Entregar a ficha de auto-avaliação (FAA), eis a questão.

Um conjunto de colegas, devidamente identificados e acreditados na luta dos professores, decidiram manifestar publicamente a indisponibilidade para entregar a ficha de auto-avaliação nos moldes determinados pela tutela. Fazem-no em nome da sua consciência e salientam “que esta declaração não é um apelo a qualquer tomada de posição semelhante por ninguém, mas tão-só a afirmação da nossa.”

A Fenprof, respeitando as opiniões dos professores, designadamente materializadas em mais de um milhar de reuniões realizadas durante a semana de Consulta Geral, apela a que, com a entrega da sua ficha de auto-avaliação, reafirmem o seu desacordo com este modelo de avaliação através da ENTREGA DE UM PROTESTO, COLECTIVO E/OU INDIVIDUAL.”

Ao contrário do que possa parecer, as duas posições são complementares. Dir-me-ão que se trata de um paradoxo mas eu estou convencido de que não é, já que esta complementaridade decorre da responsabilidade de cada um dos grupos face à não despicienda representatividade, ou falta dela. Isto é, o grupo dos ousados colegas fazem-se representar a si próprios, não assumindo para si o ónus de eventuais perdas colectivas; enquanto a FENPROF representa um colectivo de professores, assumiu o compromisso de os apoiar e subsidiar nas acções individuais por si aconselhadas, e é responsabilizada politicamente pelos resultados que advierem dessas tomadas de posição.
Apesar de não terem feito qualquer apelo explícito à não entrega da FAA, os colegas subscritores da declaração acabam por fazê-lo veladamente, porque se assim não fosse, a acção pública não faria qualquer sentido já que bastaria agir com discrição na escola situada. Ao tornar pública uma posição que é individual, espera-se muito mais do que a merecida anuência de alguns colegas; espera-se uma adesão efectiva dos colegas. E não vem nenhum mal ao mundo por isso!

A FENPROF, pelo seu lado, assume uma posição de luta mais moderada, porventura menos ofensiva mas muito mais representativa da vontade dos professores. Se a FENPROF foi injustamente acusada de ter decidido contra a vontade da maioria dos professores no caso da entrega dos objectivos individuais, apesar do número exorbitante de assinaturas que a desafiavam a agir como agiu, agora não deveria ser acusada por não se deixar enclausurar numa acção de luta que seria levada a cabo por uma minoria de professores.

Quando afirmo que as duas posições são complementares, quero dizer que ambas visam o mesmo objectivo embora adoptando diferentes metodologias. Utilizando uma desapropriada linguagem bélica para retratar o combate político, direi que uma aposta numa luta de guerrilha, mais corpo-a-corpo, enquanto outra procura o desgaste do adversário face ao número de efectivos envolvidos.

Se todos são os meios são poucos para lutarmos contra o adversário político comum, é perfeitamente escusada a luta entre pares dentro da barricada. E quem não entender que este não é o tempo para dar tiros nos pés (ou nos colegas de luta), permitam-me o atrevimento: calem-se!