Alarme

Quem foi que anoiteceu a tarde em água e vento
e encheu de Inverno o Outono em que me escondo?
Quem foi que amarfanhou o meu sorriso antigo
e encheu de lama estrelas que sonhava?
Vontade de escarrar,
vontade louca
de dizer palavrões
a toda a gente!…
E tudo fica igual,
como se nada
tivesse acontecido
em qualquer parte;
e tudo fica mudo,
a mastigar
pra dentro
os palavrões
que era
preciso
dizer,
para que a tarde
fosse tarde
e o Outono
Outono
e o riso fosse riso
– um bimbalhar de sinos –
e as estrelas
brilhassem como sóis…
É preciso
acordar
a madrugada
-antes que a matem,
inda mal desperta!…

Alfredo Reguengo

(Deslocalizado do blogue da Maria Lisboa ;))