Arquivos mensais: Abril 2007

Obesidade…

A obesidade é o tema de hoje do debate do Prós.

Acabou agora a primeira parte do programa e a minha primeira referência é dirigida à constituição do painel de convidados: Não foi explicada a ausência de um especialista em exercício…

A segunda nota vai para o programa da educação para a saúde nas escolas, que não é erigido, como devia, num programa de promoção de actividade física.

A terceira nota, esta de carácter mais geral, vai para a necessidade de articular várias políticas para responder à epidemia, nomeadamente, as políticas do emprego, da comunicação social e da educação,…

Serviço público…

… no blogue do JMatias Alves.

Outros olhares…

Dando sequência a uma série de entradas em que procurei evidenciar o papel da blogosfera na criação de redes de reflexão com fins profilácticos, o destaque que a LN atribui ao outrÒÓlhar é recíproco e não pode ser mais oportuno. E é oportuno porque me permite divulgar os blogues que me fazem pensar mais profundamente e, ao mesmo tempo, reconhecer quão orgulhoso me sinto de poder partilhar com eles um espaço criador de inteligência.

A tarefa é aparentemente muito simples: escolher os CINCO blogues que me fazem pensar! É um Prémio oriundo da «X LIST», Thinking Blogger Awards. É verdade LN, como lidar com o paradoxo da escolha sem exclusão?
Ao concentrar-me no Aragem, evidencio o contributo de sete colegas de viagem e, desse modo, fico com mais espaço para outras nomeações. Estes amigos, de modo mais ou menos explícito, não me obrigam apenas a pensar, obrigam-me também a estar: o Miguel, do Educar para a Saúde, a Isabel, do Memórias Soltas de uma Professora, a Teresa, do Tempo de Teia, a Teresa, do Talvez uma Península, a Tit, do Canto do Vento, o tsiwari, do 4thefun, e a Ana, do Vida de Professor.

Antes de elencar as minhas nomeações, quero aproveitar as referências da LN para sublinhar a qualidade de alguns blogues: «Reformar o ensino superior» de JVC [não creio que ele aprecie o epíteto de Papa da blogosfera… mas que lhe fica bem, lá isso fica ;)], «Que Universidade?» do MJMatos , «UniverCidade» do Luís, e «A Educação do meu umbigo» do Paulo Guinote.

E agora sim, as minhas cinco nomeações [como se perceberá, sofro da doença “contabilística” do ME]:

São dores…

“Os stôres já postam. Usam a Internet para fazer queixas, confessar angústias, mostrar esperanças. Está lá tudo, em forma de post, nos blogues, para quem quiser ler. Os alunos que são “demónios”, as aulas que são uma “tortura”, os encarregados de educação que “nunca aparecem”. Até a ministra, que é “sinistra”. Todos os dias, milhares de professores estão ao teclado a mostrar o outro lado da profissão”.

Sei que são dores, só não sei é se são dores de dentes ou dores de crescimento?!

É curioso que só agora a imprensa tradicional descobre que os “stôres” já postam… E não deixa de ser mais curioso é que associem a blogosfera docente a um tipo de acção contestatária à (in)acção da ministra da educação. Bem, no meu caso a coisa é mais difícil de explicar: Se bem me lembro, desde que criei este blogue, já passaram pelo ministério três ministros da educação…

hummmm…. Será que esta descoberta é consequência das declarações hostis do engenheiro acerca da blogosfera, ou é um receio [justificado] pelo facto de existir nos bloggers um desejo intenso de… banalizar a imprensa diária?

Da lucidez…

Sobre a importância da greve geral
São José de Almeida * [Público, 28/04/2007]

[…] Não é em vão que se convoca uma greve geral, uma greve geral tem um significado político preciso. E, ainda que não se entenda a greve geral na perspectiva de Georges Sorel – para quem, mais do que uma forma de luta, mais mesmo do que a forma de luta, ela era o valor revolucionário supremo, através do qual se daria a superação da sociedade liberal -, ninguém pode contestar que a convocação de uma greve geral, quer nas suas leituras sociais-democratas, quer nas suas leituras comunistas, é um acto político, uma forma de combate político puro.
Por isso, não há possibilidade de, em rigor, vir a considerar que o acto de combate convocado para 30 de Maio é uma manobra controlada pelo PCP, uma diversão para pressionar o Governo, ou uma forma de luta para obter dividendos laborais ou salariais: unia greve geral não existe para discutir salários, nem creches e salas de ginástica nas empresas, uma greve geral só existe enquanto combate a um modelo de sociedade, enquanto forma política de luta. E surge como cristalino que a greve geral agora convocada tem como objectivo combater a política de desregulação representada pelo Governo de José Sócrates. […]

Os comentadores exigem assim a José Sócrates que prossiga na revolução social que aceitou introduzir em Portugal e que está em curso na Europa, uma revolução de inspiração neoliberal que tem como objectivo reorientar a distribuição da riqueza produzida exclusivamente em função do interesse e do lucro das empresas e não também em função do interesse e do bem-estar dos cidadãos. […]

Apesar de muitas vezes entregues a aristocracias que se perpetuam no poder, os sindicatos apresentam-se como os que podem tentar ser um obstáculo à política do Governo liderado por José Sócrates, depois da diluição da ala esquerda do PS, das limitações do PCP e da orientação para uma agenda mediática do BE. Resta perceber até que ponto a sociedade portuguesa está suficientemente politizada e madura e as pessoas vão de facto resistir e lutar pelos seus interesses. Mas essa incógnita só terá resposta a 30 de Maio, através da dimensão e da força de adesão em massa ou não dos portugueses à fase de luta política que representa aderir a uma greve geral. […]”

*Jornalista

PS: Para ler o artigo na íntegra, faça um clique na imagem.

Do pasquim…

“A ausência de números oficiais sobre o abandono escolar em Portugal foi, ontem, fortemente criticada pela nova direcção da Confederação Nacional de Acção Sobre Trabalho Infantil (CNASTI) que interpreta a situação como um reflexo do desprezo estatal pela educação e pelas crianças. Os únicos números de 2006, disponíveis no Eurostat, evidenciam, no entanto, uma realidade algo peculiar e difícil de analisar, apontando para uma taxa de 40% de abandono escolar na faixa dos 18 e os 24 anos.
[…] Sabemos que existem, que saem da escola, que são muitos. Pensamos que as escolas não sinalizam os casos, nem avisam as entidades ou então avisam, mas ninguém actua. Mas para onde vão estas crianças? […]”

Como observou, e bem, Maria Lisboa, “Será que esta gente conhece a legislação do país?! Ninguém saberá que a escolaridade obrigatória é até aos 15 anos… e que é até essa idade, e só até essa idade, que as escolas têm que reportar o abandono, se sistemático e continuado?”

Se o ridículo matasse, algumas redacções encerravam por falta de mão-de-obra!

Encanecendo

[13/05/05]

O tempo é fenomenológico. E como diferem os sentidos subjectivos do tempo.
E se juntarmos ao tempo um corpo fenomenológico? O que é que vemos? Um tempo corporal. Vemos um corpo vivido! Através do corpo, ou melhor dos modos de percepção do uso do próprio corpo, vamos tomando consciência de vários corpos: o meu corpo, o corpo que se evidencia aos outros, o corpo objecto de estudo, e o corpo da corporeidade. É deste corpo que me interesse falar: do corpo que me obriga a conhecer-me porque eu sou o meu corpo, como dizia um autor de referência num livro de referência, algures.
Sinto que o meu tempo vivido é mais curto que o meu tempo contado. E, paradoxalmente, sinto que a parábola da vida marcha, vertiginosamente, para uma fase descendente. É esta falta de homogeneidade no tempo vivido que me permite reescrever a história da vida sob diferentes matizes. Hoje é o tempo. Este continua a ser o meu tempo.

“Este é o tempo
da selva mais obscura
Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura
Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada de amargura
Este é o tempo em que os homens renunciam.”

Sophia de Mello Breyner,
Mar Morto (1962)