Arquivos mensais: Novembro 2009

Do oásis ao deserto, em Santo Onofre.

O desfecho do caso Santo Onofre, embora ainda não o seja sob o ponto de vista jurídico, é já revelador de uma das maleitas das culturas docentes que os trabalhos de Hargreaves bem retratam. Ainda pensei que esta escola fosse um oásis num deserto de solidariedade. Infelizmente, o caldo de cultura profissional de Santo Onofre contém os condimentos que azedam as relações profissionais. Refiro-me ao individualismo, que é considerado com a forma cultural dominante entre os professores e que se caracteriza pelo desenvolvimento de atitudes que se traduzem no evitar a discussão protegendo-se de qualquer compromisso com projectos, o que traduz um certo conservadorismo; e a preferência do “cada um por si”, que se reflecte no afastamento de causas comuns. Os colegas de Santo Onofre que renunciaram, legitimando um modo canhestro de fazer política, preferiram o deserto ao oásis: Por masoquismo ou por comodismo!

O Paulo, no Correntes, conta-nos como foi.

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Escola é "uma instituição que já não ensina e que não tem espaço para educar".

“Comportamentos de risco na adolescência” foi o tema de uma palestra direccionada para pais promovida pela associação de pais à qual pertenço. Manuel Freitas Gomes foi o orador convidado. Directo, incisivo q.b., provocador, MFGomes sublinhou as ideias contidas nesta entrevista conduzida por Ricardo Jorge Costa do jornal A página da Educação.

Atrevo-me a resumir (espero que sem empobrecer) o tema da palestra a uma ideia-chave: Urge transformar o paradigma da escola a tempo inteiro pelo paradigma da família a tempo inteiro, enquanto é tempo!

Um político com H pequeno ;)

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, revelou hoje que a situação líquida negativa do BPN, que poderá chegar actualmente aos dois mil milhões de euros, pode agravar-se face ao acumular de prejuízos do banco.(In: JN)

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O primeiro-ministro afirmou hoje que, se os diplomas da oposição sobre economia forem aprovados em votação final global, representarão um aumento de despesa na ordem dos 2000 milhões de euros e colocarão em causa as contas públicas. (in: JN)

Com a humildade que o caracteriza, JSócrates, o paradigma do político coerente e consequente, assumiu hoje a responsabilidade de ter colocado em causa as contas públicas logo que foi informado pelo ministro da finanças que os prejuízos do BPN, um banco que o PS nacionalizou, podem chegar aos 2 mil milhões de euros.

É gente desta grandeza que o país precisa!

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Adenda:
“O novo código, aprovado a 23 de Julho no Parlamento, pretende juntar, pela primeira vez, num só diploma, todos os direitos e obrigações dos contribuintes e beneficiários da Segurança Social. Segundo o ex-ministro da Solidariedade Social, Vieira da Silva, o Estado iria arrecadar inicialmente 80 milhões de euros, por ano, que poderiam chegar aos 170 milhões quando o sistema estivesse estabilizado.” (in: JN)

O que impressiona mesmo é o tom demagógico e falacioso no uso dos números: Misturam-se alhos com bugalhos para tentar, a todo o custo, justificar uma opção política. Dispararam-se números como quem dispara robalos! (Espero que me perdoem a pobreza da analogia.)

Haja decoro!

Ora, vamos lá ver se entendi o problema, caro Ramiro:

O ME tem legitimidade para afunilar a carreira, criar uma carreira tripla, ou criar filtros para retardar o acesso dos docentes ao topo da carreira, porque não há profissão onde todos tenham garantias de atingir o topo da carreira?

E se olhássemos para o problema por outro prisma: Como os professores têm garantias de que é possível atingir o topo da carreira, outros profissionais podem reclamar o direito de atingir o topo da carreira, desde que demonstrem proficiência profissional.

Para quê adoptar um referencial profissional onde a excelência é a excepção e a mediocridade a regra?

O quê? Não se trata de um problema de verificação da competência funcional mas de um problema de gestão financeira?

humm… querem uma educação de qualidade… baratinha?

A educação e a cultura custam dinheiro. Uma comunidade apostada no seu desenvolvimento não hesitará em investir na cultura e na educação.

E depois dos esbanjamentos de dinheiro público a que temos assistido, haja decoro!

Não me comprometas, Deloitte!

deloitte

A Deloitte não identificou "a prática de quaisquer actos que constituam crime público" nas relações entre a REN e a empresa O2, do empresário Manuel Godinho – principal arguido no processo Face Oculta, indicou hoje a empresa energética.

A Deloitte não é a aquela empresa de auditoria que aconselha a clientela a consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão ou acção que possa afectar o património ou negócio?

Se é verdade que a Deloitte não se quer comprometer porque só os profissionais qualificados é que percebem da poda, pergunto:

1. Se fosse identificado um acto que constituísse crime público nas relações entre a REN e a empresa O2, do empresário Manuel Godinho, a Deloitte violaria ou não o seu dever de reserva?

2. Se a REN deve consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão que afecte o seu negócio, e bastava que fosse confirmada a existência de um acto que constituísse um crime público, por que razão a empresa não contratou, desde logo, esse profissional, evitando gastos desnecessários?

3. Há notícia de algum relatório produzido pela Deloitte que fosse pernicioso para a empresa que contratou os seus serviços?

Há sempre uma face oculta das notícias que revela outro modo de subir na vida.

Cavaco Silva lembrou a importância da Educação na vida de todos os portugueses, nomeadamente do ensino secundário. “Hoje, sem a educação, sem este instrumento, podemos mesmo dizer, sem o ensino secundário, é muito difícil subir a escada da vida”, afirmou, perante uma plateia de alunos e professores, lembrando o seu próprio percurso

Lamento discordar de si, senhor Presidente. É cada vez mais difícil de demonstrar aos jovens que a escada das traseiras não é a mais segura para subir na vida. Estará o senhor Presidente em condições de garantir que quem se mete por atalhos, nunca se livra de trabalhos?

Hipérboles

hipérbole Foi relativamente fácil mobilizar os professores! Um ME desastrado e incompetente criou uma guerra, abriu uma barricada e acantonou os professores do outro lado. A pressa de mostrar os bons serviços às chefias (o lambe-botismo é uma causa estrutural), a necessidade de diminuir a despesa pública (a causa política transviada), e o recalcamento de alguns dirigentes políticos de topo ressabiados com a classe profissional (a causa visceral), foram as principais causas de tamanha incompetência.

Foi relativamente fácil dividir os professores! Paulatinamente, à medida que se foram apercebendo da dimensão do disparate, os principais responsáveis pela entropia no sistema educativo conseguiram juntar um segundo neurónio ao primeiro e dessa sinapse resultou a admirável ideia de dividir para reinar. Bolachinhas para os titulares, chazinho para directores e ameaças veladas para todos, eis o antídoto que fez com que alguns professores pulassem a cerca da contestação.

É relativamente difícil mobilizar os professores! A derrota eleitoral do PS, que se traduziu numa perda de maioria absoluta, obrigou o general Pinto de Sousa a rever a sua estratégia. Deu ordens às tropas que, num ápice, levantaram o cerco, embora a maioria dos professores continuem acantonados, não vá o diabo tecê-las. Aos poucos, o sentimento de sobrevivência dará lugar a um sentimento de regeneração profissional. Ainda se lambem as feridas resultantes de uma longa batalha e já regressaram as questiúnculas e os conflitos comezinhos na escola situada. O paroquialismo será sempre um obstáculo a uma cultura de colaboração.

É relativamente fácil mobilizar os professores! Renegociado o ECD, inventado um modelo de ADD que sirva o desenvolvimento profissional, há que levar a classe dos professores a participar nos grandes desafios da educação. Há que envolver os professores no questionamento dos CONTRATOS SOCIAIS que formam os pilares da nossa sociedade. Dir-me-ão que são desafios quiméricos que nenhum professor poderá concretizar. Errado. Há que ser claro nas grandes metas para que o trabalho partilhado e situado seja congruente.

E que desafios são esses?

1. Estabelecer um novo contrato social baseado na educação ao longo da vida como forma de erradicar a pobreza absoluta e de reavivar os valores democráticos.

2. Repensar um contrato natural que faça do homem não o dono da natureza mas o seu depositário.

3. Reinventar um contrato cultural que integre e harmonize a diversidade cultural.

4. Redefinir as exigências éticas que estão subjacentes ao próprio ideal dos direitos do homem.

É relativamente fácil mobilizar os professores se as políticas educativas forem apelativas e congruentes com uma ideia de escola que deve ser sempre cultural.

(imagem daqui)