Vendilhões de sonhos e de fantasias.

Confesso que fiquei espantado com os erros grosseiros das sondagens que antecederam as eleições para o parlamento europeu. Percebo o Paulo quando questiona o interesse e a utilidade de sondagens se não existir fiabilidade. Espero que os responsáveis das empresas que as elaboraram reconheçam os erros grosseiros, publicamente. Mas mais importante do que o reconhecimento dos erros, espero que estes responsáveis avancem com explicações aceitáveis e claras sobre o que aconteceu, porque se não o fizerem, não é só o futuro do negócio que fica em perigo. Pode ficar em perigo uma ideia de governabilidade à vista desarmada, isto é, uma governabilidade que procura em cada deliberação a imediata anuência das maiorias. É uma governação do efémero que, vamos lá admitir, até pode resultar com sondagens credíveis. Mas resulta menos com os vendilhões de sonhos e de fantasias.

Não se admire se a acolitagem do poder tentar prolongar ainda mais o estado de alienação em que vivem alguns dos nossos políticos. É bem provável que procurem justificar o indefensável dizendo que o erro, afinal, só aconteceu nas urnas de voto. E que os culpados, a haver culpados, foram os eleitores que os enganaram… coitados!