Sobre a incoerência dos argumentos putativamente coerentes…

O Ramiro, um incansável defensor de tudo ou praticamente tudo que é medida deste governo, como fora contra tudo ou quase tudo o que resultou do governo PS, recorre a um argumento falacioso para alterar a lógica dos concursos de professores. Como o ensino superior anda em roda livre e há “capelas” que ninguém controla, porque “há instituições de ensino superior rigorosas e exigentes e outras onde falta rigor e exigência, as classificações finais de curso não aferem a qualidade dos candidatos”, o Ramiro defende os concursos locais de professores. Desse modo, seriam reduzidas as injustiças criadas pela ausência de um critério uniforme entre as instituições formadoras de professores para a classificação dos candidatos. E como é que as escolas resolveriam o problema? Resolveriam o problema através de entrevistas com guião à la carte à medida de candidatos amigos? Ou com a definição de regras de concurso cujos critérios de selecção decorrem de uma análise prévia do currículo do candidato X? Não se sabe. Sabe-se que desse modo o candidato da Universidade de Coimbra, só para não fugir do exemplo reproduzido pelo Ramiro, ficaria sempre à frente do candidato saído de um curso de uma privada.

Quem me dera viver no teu mundo, Ramiro…

Admitamos, como hipótese académica, que o concurso local é mais justo e há mais equidade do que no concurso nacional. Não seria coerente defender este modelo para o acesso ao ensino superior? Se os candidatos ao ensino superior fossem escolhidos localmente pelas faculdades, porque há escolas do ensino secundário rigorosas e exigentes e outras onde falta rigor e exigência, e toda a gente sabe que é mais difícil sair com 13 valores de uma escola pública do que sair com 16 valores de uma escola privada(?), para quê perder tempo com exames nacionais falaciosos e com médias do ensino secundário inflacionadas em escolas especialistas na trapaça?

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One thought on “Sobre a incoerência dos argumentos putativamente coerentes…

  1. José Manuel Faria 21/09/2011 às 21:23 Reply

    Completamente de acordo. E esta “coisa” das câmaras terem o poder sobre os profs de EF e Inglês assim como dos auxiliares é um regabofe de cunhas.

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