recomendação n.º 1/2012) do Conselho Nacional de Educação (CNE).  Após apreciação do projeto de Recomendação elaborado pelo Conselheiro Almerindo Janela Afonso, o CNE deliberou aprovar o referido projeto.

Divergindo dos propósitos do governo, o CNE recomenda a manutenção da disciplina de Formação Cívica (cf. Decreto -Lei n.º 50/2011 de 8 de abril) considerando que “deve ser assumida como uma dimensão fundamental no ensino secundário, em adequada articulação com os processos que visam os melhores níveis de sucesso académico dos alunos. No ensino básico, deve ser revalorizada a educação para a cidadania democrática no âmbito da Formação Cívica, resgatando-a do enclausuramento excessivo relativo à gestão quotidiana dos problemas que decorrem das funções da direção de turma.

Não me surpreendi com o teor das recomendações e, sobretudo, com a crítica explícita sobre “as expectativas sociais e oficiais em relação ao currículo (por) privilegiarem a transmissão de conhecimentos, num contexto de algum modo favorável à indução de uma crescente seletividade e remeritocratização académicas.”

Ficarei apenas surpreendido se Nuno Crato não vier a terreiro defender a “implosão” deste seu órgão consultivo… por heresia.

(Des)Aparecido

O Luís Carlos foi encontrado, hoje, em Moreira de Cónegos.